05.05.11 05:00
Conheçam a inusitada história de Alexandre Holanda, um corredor que após sentir algumas dores resolveu buscar tratamento correndo semi-descalço.
por Alexandre Holanda
“Dor! De repente e sem aviso. Ali na lateral do joelho! Era janeiro de 2011 – há 8 meses que corria e já estava indo para os 21km! Mas as passadas na corrida viraram dores aborrecidas. Chegou em um ponto que não deu mais. Tive que parar. Diagnóstico? Síndrome da banda iliotibial. Um auto-diagnóstico. Sou médico? Sim, sou. Não do esporte e nem ortopedista.
O diagnóstico era algo ainda incerto, mas com alta probabilidade de ser aquilo mesmo. Era meu o diagnóstico, sem nenhum exame. Só pelos meus sinais e meus sintomas. Como falamos no meio médico: “pela clínica”! Tinha que ser isso sim!
Pulei de bico na enormidade de informações para entender melhor essa lesão. Acabei revisando anatomia, biomecânica e tudo que cerca um recém-corredor (e um curador) ferido. Aprendi um bocado. Não só sobre lesões da banda iliotibial, mas tudo que cerca o joelho de corredor e outras lesões relacionadas às corridas. E junto veio informações sobre tipos de tênis, reabilitação, fisioterapia, técnicas de corrida, crioterapia, pilates, fortalecimento, alongamento, dicas das revistas, etc. Um mundo de informação, sem dúvida.
Mas fui com calma chegando à certeza do próprio diagnóstico e em certo momento senti que seria importante partilhar um plano de retorno, conversar com um colega da área para trocar ideias.
A primeira decisão: parada completa da corrida e cross-training. Reiniciei uma atividade que há muito não fazia. Caí na água. Nadei a favor da corrente e dei tempo ao joelho. O condicionamento ficou estável ou até melhorou! E pude suportar o fato de estar parado das corridas.
Quando conversei com o médico do esporte especializado em joelho, e após ressonância magnética, confirmamos o diagnóstico da tal banda iliotibial e ainda algumas inflamações ao redor da patela que respondia por algumas novas sensações de peso no joelho que eu sentia quando tentava correr. Então, além daquela síndrome, uma segunda estava lá! A patelo-femural. Depois dessa eu poderia dizer com um orgulho às avessas que estava definitivamente com o “joelho de corredor”.
A via crucis foi sendo vivida e incluí importantíssimas sessões de fisioterapia. Iniciei o tal fortalecimento e alongamento em casa, e mais tarde ainda adicionei o Pilates que deu um impulso novo. Durante todo esse tempo uma imensa dose de paciência.
Foi durante esse exercício de paciência que descobri, por indicação de um grande amigo, um vídeo de Christopher McDougall, autor do Livro “Nascido para Correr”. Corredor e jornalista, ele foi a serviço da revista Runner’s World conhecer os índios Tarahumara no México e suas façanhas em correr dezenas de quilômetros diariamente e não apresentarem lesões. Ganhei o livro de uma amiga corredora e o li em 4 a 5 dias. Muito bem escrito. Toma sua atenção e não há descanso enquanto não se termina. Foi lá que entendi a lógica da corrida descalço.
Mas a ideia de correr completamente descalço não seria absurda?”
(Continua amanhã. Não percam.)
Posts Relacionados
Espaço dos leitores
Comentários | 8 Comentários
Importante
Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade de seus autores e as consequências derivadas deles podem ser passíveis de sanções legais. O usuário que incluir em suas mensagens algum comentário que viole o regulamento será eliminado e inabilitado para voltar a comentar.
Participe | Comente esta notÍcia
Subscreva o feed RSS 2.0 para comentários.
Comente, ou utilize o link abaixo para fazer o trackback no seu site.
http://blog.opovo.com.br/tempodecorrer/correr-descalco-pode/trackback
Enquete
Posts Recentes
Categorias
Arquivos
Blogs O POVO
Diego Lopes 05.05.11 | 10:18
Aguardando a segunda parte do texto que sem dúvida dará início a uma bela discussão a respeito do barefoot…Será que correr desta forma é algo absurdo mesmo???
Ítalo 05.05.11 | 11:40
o tema é polêmico; mas em 8 meses de corrida já parte pros 21 km? Taí a razão da lesão.
Lia 05.05.11 | 11:41
Diego,
você tá devendo um post sobre isso, né?
Não sei se correr descalço é um absurdo. Tenho conversado muito com o Alexandre sobre isso e até experimentado essa técnica, mas a única conclusão que cheguei até agora foi a de que minha pisada está errada….
Mas vamos aguardar a continuação do texto.
EULÁLIO 05.05.11 | 13:38
Onde você comprou este “sapato” que parece o próprio pé? valor?
Relamente é bem interessante.
No aguardo do próximo texto.
Inácio Ferreira 05.05.11 | 15:11
Já venho treinando, ha alguns meses descalço .Uma vez por semana, poucos kms e aumentando gradativamente. E realmente me sinto melhor. Mas ainda não tenho opinião formada.
Abraços
Diego Lopes 06.05.11 | 12:10
Assim como o alexandre também corri de fivefingers a corrida da pague menos…Já venho treinando descalço e depois que a minha fivefingers chegou comecei a correr com ela… Treino com alguns professores que já correm descalço há um bom tempo e até hoje só notaram boas respostas a esse tipo de treino. Acho que é uma discussão válida e que não pode ser encarado como modismo…alguns estudos mostram os benefícios, mas ainda não são muitos e com metodologias que ainda carecem!
Enfim, se permitam a pelo menos pesquisar sobre o tema e quem sabe experimentar aos poucos…
Diego Lopes 06.05.11 | 12:15
Eulálio,
A fivefingers chegou a pouco tempo no brasil e está sendo vendida pela track & field, mas nos EUA já é febre!
Pesquisa na internet vibramfivefingers e encontrará muitas informações…
Alexandre 08.05.11 | 22:31
Acho que o Ítalo tem razão!
O volume foi muito intenso e creio que foi um grande motivador da lesão. Daí que essa transição toda está provavelmente me colocando um ritmo muito mais saudável além de eu ter ido para a água com o cross-training.
Inácio, quanto a opinião formada, acho que estou contigo nessa. Estou formando minha opinião e hoje ela está pendulando para o lado mais natural da corrida. Olho minha filha correndo nos ímpetos de alegria e espontaneidade e vejo o calcanhar dela raramente tocando no solo de primeira. É impressionante!
Diego, fiquei curioso! Professores que correm descalços.
Professores de corrida? Educadores físicos?
Obrigado pelos comentários,
Abraços a todos!