Sincronicidade

27.12.11 10:51

Rilke ou A transcendência do cotidiano

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

rainer_maria_rilke

A obra de Rainer Maria Rilke capturou a imaginação de músicos, filósofos, artistas, escritores e amantes da poesia, e estendeu o alcance da poesia a pessoas raramente interessadas em elocuções humanas versificadas. Marlene Dietrich, Martin Heidegger e Warren Zevon recitavam de cor poemas de Rilke. Essa capacidade das palavras de Rilke de tocar de pessoas tão diferentes como se cada palavra tivesse sido escrita só para elas, à parte sua estima entre colegas poetas e acadêmicos, confere à sua poesia a força que ela tem e impediu sua obra de se tornar um mero artefato da civilização que Hegel foi o primeiro a chamar de Velha Europa. O poder dos escritos de Rilke resulta de sua habilidade em entrelaçar a descrição de objetos cotidianos, sentimentos minuciosos, pequenos gestos e coisas desprezadas – aquilo que constitui o mundo para cada um de nós – com temas transcendentes. Ao entrelaçar o cotidiano e o transcendente, Rilke insinua em sua poesia – e explica minuciosamente em suas cartas – que a chave para os segredos de nossa existência pode ser encontrada bem diante de nossos olhos. Essa insinuação não é domínio exclusivo da obra poética de Rilke, que abrange 11 coletâneas publicadas antes de sua morte, em 1926, e um grande número de poemas publicados postumamente. Ele foi um epistológrafo prodigioso, e em sua correspondência espantosamente vasta Rilke se solta das coerções do verso alemão para produzir reflexões contundentes e acessíveis sobre um amplo espectro de tópicos.
Ulrich Baer
[Baer, Ulrich. Introdução a Rilke, Rainer Maria. Cartas do poeta sobre a vida: a sabedoria de Rilke. Organização Ulrich Baer; tradução Milton Camargo Mota. – São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 10. – (Coleção Prosa)]

Continue lendo

Compartilhar

30.11.11 10:26

Iniciando-me na vida e obra da Virgem Vermelha

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

simone weil

…no momento em que se toma consciência de uma escolha a ser feita a escolha já está feita – num sentido ou no outro.
Simone Weil
[Weil, Simone. A gravidade e a graça. Tradução Paulo Neves. – São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 54. (Coleção tópicos)]

Continue lendo

Compartilhar

27.09.11 08:21

A árdua conquista da sabedoria

Por: Vasco Arruda | Comentários: 1 Comentário

MarcelProust

Não herdamos a sabedoria, temos de encontrá-la por nós mesmos após a travessia do árido e imenso vazio, na qual ninguém pode fazer nada por nós, da qual ninguém pode nos poupar, pois nossa sabedoria é o ponto de vista a partir do qual, finalmente, passamos a enxergar o mundo.
Marcel Proust (1871-1922)
[1001 pérolas de sabedoria budista: ideias que iluminam e trazem paz interior / selecionadas por The Buddhist Society; [tradução Clara Alain]. São Paulo: Publifolha, 2007; Sabedoria, 222.]

Continue lendo

Compartilhar

04.08.11 19:00

Arcano maior: a Temperança

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Temperança

Nossa! Que ansiedade! Que pressa! Que afobação! Não queira colocar a carroça na frente dos cavalos. Calma! O mundo não vai acabar amanhã. O tempo é eterno para todos nós! Tudo de bom está reservado para você, mas tem de esperar, ser perseverante, dar tempo ao tempo… Enfim, não desista; aguarde! Contudo, algumas situações deverão ser resolvidas antes que possa concluir o que almeja. O melhor a fazer é ocupar-se com outras coisas. Confie no destino e em você!
Nei Naiff
[Naiff, Nei. Consulte o Tarô: direcione sua vida para o sucesso. – São Paulo: Elevação, 2003 p. 127.]

Continue lendo

Compartilhar

06.07.11 08:54

Sincronização

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

A expressão da bondade fundamental está sempre ligada à benevolência – não uma benevolência morna, débil, água-com-açúcar, mas uma benevolência íntegra, animada, uma benevolência de quem tem ombros e cabeça aprumados. A benevolência, nesse sentido, provém da experiência da não-dúvida, da ausência de dúvida. Ser livre de dúvida nada tem a ver com aceitar a validade de uma filosofia ou de um conceito. Não se trata de converter-se ou submeter-se a uma cruzada até já não se ter qualquer dúvida sobre as próprias crenças. Não estamos falando de pessoas que nunca têm dúvidas e que fazem proselitismo evangelizador, estando sempre prontas a se sacrificar por uma crença. Não ter dúvida significa confiar no coração, confiar em si mesmo. Não ter dúvida significa ter vivido a experiência de relacionar-se consigo mesmo, a experiência de sincronização entre mente e corpo. Quando a mente e o corpo estão sincronizados, não se tem dúvida.
Chögyam Trungpa
[Trungpa, Chögyam. Shambhala: A Trilha Sagrada do Guerreiro. Tradução de Denise Moreno Pegorim, supervisão, revisão técnica e notas de Lincoln Berkley. São Paulo: Cultrix,1997, p. 54.]

Continue lendo

Compartilhar

14.02.11 11:02

A Cidadela

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

A minha piedade vai toda para aquele que desperta no meio da grande noite patriarcal, convencido de que ainda tem por cima as estrelas de Deus, e de repente se sente em viagem. Proíbo terminantemente que o interroguem, porque sei muito bem que não há resposta que mitigue a sede. Aquele que interroga, o que em primeiro lugar procura é o abismo.
Antoine de Saint-Exupéry
[Saint-Exupéry, Antoine de. Cidadela. Tradução de Ruy Bello. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, p. 15.]

Continue lendo

Compartilhar

31.08.10 06:21

Rumi e o sol da palavra

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

rumi3

A palavra é como o sol. Todos os homens obtêm calor e vida a partir dele, e o sol está sempre presente aquecendo o mundo e os homens. Eles não sabem que continuam vivos por causa dele. Mas quando, através de uma expressão, queres protestar, queres o bem, queres o mal, a palavra surge e o sol se mostra; o sol do firmamento brilha continuamente, mas só distinguimos seus raios quando refletem sobre uma superfície. Dessa forma também, os raios [...]

Continue lendo

Compartilhar

06.04.10 11:21

A aposta de Pascal na religião

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Blaise Pascal (

  Se não se devesse fazer nada senão pelo certo, nada se deveria fazer pela religião: pois ela não é certa. Mas quantas coisas são feitas pelo incerto, as viagens marítimas, as batalhas! Digo, pois, que não se deveria fazer absolutamente nada, pois nada é certo; e que há mais certeza na religião do que na possibilidade de vermos o dia de amanhã: pois não é certo que veremos o dia de amanhã, mas é bem possível que não o [...]

Continue lendo

Compartilhar

16.12.09 06:21

O mestre que não queria ser mestre

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

krishnamurti4

Quanto mais lutamos contra um hábito, tanto mais vida lhe damos. O hábito é uma coisa morta e não deveis lutar contra ele nem resistir-lhe; mas, com a percepção da verdade sobre o descontentamento, o passado terá perdido toda a sua significação. Embora doloroso, é maravilhoso estar-se descontente, sem procurar asfixiar essa chama com o saber, a tradição, a esperança, as realizações. Deixamo-nos absorver no mistério das realizações humanas, nos mistérios da igreja, ou do avião a jato. Ora, isto [...]

Continue lendo

Compartilhar

01.12.09 06:21

A amizade segundo Emerson

Por: Vasco Arruda | Comentários: Comente

Meus amigos a mim vieram sem que eu os buscasse. O grande Deus a mim os deu. Pelo mais antigo direito, pela divina afinidade da virtude consigo mesma, eu os encontro, ou melhor, não eu, mas a Divindade que em mim e neles habita suprime e faz ridículas as muralhas espessas do caráter individual – e das relações, da idade, do sexo, das circunstâncias, com as quais ele normalmente conspira -, tornando assim um o que era múltiplo. Ralph Waldo [...]

Continue lendo

Compartilhar
Page 1 of 3123
Vasco Arruda

Vasco Arruda

Psicólogo e ex-professor de História das Religiões e Psicologia da Religião

Receba as postagens
do blog Sincronicidade

Powered by Feedburner/Google

Categorias