28.08.10 13:36
“Senhor, logo que eu vi a natureza as lágrimas secaram. Os meus olhos pousados na contemplação viveram um milagre de luz que explodia no céu, eu caminhei senhor, com as mãos espalmadas eu caminhei para a massa de seiva. Eu senhor, pobre massa sem seiva. Eu caminhei. Nem senti a derrota tremenda do que era mau em mim. A luz cresceu, cresceu interiormente e toda me envolveu…”
Vinicius de Morais. ( De o caminho para a distância)
As aulas de Yoga Integral têm por objetivo, fornecer os ensinamentos necessários ao perfeito e livre desenvolvimento das capacidades física, mental, vital, psíquica e espiritual de cada aluno, conforme suas necessidades individuais.
Os exercícios desenvolvem a concentração bem como a sensibilidade do corpo, sendo muito mais de natureza interior do que físico-fisiológica, despertando – possivelmente – a percepção das dimensões enormes em que um simples gesto corpóreo pode nos introduzir.
A metodologia do ensino
O yoga é uma arte milenar e complexa que segue um parâmetro técnico e espiritual, fundamentado nas literaturas sagradas da Índia como exemplo, o Yoga –Sutras de Patãnjali – um texto clássico que contém profundos ensinamentos sobre Raja Yoga, o Hatha Yoga Pradipik, descrito por Swami Svatmarama e o clássico Bhagavad Gita com sua suprema mensagem de autoconhecimento e auto-realização. Dentro do aspecto educacional propriamente dito o Yoga Integral se baseia, além dos clássicos da Literatura Sagrada, em alguns princípios fundamentais, são eles:
O PRIMEIRO PRINCÍPIO:-Do ensinar.
O professor não é um instrutor ou mestre de tarefas, ele é alguém que ajuda e guia. Sua tarefa é sugerir e não impor. Ele, no fundo, não treina a mente do aluno, ele apenas lhe mostra como aperfeiçoar seus instrumentos de conhecimento, e o encoraja no processo. Ele não transmite conhecimento, ele lhe mostra como adquirir conhecimento para si mesmo. Ele não faz aparecer o conhecimento que está dentro; apenas lhe mostra onde se situa e como pode ser habituado a subir à superfície. Este princípio serve para crianças e adultos, a diferença de idade serve apenas para diminuir ou aumentar a quantidade de ajuda necessária; não muda sua natureza.
O SEGUNDO PRINCÍPIO:- É que a mente tem que ser consultada em seu próprio crescimento.
A idéia de martelar a pessoa para dentro de uma forma desejada pelos pais ou professor é uma superstição bárbara e ignorante. É ela própria que deve ser levada a expandir-se de acordo com sua própria natureza.
Estabelecer de antemão as qualidades, virtudes, capacidades ou idéias que o indivíduo deve possuir é forçar a natureza a abandonar seu próprio Dharma. É uma tirania egoísta sobre a alma humana e um ferimento à nação, que perde o benefício do melhor que um ser humano poderia ter dado a ela e, em vez disto, é forçada a aceitar algo imperfeito e artificial, de segunda mão, padronizado e comum. Cada um tem em si algo divino, algo bem seu, uma chance de perfeição e força em uma esfera, por menor que seja, que Deus oferece a ele para pegar ou recusar. A tarefa é encontrar isto e desenvolvê-lo e usá-lo
“…A ti senhor, gritei que estava puro e na natureza ouvi a tua voz. Pássaros cantaram no céu, eu olhei para o céu e cantei, cantei…”
Vinicius de Morais ( De o caminho para a distância)
O TERCEIRO PRINCÍPIO: -A educação é trabalhar a partir do que está perto para o que está distante, a partir do que é para o que deve ser.
A base da natureza humana é quase sempre – em acréscimo ao passado de sua alma – sua hereditariedade, seu ambiente, sua nacionalidade, seu país, o ar que ele respira, as paisagens, sons e hábitos a que ele está acostumado. É disto então que temos que começar. Não devemos arrancar a natureza pelas raízes da terra em que ela deve crescer, ou rodear a mente com imagens e idéias de uma vida que é estranha a esta em que deve fisicamente se mover. Se alguma coisa tem que ser introduzida de fora, ela deve ser oferecida, não forçada sobre a mente. Um crescimento livre e natural é a condição do desenvolvimento genuíno. É o arranjo de Deus que nossas almas pertençam a uma nação, época e sociedade particulares. O passado é nossa fundação, o presente é nosso material e o futuro é nosso objetivo e cume.
A Sadhana (disciplina espiritual)
O aspirante a sadhana (disciplina espiritual) é orientado a trabalhar dentro de quatro austeridades ou quatro disciplinas (tapasya). Antes de abordar a descrição dos quatro gêneros de austeridades exigidas, é preciso esclarecer uma questão que é a fonte de muitas confusões. Geralmente confunde-se austeridade com mortificação, e quando se fala em austeridade, isso faz pensar na disciplina do asceta Hindu que, para evitar a árdua tarefa da espiritualização da vida física, vital e mental, a declara intransformável e afasta para longe de si. Para o Yoga Integral o problema é bem diferente, a austeridade a que o Yoga Integral se refere consiste não em uma supressão, uma abolição, mas numa transmutação, numa sublime alquimia.
…”Senti a alegria da vida que vivia nas flores pequenas senti a beleza da vida que morava no céu e cantei e cantei”…
Vinicius de Morais (De o caminho para a distância)
A primeira disciplina:-Beleza
Educação do físico: Seu programa de base será a construção de um corpo belo em suas formas, harmonioso em suas posturas, flexível e ágil em seus movimentos, forte em suas atividades, resistente em seu funcionamento orgânico e em sua saúde.Devemos construir em nós nervos de aço em músculos elásticos e poderosos para poder suportar tudo, quando isto for indispensável. Mas ao mesmo tempo é preciso ter muito cuidado em só exigir de seu corpo o esforço estritamente necessário, o dispêndio de energia que favoreça o progresso e o crescimento, interditando categoricamente tudo o que produz uma fadiga extenuante e que finalmente conduz à decadência e à decomposição materiais.
A segunda disciplina:- Poder
Educação do vital: O ser vital em nós é a sede dos impulsos e dos desejos, do entusiasmo e da violência, da energia dinâmica e das depressões desesperadas, das paixões e das revoltas. Ele pode pôr tudo em movimento, construir e realizar; mas ele pode também destruir e estragar tudo. Assim, talvez no ser humano, ele é a parte mais difícil de disciplinar. É preciso aprender a se observar, a notar suas reações, seus impulsos e suas causas, a tornar-se testemunha perspicaz de seus desejos, dos movimentos de violência e paixão, dos instintos de posse, de apropriação e de domínio, e do “background” de vaidade sobre o qual eles se apóiam com seus complementos de fraqueza, desencorajamento, depressão e desespero. Para que o processo seja útil, juntamente com o crescimento do poder de observação, deve crescer também a vontade de progresso, de aperfeiçoamento. A vontade pode ser cultivada e desenvolvida como se desenvolvem os músculos, por exercícios metódicos e progressivos. Não se deve ter medo de exigir de sua vontade o seu esforço máximo, mesmo para uma coisa que parece sem importância, pois é pelo esforço que sua capacidade cresce e adquire pouco a pouco o poder de aplicar-se mesmo às coisas mais difíceis. O que você decidiu fazer você deve fazer, custe o que custar, mesmo se para isto for preciso recomeçar seu esforço um grande número de vezes.
A terceira disciplina:-Conhecimento
Educação do mental: O mental não é um instrumento de conhecimento, é impossível para ele encontrá-lo, mas ele deve ser movido pelo conhecimento. O conhecimento pertence a um domínio muito mais elevado que o da mentalidade humana, bem acima da região das idéias puras. O mental deve estar atento e silencioso, para receber o conhecimento do alto e para manifestá-lo; pois ele é um instrumento de formação, de organização e de ação; e é nestas funções que ele atinge seu valor pleno e sua real utilidade. Outra característica da educação mental é o controle da fala. Muitas disputas podem ser assim evitadas e é sempre bom controlar as palavras que pronunciamos e nunca deixar a língua ser movida por um movimento de cólera, de violência ou de irritação. Não devemos emprestar nossa boca para que más vibrações sejam projetadas na atmosfera.
A quarta disciplina:-Amor
Educação psíquica e espiritual: Todo indivíduo traz dentro de si a possibilidade de uma consciência superior, que ultrapassa os esquemas de sua vida atual. O que a consciência mental não sabe e não pode, esta consciência sabe e faz. Ela é como uma luz que brilha no centro do ser, e irradia através das grossas cobertas da consciência exterior. As educações (física, vital e mental) são o meio de construir a personalidade, de fazer surgir o indivíduo da massa amorfa e subconsciente, para fazer dele uma entidade bem definida e consciente de si. Com a educação psíquica, abordamos o verdadeiro motivo da existência: a consagração do indivíduo ao seu princípio eterno. É esse estado maravilhoso que queremos realizar na terra, é ele que poderá transformar o mundo para fazer dele um lugar de habitação digna da presença Divina.
“…A minha voz subiu até ti, senhor e tu me deste a paz. Eu te peço senhor, guarda meu coração no teu coração, que ele é puro e simples. Guarda a minha alma na tua alma, que ela é bela senhor, guarda meu espírito no teu espírito, porque ele é minha luz. E porque só a ti ele exalta e ama.”
Vinicius de Morais (De o caminho para a distância)
Blibliografia
AUROBINDO Sri, Revistas Ananda, impressas pela Casa Sri Aurobindo – MG. Com Autorização de seus representantes.
MORAIS, Vinicius de, 1913-1980, O posta não tem fim, (Pinturas Dulio Pierri; fotografias Keydisc/Levendula)
Cotia, SP: Vergara e Riba Editoras, 20004. (Coleção melhor dos melhores)
Professora Ana Célia Barros Barbosa
Posts Relacionados
Espaço dos leitores
Comentários | Comente
Importante
Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as consequências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Participe | Comente esta notÍcia
Subscreva o feed RSS 2.0 para comentários.
Comente, ou utilize o link abaixo para fazer o trackback no seu site.
http://blog.opovo.com.br/yoga/yoga-integral/trackback
Ashara é 'Counselor' (Aconselhamento psicoterapêutico), com formação em Constelações Familiares e […]
Posts Recentes
Categorias
Arquivos
Blogs O POVO