27.08.10 12:48
Desconectando para conectar-se
Ana Cláudia Magalhães Dutra
É sabido o quanto a internet nos traz a possibilidade de ampliar conhecimentos e contatos, como nunca antes poderíamos imaginar. Por outro lado, os filmes e livros de ficção científica já nos apontavam para este “admirável mundo novo” onde num futuro a humanidade viveria na dependência de máquinas pensantes que lhe poupariam tempo e lhe trariam informações para a realização das tarefas da vida.
Este tempo já chegou. As conseqüências positivas e também negativas para o sistema nervoso humano também já podem ser sentidas, que sejam estas por um período de adaptação, não sabemos ao certo.
Dimensionar nosso próprio potencial mental, nós não podemos, apenas nós vislumbramos que é imenso, mas precisamos nos integrar respeitando as necessidades do corpo físico, do emocional e do espiritual dando-lhe alimentos que nutram e despertem a consciência verdadeira de nossa alma.
O que tem acontecido particularmente com relação à internet é o estabelecimento de um condicionamento comportamental, podendo levar os usuários a um verdadeiro vício. Essa linha, do como eu estou utilizando a máquina para realizar alguma tarefa produtiva e objetiva e quando simplesmente estou conectado por hábito na maioria das vezes não é clara.
A característica principal deste hábito não é uma justificativa prática, por exemplo, realizar uma pesquisa, publicar um artigo, mandar uma mensagem importante. Na grande maioria dos usuários a conexão é feita pela necessidade emocional de contatos dos mesmos, indo do plano profissional, ao de amizades, até mesmo a busca de parceiros amorosos e sexuais.
As perguntas que fazemos são:
Como vai a nossa capacidade de se relacionar, olhar, expressar, tocar, amar no plano real?
Como estamos administrando o tempo para dar conta do trabalho, das necessidades de nosso corpo e da convivência familiar?
Como está o meu relacionamento comigo mesmo? Consigo vislumbrar quem eu sou e quais meus principais objetivos de estar aqui?
Como tenho lidado com a angústia da existência? Tenho alguma prática espiritualista?
SE você meu amigo leitor, parar sinceramente para refletir sobre essas questões, provavelmente perceberá que hoje a internet interfere na sua vida e influencia a maioria das suas respostas.
Quantos de nós fazemos da internet seu veículo de comunicação e se ilude com amigos virtuais, nunca conseguindo verdadeiramente compartilhar suas vivências, a maioria dos diálogos desses sites de relacionamentos são superficiais. Mesmo quando nós imaginamos que escondido atrás da tela digitamos nossos desejos mais profundos, ou mesmo vendo diante de uma web câmera uma insatisfação continua…
A insatisfação faz parte das relações humanas virtuais ou não, a máquina limitante apenas acentua a carência que está num nível mais profundo.
Muitos utilizam a internet para satisfazer suas necessidades sexuais e também espirituais e de autoconhecimento. Muitos perdem noites preciosas de sono, esquecem de comer, perdem o contato com seus mais próximos mantendo relações superficiais e desprovidas de afetividade.
Se não tivermos muito atentos e conscientes, a máquina como um “deus” ou “demônio” ocupa um espaço em nossas vidas sagrado, o espaço da alma, dominando tudo: podemos trabalhar com ela, nos relacionar através dela, fazer sexo com ela, estudar com ela, fazer lazer com ela, nos conhecer através dela, até “meditar” e” refletir sobre coisas espirituais.
Ficamos na ilusão de estarmos conectados com o mundo e com as coisas mais importantes para nós, mais infelizmente se observarmos o que está acontecendo na vida de nós usuários: ansiedades, insônias, irritabilidade, tensões musculares, problemas de relacionamentos, esquecimento do corpo e de suas necessidades, mesmo defendendo os ideais mais puros e belos nós nos vemos envolvidos em conflitos e violência contra nós mesmos e os outros. Estamos desconectados de nossa alma. Precisamos urgentes parar desligar o computador. Será que você consegue um dia? Retornar para as coisas simples da vida, conversar frente a frente com quem realmente podemos chamar de amigos, caminhar descalços na praia, sentir o vento e o cheiro de flores, dançar, tocar, dizer eu te amo olhando nos olhos…
Infelizmente a maioria acha que não dá mais para viver sem a máquina, enquanto isso, presos na nossa própria teia a defendemos com unhas e dente. Colocar a culpa do que nos faz sofrer fora nós é mais fácil. Experimente por um dia desconectar e sentir o mundo ao seu redor, parar e deixar a voz do seu coração falar, quem sabe se você tiver a sorte de receber uma graça, você perceba que como o filho pródigo da parábola, você precisa voltar para casa, que você já tem tudo que precisa.
Desperta Amor, desperta em Paz!
Ana Cláudia Magalhães Dutra
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Ashara é 'Counselor' (Aconselhamento psicoterapêutico), com formação em Constelações Familiares e […]
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