Soul Live

24.04.12 09:59

Se liga na Palavra: O Amor liberta

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Era um dia diferente. Aquela manhã, quando o sol nasceu, a casa de Pedro estava com gosto de saudade. Naquela manhã, ele estaria dando um passo novo em sua vida. Morar fora do país. Destino: Austrália.

Lá aprenderia uma nova língua, surfaria ondas famosas internacionalmente e seguiria com sua pós graduação.

Como era difícil aquele momento. Por mais que estivesse feliz sabia que não seria fácil, pois deixaria seus pais no Brasil. Até aquele dia seus pais estavam muito presentes em sua vida. Antes mesmo que as dificuldades chegassem, eles supriam a necessidade. Agora era somente com ele.

Apesar daquele frio na barriga sabia que aquele momento fazia parte do seu crescimento como pessoa. Não dava para se tornar um adulto tendo uma dependência tão forte dos pais. Por amor, seus pais também sabiam que era o melhor para ele. Há momentos em nossa vida que precisamos estar por conta própria, faz parte do amadurecimento. Ficar com os pais o faria uma pessoa infantil, mimada que não entenderia que é necessário seguir por conta de si mesmo.

Logicamente, a distância dos pais não estava invalidando o amor que possuíam por ele. Mesmo de longe, seus pais estavam torcendo, vibrando e ajudando a confortar suas emoções quando surgissem necessidades.

Muitas vezes, precisamos agir assim com o Criador das Ondas. As igrejas evangélicas das massas acabam por infantilizar as pessoas e muitas ficam dependentes de um “deus” que decide tudo na vida delas. Isso é um engano.

O Criador das Ondas deseja que amadureçamos, que sejamos pessoas independentes e que cuidemos com responsabilidade da nossa vida. Assim como um pai que, mesmo que estejamos longe, não esquecemos, assim é Deus em nossas vidas. Precisamos viver como se ele não existisse, pois assim conseguimos amadurecer e quebrar com a infantilidade que o mundo evangélico nos convida a viver.

Deus nos quer maduros, responsáveis e com atitude. Ser infantil é uma necessidade do poder humano em cima das pessoas. O Criador das Ondas nos quer livres e responsáveis pela nossa vida.

Pedro entendia que o melhor para sua vida era assumir sua identidade e, com alegria, retornar a casa dos pais nos momentos de celebração e saudade. No dia a dia sabia que mesmo longe eles estavam se lembrando com amor de sua vida e da sua existência.

O Criador das Ondas está do nosso lado, caminhando passo a passo. O caminho não é algo pronto. O caminho somos nós que fazemos assumindo nossa responsabilidade. Ele está conosco sempre, independente do caminho que construamos.

Boas Ondas.

Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat

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09.04.12 15:54

Se liga na Palavra: O que é sucesso?

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Se existe uma palavra que passa na cabeça de todas as pessoas é a palavra sucesso. O mundo em que vivemos vive refém deste conceito. Mas o que é afinal sucesso? Sucesso tem haver com o que?

Podemos ser ricos e não termos sucesso, podemos ser pessoas simples e sermos cheia de sucesso. Um evento pode bombar e não ter sucesso. Um evento pode ser simples e ser um sucesso.

Como saber o que define o sucesso em algo? Tenho algumas intuições a respeito.

Ando refletindo sobre o sucesso e percebo que ele tem mais haver com nosso coração do que com o que as pessoas definem. Um grande astro de rock, milionário, muitas vezes, em uma declaração a imprensa diz que é infeliz e, apesar do aparente sucesso, não o possui.

O sucesso, a meu ver, tem haver mais com o nosso coração do que com o que as pessoas, o público em geral, definem. Se pararmos para viver em busca de um sucesso que seja resposta para as pessoas, acabaremos reféns de nós mesmos.

A melhor intuição que devemos buscar para nossas vidas é sermos honestos conosco com nossas escolhas. Não adianta querer fazer medicina se você gosta de educação física. Não adianta querer se tornar rico e vender sua alma e vida para o sistema. Um dia você verá que não valeu a pena.

Quando vivemos a vida com o coração sintonizado no amor tudo faz sentido. Quando temos a certeza que estamos dando cada gota de suor por algo que amamos tudo vale a pena. Certa vez, uma freira estava cuidando das feridas de um homem doente. Um rapaz chegou perto dela e disse que não havia dinheiro no mundo que o fizesse fazer aquilo ali. Ela de pronto respondeu: Eu também não faria por dinheiro nenhum dessa vida.

Não há dinheiro que pague o que fazemos por amor. Presenciei uma cena linda este final de semana na praia. Vi dois amigos se sensibilizarem com a situação de uma garota e abençoarem sua vida com equipamentos para surfar. Não há preço que pague atitudes assim. Esse sim é o verdadeiro sucesso de se viver a vida.

Viver dessa forma eterniza nossa existência nessa terra e nos faz perceber  onde está o nosso coração nessa caminhada.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat

Foto: Justi Freitas / Afloat

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21.03.12 08:29

Ponte Metálica: A natureza agradece

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Quem acompanhou as notícias referentes ao novo aterro na Praia de Iracema em Fortaleza pode presenciar através de artigos a mobilização que a comunidade do surf e bodyboard realizaram.

Para quem não sabe o que se passa, estamos lutando contra o aterro de um dos picos mais tradicionais da nossa cidade: a Ponte Metálica. Devido a construção de um aquário gigante, o poder público está realizando o aterro da região para acomodar o projeto.

A questão é que a Ponte é habitat natural de uma vasta fauna e flora marinha. Quem surfa na região sabe que compartilhamos o outside com golfinhos, tartarugas, cavalos-marinhos, peixes e outras vidas marinhas.

Nós que somos do mar sentimos isso na pele, pois estamos lá dentro desfrutando das ondas e do paraíso que é a Praia de Iracema.

Muito motivador ver a maturidade de todos diante da questão. Olhar e ver a comunidade do surf e bodyboard agirem com maturidade diante da situação me fez ver o quanto acertamos e amadurecemos diante dos dilemas enfrentados.

Ao invés de vermos cenas, como de costume, de baderna e gritaria que gera somente bagunça, vimos a comunidade do mar toda reunida de forma pacífica buscando dialogar com o poder público.

Ver o Marcelo Bibita, Amélio Jr, Tita Tavares e outros buscando o diálogo me fez ver o quanto temos crescido diante das questões sociais, diante da cidadania que é nossa responsabilidade. Demos um show de cidadania para a sociedade. Logo nós, surfistas e bodyboarders que há uns 30 anos atrás éramos classificados como marginais, vagabundos, hoje somos profissionais, pessoas respeitadas por parte da sociedade, empresários, professores, profissionais da imprensa e do mercado do surf. Estamos aprendendo a lidar com a política e com nosso direito de falar. Isso é muito importante para o esporte e para os surfistas como cidadãos.

Você que é meu leitor pode me perguntar: Mas Carlos, o que isso tem haver com o “Se liga na Palavra” que você escreve toda semana? Eu digo a você meu querido leitor: Tudo haver. A palavra não possui como finalidade somente ser uma benção para minha vida, para meu crescimento. A palavra precisa me tirar da zona de conforto e fazer perceber que faço parte da sociedade e que preciso ser agente transformador do mundo.

O Criador das Ondas nos convida a sermos seu parceiro na construção de um mundo, de uma cidade melhor. Mais que buscar resolver meus problemas pessoais, o cristianismo me convida a fazer a diferença e lutar pelas questões da vida, da sociedade, da minha cidade. Vejo que a galera do mar está entendendo o recado.

Por ironia da vida, um pico que estava desativado devido um aterro que ocorreu há alguns anos na Praia de Iracema voltou a funcionar nas últimas semanas. O pico conhecido como Lido Manso voltou a bombar devido o aterro que foi feito antes da área da Ponte. Ironia ou não da vida a natureza presenteia a galera do mar com suas ondas das antigas. O Lido Manso renasceu em meio a tanta luta, suor e sofrimento. Continuemos a cuidar da nossa praia. A natureza e o Criador das Ondas agradecem.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra

Foto: Carol e Estelo

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12.03.12 13:57

Se liga na Palavra: Qual o verdadeiro poder?

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Fala Galera,

É muito alucinante ver a evolução do surf nas últimas décadas. A evolução da tecnologia proporcionou o avanço no desempenho dos surfistas profissionais e amadores.

Olhar Aldemir Calunga dropando Teahupoo, Messias Felix voando alto, Alan Jhones brincando no ar em momentos críticos e Isabela Sousa invertendo tudo com seu bodyboard nos faz pensar até que eles são dotados de um poder sobrenatural.

Não galera, não é nada de poder sobrenatural. O que eles possuem é muito talento, dedicação ao que faz, muito amor e profissionalismo no esporte que abraçaram como estilo de vida.

Muitas vezes, temos a sensação que pessoas que fazem algo muito alucinante possuem um poder de outro mundo, algo mágico. Todos nós seres humanos temos uma necessidade por esse tal de “poder”.

No nosso trabalho, muitos almejam um cargo onde possam mandar, comandar, possuir poder entre os amigos. Uma necessidade quase irracional.

No meio religioso existe uma necessidade por poder também. Hoje em dia basta ligar a TV para vermos muito líderes fazendo ações milagrosas, mágicas até. A necessidade de fazer algo mirabolante que atraia as pessoas acaba por levar ao ridículo todos que possuem uma fé e uma religião. Acaba que todos são nivelados pelo ridículo e não pelo bom, pelo ético, pelo equilibrado em sua espiritualidade.

Muitas vezes, pessoas buscam “poder” nesse meio para resolver sua vida de forma mágica, sem precisar se esforçar. Queremos os resultados sem precisar passar pelos processos.

Esse poder ilusório que muitos buscam acaba por gerar pessoas vazias, sem amor no coração. O egoísmo fala mais alto e o que muitos buscam é resolver seus problemas. Transformamos-nos em ilhas e acabamos pagando o preço que for necessário pelo “poder”.

Quando olho para o convite de Jesus a viver uma nova vida, uma vida com sentido, não o vejo falando que esse poder é necessário. Vejo-o dizendo que o mais importante para quem quer ser o melhor é ser o que serve, o que ajuda, que cuida dos demais. Uma lógica totalmente na contramão do que vemos no nosso dia a dia.

Portanto, se você deseja ter “poder” em sua vida, saiba que ele tem haver com amor, com integridade, com caráter, com cuidado ao próximo, justiça social, cidadania, sustentabilidade e ecologia. Uma pessoa que busca poder nos dias de hoje precisa estar comprometido com a sua vida, sua cidade, seu planeta, com o próximo. Compromisso com a vida: esse sim é o verdadeiro poder que precisamos ter para encarar os desafios do dia a dia.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat

Foto: Site da Pena

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06.03.12 08:33

Se liga na Palavra: Surfando por conta própria

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Era mais um sábado de surf. Praia lotada e a galera toda se espremendo no outside. Aninha estava lá mais uma vez com seu pai para surfar. Foi ele quem lhe apresentou ao mar e ao surf. Desde cedo aprendeu a ficar em pé na prancha e a descer as espumas na arrebentação. Hoje já faz quase 5 anos que ela surfa e ela está diante de um dilema que precisa resolver.

Desde cedo seu pai lhe colocou no outside. Com o cuidado de um pai ele sempre facilitou sua entrada no mar, o varar da arrebentação e até o impulso para entrar na onda. Ele sempre a ajudou e ajuda. Por um bom tempo Aninha sentiu nesse apoio a força para se desenvolver em outros aspectos só que, agora, ela precisava se desvencilhar daquela ajuda. Era hora de encarar por conta própria.

Ai estava o seu dilema. Como fazer para falar com o pai e passar aquele obstáculo? Como chegar para a pessoa que lhe ama tanto e que cuida do seu surf diariamente? Como conversar de uma forma que não machuque o sentimento de amor, cuidado e zelo visivelmente demonstrado? Essas eram as inquietações de Aninha naqueles dias.

No meio das suas amigas havia opiniões de todos os tipos. Umas diziam que não tinha como surfar sem aquela ajuda e que ela não encontraria tranqüilidade para surfar sem ser daquele jeito. Outras diziam que ela precisava o quanto antes deletar aquela ajuda em sua vida. Que precisava agir de forma enérgica mesmo que custasse romper sua relação com ele.

Em meio a tantas opiniões e formas de perceber aquela situação, Aninha ficava confusa, mas, ao mesmo tempo, sentia que possuía uma relação de amizade com seu pai que era muito mais forte do que qualquer posicionamento que tivesse em sua vida.

Ela ficou na expectativa de encontrar um momento oportuno para conversar com ele até que, um dia, esse momento surgiu. Ao terminar uma sessão de surf com ele, sentaram numa barraca para tomar um açaí. Era o momento que esperava. Compartilhar um lanche era um momento de intimidade onde a conversa poderia acontecer de forma natural.

Sem muita demora Aninha começou a conversar com ele sobre uma história que ouviu na escola:

- Pai, essa semana minha professora falou que a águia quando seus filhotes estão ficando maduros lança-os para fora do ninho lá do alto dos penhascos onde ele os constrói. Quando ela percebe que eles já estão ficando na fase de se virar sozinhos ela provoca essa situação para que eles amadureçam.

Sabe, eu estava pensando sobre nós dois. Sobre a nossa relação com o surf. Pai, sinto que está na hora de encarar meus desafios no mar sozinha. Apesar de algumas amigas dizerem que é loucura fazer isso eu percebo que é o mais correto a fazer nesse momento da minha vida. Não que eu goste de sua presença tão protetora. Não que seja ruim perceber que se algo acontecer você vai estar me livrando de tudo mas acredito que é hora de encarar meus desafios sozinha.

O pai, cheio de amor, olhou para Aninha e disse: Filha, você não imagina a alegria em ver você falando tudo isso aqui. Eu te amo muito e se até hoje estive tão pertinho de você é porque estava esperando esse seu momento. Muitas vezes, olhava você tão dependente de mim dentro do mar que ficava preocupado com sua dependência, mas algo dentro de mim dizia que esse momento chegaria e hoje me alegro muito com sua decisão.  Jamais lhe abandonarei, sempre estarei por perto surfando com você. Não serei uma moleta onde você deixa de encarar seus desafios. Serei alguém que contempla sua vida, seu surf. Estarei todos os dias ao seu lado e onde você estiver minha presença estará contigo mas essa presença será algo que lhe motivará a seguir em frente e não a ficar acomodada esperando que faça por você.

Os dois se abraçaram e desde aquele dia Aninha e seu pai seguiu com o surf vivendo uma nova fase em suas vidas. Agora Aninha era quem decidia como surfaria. Era ela que teria que remar para a onda e encarar os caldos e a arrebentação. Aquela proteção tão necessária para seu amadurecimento agora estava presente em sua vida de outra forma. Agora seu pai estava junto vibrando e contemplando o desenvolvimento do seu surf e da sua vida.

Aninha agora estava dentro do mar como todos os outros colegas. Não se sentia mais privilegiada por ter um pai que lhe livrava das dificuldades do mar. Agora ela precisava encarar os desafios com suas próprias forças mas com o sentimento de amor e cuidado que seu pai havia transmitido na sua vida.

Por: Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat

Foto: Divulgação

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27.02.12 08:26

Se Liga na Palavra: Recomeçar

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Fala Galera,

Um dia desses me encontrei com um amigo das antigas. Como todo encontro desse tipo, conversamos sobre a época que vivemos e sobre os outros amigos. Recordamos vários momentos e o engraçado foi quando ele falou do surf como algo que fizemos no passado. Algo que ele entendia ter ficado no passado das nossas vidas.

Para sua surpresa ficou impressionado quando disse que nunca parei e que isso já está passando dos vinte e cinco anos. Vi em seu semblante admiração e ao mesmo tempo um pouco de frustração por não ter continuado o surf. Ficou claro que era algo que ele havia abortado em sua vida.

Depois de um bom papo percebi que ficou algo em seu coração impulsionando um recomeço dentro do mar. Saímos da conversa com a sua promessa de comprar uma prancha e retomar o sonho de viver esse estilo de vida.

Somos assim, nossa vida vai acontecendo e, muitas vezes, se não nos dermos conta, deixamos para trás sonhos e paixões da vida. A loucura que nos impulsiona a viver o dia a dia faz com que deixemos, principalmente, o que mais gostamos de fazer. Inconscientemente é como se quiséssemos nos punir deixando de fazer o que mais amamos. “Precisamos fazer somente o que nos dá um resultado financeiro”. Com esse pensamento acabamos deixando o que nos dá sentido de vida em segundo plano.

Isso é um grande engano, uma ilusão. O sentido da nossa vida fala muito mais alto do que qualquer realização financeira. Não se iluda, o sentido da sua vida caminha lado a lado com sua realização. Queremos desconectar em prol do “sucesso” e acabamos perdendo nossa identidade.

Conheço grandes pessoas que construíram uma vida cheia de posses e de fartura, mas que quando sentamos para conversar vejo o vazio em seu coração. O sentido de sua vida é abafado por fazer parte de uma engrenagem que não a deixa parar. Acaba tornando-se escravo de algo que não lhe completa e isso é muito ruim, dolorido, doentio.

Claro que você pode dizer que somente deseja isso da vida, que deseja ter grana e pronto. Parabéns se isso é o suficiente para você. Acredito que isso não basta para se viver. Somos finitos e não acredito que essa seja a melhor escolha para marcarmos nossa existência aqui nesse planeta.

Também conheço grandes pessoas, grandes homens que construíram suas vidas a partir do que amam e isso é muito belo. O sentido de vida é totalmente diferente, é totalmente conectado com a sua existência. Viver do que se gosta não é sinônimo de eterna felicidade. Dificuldades virão bater a porta, mas a paixão pelo que se vive nos dá forças para prosseguir. Isso não tem preço.

Portanto se hoje você não estiver vivendo a vida que deseja saiba que, mesmo assim, essa é sua vida e que você pode modificar sua história. Não precisa acontecer de forma radical, mas você precisa começar a traçar metas e construir sua nova história, seu novo desafio. Com toda certeza o Criador das Ondas estará com você dando Sabedoria para essa retomada às ondas que você um dia sonhou em viver por toda a sua vida.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra / PENA / Surfbeat

Foto: Divulgação

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13.02.12 13:45

Se liga na Palavra: O que fazer com os erros?

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Fala Galera,

Semana passada foi de boas ondas em todo o litoral cearense. Aqui em Fortaleza tivemos boas ondas tanto pela manhã como pela tarde. Pelo menos no meu pico percebi muita poluição, muita sujeira que foi arrastada pelas correntezas.

Chegando cedo na praia vi a areia repleta de rastros humanos. Infelizmente não eram pegadas mas garrafas pet, sacos plásticos, fraldas sujas de bebê, embalagens de picolé e até um resto de sofá estava por lá.

É triste perceber o descaso que o home tem pela natureza. Tudo isso acaba se virando contra nós. Não como vingança de Deus mas como um reflexo da nossa ação “civilizada”.

Interessante é que se fôssemos perguntar quem jogou aquele lixo ali jamais encontraríamos seus donos. Somos assim também na vida. O que temos de bom gostamos de expressar para os quatro cantos mas, nossas falhas, nossos erros, preferimos não falar deles nem assumir diante da vida.

Isso é um grande vacilo nosso, pois, toda vez que não nos encaramos acabamos por aumentar nosso problema. Sabe aquela história que muitas vezes fazemos de não querer assumir o erro colocando desculpas? Acabamos perdendo a oportunidade de aprender como o erro. É como o cara dentro d água pegar a melhor onda da série e cair no meio do drop ou vacilar na cavada e dizer que a onda não era boa ou colocar a desculpa na prancha mas nunca nele, no erro, no vacilo que cometeu. Pessoas assim dificilmente conseguem aprender e crescer com os erros.

Precisamos assumir nossas falhas, nossas distorções. Não que saiamos vibrando porque temos limitações mas, quando assumimos para nós mesmos que erramos estamos dando o primeiro passo para consertar e crescer na vida.

Não há nada que uma vez colocada na luz não seja iluminada. Quando pegamos algo que está na escuridão e trazemos a luz temos a oportunidade de visualizar e de refletir sobre ela.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat

Foto: Duda Hawaii

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06.02.12 13:47

Se liga na Palavra: Um garoto e um sonho

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Um garoto e um sonho

Era um começo de tarde como outras tantas. Algumas ondas quebrando no outside e a molecada dentro d´água pegando onda. Um garoto olhava os outros surfando e ficava imaginando como seria bom fazer aquilo ali. Parecia ser algo superior a se fazer mas, não tinha condições de ter uma prancha.

Sem muitas possibilidades a não ser sonhar, ficava imaginando como faria a linha na onda. Sonhava acordado em meio as ondas dos outros garotos.

Sua vida era assim, poucas possibilidades, poucos recursos, pouca comida em casa mas uma mente que não parava de sonhar. Apesar da limitação, não culpava ninguém, pois algo dentro de si dizia que tudo que desejasse poderia alcançar se trabalhasse e se dedicasse para conquistar.

Certo dia, um surfista competidor que estava passando pela sua praia observou aquele garoto com cara de sonhador. Chegou perto dele e perguntou porque ele não ia pra dentro d água com os outros garotos. Ele falou que ainda não tinha prancha e que a molecada estava tão instigada que não liberava uma prancha para ele.

O surfista ficou sensibilizado com a história do garoto e depois de conversarem um pouco fez um desafio a ele. Disse que, se ele desse uma lavada geral no jipe dele ganharia uma grana para começar a juntar para comprar uma prancha. O garoto topou na mesma hora. Lavou tudo com a maior dedicação, sonhando e pensando que o seu sonho de ter uma prancha começaria a se concretizar. Pensou o quanto seria legal ter uma prancha e poder surfar quando quisesse. Em meio a muita água e sabão o garoto lavava o jipe e sonhava com o seu futuro.

Uma hora depois, quando estava finalizado o trabalho ficou esperando aquele surfista sair do mar para lhe pagar o que seria a primeira parte de um sonho a se realizar. O surfista saiu da sua session e veio ao encontro do garoto. Olhou o jipe, viu que tudo havia ficado bem legal. Olhou para o garoto, viu seus olhos brilhando cheios de vontade de realizar um sonho que seria fruto do seu trabalho. Olho para o garoto e quando fez um gesto para pegar o pagamento acabou por lhe entregar a própria prancha.

O garoto ficou paralisado, sem conseguir acreditar. O susto e alegria se misturaram na situação. O olhar de gratidão falava mais do que qualquer discursos elaborado. A felicidade estampada no rosto do garoto mostrava para aquele surfista que ainda há esperança para as injustiças da nossa sociedade.

Aquele garoto possuía os mesmos sonhos que qualquer garoto da sua idade mas a limitação oferecida pela vida não tirou da sua alma o desejo de sonhar e lutar pelo que queria.

Aquele surfista percebeu que ele mesmo era um agente transformador da vida. Percebeu que ele era um promotor da paz, da justiça. Muitas vezes, queremos que as injustiças sociais se dissipem mas isso não vai acontecer se ficarmos presos aos nossos mundinhos e suas demandas. Se tivermos vontade, garra e determinação, faremos coisas muito maiores do que imaginamos.

A decisão é nossa.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra / Pena / Surfbeat

Foto: Divulgação

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30.01.12 12:21

Se liga na Palavra: Vencer ou perder

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Fala Galera,

Final de semana foi bem agitado na praia. Rolando campeonato e todo o movimento que gira ao redor de quem está envolvido. É interessante observar algumas situações que acontecem e que, muitas vezes, passam batidos diante de todos nós.

Vi jovens tristes porque perderam de cara, amigos antigos que queriam somente estar junto compartilhando histórias das antigas, amigos mais recentes falando das suas linhas, outros felizes por terem vencido e outros ainda felizes por terem contribuído para o campeonato ter sido um sucesso.

Cada pessoa, cada indivíduo é uma história, um mundo. Esse conceito é, de certa forma, recente. Engraçado é que nos tornamos tão individualistas que não conseguimos perceber o “conjunto da obra”. Muitos ficam tão focados em si que não percebem o que está acontecendo ao redor.

Às vezes é bom “recuar” o nosso zoom para poder ter uma visão mais panorâmica das situações que vivemos. Uma tristeza por uma derrota na bateria pode ser triste no momento, mas pode permitir outras possibilidades na vida.

Olhar muito de perto sua vida pode fazer com que valorizemos demais uma situação. Distancie-se mais de você. Tente perceber sua vida de forma mais panorâmica. O que precisamos aprender é a olhar a vida de forma mais macro que micro.

A forma como enxergamos a vida diz como lidaremos com as dificuldades que surgirem na caminhada. Não quero minimizar suas questões mas quero que perceba que todos possuem problemas e que, mesmo eu, escrevendo este artigo, possuo minhas inquietações diárias.

Muitas vezes, algo ruim acontece e queremos saber a resposta por aquilo. A resposta não interessa, o que precisamos encarar é a caminhada a partir do desafio que se foi colocado. Culpados não solucionarão a questão. Sigamos em frente, pois se estamos ainda debaixo do sol e com tempo para viver é porque a nossa vida ainda precisa ser vivida e o tempo que vivemos precisa ser valorizado.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra /  Surfbeat / PENA

Foto: Divulgação

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23.01.12 13:53

Se liga na Palavra: Identidade

Por: Carlos Bezerra | Comentários: Comente

Fala Galera,

Não existe lugar mais democrático do que a praia. Lá encontramos pessoas das mais diversas culturas, tribos e classes sociais. A praia é muito democrática e vez por outra me pego olhando algumas situações.

Neste final de semana, em um momento de observação, percebi algo que me fez refletir um pouco. Estava observando a galera surfando e vendo como é diversificado os níveis de cada um. Alguns estão ainda naquela de nem conseguir varar a arrebentação, outros já entram, mas, na hora de dropar, vacam. Existem aqueles que já dropam mas não possuem muito controle na linha que fazem e outros já fazem o seu surf e estão evoluindo suas linhas.

A questão é que somos únicos. O processo que levamos para aprender a surfar é muito particular. Para alguns acontece mais rápido e, para outros, mais demorado. Isso tem muito haver com a particularidade de cada um.

A humanidade é assim. Por mais que falemos em sociedade, em comunidade, em grupo, por mais que queiramos tratar o ser humano no coletivo o Criador das Ondas nos conhece no singular, no indivíduo.

Cada um de nós possui seus dilemas, suas alegrias e dificuldades. Pasmem, o Criador das Ondas conhece cada detalhe da nossa história e isso é muito massa!

Podemos ter a certeza que Ele conhece nossa vida. Não que isso seja algo para que fiquemos com a sensação de invasão ou medo. Ele conhece nossas virtudes e defeitos e nos ama como somos. Isso é que é mais alucinante.

É muito bom saber que possuímos tantos desafios a enfrentar na vida e no meio deles termos a convicção que não estamos sós.

Portanto, tenhamos calma e confortemos nosso coração com essa palavra. Apesar dos desafios serem nossos não estamos sós, pois o Criador das Ondas nos ama e conhece nossas dificuldades. Ele estará ao nosso lado dando forças para que enfrentemos cada um no seu devido momento. Isso é viver, isso é ser humano. Não tenhamos pressa acumulando em nossa cabeça os problemas e querendo resolver de uma só vez. Cada situação se resolve no momento certo, sem pressa.

O Criador das Ondas te ama e conhece seus problemas! Não estamos sós no drop da vida.

Boas Ondas

Por: Carlos Bezerra / PENA / Surfbeat

Foto: Divulgação

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Carlos Bezerra

Carlos Bezerra

Carlos Bezerra é bodyboarder, casado com a Dulce e pai da […]

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