17.04.12 09:31
Um fim de semana em companhia de Drina e Bento

Acho realmente que a arte nos escolhe, conforme a nossa personalidade. Escolhi a literatura para expressar-me e ela, por sua vez, também me escolheu; das artes, a que menos precisa de plateia, porque encontra seu objetivo quando um leitor a lê. O próprio escritor se insere na narrativa como mais um personagem e é impressionante a capacidade de deslocamento que ele tem para versar sobre outras realidades; muitas vezes, transportando-se para situações, épocas ou lugares que não conheceu de fato e descrevê-los com propriedade. Eu mesma, num de meus livros, vivi a maternidade com uma intensidade tal que me pareceu real, uma experiência que a Providência me negou, mas que a literatura me possibilitou. É a força da palavra literária e a forma como o escritor a usa, que torna esta mágica possível, permitindo que a literatura sobreponha-se à experiência de vida.
Íris Cavalcante, pela boca de Drina, personagem de O Sobrevivente
[Cavalcante, Íris. O Sobrevivente. – Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010, p. 43.]
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14.03.12 10:33

E agora, meu caro bibliófilo aprendiz, de que mais podemos conversar? Já proseamos bastante (talvez demais, na sua opinião) e falta ainda muita coisa que eu gostaria de lhe dizer. Mas, prosa sobre livros não tem fim. Você já deve estar cansado. Quer fechar este livro e ir cuidar da vida. Se cuidar da vida é, para você, ganhar mais dinheiro, digo-lhe que não vale a pena. Ganhar muito dinheiro dá enfarte. Sempre haverá o bastante para comprar-se um livrinho ambicionado. O resto é vão e não vale o sonho imenso de quem gosta de livros raros. Não vive verdadeiramente quem não gosta de dar uma prosa com um amigo ou ler um livro com vagar. Desejo-lhe que tenha sempre tempo para prosear sobre livros. Quando nos encontrarmos de novo, espero que seja você quem me conte coisas sobre livros e me diga os exemplares raros que já possui.
Rubens Borba de Moraes
[Moraes, Rubens Borba de. O bibliófilo aprendiz. – 4ª. ed. – Brasília, DF: Briquet de Lemos/Livros: Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005, p. 205.]
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30.01.12 06:15

Acho que não consigo preservar minha saúde e meu ânimo se não passar quatro horas por dia, pelo menos – e geralmente é mais do que isso -, vagando através das matas, dos morros e dos campos, absolutamente livre de todos os compromissos terrenos. Você pode propor um centavo para ler meus pensamentos, ou até mil libras. Quando às vezes lembro que os artesãos e os negociantes ficam em suas lojas não só toda a manhã, mas toda a tarde também, sentados de pernas cruzadas, tantos deles – como se as pernas fossem feitas para se sentar sobre elas e não para ficar de pé ou caminhar sobre elas -, acho que merecem algum crédito por não terem cometido o suicídio há muito tempo.
Henry David Thoreau
[Thoreau, Henry David. Caminhando. Tradução de Roberto Muggiati. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2006, p. 71. (Sabor literário)]
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06.01.12 08:10
Gestão pública: facetas estratégicas

Os princípios da Administração Pública são claramente observados na Gestão Democrática. A gestão democrática deve ser uma gestão participativa, comunitária, sem paternalismo, combate ao clientelismo, deselitização das políticas públicas para inclusão das minorias. Ao se contrapor ao paternalismo e ao autoritarismo, constrói-se uma nova cultura de relacionamento entre Estado e sociedade. No que se refere à participação, é uma estratégia democrática que cria responsabilidade e envolvimento da comunidade junto ao Estado para enfrentamento de problemas.
(Van der Ley, Luciano Gonzaga (org.). Gestão pública: facetas estratégicas. Fortaleza: Edições UFC: Imprensa Universitária. Introdução , p. 27).
02.01.12 08:40
Iniciação à vida e obra de Gustavo Corção

O toque das grandes aventuras seria forjado por ele mesmo. Corção, com a sua aguda sensibilidade, soube tirar do cotidiano ordinário percepções extraordinárias.
Marta Braga
[Braga, Marta. Lições de Gustavo Corção. – São Paulo: Quadrante, 2010, p. 11. – (Coleção Vértice; 71)]
09.12.11 11:11
Você já esteve em um lugar imaginário?

O clima do vale, abrigado dos ventos, é quente durante o dia e frio à noite. Mas por volta do meio-dia é frequente ouvir o ruído das avalanches do monte Karakal. Os costumes e o clima de Shangri-La parecem estar na origem de um estranho fenômeno de prolongação anormal da duração da vida, acompanhada de um envelhecimento tardio.
Alberto Manguel e Gianni Guadalupi
[Manguel, Alberto & Guadalupi, Gianni. Dicionário de lugares imaginários. 1ª reimpressão. Ilustrações de Graham Greenfield e Eric Beddows; mapas e plantas de James Cook; tradução de Pedro Maia Soares. – São Paulo: Companhia das Letras, 2005, verbete: Shangri-La, p. 396.]
28.11.11 10:40
Um turbilhão de sincronicidades

Nos dias de hoje, a sincronicidade tem sido cada vez mais considerada um aspecto instigante da vida, mas de difícil explicação. Para mim, trata-se de uma curiosidade fascinante. Minhas experiências sincronísticas, e as de outros que as compartilharam comigo, me convenceram de que estamos lidando com algo muito maior e mais estranho do que podemos entender neste momento. Mais estranho do que podemos imaginar – talvez até mesmo mais estranho do que nossa mente possa alcançar.
Jan Cederquist
[Cederquist, Jan. Coincidências existem?: casos e acasos incríveis na busca por resposta para a vida. Tradução de Renata Marcondes. – São Paulo: Editora Gente, 2011, p. 16.]
23.11.11 06:15
Cartas de um certo príncipe aviador

Mamãe, tenho também uma alegria na vida: tenho amigos tão formidáveis para mim que você nem pode imaginar. Todos, neste momento, sofrem de uma epidemia de simpatia. Bonnevie me procura sempre, Sallès escreve-me cartas de uma amizade tão profunda que me emocionam. Ségogne é um anjo. Os Saussine, anjos protetores, e não falo em Yvonne e Mapie…
[Saint-Exupéry, Antoine de. Cartas do Pequeno Príncipe. 7ª. ed. Tradução de Magda Soares Guimarães. – Belo Horizonte: Itatiaia, 1969, p. 87.]
22.11.11 06:15

Eu disse aos ouvintes que estava em busca de histórias. Essas histórias tinham de ser verdadeiras e precisavam ser curtas, mas não haveria restrição quanto ao tema ou estilo. O que me interessava mais, expliquei, eram histórias que desafiassem nossas expectativas em relação ao mundo, casos que revelassem as forças misteriosas e incognoscíveis que atuam em nossas vidas, em nossas histórias de família, em nossas mentes e corpos, em nossas almas. Em outras palavras, histórias verdadeiras que parecessem de ficção.
Paul Auster
[Auster, Paul (organização e introdução de). Achei que meu pai fosse Deus e outras histórias da vida americana. Tradução Pedro Maia Soares. 2ª. reimpressão. – São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 14.]
30.09.11 10:39
Uma dádiva para os estudiosos da cultura cearense

A Fundação Waldemar Alcântara (FWA), através da Coleção Obras Raras, torna disponível para pesquisadores, professores, estudantes e aos interessados na história de nossa região títulos incomuns, e amplia o acervo com o qual contempla o resgate de registros marcantes do processo de formação de nossa cultura. A Coleção é composta dos livros “O Ceará”, de autoria de Raimundo Girão e Martins Filho, “Boletim de Antropologia”, organizado pelo Dr. Thomaz Pompeu Sobrinho, e o “Diário de Viagem”, de Francisco Freire Alemão, transcrito dos originais do autor, cujo título leva seu nome.
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