Secretário rebate críticas e defende projetos de retirada de água na RMF

Secretário classificou críticas contra captação de águas como desinformadas(Foto: Divulgação)
Secretário classificou críticas contra retirada de águas como desinformadas(Foto: Divulgação)

O secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, defendeu projetos do Estado de retirada de água do Lagamar do Cauípe, em Caucaia, e das dunas do Pecém, em São Gonçalo do Amarante. Rebatendo críticas de deputados e movimentos sociais como “desinformadas”, ele afirma que ações partiram de estudos técnicos e cumprem a lei.

Na manhã desta quinta-feira, 7, moradores de comunidades da região do Lagamar do Cauípe ocuparam canteiros da obra em ato contra o projeto. Segundo eles, o manancial tem sofrido com o projeto e avanço da especulação imobiliária. Também nesta quinta, deputados Renato Roseno (Psol) e Capitão Wagner (PR) criticaram a ação do governo na tribuna da Assembleia.

Segundo Roseno, obra possui diversas irregularidades ambientais, financeiras e legais. Além do prejuízo ambiental provocado, ele critica destino da água não para uso popular, mas para o Complexo Industrial do Pecém. Já Wagner denuncia que as obras, em R$ 20 milhões, estariam sendo feitas sem licitação, usando recurso do Fundo da Defesa Civil do Estado.

“Devemos suspender essas obras até que se encontrem meios alternativos e legais para o abastecimento da indústria”, disse Roseno. Classificando a retirada de água da população para o abastecimento industrial como “escandaloso”, o deputado apresentou requerimentos solicitando a suspensão das obras.

“Pura desinformação”

Em entrevista ao Blog Política, Francisco Teixeira defendeu os projetos e rebateu acusações dos parlamentares. “São muito frágeis os fundamentos. Se eles tivessem tido a boa vontade de participar de uma das enésimas audiências que fizemos sobre o assunto, ou de ler os relatórios e estudos públicos que fizemos, viriam que não é bem assim”, afirma.

Teixeira afirma que, apesar da seca, área das obras possui elevada média de chuvas e acaba “perdendo” muita água subterrânea para o mar. “Fizemos estudos que mostraram capacidade dessa região de se explorar algo entre 90 milhões de metros cúbicos de reserva renovável. Ou seja, o que vamos explorar não é nem 10% do que tem disponível sem qualquer prejuízo”.

Meio ambiente

“Se eles são favoráveis a preservar essas áreas, deveriam nos apoiar”, diz sobre as críticas ambientais. “Se precisamos do lagamar ou duna para tirar água, é óbvio que vamos ter que preservar eles. É só ver qualquer área de duna preservada em área urbana. Em Natal, o Parque das Dunas é intocado pelo avanço imobiliário porque há captação de água subterrânea”, diz.

Sobre o uso de águas pela indústria, o secretário diz: “Não existe isso. A água vai para todo mundo, com prioridade para o abastecimento humano. Para indústrias temos outros projetos, como de reuso. Atendemos prioritariamente os distritos de Caucaia e São Gonçalo. Agora, é claro que, como o sistema é de múltiplo uso, alguma parte pode ser usada para o Pecém”.

Defesa Civil

Ele afirma ainda que não há qualquer irregularidade em dispensas de licitação ou uso do Fundo da Defesa Civil. “Essa rubrica é para fazer três coisas: Prevenção, resposta e reconstrução de desastres naturais. E como são ações de emergência, é para fazer com dispensa. Se o Estado com capacidade hídrica de 8% não é emergencial, o que vai ser?”, diz.

“Tenho o maior respeito pelas comunidades e movimentos sociais. Mas é uma pena que muitas vezes elas sofram com manipulação e informações erradas. Agora, é difícil você ir para um debate técnico, quando o outro lado só tem argumentos políticos”, diz.

Carlos Mazza

Sobre Carlos Mazza

Repórter do núcleo de Conjuntura do O POVO. Jornalismo de dados, reportagens investigativas, bastidores da política cearense. carlosmazza@opovo.com.br

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