Tempo de Correr

15.06.11 12:00

Os outros somos nós

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 7 Comentários

Quem são os motoristas mal educados? Quem são os agressores? Quem são os vândalos do trânsito? Quem não respeita o outro? Quem não respeita a cidadania? Quem não respeita as regras de convívio social? Motivado pelo desabafo do Diniz, me coloquei a fazer essas perguntas. Cheguei à conclusão que todas essas pessoas somos nós. Não é o outro, somos nós.

Nós estacionamos os carros em cima da calçada com a justificativa na ponta da língua: “mas é só um minutinho”. Para não reconhecermos o nosso histórico subdesenvolvimento comportamental, até inventamos o minutinho que decerto deve ser composto por menos segundos que o minuto propriamente dito.

Nós não respeitamos faixa de pedestre, exceto, às vezes, na Beira-Mar e no Iguatemi. Nós privilegiamos a compra do carro, à compra do livro. Nós consumimos a “música” do falso forró, em detrimento de verdadeiros artistas. Nós compramos CD pirata. Nós financiamos o tráfico internacional comprando no varejo à título de diversão no fim de semana. Nós ensinamos nosso filho que ele pode tudo porque ele é especial, bonito, danadão, superior; em detrimento do que ele obviamente é de fato: igual. Absolutamente igual a todo mundo! E, portanto, obrigado, a cumprir TODA e QUALQUER regra destinada ao restante de população. Não importando se ele tem corolla, civic, dinheiro, cartão, educação no exterior, sobrenome “importante” ou outros.

Tão subdesenvolvidos somos, que foi preciso tramitar uma lei contra o paredão, porque achamos bonito ser zoadentos, barulhetos, incômodos. Chamar a atenção de forma espalhafatosa para demonstrar poder  e seres intocáveis porque somos primos do coronel, netos do desembargador, parentes do juiz, amigos do vereador. Uma semiautoridade como são as pseudocelebridades.

Os corredores, tão ciosos da cidadania, também alimentam essa indústria do desrespeito. Na corrida do O POVO eu acabara de conhecer um corredor e seu amigo o recepcionou com uma perguta: “você estacionou onde?”. Ele com a naturalidade peculiar de um povo que erra e não vê problema nisso, respondeu. “Ali na calçada. Eu vim no 4X4″. Seu carro estava acomodado no lugar feito para as pessoas transitarem.

Na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar reparem o caos nas calçadas. Nós incomodaremos os moradores mais próximos porque trancaremos portões alheios, ligaremos os sons dos nossos carros alto, subiremos com os carros as calçadas, jogaremos lixos, copos, papéis, cascas de banana, tudo no chão. Porque nós podemos, não é? Afinal será só um minutinho, não é verdade? Uma pena é que esse minutinho já dura dezenas de anos.

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07.05.11 05:00

Corrrer descalço pode? Parte final

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 4 Comentários

Terceira e última parte da saga do Alexandre Holanda:

“Então era isso mesmo! Decidi ir em frente! Correr descalço (…ou quase)!

Conversei com o fisioterapeuta e com a treinadora! Estudei como fazer a transição para correr descalço. Aí descobri várias empresas que comercializavam o mínimo para dar segurança aos pés e dar a sensação de pé descalço. Infelizmente no Brasil só um deles chegou até agora. O Vibram Five Fingers (VFF)

Descobri o VFF e pedi pela Internet. Não é um tênis e sim metade meia e metade palmilha. Nem sabemos como denominar esse produto direito. Chamamos pelo nome dele mesmo “Five Fingers”. É uma proteção para as solas e dedos dos pés contra pedrinhas, caquinhos de vidro, altas ou baixas temperaturas. Mas a espessura do solado é mínima. Algo em torno de 4mm.
Depois de muita conversa, o fisioterapeuta sentiu firmeza na proposta, pois viu que a biomecânica da corrida muda por completo e tudo aquilo começou a fazer sentido. A treinadora, apesar de cética no início, já flexibilizou e começa a ver algum resultado positivo.
Já faz um mês dessa transição e estou me sentindo muito bem. Algumas dores musculares nas panturrilhas foram normais, esperadas e passageiras. Já estou correndo 5km com o VFF com tranquilidade e conforto e faz muito tempo que não coloco um tênis para correr. Não quero contar vitória antes do tempo, por isso a dose de paciência precisa permanecer por mais tempo!

FOTOGRAFIA by Lia (Sim, ela mesma!). Ah… e sabem quem está aí na minha frente? É a Aninha, a minha mulher. Ela está quase mudando de ideia sobre a corrida com tênis. Olha a pisada dela! Acho que ela vai trocar. Vamos ver.

A estreia em corridas foi nessa Meia Maratona de Fortaleza e foi ótimo! Corri com VFF. Já tinha feito 6km em treino no asfalto do campus da Unifor e estava preparado. Foi tudo muito tranquilo. Soube depois que havia pelo menos um corredor totalmente descalço. Fiquei com a boa inveja, já que quando treino na Unifor, a última parte tem sido completamente descalço na pista de atletismo e é, de fato, a melhor parte do treino. Sensação de liberdade e de pertencimento. Além de facilitar o desapego dos tênis. Um verdadeiro fetiche capitalista difícil de superar, não é?

E o futuro? O próximo passo é continuar a aumentar o volume de maneira bem lenta e tirar o VFF para correr completamente descalço onde o terreno for minimamente confiável. A intenção é calejar a sola do pé o suficiente! Pois correr com o VFF ainda não é correr completamente descalço. É praticamente descalço. Mas a técnica da pisada descalço é bem natural e acontece com tremenda facilidade com o VFF e acho que isso ainda não acontece com os tais “tênis mínimos”, já que eles apresentam ainda um solado grosso e não deixam os pés se mexerem e nem sentirem o chão.

Vou correr os 10km da 2o Circuito de Corridas Pague Menos, mas não todos os 10km com o VFF. Há uma orientação na transição que devemos aumentar o volume em aproximadamente 10% a cada semana e ainda com intervalos de descanso de pelo menos um dia entre um treino e outro. Como estou no cross-training, não há problemas quanto aos intervalos! Então acho que chego nos 10km com VFF daqui a um mês. Vou ter que correr pelo menos uns 3 a 4km dessa corrida da pague Menos ainda de Tênis! Ah! Que pena!

Quem diria que um dia eu fosse lamentar usar um tênis confortável para correr. Agora eles estão dando até claustrofobia. Os pés ficam desesperados para sair. Pelo jeito eles vão servir só para passear.

FIM”

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06.05.11 05:00

Correr descalço pode? Parte II

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 6 Comentários

Leia agora a segunda parte da história de Alexandre Holanda

*por Alexandre Holanda

“A intuição baseada em anos de uso de tênis especializados diz que sim. Mas uma pitada de pensamento científico e outra de atitude filosófica, ou seja, de dúvida do que é posto como correto ou dado, é capaz de considerar o contrário.

Fui atrás das evidências sobre essa contra-corrente. E ela existia de fato. McDougall apresenta algumas em seu Livro. Pela Internet é possível chegar a várias outras além de muitos relatos não científicos de quem experimentou tirar os tênis. Quase sempre narrações motivadas por lesões das mais variadas que deixaram corredores lúgubres e muitas vezes sem esperança de voltar a correr.

Um dos artigos mais importantes foi o do antropólogo e professor de biologia evolutiva Daniel Eric Lieberman de Harvard (Título original: Foot strike patterns and collision forces in habitually barefoot versus shod runners. Publicado na Revista Nature de Janeiro de 2010 – http://www.nature.com/nature/journal/v463/n7280/full/nature08723.html). Ele queria saber como e porque os seres humanos de outrora (diga-se de passagem, até aproximadamente 40 anos atrás) podiam correr sem os tênis modernos. Estudou os tipos de pisadas e as forças de impacto quando se está calçado ou descalço. Comparou quenianos e americanos, experientes e inexperientes, descalços e calçados. O resultado é surpreendente, pois descalço o chamado impacto transicional, aquele que acontece assim que tocamos com o pé no chão, é mínimo ou inexistente. Isso corresponde a pelo menos da metade do impacto que sofremos quando estamos calçados. Isso mesmo! Descalço o impacto imediato, assim que tocamos o pé no chão, é aproximadamente 7 vezes menor do que quando calçados. Uau! Agora, isso é devido a biomecânica de pousar o pé pela frente, ou pelo meio, ao invés de pousar pelo calcanhar que é o que acontece mais comumente com quem corre calçado. (http://www.barefootrunning.fas.harvard.edu/). Há um vídeo excelente da revista Nature com o próprio autor do estudo falando sobre isso e postado pela revista no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=7jrnj-7YKZE).

A hipótese agora era se isso causaria menos lesões em quem corre descalço. Ou, na verdade, as lesões entre corredores descalços seriam de outro tipo… Essas perguntas ainda não foram cientificamente respondidas. A estatística não é muito favorável aos corredores calçados, pois as estimativas são de que deles, 30-75% se lesionam.

É sabido que aproximadamente 75% dos corredores calçados pisam com o calcanhar e que a velocidade influencia no tipo de pisada. Quanto mais devagar, mais calcanhar pousando no chão durante as pisadas. Há ainda evidências que o gasto de energia na corrida descalço é 5% menor do que calçado. E isso pode ser importante para competidores.

Então se o impacto é menor, teremos menos lesões? Não há certeza ainda, mas agora a intuição virou ao avesso.

Além das evidências surgindo, há ainda mais algumas como o fortalecimento natural dos músculos do pé que os tênis impedem; o fortalecimento dos músculos da perna e da coxa já que a técnica de corrida muda e o recrutamento de fibras musculares novas ou não-utilizadas acontece; e o fato do contato real da sola do pé com o piso (seja uma pista de atletismo, areia, grama ou asfalto). Na verdade quanto mais duro for o piso mais eficiente seria correr descalço em comparação com calçado, tendo em vista a eficiência em transformar a energia do impacto que aconteceria no calcanhar calçado em energia rotacional nas articulações quando se pisa pela frente do pé. Além da sensação do chão que o corredor sentiria.”

(Continua amanhã)

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05.05.11 05:00

Correr descalço pode?

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 8 Comentários

Conheçam a inusitada história de Alexandre Holanda, um corredor que após sentir algumas dores resolveu buscar tratamento correndo semi-descalço.

por Alexandre Holanda

“Dor! De repente e sem aviso. Ali na lateral do joelho! Era janeiro de 2011 – há 8 meses que corria e já estava indo para os 21km! Mas as passadas na corrida viraram dores aborrecidas. Chegou em um ponto que não deu mais. Tive que parar. Diagnóstico? Síndrome da banda iliotibial. Um auto-diagnóstico. Sou médico? Sim, sou. Não do esporte e nem ortopedista.

O diagnóstico era algo ainda incerto, mas com alta probabilidade de ser aquilo mesmo. Era meu o diagnóstico, sem nenhum exame. Só pelos meus sinais e meus sintomas. Como falamos no meio médico: “pela clínica”! Tinha que ser isso sim!

Pulei de bico na enormidade de informações para entender melhor essa lesão. Acabei revisando anatomia, biomecânica e tudo que cerca um recém-corredor (e um curador) ferido. Aprendi um bocado. Não só sobre lesões da banda iliotibial, mas tudo que cerca o joelho de corredor e outras lesões relacionadas às corridas. E junto veio informações sobre tipos de tênis, reabilitação, fisioterapia, técnicas de corrida, crioterapia, pilates, fortalecimento, alongamento, dicas das revistas, etc. Um mundo de informação, sem dúvida.

Mas fui com calma chegando à certeza do próprio diagnóstico e em certo momento senti que seria importante partilhar um plano de retorno, conversar com um colega da área para trocar ideias.

A primeira decisão: parada completa da corrida e cross-training. Reiniciei uma atividade que há muito não fazia. Caí na água. Nadei a favor da corrente e dei tempo ao joelho. O condicionamento ficou estável ou até melhorou! E pude suportar o fato de estar parado das corridas.

Quando conversei com o médico do esporte especializado em joelho, e após ressonância magnética, confirmamos o diagnóstico da tal banda iliotibial e ainda algumas inflamações ao redor da patela que respondia por algumas novas sensações de peso no joelho que eu sentia quando tentava correr. Então, além daquela síndrome, uma segunda estava lá! A patelo-femural. Depois dessa eu poderia dizer com um orgulho às avessas que estava definitivamente com o “joelho de corredor”.

A via crucis foi sendo vivida e incluí importantíssimas sessões de fisioterapia. Iniciei o tal fortalecimento e alongamento em casa, e mais tarde ainda adicionei o Pilates que deu um impulso novo. Durante todo esse tempo uma imensa dose de paciência.

Foi durante esse exercício de paciência que descobri, por indicação de um grande amigo, um vídeo de Christopher McDougall, autor do Livro “Nascido para Correr”. Corredor e jornalista, ele foi a serviço da revista Runner’s World conhecer os índios Tarahumara no México e suas façanhas em correr dezenas de quilômetros diariamente e não apresentarem lesões. Ganhei o livro de uma amiga corredora e o li em 4 a 5 dias. Muito bem escrito. Toma sua atenção e não há descanso enquanto não se termina. Foi lá que entendi a lógica da corrida descalço.

Mas a ideia de correr completamente descalço não seria absurda?”

(Continua amanhã. Não percam.)

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13.04.11 10:53

Feliz aniversário para a Jovial Senhora chamada Fortaleza

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 1 Comentário

Bom dia corredor, bom dia corredora,

hoje nossa querida cidade faz 285 anos. Há cerca de 5 anos, nós corredores nos juntamos aos poucos herois que começaram essa história de corrida de rua, como Júlio Oliveira, uma das pessoas que mais conhecem a evolução das corrida em Fortaleza.

Vejo a corrida como uma ótima oportunidade de conhecer a cidade e as cidades que estão em uma mesma região geográfica. A Fortaleza da Aldeota é a mesma Fortaleza do bairro Paupina? Só correr pelo esporte, é pouco, muito pouco, senhoras e senhores. Cada corredor tem uma grande oportunidade de registrar na mente espaços da cidade. Observá-los, coletá-los, guardá-los e, sobretudo, entendê-los.


É preciso entender que precisamos cobrar da Prefeitura sempre e cada vez mais, porém é preciso cada um fazer sua parte. Em recente reportagem do Jornal O POVO, comerciantes e moradores da Avenida Jovita Feitosa, estariam modificando por conta própria, a padronização das calçadas. Isso é desestimulante.

Cada corredor deve se sentir um agente da cidadania, cuidado, denunciando, cobrando, registrando por fotos e exigindo intervenção do poder público, mas, SOBRETUDO, fazendo sua parte, cumprindo as regras e leis. Porque somos nós que estamos sempre em contato com o chão da nossa cidade, com medo do trânsito, do desrespeito, do assalto, do buraco traiçoeiro.

Estamos construindo um país que mudou muito nos últimos 20 anos. E o país é um corpo cuja a célula é a cidade, a casa da nossa casa.

E por que tratei Fortaleza como uma jovem senhora? Ou seja por que a tratei no feminino? Porque acredito na capacidade feminina de bem tratar. E seus filhos precisam e merecem.

Comemoração do aniversário:

O Mercado dos Pinhões é um bem cultural tombado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza por meio do Decreto Municipal 11.962, de 11 de janeiro de 2006. Uma das características da estrutura de ferro, pré-fabricada na França, nas oficinas Guillot Pelletier, em Orleans, é a portabilidade, podendo ser desmontado e montado em locais diferentes. Assim, seu primeiro endereço em Fortaleza foi a Praça Carolina, hoje conhecida como Praça Waldemar Falcão. A inauguração do “Mercado da Carne”, formado de início por dois galpões unidos por uma passagem coberta, conhecida como “avenida”, foi realizada em 18 de abril de 1897, durante a gestão do prefeito Guilherme Rocha. Em 1938, a estrutura foi desmembrada e levada para a Praça Visconde de Pelotas, entre as ruas Gonçalves Ledo e Nogueira Acioli, onde permanece até hoje.

Serviço.:

Apresentação da Trupe do Riso, exposição de produtos artesanais feitos a partir de lixo reciclado, palestra sobre Arte e Meio-ambiente com Graça Bezerra e Aimê Lopes e show especial do cantor e compositor Rafael Greyck.  A partir de 19h. No Mercado dos Pinhões (entre as ruas Gonçalves Ledo e Nogueira Acioli – Praia de Iracema). Mais informações com a assessoria de comunicação SECULTFOR: 3105.1386/8899.8705 ou 3251.1299.

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24.02.11 05:00

Viva a cidade

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: Comente

Saia do fundo do rede e viva a cidade

Corredora muito querida perguntou-me porque o blog Tempo de Correr está noticiando coisas “avessas à corrida”. Respondi que lei do paredão, controle urbano, poluição visual, é totalmente pertinente ao mundo das corridas. Gostaria de esclarecer para todos que vejo a corrida além de um esporte qualquer.  Vejo a partir do seguinte prisma: deixamos o carro e colocamos os pés na cidade. Somos nós que sabemos as maiores dificuldade de se viver a cidade.

A corrida é para os praticantes, pelo menos na sua maioria, uma oração interior. Ficamos horas da semana ensimesmados com nossas questões internas enquanto os quilômetros vão ficando para trás. Mas também serve, e isso é o mais importante, para conhecer a cidade.

Ora, na corrida a esmagadora maioria dos atletas não quer troféu, dinheiro, premiação, não busca patrocínio e nem mesmo se importa com quem foi o vitorioso. Por quê? Porque vitorioso é cada um que ultrapassa seu limite. logo, precisava encontrar uma função social para a corrida. E a encontrei por meio da observação da cidade durante o tempo ocioso que temos ao longo do trajeto.

Sendo assim, ver a cidade, os cidadãos e cidadãs enquanto corremos precisa ser nosso mistér. Sejamos agentes da cidadania.  A Prefeitura Municipal de Fortaleza declara que investiu na nossa cidade em diversas obras e programas sociais executados desde o longínquo 2009 : no Transfor, R$ 35,9 milhões, no Centro Universitário Urbano de Arte e Cultura (CUCA) uma aplicação de R$ 4,6 milhões, no Hospital da Mulher R$ 16,4 milhões e no projeto Vila do Mar R$ 20 milhões.

Pois bem essa é a cidade na qual corremos, atravessamos a rua, andamos, vivemos, convivemos. Nossos filhos e pais também se movimentam por essas ruas, logo vamos cuidar dela. Quando estiverem correndo, olhem para os lados, denunciem abusos, grite, proteste, seja cidadão, seja cidadã. O espaço aqui está aberto.

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25.01.11 05:00

Viva!

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: Comente

Embeleze-se cinco quilômetros,

contorne-se meia maratona,

emagreça dois tênis,

reformule-se fisicamente,

mentalize-se em suor,

banhe-se coloridamente,

atravesse a disposição,

ame-se às 6 da manhã,

acorde-se para a vida,

mergulhe-se no calor do sol,

prepare-se para o inesperado,

vista-se para o cansaço,

dispa-se para a roupa colada,

enfrente a falta de meta,

vença o excesso de não conseguir,

ceda ao amor próprio,

nege o amor condicional,

renege o amor tradicional,

comemore a surpresa da própria surpresa,

passe o distante,

vá adiante,

ultrapasse o impossível,

dê a mão à vontade dos pés,

volte para a cama após a exaustão,

mantenha-se de pé para dormir melhor,

mantenha-se dormindo enquanto corre

e, por fim,

mantenha-se correndo enquanto viva.

Viva!

 

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17.01.11 05:00

Não espere o amanhã

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 8 Comentários

“Porque se a coisa tiver difícil e a pessoa muchar… no final você não fez nada.

Nem de bom, nem de ruim. E assim, sofri muito por questões familiares

mas também fiz muita coisa que adoro – C. H.”

Um amigo disse o escrito acima e aprendi que nunca haverá a hora ideal para começar. Porque, na verdade, nunca deixamos de fazer algo. Os fins e os começos, ou não existem, ou são as mesmas coisas. Quando acordamos, terminou a noite ou começou o dia? Os dois? Se dois antagônicos existem, isso prova que nenhum está correto.

Portanto, por que eu deveria esperar acabar uma tristeza para começar uma alegria? Se ambas representam o mesmo limiar, a mesma soleira de porta, o mesmo limite a ser ultrapassado, a mesma entrada para o daqui a pouco? E ambos serão esquecidos. Porque a vida passa por cima de alegrias e tristezas e daqui a um segundo, simplesmente, não somos mais, não estamos mais. E o que restou foi uma lembrança da gente na mente de outra pessoa.

Por que devo esperar pagar aquela conta, o resultado daquela entrevista, passar a chuva, ou simplesmente a segunda-feira chegar para pegar meu tênis e correr? O nome mundo paralelo deveria ser dado a nossa capacidade de concomitância, nossa vontade de administrar dores com quilômetros de vontade de correr, sede de água com sede de terminar a meia maratona, e dor com amor às corridas. Porque agora estou aqui, mas no próximo segundo estou um passo a frente.

E passo a passo me distancio dos problemas, metro a metro deixo as dores para trás, quilômetro a quilômetro vou deixando o tempo no passado, prova a prova, viagem a viagem, ano a ano, enquanto acumulo passadas, somo pessoas, alegrias, olhares, lugares, descobertas e a capacidade de amar as ruas as quais atravesso e talvez um dia não as veja jamais.

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11.01.11 05:00

A cura para nossas mazelas

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 4 Comentários

Vivemos nos últimos anos uma evolução muito significativa no segmento de corrida. Como publicado na última coluna Tempo de Correr (8 de janeiro), a Federação Cearense de Atletismo (Fcat), presidida pelo Prof. Américo Ximenes, homologou 34 corridas em 2010. São 6 a mais que em 2009.

Além da natural alegria ao ver o segmento do qual fazemos parte crescer, desenvolver-se e agregar mais pessoas, há um aspecto social muito importante: saúde.

A sociedade ocidental esbalda-se em pizzas, mac’donalds, refrigerantes, gorduras, maioneses, doces, frituras, salgadinhos, shakes para emagrecer, açúcares, cervejas, uísques, picanhas, bacons, hambúgeres, salsichas, embutidos gerais, sorvetes, maminhas, bob’s e tantos outros.

Enquanto isso, o poder público investe de forma galopante em saúde pública e nunca basta. Sempre é preciso mais avanço tecnológico, mais grana, mais médicos (as), mais verbas, mais hospitais, mais dinheiro, mais ambulâncias, mais financiamento, mais velocidade no atendimento, mais recursos, mais especialidades e principalmente mais impostos para sustentar uma estrutura cara que nunca dará conta de tantas mazelas orgânicas e sociais.

Pois essas mazelas são muitas, dos acidentes de trânsito ao pequeno ajuntamento de gordura que se desprende da região abdominal e inventa de se alojar em algum canal fundamental para o bombeamento cardíaco. Some-se a isso, o fato do coração ser cada vez mais exigido em função do medo de viver, da angústia de não ter, da luta diária para sobreviver e das cobranças sociais com o ser. Ser sucesso, ser bem sucedido, ser rico, ser celebridade, de preferência com carro importado e Iphone sobre a mesa.

O preço é alto, a cobrança é constante, e a sociedade padece, adoece e se entristece. E, pior, estamos procurando o remédio para nossas dores nos frascos errados. Vou dizer-lhes como curar algumas doenças. Para a depressão, duas doses de Meia do Rio; para o excesso de peso, temporada de 2011 em Fortaleza; para o doloroso mal do amor, assessorias esportivas na Beira-Mar; para problemas cardíacos, São Silvestre 2011; para a solidão, blog Tempo de Correr.

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23.12.10 05:00

Então é natal

Por: Hamilton Nogueira | Comentários: 4 Comentários

Então é natal; como diria a música. O Blog Tempo de Correr deseja uma época natalina repleta de alegrias e felicidade. Amor e esperança de mais paz social para todos. Faço votos também de que os próprios dias sejam de tranquilidade na família e entre os amigos. Pois que felicidade sem ser compatilhada, nada mais é que um sorriso fugaz.
Nesse ano ganhamos uma coluna no jornal impresso que representou mais um grandioso espaço para divulgação do nosso esporte e dos nossos(as) atletas. Passaram muitas pessoas boas aqui, diversos comentários qualificados e isso me dá muito orgulho. Não há nada melhor que aprovar comentários.
O Blog, de conteúdo jornalístico, tem a função de criticar e fiscalizar um mercado relativamente novo. Mercado que precisa ser respeitado. Temos cerca de 10 organizadores que são empresários do esporte, portanto é legítimo que tenham lucro na proporção da criatividade e capacidade organizacional de cada um.
É bom que eles continuem criando, enfrentando as dificuldades para se colocar uma prova na rua e, portanto, nos proporcionando quase uma corrida por semana. Mas precisamos continuar criticando para que, desse empreendedorismo, surjam bons produtos.
O Blog também serve de ágora eletrônica, de sala de bate papo, de alerta social, de local de propagação de ideias, de vitrine para heróis e heroinas. Ouvi muitas críticas em 2010, fiz muitas outras, conquistei inúmeros amigos. E, acreditem, a parte relativa aos amigos foi a melhor de todas.
Enfim, abraço a todos e em 2011 espero continuar por aqui. Como jornalista ou corredor, estaremos de olho; treinando e de olho; sofrendo e de olho, reclamando, suando, torcendo pelos amigos e amigas, criticando e, sobretudo, correndo de olho e de coração. Feliz natal.
Imagem de Amostra do You Tube

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