Yoga

08.09.10 14:26

Consciência

Por: anacelia | Comentários: Comente

Meditação


“Podemos ainda praticar ciência mesmo que aceitemos a primazia da consciência e da matéria”
(Amit Goswami)


O DESENVOLVIMENTO DO HOMEM


“O homem é o único ser que, na sua perfeição, tem a cabeça em relação com o eixo do mundo”
(Aristóteles)


O homem tem se desenvolvido ao longo da história. Esta história começou há mais de 3.000 milhões de anos quando surgiram as primeiras formas de vida na Terra. Depois, a história de vida aqui na Terra tornou-se uma grande caminhada rumo ao desenvolvimento do homem. Há uma linha que liga a primeira célula até o homem. Nenhum ser na face da Terra desenvolveu-se sozinho, todos tem alguma ligação com a minhoca ou o escaravelho.


“…espécies diferentes apresentam variações semelhantes, de maneira tal que a variabilidade de uma espécie adquire geralmente um caráter próprio a uma espécie afim, ou readquire características de uma espécie ancestral distante.”
(CHARLES DARWIN)


Portanto, o homem e todos os seres vivos são resultados da evolução. A inteligência deu um poder incalculável ao homem, um poder que faz do homem um ser terrível para todos os animais e para si também. O homem é o único produto na evolução capaz de reger a evolução. Para alguns o surgimento do homem é um dado cósmico, o homem seria a expressão mais interessante e acabada da vida. Outros ainda acreditam que o homem é o resultado provisório do desenvolvimento desenfreado da evolução, no entanto, a maioria dos cientistas admitem que a evolução do homem se diferencia dos outros seres vivos por conta da evolução sociocultural.


O DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO


“O homem é feito por sua crença como ele acredita assim ele é.”
(Bhagavad- Gita)


Os cientistas afirmam que a maior diferença entre o homem, os mamíferos e os primatas é o desenvolvimento do cérebro na sua proporção e em relação ao peso do corpo. Em termos de organização cortical, em termos de comportamento o homem é o único ser que possui o cérebro com sentido de hierarquia e mais especializado dentro do mundo animal. O cérebro humano é dividido em três tipos filogeneticamente desenvolvidos, refletindo assim a evolução das espécies, dividido em partes hierarquizados:
• O repitiliano;
• O paliomamífero;
• O neomamífero.
O reptiliano possui estruturas responsáveis pelos comportamentos mais simples, como a regulação das funções biológicas vitais, as funções do sono, vigilância e alerta.
O paliomamífero vem como herança dos mamíferos inferiores, é responsável pela sensibilidade protopática e o sistema límbico, que regula os impulsos relacionados ao comportamento de sobrevivência e a reprodução, que visam a satisfação e as necessidades emocionais. O neomamífero, também conhecido por neocórtex, é a estrutura mais organizada, uma aquisição filogenética recente do homem e mamíferos superiores. O neocórtex é responsável pelo desenvolvimento motor voluntário da linguagem, pensamento lógico e quantitativo e os julgamentos sociais. O que levaria o comportamentosocial para um sentido humanizado.


CÓRTEX E ENCÉFALO


“As emoções alimentam-se de sangue e beijos”
(Lia Diskin)

O córtex recobre quase todo o cérebro na forma de uma coberta cinzenta de células nervosas correspondendo a aproximadamente metade do tamanho total do cérebro. O cérebro é composto de duas metades, chamadas hemisférios, divididas por um sulco profundo a fissura sagital um enorme feixe de nervos entre o hemisfério direito e o esquerdo. Os cientistas mostram o tempo todo pesquisas sobre o cérebro, eles nos dizem que o cérebro é divisível em unidades, mas o homem vivência o mundo e a si próprio como algo único, um todo repleto de emoções e sentimentos, um conjunto cheio de surpresas imprevisíveis e não como um simples mosaico cheio de partes diferentes. O encéfalo é dividido em dois hemisférios comuns a todos os seres vivos vertebrados e em alguns invertebrados, no homem o encéfalo é quem estrutura o nosso “ Eu “. As mentes que dominam nossos hemisférios funcionam com funções diferentes e em meio a essa duas estruturas encontramos o corpo caloso, e é a partir deste canal de ligação que um toma conhecimento do que se passa com o outro. O encéfalo esquerdo trabalha com a racionalidade e a comunicação bem comuns em nosso mundo ocidental, mundo que se pretende materialista e individualista o mundo cartesiano. Já o encéfalo direito é responsável por uma visão mais completa de mundo, trabalha com a percepção do todo envolvendo-se com o nosso lado poético, sensível voltado para a cultura oriental. Lembrei-me agora da figura do Iceberg que o Professor Cláudio Azevedo apresentou em sala ( durante o módulo entitulado: o yoga milenar e a ciência atual ), a maior parte do Iceberg estava submerso mostrando que na prática nem mesmo nós temos conhecimento da parte oculta de nossa personalidade. O que de fato somos as nossas sensações e emoções são produzidos pelo sistema límbico onde são gerados os humores e os sentimentos de prazer e realização, pensamentos racionais e conscientes, geradores do comportamento que carregamos durante toda nossa existência. O encéfalo é responsável pela aquisição de tudo que nos é natural como o prazer da segurança, o prazer do sexo, o prazer de se alimentar… somos motivados o tempo inteiro a procurar vivenciar todas as sensações prazerosas da vida, já que supostamente as sensações agradáveis motivam o homem a continuar sua caminhada para a evolução.

Sistema Nervoso Central

CONSCIÊNCIA E LINGUAGEM


“A linguagem é uma coisa de tal modo distinta que um homem privado do uso da fala conserva a língua, contanto que compreenda os signos vocais que ouve.”
(Suassure)


Já sabermos que o cérebro do homem não é o maior em valor absoluto e que também não é o único ser dotado de mãos preênsíveis, no entanto, o homem é o único primata com linguagem articulada, o que o tornou livre da utilização da mão como forma de locomoção e é o único que possui um cérebro dotado de consciência. A biologia entende a consciência como a parte plástica do cérebro por isso a propriedade de adaptar-se as condições de vida adversa, esta plasticidade confere a cada um de nós uma particularidade, uma individualidade. Cada ser humano é resultado dos estímulos que recebeu ao nascer, da genética e do convívio sociocultural durante a infância e a adolescência . O cérebro do homem resulta de uma lenta evolução que, nos últimos 200 milhões de anos, fez surgir elementos formadores da consciência. No início, os seres que precederam o homem diminuíram a importância dos gânglios nervosos que situam-se ao longo de todo o seu corpo e que asseguram seus reflexos automáticos e todos os seus instintos em detrimento de um gânglio mais essencial: o cérebro. Já ao nascermos mergulhamos no mundo da linguagem e da fala produzida em meio ao mundo social. Crescemos convivendo com os sinais os gesto a fala e através destas a palavra. O mundo começa então a ter um sentido um contexto cultural, o pensamento é a forma de entendermos o mundo e de construirmos a nossa consciência, acomodamo entãos o que é ouvido e compreendemos todo esse aprendizado como forma de interação com o mundo. Para Novelli:


“a língua são os primeiros traços de identificação da humanidade no homem. Ao se perceber como habitante da linguagem, o homem rompe com o estado inicial da natureza, a qual estão inseridos os animais e os próprios homens ao nascerem, e ingressa no estado de cultura resultante da organização social e do partilhamento da vida em comum.”


Entre os vários componentes da formação humana a linguagem nos leva rumo ao relacionamento com o mundo, colocando-nos como sujeitos sócio-culturais, a linguagem de fato viabiliza as relações humanas.


A CONSCIÊNCIA CÓSMICA


“É muito difícil elucidar este sentimento (cósmico-religioso) para qualquer pessoa que esteja inteiramente sem ele (…) os gênios religiosos de todas as épocas tem-se distinguido por esse tipo de sentimento religioso que não conhece nenhum dogma (…). Em minha opinião, a mais importante função da arte e da ciência é despertar este sentimento e mantê-lo vivo naqueles que lhe são receptivos.”
(Albert Einstein)

Os filósofos e religiosos estudaram a consciência durante muito tempo. Dentro deste universo filosófico e religioso encontramos indicativos de uma consciência maior, uma consciência cósmica que fala do sentido da vida e da ordenação do universo.

“Esse tema é, de certa forma, tão central no pensamento universal que a quantidade de termos utilizados para descrever este acontecimento é deveras extensa. O Professor Waldo Vieira explicita alguns de seus sinônimos, que reproduzimos no presente momento, com o intuito de esclarecer o leitor a respeito da similaridade de alguns pensamentos aparentemente díspares: auto-absorção; autotranscendência ascendente; batismo do espírito; big-bang consciencial; consciência expandida; consciência intercómica; consciência no plano mental; consciência objetiva; consciência samádica; consciência supercósmica; consciência superlúcida; consciência supramental; consciência transpessoal; euforia extrafísica máxima; experiência clímax; experiência culminante; experiência de imterporalidade; experiência de interporalidade; experiência plauteau; fana ou aniquilação (sufismo); hiperacuidade consciencial global; identificação cósmica; inconsciente transcendental; interfusão total; intimação da mortalidade; kenshu; maturidade extrafísica; mente cósmica; mente holofótica; mente universal; momento absoluto; nirvana ou extinção (budismo); projeção mental (Yoga); satori ou iluminação (zen-budismo); sentimento de transformação; sentimento oceânico; sono sem sono; supermente; supervigilância projetiva; Tao absoluto (taoísmo); toque do infinito; transconciência; união espiritual; unio mystica (misticismo ocidental); wu (chineses); estado êxtase.”

(DANUCALOVI; SIMÕES)


Podemos entender este fenômeno a partir de algumas evidências. Existe uma variação destas experiências de indivíduo para indivíduo mostrando que este tipo de consciência tem variações entre médio e intensos. Em meio as escolas místicas encontramos alusões a supostos estados de consciência absoluta, clara e envolvente durante o desenvolvimento da consciência, ou seja, o estado de consciência desejado por todas as autênticas escolas de yoga.


“Gautama Buda, Jesus de Nazaré, Emanuel Swedenborg, Mahatma Gandhi e Ramana Mahashi são alguns dos professores históricos que supostamente viveram suas existências manifestando o estado de consciência contínua. Neste ponto, talvez seja pertinente frisar que, pelo o que foi visto até aqui, é lícito hipotetizar que esse estado de consciência talvez possa ser atingido através de treinos constantes. Tudo indica que a hiperacuidade consciencial tenha uma morada encefálicas, e que a prática da meditação diária e do treinamento mental possa ser a chave para a aquisição do estado postulado. Sendo assim, o acontecimento não é uma dádiva divina. Muito provavelmente, devido ao fato de que algumas pessoas, que supostamente apresentaram característica de consciência contínua, sendo mais equilibradas emocionalmente, tenham sido identificadas como avatares, santos, salvadores, semideuses etc.Talvez, tais avatares tenham sido muito mais humanos do que nós mesmos.”

(DANUCALOV; SIMÕES)


Na cultura yogue quando a mente chega a um estado pacífico entra-se num estado de êxtase levando a uma realidade suprema. Segundo George Feurstein, esta seria o que ele chama de abordagem verticalista onde o detentor do nirvikalpa-samãdhi, um dos níveis de Samãdhi é outra forma de iluminação consciencial é denominado de Sahaja-samãdhi. Aqui o indivíduo transcende o ego e este reconhece que tudo se resume a experiências. Sabemos que os seres com consciência, no caso os seres humanos, vislumbram a experiência como alicerce desde contexto, contudo não sabemos de fato e verdadeiramente como funciona sua natureza aquela produzida pelos seres sencientes ou seja à consciência dos humanos’.

Professora:  Ana Célia Barros Barbosa.

BIBLIOGRAFIA
CLARKE, R. O Nascimento do Homem 5ª ed. São Paulo: Gradina, 1985. 227p.
DARWIN, C. A Origem das Espécies. São Paulo: Martin Claret, 2006. p. 221
DANUCALOV, M. A. D.; SIMÕES, J. S. Neurofisiologia da meditação: investigações científicas no yoga e nas experiências místico-religiosas: a união entre ciência e espiritualidade. São Paulo: Phote, 2006. 494p.
FEUERSTEIN, G. A Tradição do Yoga: História, Literatura, Filosofia e Prática. 4ª ed. São Paulo: Pensamento, 2005.
FONSECA, V. Psicomotricidade: filogênese, antogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artmed editora, 1998. 394p.
HAWKING, S. O Universo numa Casca de Noz. 5ª ed. São Paulo: arx, 2002.
MAHÃBHÃRATA, B. O Bragavad-gitã como ele é. 4ª ed. São Paulo: The Bhaktivedanta book trust, 2006.gitã como ele é. 4ª ed. São Paulo: The Bhaktivedanta book trust, 2006

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