22.04.12 12:07
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

É evidente que o Senhor aceitou e assumiu as paixões naturais com o fim de consolidar a fé em uma encarnação verdadeira e não imaginária. Ao contrário, as paixões que existem em consequência do pecado e corrompem a integridade de nossa vida, ele as repudiou como indignas de sua divindade imaculada. Por isso o apóstolo Paulo escreveu que Cristo nasceu “na semelhança” de uma carne de pecado, e não em uma carne de pecado.
São Basílil, Epist. 261
[Citado em: Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais. Tradução Armando Braio Ara. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 234.]
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15.04.12 11:15
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

E agora, depois do batismo, estou sujo. A trave está ainda fincada no olho, o espinho no corpo, o anjo de Satã bate-me o rosto (e patrulha-me de modo psicossomático em todo o lugar, todo cheio de si). Ter escapado das tentações é uma ilusão orgulhosa, tonta. Não levara em consideração II, Cor. 12,7. Mas, que Cristo é a Verdade, o Caminho e a Vida creio de uma maneira absolutamente festiva. Nicolae Steinhardt [Steinhardt, N. O Diário da Felicidade. – [...]
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25.03.12 08:20
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida – porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e dela vos damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu – o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. E isto vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.
Primeira epístola de João, 1,1-4
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11.03.12 06:15
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

“Meu caro amigo alegro-me profundamente em ver-te. Estou contigo, quero falar-te e ouvir-te. Esteja certo de que estou realmente presente. Estou em ti. Fecha os olhos e teus ouvidos a todas as distrações. Retira-te para dentro de ti mesmo, pensa os meus pensamentos, fica a sós comigo.
Não tenhas receio. Eu sou o teu Deus, o teu rei de infinita majestade, de poder infinito. Mas sou também humano, como tu.
Sou o teu Salvador. Estás notando como me dirijo a ti? Chamo-te de meu amigo. Quando falo contigo, não te dou o nome de “criatura”, de “servo”, mas de “amigo”. Sim, e até mais que isso, tu és meu irmão, minha irmã, minha mãe. Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está no céu, é meu irmão, minha irmã e minha mãe.
Alegro-me que desejes vigiar um pouco comigo, confiar em mim e permitir-me confiar em ti.
Já pensaste no que te teria dito, se tivesses estado a meu lado como Pedro, João, Maria, Marta e como todos aqueles com os quais estive em contato durante a minha vida terrestre?
Pensas que eles foram especialmente favorecidos porque viveram naquele tempo, porque me viram, porque me ouviram, porque me tocaram?
Sim, eles foram favorecidos. Mas tu também o és. É melhor para ti viver agora do que em qualquer outro tempo da história. Não achas que esta é a minha hora do mesmo modo que há vinte séculos o foi? Vejo-te com a mesma clareza com que os via. Amo-te como os amei. Falo contigo como falava com eles. O que são os teus bons impulsos, senão a minha graça e as instâncias do Espírito Santo?
Mas, talvez, estarás dizendo para ti mesmo: eles vos viram face a face! O que foi que meus discípulos viram? Viram um homem. Um homem que operava milagres, mas apenas um homem. Alguns meses depois eles me conheceram como “aquele que há de vir” – o messias, e como “aquele que é” – Deus. E quando eles chegaram finalmente a me conhecer, não o foi por seus olhos corporais, mas pela fé. E não poderia ter sido de outro modo. Nenhum mortal pode ver a Deus face a face e continuar vivendo neste mundo.
É exatamente como tu me conheces hoje: pela fé. És, portanto, feliz e três vezes feliz. Feliz porque me vês com olhos mais seguros do que os olhos de tua natureza humana: com os olhos da fé.”
Clarence J. Enzler
[Enzler, Clarence J. Cristo minha vida. 33ª ed. - São Paulo: Paulinas, 2000, p. 9.]
04.03.12 06:15
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Há quem admire Cristo segundo categorias estéticas, como um gênio estético, chamam-lhe de o maior eticista; outros admiram sua morte como um herói que se sacrifica pelos próprios ideais. A única coisa que não fazem é leva-lo a sério. Isto é, não entregam o centro de sua própria vida ao pedido de Cristo para que se fale da revelação de Deus e também para que se seja a revelação. As pessoas mantêm distância entre si e a Palavra de Deus [...]
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05.02.12 07:54
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Há um aspecto da meditação que a experiência nos torna muito familiar. É um aspecto que se acha profundamente inserido na tradição cristã. O cristão sabe que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. E, como ele mesmo nos disse, veio para dar-nos a sua paz e deixar-nos a paz. São Lucas começa seu evangelho dizendo que Cristo veio para “guiar nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,79). A paz cristã é algo único e só podemos encontrá-la em Cristo.
É como São Paulo diz na Epístola aos Romanos: “Estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5,1). A meditação é o nosso caminho para a paz de Cristo porque ele habita em nosso coração e, na meditação, procuramo-lo em nosso coração porque “ele é a nossa paz” (Ef 2,14). Em sua epístola aos efésios Paulo fala que Cristo eliminou todas as barreiras, simbolizadas pela parede divisória no Templo, que separava o pátio exterior do interior, a realidade exterior da interior. Em Cristo a realidade volta a ser una.
A meditação faz exatamente isto em nossas vidas. Ela derruba todas as barreiras erguidas dentro de nós, entre nossa vida exterior e interior, e põe em harmonia tudo o que há em nós. A paz de Cristo, que supera todo entendimento, toda análise, surge desta unidade. A opção proposta por Paulo, o desafio em Paulo, reside em viver de acordo com o Espírito, que cria esta unidade. Em outras palavras, somos convidados a viver desta plenitude de poder que existe no coração de cada um de nós; mas isto só acontecerá se nos voltarmos para ele e nos abrirmos a ele.
John Main
[Main, John. O momento de Cristo: a trilha da meditação. 3ª. ed., 2004. Tradução I.F.L. Ferreira. – São Paulo: Paulus, 1992, p. 43. – (Coleção meditações).]
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29.01.12 06:15
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Públio Lêntulo, nobre romano, que governava a Judeia no tempo de Jesus, numa carta ao Senado Romano, até hoje incontestada, diz assim:
“No momento em que vos escrevo, existe aqui um homem de singular virtude, que se chama Jesus. Os bárbaros o têm em conta de profeta, mas os seus sectários o adoram como filho dos deuses imortais. Ressuscita os mortos e cura os enfermos, falando-lhes e tocando-os. É de estatura elevada e bem conformada, de aspecto ingênuo e venerável. Seus cabelos de uma cor indefinível caem-lhe em anéis até abaixo das orelhas, e espalham-se pelos ombros com uma graça infinita, trazendo-os ele à moda dos Nazarenos. Tem fronte larga, espaçosa, e as faces coloridas de amável rubor. O nariz e a boca, de uma admirável regularidade. A barba, da mesma cor dos cabelos, desce-lhe espessa até ao peito, bipartida à semelhança de forquilha. Os olhos brilhantes, claros e pequenos. Prega com majestade; e suas exortações são cheias de brandura. Fala com muita eloquência e gravidade. Ninguém jamais o viu rir; muitos, porém, o têm visto chorar, não poucas vezes. É sobremodo sábio, moderado e modesto, um homem, enfim, que por suas divinas perfeições se eleva acima de todos os filhos dos homens”.
[Citado em: Chiappetta, Luís. Jesus, meu mestre: texto de religião para o curso ginasial e de madureza. 1ª. ed. vol. I – A Fé. São Paulo: Paulinas, 1960, p. 150.]
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25.12.11 07:21
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

No centro, contudo, está Ele, o Filho, cuja figura aparece naquele pequeno Credo presente nas palavras do anjo, verdadeira identidade de Cristo. Ele é Jesus, um nome comum em Israel mas cujo significado é altíssimo: Salvador. Ele é Grande e Rei eterno (“O Senhor Deus Lhe dará o trono do seu pai David e reinará para sempre sobre a casa de Jacob e o seu reino não terá fim”, vv. 32-33). Com estes dois títulos, Jesus surge como o herdeiro da promessa davídica: “Fiz o teu nome tão grande… Firmarei para sempre o seu trono régio. Serei para Ele um Pai e Ele será para mim um Filho… A tua casa e o teu reino permanecerão para sempre” (2Sm 7,9.13.14.16). Jesus é, portanto, o Messias davídico. O anjo alinha outros três títulos cristológicos: Filho do Altíssimo, Filho de Deus, Santo. João Batista é chamado “grande diante do Senhor” (v. 15), Jesus é o Grande em absoluto. João Batista é “cheio do Espírito Santo desde o seio de sua mãe”, mas relativamente a Jesus é o próprio Espírito Santo que “desce” para O constituir como homem; João Batista é destinado a “preparar um povo ao Senhor” (v. 17), Jesus pelo contrário tomará posse e reinará sobre o povo de modo eterno” (v. 33).
Gianfranco Ravasi
[Ravasi, Gianfranco. Os rostos de Maria na Bíblia: trinta e um “ícones” bíblicos. Tradução de Maria Pereira – TRADUVÁRIUS, Lisboa: Paulus Editora, 2008, p. 155.]
18.12.11 21:45
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)
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Ou o Cristo “é” ou “não é”. Ou é o Verbo encarnado que falou de si mesmo, ou não é. [...] Vale a pena pensar nisto com toda a atenção porque é perfeitamente possível [...] que o Cristo seja o Cristo. [...] Convencer, eu não posso. Como poderia eu convencer alguém que resiste a Deus? Posso entretanto fazer [...] um convite ao desespero. [...] Ou Deus é ou não é. E se não é, acabou-se; que não seja. [...] Ali está o caminho que não é a Verdade e a Vida: entremos. [...] Nada adianta. Nem ser bom, nem ter caráter, nem ter vergonha, nem ter sentimentos. [...] Ou o Cristo ressuscitou ou não; e se não ressuscitou, nós somos as mais desgraçadas criaturas porque perdemos a última aposta.
Gustavo Corção
[Corção, Gustavo. A Descoberta do Outro, págs. 109-111. Citado em: Braga, Marta. Lições de Gustavo Corção. – São Paulo: Quadrante, 2010, p. 56. – (Coleção Vértice; 71)]
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04.12.11 06:15
Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)
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Quanto ao Jesus histórico, é claro que dele não sei mais do que qualquer um, quer dizer, quase nada. Se confiamos, por falta de melhor, nos Evangelhos, temos primeiro a ideia de um exaltado simpático, de uma espécie de pregador itinerante, evidentemente sincero, evidentemente desinteressado, que anunciava a todos a iminência do Juízo Final ou do fim dos tempos… Que se tenha enganado está bastante claro, e não tem grande importância. Quero crer que ele compreendeu, no meio do caminho, que acabou por compreender que o essencial não estava aí: que o Reino de Deus não era o que deveria advir, mas o que já havia começado. Não somente “muito próximo”, como diz o Evangelho de Marcos, mas aqui mesmo. Não vindouro, mas presente, mas para viver, aqui e agora para viver. Não prometido, mas dado. Objeto não de esperança mas de amor, não de fé mas de conhecimento. “Quero crer”: quer dizer, não sei nada disso. Mas esse é o Cristo a quem amo, aquele que criei pouco a pouco para mim, aquele que me acompanha, e o único que me esclarece. É o Cristo de Spinoza, disse-o, ou um Cristo spinozista, e isso dá no mesmo. É o Cristo de Alain: a criança nua, entre o boi e o burrico, o espírito crucificado, entre dois ladrões. É, pois, o Cristo de todo o mundo – o Presépio, o Calvário – , o dos mitos e das lendas, o único que conhecemos, no fundo o único que importa, mas liberto da religião, mas não prometendo nada mais do que tudo, ele também – como os gregos, como os verdadeiros mestres -, e não outro reino além deste mesmo onde já estamos… Este Cristo, mesmo heterodoxo (mas que vale a doxa nesses domínios?), mesmo inventado (como proceder de outra maneira?), não deixa, porém, de se relacionar com os textos do Novo Testamento, ao menos com alguns deles. Por exemplo, no Evangelho segundo São Lucas: “Tendo-lhe os fariseus perguntado quando viria o Reino de Deus, ele lhes respondeu: ´O Reino de Deus não vem como um fato observável. Não se dirá: ´Aqui está´ ou ´Lá está`. Pois o Reino de Deus está em vós” (entos humôn), ou “ente vós”, ou “no meio de vós” (todas essas traduções, embora menos evidentes, são aceitáveis), ou talvez, melhor ainda, e como dizia o Evangelho de Tomé, o Reino de Deus está ao mesmo tempo “em vós e fora de vós”. É o que Guillemin, em L´affaire Jésus, denominava com razão “a grande revelação-divulgação que o nazareno trazia”, da qual eu diria de bom grado que põe fim, para mim, a qualquer religião revelada, e mesmo a qualquer religião. Se o Reino está em nós, e se estamos no Reino, para que serve a fé e a esperança? Não se deve crer em mais nada; deve-se conhecer tudo. Não se deve ter esperança em mais nada; deve-se amar tudo. Isso coincide com a lição dos místicos, em todos os países. Por exemplo, Nagarjuna: “Enquanto fazes uma diferença entre o nirvana e o samsara, estás no samsara”. Meu Cristo interior diria igualmente de bom grado: “Enquanto fazes uma diferença entre o Reino e este mundo de miséria, estás neste mundo de miséria”. É a Boa Nova dos Evangelhos, tais como os leio: já estamos salvos. Mas singularmente rude: já que nada mais deixa para ter esperança! Suporta-a quem pode, e quase não o podemos. A esperança é mais fácil; a religião é mais fácil. Mas “cumpre ater-se ao difícil”, como diz Rilke: isso indica o caminho, onde já estamos, onde avançamos como podemos, no cansaço, no sofrimento, na angústia – na alegria por vezes. Foi isso a que chamei a sabedoria do desespero, a que Cristo antes chamaria a sabedoria do amor, e é ele, com certeza, que tem razão. Nada para crer, nada para ter esperança. Não há outra salvação senão viver, não há outra salvação senão amar: o Reino é aqui na terra; a eternidade é agora.
André Comte-Sponville
[Comte-Sponville, André. Bom dia, angústia! Tradução Maria Ermantina Galvão G. Pereira. – São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 143.]
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