Oito vereadores de Itarema ficarão presos em quartel dos Bombeiros no José Walter

Presos em operação do Ministério Público do Ceará (MP-CE) nesta semana, oito vereadores de Itarema, Zona Norte do Estado, chegam na manhã desta sexta-feira, 30, em Fortaleza. Acusados de integrarem esquema de contratações fantasmas, eles devem ficar presos na carceragem do quartel do Corpo de Bombeiros da 3ª etapa do Conjunto José Walter.

Eles foram transferidos pois a cadeia pública de Itarema está superlotada. Com capacidade para 25 detentos, a unidade tem hoje 47 presos.

Procurado pelo O POVO, o Corpo de Bombeiros do Ceará confirmou a intenção de transferência dos vereadores para a unidade. A questão, no entanto, ainda está em fase de avaliação uma vez que o quartel precisaria passar por uma série de adequações para receber os presos.

Prisões ocorreram em decorrência de desdobramentos da “Operação Fantasma”, deflagrada na última quarta-feira, 28. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados judiciais de busca e apreensão, 32 de condução coercitiva e nove de prisão preventiva – incluindo oito vereadores e a diretora de Recursos Humanos da Câmara, Maria José Carneiro Rios.

Foram presos os vereadores João Vildes da Silveira, Magno César Gomes Vasconcelos, Leandro Oliveira Couto, José Ubideci dos Santos Santana, João Gomes da Costa, Daniela Souza de Matos, Roberto Diniz Costa e José Everardo Marques Alves. Desde quarta, O POVO tenta entrar em contato com a Câmara de Itarema, mas não obtém resposta.

Operação Fantasma

A investigação teve início após denúncias de uma pessoa que se sentiu prejudicada por não conseguir receber benefício previdenciário em razão de um suposto vínculo com a Câmara, até então desconhecido pela vítima. Iniciou-se então a investigação da contratação de servidores fantasma pela Câmara Municipal, com a decretação de ações de busca e apreensão na Casa.

Segundo as investigações, várias pessoas teriam sido contratadas pelo Legislativo Municipal e recebiam salários sem comparecer ao prédio da Câmara. Enquanto alguns “fantasmas” eram obrigados a repassar parte de seus vencimentos aos vereadores, outros prestavam serviços sem nenhum vínculo formal com a Casa – geralmente para mascarar casos de nepotismo.

Carlos Mazza

Sobre Carlos Mazza

Repórter do núcleo de Conjuntura do O POVO. Jornalismo de dados, reportagens investigativas, bastidores da política cearense. carlosmazza@opovo.com.br

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