Um canto de amor à Senhora dos Jardins do Céu

canticosA idéia me veio num vôo entre Bahia e Rio de Janeiro. Primeiro veio o nome do disco, tão claro apesar de longo e pouco comum em títulos dos trabalhos que faço. Gosto das palavras poderosas que carregam em si perguntas e respostas, abismos e chão firme, rios subterrâneos, mares luminosos: Âmbar, Álibi, Talismã etc. Mas aqui, a minha opinião era o que menos interessava. Somente o essencial: minha fé, profundo amor por Nossa Senhora, o coração manso e a voz que Deus me deu. Dentro do turbilhão da vida, todos os momentos e encontros dedicados a realizar este disco foram encantados, inesquecíveis, de uma suavidade como há muito, ou melhor, só quando criança experimentei.

Maria Bethânia

[Texto de abertura do encarte do CD Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu na voz de Maria Bethânia.]

Depois que adquiri o CD Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu na voz de Maria Bethânia, lançado pelo selo Biscoito Fino, passei vários dias com ele no carro ouvindo-o onde quer que eu fosse. Tudo nele é de uma grande beleza, a começar pela capa, que traz uma representação de Nossa Senhora como a Divina Pastora. Aliás, a propósito da capa, diz Maria Bethânia no texto que vem encartado no CD: Pedi ao Gringo que utilizasse a imagem da Divina Pastora na capa do disco, pois creio que a intenção, a utilidade deste trabalho é trazer para o colo Dela cada vez mais os Seus filhos. 

O texto do encarte vale a pena ser lido pelas revelações que a cantora baiana faz a respeito de todo o processo de criação do disco, eivado todo ele de um grande encanto tanto para ela quanto para músicos e compositores convidados.

O repertório foi muito bem escolhido, iniciando-se com a bela Oferta de flores, símbolo primeiro da Virgem Maria, e concluindo-se, na faixa 14, com o Magnificat, de Johann Sebastian Bach, cantado em latim. 

A faixa treze conta com a participação toda especial da mãe de Maria Bethânia, Dona Canô, a quem coube entoar a Ladainha de Nossa Senhora. Destacaria, ainda, a faixa sete como uma das mais belas do disco, em que é recitado o poema Feitio de Oração, de Wally Salomão. A força dramática que Maria Bethânia imprime ao poema confere-lhe, parece-me que assim posso falar, um caráter um tanto trágico, pungente mesmo, como é próprio daquelas orações recitadas quando, não vendo mais alternativa entre os recursos humanos, nada resta ao homem senão apelar para a intercessão dos santos, entre os quais se destaca Maria como a Suprema Intercessora de todos os cristãos. Os três versos iniciais do poema têm um forte apelo dramático:

Ó garrafada das ervas maceradas do breu das brenhas/ se adonai de mim e do meu peito lacerado/ ó senhora dos remédios

O disco é, todo ele, uma grande declaração de amor e devoção a Nossa Senhora. O repertório, afirma a cantora,  todo foi escolhido com o meu coração manso e feliz em poder conversar com Ela, fazer minhas preces e súplicas e elevar o meu canto à Sua luz. A alegria, para mim, conclui Maria Bethânia, é a maneira mais adequada para louvar Nossa Senhora.

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