Sincronicidade

05.06.11 08:28

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Por: Vasco Arruda | Comentários: 1 Comentário

Hoje é domingo

Transcrevo, abaixo, o texto escrito pelo Prof. Carlo Tursi a propósito do 1º Colóquio Teológico.

Repercussão promissora do 1º Colóquio Teológico
“Quem dizeis que eu sou?”
_____________________
O auditório José Albano, do Centro de Humanidades da UFC, com 112 lugares, estava lotado no dia 28 de maio – em pleno sábado de manhã: É que o Movimento por uma Formação Cristã Libertadora havia convidado para um debate aberto e gratuito acerca de “Aspectos cristológicos do imaginário de Jesus”, questionando até que ponto o “Cristo da Fé” do povo crente reflete as características históricas da figura e do projeto de Jesus de Nazaré. Polêmica garantida!
Moderadora Valdicélia Cavalcante acolheu o público em nome do MFCL e chamou os dois palestrantes a compor a mesa (um outro convidado, Pe. Marco Passerini, fora impossibilitado de participar por motivo de doença): Prof. Michael Kosubek (“O que a pesquisa histórico-crítica hodierna nos permite saber acerca do Jesus histórico?”) e Prof. Vasco Arruda (“Até que ponto desejos e projeções infantis participam da construção do imaginário acerca do Cristo milagreiro e salvador?”). Suas colocações, ricas em conteúdo e complementares em sua respectiva ótica, provocaram um envolvimento extraordinário da platéia (22 intervenções, entre perguntas e comentários). Eis algumas das inquietações:
Por que a história do cristianismo é marcada muito mais por prece e louvor do que por seguimento a Jesus? – Como a exegese moderna, com seu interesse histórico-crítico, pode evitar que a figura de Jesus se transforme em apenas um personagem proeminente do passado, perdendo assim a relevância como o “Vivente e Presente” em fé e vida das pessoas hoje? – Será que a fórmula da devoção popular “Entrego minha vida a Jesus!” contém algo mais do que uma recusa infantil da responsabilidade pelo próprio destino? – Poderia existir uma religiosidade/espiritualidade que não fosse marcada pela sensação infantil de desamparo e necessidade de proteção por um Pai Todo-poderoso que “quebra todos os meus galhos”? – Será que o papa Bento XVI, em seu livro sobre Jesus de Nazaré, estava bem-intencionado quando, já logo no início, não se ateve aos pressupostos metodológicos da exegese científica e exigiu o reconhecimento a priori da divindade do Jesus histórico? – Qual a imagem de Jesus Cristo que devemos apresentar ao povo cristão em catequese, ensino religioso e homilia? – Qual a importância de um determinado referencial cristológico para o (não-) engajamento social e político de cristãos e cristãs?
Embora as perguntas recebessem tratamento competente e aprofundamento significativo pelos palestrantes, o tempo se revelou curto para esgotar a riqueza de perspectivas e problemas que foi trazida à tona. O Movimento, desde já, estuda a possibilidade de oferecer um segundo colóquio para clarificações (e problematizações!) ulteriores. – Antonieta Bezerra, em nome do MFCL, agradeceu a tod@s e encerrou os trabalhos daquela memorável manhã. Que venha mais! Outro Cristianismo é possível!
Carlo Tursi

Continue lendo

Compartilhar

20.04.11 11:12

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Por: Vasco Arruda | Comentários: 1 Comentário

Getsêmane

Amor fati I: Getsêmani
Ele saiu e, como de costume, dirigiu-se ao monte das Oliveiras. Os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar, disse-lhes: “Orai para não entrardes em tentação”.
E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!” Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra.
Erguendo-se após a oração, veio para junto dos discípulos e encontrou-os adormecidos de tristeza. E disse-lhes: “Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação!”
Lc 22,39-46
[Bíblia de Jerusalém. Gorgulho, Gilberto da Silva; Storniolo, Ivo; Anderson, Ana Flora (Coord.). Tradução do texto em língua portuguesa diretamente dos originais. 4ª reimpressão. São Paulo: Paulus, 2006, p. 1829]

Continue lendo

Compartilhar

20.03.11 11:29

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

iconografia-icone-do-pantocrator_clip_image005

Quem é Jesus para a comunidade joanina? É o “filho de José, de Nazaré” (Jo 1,45), aparentemente insignificante (1,46), vivendo a vida do profeta rejeitado. A comunidade lembra os “sinais” desse profeta, suas credenciais, que não foram reconhecidas (12,37). Se houve alguma “suspeita” de que ele fosse o Messias, isso não era entendido no sentido certo; não era entendido no sentido de um revelador do rosto de Deus, mas de um Messias nacional, um “salvador da pátria” (6,14). O próprio termo “Messias” ou “Cristo” não é muito importante para João. Mais importante é o título de “Filho do Homem”, que sugere a origem celeste e o papel de vencer as potências do mundo (Dn 7,13-14).
O mais importante, porém, é ver em Jesus o Filho, sem mais: o Filho de Deus que por amor se põe a serviço da vontade salvífica do Pai (Jo 3,16). Porque ele sabe que o Pai o ama, ele também ama os seus até o fim (Jo 13,1; 15,9-12), deixando-lhes seu exemplo e a missão de amor do mesmo jeito.
A situação de opressão, em vez de ser uma razão de desespero, torna-se assim um desafio ao amor fraterno e à resistência contra as forças sedutoras e dispersivas que têm o nome de Satanás, Diabo, Apolião… A contemplação da glória conferida ao Filho – Cordeiro imolado, entregando a vida pelos seus – e a presença de seu Espírito sustentam na comunidade a vida verdadeira e definitiva que possuem aqueles que trilham seu caminho.
Johan Konings
[Konings, Johan. Cristologia na Comunidade Joanina. In: Aquino, Marcelo Fernandes de (organização de). Jesus de Nazaré, profeta da liberdade e da esperança. – São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 1999, p. 71.]

Continue lendo

Compartilhar

13.02.11 11:02

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Hoje é Domingo

Contemplar em atitude de oração o Jesus da história em quem o cristão acredita que Deus estava vivendo humanamente é olhar com toda profundidade para as mais plenas possibilidades do ser humano. A ênfase da humanidade de Jesus, que é uma recuperação feita pela cristologia contemporânea, é a correção a uma superênfase dada à divindade de Cristo, e de uma maneira de se ver Cristo somente pela perspectiva de sua divindade. A teologia especulara sobre o que era apropriado a Deus e então pressupõe esses mesmos atributos em Jesus, eliminando efetivamente quase todos os vestígios de seu ser humano, em todo sentido verdadeiro da palavra. Esse Jesus não podia ficar doente, não podia crescer em santidade, tinha a previsão exata de cada evento e gozava da visão beatífica mesmo em sua condição terrena.
Estudos críticos das Escrituras distinguem uma perspectiva pós-ressurrecional por parte dos autores dos evangelhos. Precisamos distinguir, meditando sobre Jesus, esses elementos verdadeiros embora interpretativos, nos quais os primeiros cristãos tentaram conceituar e verbalizar suas extraordinárias experiências com essa pessoa. Se pudéssemos estar ao lado deles em seus encontros com Jesus, poderíamos facilmente apreciar a beleza das mitologias inspiradas que surgiram a partir do processo primário de pensamento tanto de Jesus quanto de seus primeiros discípulos, e que foram preservadas para nós nas preciosidades que compreendem o Novo Testamento. Ao mesmo tempo, se conseguirmos distinguir essas mitologias, elas não precisarão obscurecer a verdadeira humanidade de Jesus, nem o paradoxo que ele encarna.
Anne Brennan e Janice Brewi
[Brennan, Anne e Brew, Janice. Meia-idade e vida: oração e lazer, fontes de um novo dinamismo. 2ª. ed. Tradução Isa F. Leal Ferreira; revisão Ivo Storniolo. São Paulo: Paulus, 1991, p. 125. – (Col. Amor e psique).]

Continue lendo

Compartilhar

02.02.11 23:09

Nunc dimittis servum tuum, Dom?ne (Lc 2,29)

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Sem mais, foi o jesuíta Auguste Valensin ao enunciar o essencial quando admite que, embora impossível, se se lhe mostrasse, no leito de morte, com a mais perfeita evidência, que ele errou, que não existe sobrevivência, que não existe sequer Deus, não se arrependeria de ter crido; mas se sentiria honrado porque creu em tudo isso, porque mesmo que o universo seja algo imbecil e digno de desprezo, pior para o universo, porque não errou quem pensou que existe Deus, mas o erro seria de Deus se Ele não existisse; algo semelhante não consigo encontrar fora ou acima do credo que Dostoiévski tinha formulado para si e que apresenta de modo muito simples: creio que não existe nada mais belo, mais profundo, mais excitante, mais razoável, mais viril e mais perfeito do que Cristo, mas muito mais do que isso, se alguém me provasse que Cristo está fora da verdade e que de fato a verdade está fora de Cristo, melhor seria então ficar com Cristo do que com a verdade.
Isso é tudo o que tenho à mão, algumas citações (de homens sensatos) e um sentimento – tão delicado, assistemático e frágil. E, no entanto, esse capital vago, pequeno e humilde – com o passar dos anos de prisão é meu único proveito, um embrulho pequeno – basta-me para dar-me uma segurança sólida e para transmitir-me o convencimento indestemido de que sei o que devo e o que não devo fazer.
A incerteza é a lei fundamental da civilização ocidental – e é seu signo zodíaco; é também a condição de base do cristianismo. Mas dela se aproxima – “não provada” pelo plano humano, científico – aqueles convencimentos que são mais duros do que os teoremas, como rochas. (Temo-las das autoridades maiores). Impulsionado por eles, saberei sempre o que fazer, por meio deles posso restabelecer a qualquer tempo a ligação rompida com Deus, e a alegria; por cima do abismo, o posto emissor e o posto receptor podem entrar instantaneamente em comunicação.
Nicolae Steinhardt
[Steinhardt. N. O Diário da Felicidade. Tradução e revisão de Elpídio Mário Dantas Fonseca; revisão do texto romeno de Cristina Nicoleta M?nescu. São Paulo: É Realizações Editora, Livraria e Distribuidora Ltda., 2009, p. 146].

Continue lendo

Compartilhar

31.01.11 18:37

Jesus Cristo, o divino médico

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Depois disso, ele saiu e viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: “Segue-me”. Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu.
Levi deu-lhe um grande banquete em sua casa; vários desses fiscais e outras pessoas estavamn sentados à mesa com eles. Os fariseus e os seus escribas puseram-se a criticar e a perguntar aos discípulos: “Por que comeis e bebeis com os publicanos e pessoas de má vida?” Respondeu-lhes Jesus: “Não são os homens de boa saúde que necessitam de médico, mas sim os enfermos. Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores”.
Lucas 5,27-32
[Bíblia Sagrada Ave-Maria. Tradução dos originais grego, hebraico e aramaico mediante a versão dos Monges Beneditinos e Maredsous {Bélgica}. 1ª. ed. São Paulo: Editora Ave-Maria, Edição Claretiana - 2009 – Revisada, p. 1353].

Continue lendo

Compartilhar

02.01.11 10:53

Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Hoje é Domingo

Que pessoa é então Jesus Cristo? O conhecimento revelado diz que é a segunda pessoa da Santíssima Trindade: “nascido do Pai antes de todos os séculos”, “Luz de Luz”, “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro” – pessoa divina que une em Si, hipostaticamente, uma natureza de Deus e uma natureza de homem. Mas o mero conhecimento racional e científico diz que a personalidade de Jesus Cristo é excelente sobre todas as personalidades humanas de que há notícia e, por isso, em todas as épocas e latitudes, continua a ser estudada e venerada até por muitos que não se proclamam da Sua doutrina.
Assim, a cultura não para de buscar o esclarecimento desta figura de milagre: a literatura, as belas-artes, a música, o cinema, a teologia, a filosofia, a história com suas modernas técnicas e ciências afins, a cada passo aprofundam a realidade de Jesus Cristo, procurando quantas vezes desvendar o mistério pelo estudo da “pessoa e sua circunstância” e deixando-nos sempre a igual lonjura do mistério, para concluir que, só quando o estudo é ato de fé, estamos em condições de ver essa “Luz do Mundo”, que também Se afirmou Caminho, Verdade e Vida.
Prof. Doutor José do Patrocínio Bacelar e Oliveira, S.J.
[Prof. Doutor José do Patrocínio Bacelar e Oliveira, S.J.. “Uma história dentro da história”, texto de introdutório ao livro de Dante Alimenti, Seguindo a Jesus. Volume 1. Editorial Verbo, 1991, p. 4.]

Continue lendo

Compartilhar

01.01.11 14:01

A aquiescência de José à vontade de Deus

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

São José

José enfrentou hostilidades ao lado de Maria durante a viagem a Belém, partilhando com ela sua impotência diante das forças de ocupação Romana. Se Maria representa a autonomia da mulher perante Deus no evento da concepção de Jesus, o que José representa? Deus pediu a José que concordasse com algo que é supremamente difícil para os homens moldados pelos valores do patriarcado. Ele pediu a José que se casasse com uma mulher que estava grávida de um filho de outrem. (…) Uma mulher sabe que os filhos que leva em seu ventre são seus, mas um homem não pode ter certeza absoluta disso. José amava Maria o suficiente para divergir das regras do patriarcado. Quando ele soube de sua gravidez, seu primeiro impulso foi protegê-la da maledicência, terminando seu noivado, sem que ninguém o soubesse (Mt 1,19), muito embora tivesse o dever público de revelar o suposto adultério de Maria. No entanto, Deus pediu a José que fosse ainda mais longe, quebrando todas as regras e assumindo a responsabilidade pelo filho de Maria.
Tina Beattie
[Beattie, Tina. Redescobrindo Maria a partir dos Evangelhos. Tradução Silvio Neves Ferreira. – 3ª. ed. – São Paulo: Paulinas, 2007, p. 57. – (Coleção Maria em nossa vida).]

Continue lendo

Compartilhar
Vasco Arruda

Vasco Arruda

Psicólogo e ex-professor de História das Religiões e Psicologia da Religião

Receba as postagens
do blog Sincronicidade

Powered by Feedburner/Google

Categorias