Política

14.11.10 20:35

Votação dos candidatos a presidente no 1º turno por bairro em Fortaleza

Por: Érico Firmo | Comentários: 1 Comentário

Bairro Dilma Serra Marina
MEIRELES 5.268 6.682 6.660
ALDEOTA 10.242 9.186 11.183
DIONISIO TORRES 4.943 4.159 5.603
CIDADE DOS FUNCIONARIOS 3.949 1.975 4.117
FATIMA 3.950 2.017 4.083
DE LOURDES 1.329 965 1.439
PARQUE MANIBURA 214 119 310
VARJOTA 3.585 2.279 3.562
AEROLANDIA 1.023 292 946
CAMBEBA 637 225 555
JOSE BONIFACIO 2.841 1.169 2.668
ITAPERI 382 72 206
AMADEU FURTADO 1.293 590 1.099
ALAGADICO 796 230 544
ENGENHEIRO LUCIANO CAVALCANTE 2.525 1.010 2.259
CIDADE 2000 2.535 1.098 2.260
ANTONIO DIOGO 636 222 341
PRAIA DE IRACEMA 2.969 2.059 2.661
JOAQUIM TAVORA 4.101 1.699 3.788
MOURA BRASIL 735 192 412
DAMAS 1.968 697 1.609
PLANALTO AYRTON SENNA 710 188 308
COACU 1.003 239 512
MARAPONGA 1.403 348 900
CAJAZEIRAS 1.932 631 1.414
ALAGADICO NOVO 1.017 237 479
SAO GERARDO 3.501 1.584 2.961
JOAO XXIII 1.956 577 1.265
FARIAS BRITO 2.390 866 1.690
PAUPINA 1.561 356 742
BOM FUTURO 4.043 1.393 3.218
BENFICA 5.405 2.142 4.543
VILA ELLERY 2.793 804 1.842
JARDIM GUANABARA 1.831 421 872
EDSON QUEIROZ 9.543 4.432 8.583
DOM LUSTOSA 2.477 636 1.435
PAPICU 4.238 1.951 3.156
CANINDEZINHO 1.786 395 641
MONTE CASTELO 7.609 2.851 6.446
PEDRAS 1.936 326 743
PARQUELANDIA 7.196 2.889 5.980
DIAS MACEDO 3.068 910 1.851
JARDIM AMERICA 4.176 1.344 2.934
RODOLFO TEOFILO 5.477 1.906 4.183
PARQUE PRESIDENTE VARGAS 2.693 600 1.312
GUAJIRU 2.890 585 1.249
CASTELAO 3.426 774 1.769
TAUAPE 9.130 3.465 7.454
PARQUE SAO JOSE 3.278 755 1.524
MUCURIPE 6.910 2.450 5.014
PRESIDENTE KENNEDY 5.011 1.357 3.054
JOQUEI CLUBE 5.636 1.738 3.653
PICI 3.781 934 1.721
VILA PERI 5.366 1.723 3.197
VILA UNIAO 6.411 1.968 4.175
SERRINHA 5.432 1.438 3.194
PARQUE GENIBAU 3.333 597 1.085
PADRE ANDRADE 5.723 1.614 3.435
SAPIRANGA 4.916 1.118 2.353
DEMOCRITO ROCHA 6.862 2.044 4.287
VICENTE PINZON 6.402 1.771 3.824
ALTO DA BALANCA 8.096 2.529 5.321
ANCURI 4.192 678 1.399
CENTRO 11.606 5.464 8.767
SIQUEIRA 4.536 929 1.573
BELA VISTA 8.437 2.428 5.441
CONJUNTO ESPERANCA 6.980 1.691 3.734
JANGURUSSU 6.576 1.541 3.328
JARDIM IRACEMA 6.823 1.734 3.561
JARDIM DAS OLIVEIRAS 8.610 2.517 5.253
AUTRAN NUNES 5.590 1.048 2.109
CONJUNTO PALMEIRAS 6.409 1.385 2.914
LAGOA REDONDA 6.124 1.564 2.614
BARROSO 5.895 1.281 2.279
MONTESE 12.265 4.215 8.639
CAIS DO PORTO 7.302 1.829 3.604
MONDUBIM 7.627 1.785 3.740
QUINTINO CUNHA 6.776 1.399 2.580
ALVARO WEYNE 12.211 3.392 7.591
HENRIQUE JORGE 12.504 3.472 7.647
JACARECANGA 12.332 3.673 7.340
BONSUCESSO 11.536 3.489 6.312
MANUEL SATIRO 11.119 2.920 5.602
CONJUNTO CEARA 18.697 5.642 13.025
ANTONIO BEZERRA 14.096 3.968 7.233
PASSARE 15.679 3.755 8.686
PREFEITO JOSE WALTER 17.857 4.857 10.751
GRANJA PORTUGAL 11.697 2.648 4.582
VILA VELHA 18.265 4.682 10.864
PARANGABA 21.390 6.901 13.946
CRISTO REDENTOR 18.231 4.526 8.070
MESSEJANA 23.564 5.621 12.901
BARRA DO CEARA 22.090 5.092 11.327
BOM JARDIM 26.440 5.924 10.520

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14.11.10 20:33

Votação dos candidatos a presidente no 2º turno por bairro

Por: Érico Firmo | Comentários: Comente

Dilma Serra Diferença
MEIRELES 7.710 10.302 -2.592
PARQUE MANIBURA 312 286 26
ALDEOTA 14.991 14.797 194
DE LOURDES 1.960 1.607 353
ITAPERI 522 137 385
ANTÔNIO DIOGO 808 358 450
DIONISIO TORRES 7.353 6.838 515
CAMBEBA 948 423 525
PLANALTO AYRTON SENNA 937 299 638
MOURA BRASIL 999 318 681
ALAGADIÇO 1.146 428 718
ALAGADIÇO NOVO 1.272 413 859
AEROLÂNDIA 1.539 590 949
AMADEU FURTADO 1.964 1.013 951
COAÇU 1.358 395 963
PRAIA DE IRACEMA 4.310 3.257 1.053
VARJOTA 5.231 3.899 1.332
MARAPONGA 2.022 658 1.364
PAUPINA 2.064 615 1.449
CANINDEZINHO 2.234 625 1.609
JARDIM GUANABARA 2.475 773 1.702
CAJAZEIRAS 2.812 1.104 1.708
CIDADE 2000 3.734 2.025 1.709
DAMAS 2.989 1.244 1.745
JOÃO XXIII 2.745 982 1.763
PEDRAS 2.431 576 1.855
ENGENHEIRO LUCIANO CAVALCANTE 3.774 1.910 1.864
FARIAS BRITO 3.464 1.453 2.011
JOSÉ BONIFÁCIO 4.288 2.265 2.023
DOM LUSTOSA 3.330 1.118 2.212
CIDADE DOS FUNCIONÁRIOS 6.070 3.681 2.389
VILA ELLERY 3.945 1.431 2.514
PARQUE PRESIDENTE VARGAS 3.607 1.068 2.539
FÁTIMA 6.206 3.623 2.583
PAPICU 5.979 3.339 2.640
SÃO GERARDO 5.250 2.602 2.648
GUAJIRU 3.723 990 2.733
DIAS MACEDO 4.324 1.508 2.816
PARQUE SÃO JOSÉ 4.278 1.265 3.013
PARQUE GENIBAÚ 4.147 956 3.191
JOAQUIM TÁVORA 6.362 3.056 3.306
CASTELÃO 4.625 1.306 3.319
BOM FUTURO 6.004 2.548 3.456
PICI 5.005 1.451 3.554
JARDIM AMÉRICA 6.079 2.325 3.754
BENFICA 7.977 3.860 4.117
ANCURI 5.250 1.116 4.134
SIQUEIRA 5.770 1.452 4.318
SAPIRANGA 6.458 2.012 4.446
VILA PERI 7.457 2.889 4.568
RODOLFO TEÓFILO 8.097 3.395 4.702
PRESIDENTE KENNEDY 7.117 2.374 4.743
SERRINHA 7.578 2.604 4.974
JÓQUEI CLUBE 8.045 3.012 5.033
AUTRAN NUNES 7.046 1.742 5.304
PADRE ANDRADE 8.054 2.722 5.332
MUCURIPE 9.751 4.394 5.357
VICENTE PINZON 8.696 3.241 5.455
VILA UNIÃO 8.901 3.401 5.500
BARROSO 7.678 2.069 5.609
PARQUELÂNDIA 10.723 5.036 5.687
LAGOA REDONDA 8.090 2.350 5.740
EDSON QUEIROZ 13.916 8.109 5.807
JANGURUSSU 8.567 2.742 5.825
CONJUNTO PALMEIRAS 8.415 2.403 6.012
DEMOCRITO ROCHA 9.609 3.431 6.178
QUINTINO CUNHA 8.476 2.252 6.224
MONTE CASTELO 11.389 5.158 6.231
JARDIM IRACEMA 9.348 2.941 6.407
CAIS DO PORTO 9.539 3.048 6.491
CONJUNTO ESPERANÇA 9.610 2.941 6.669
TAUAPE 13.310 6.366 6.944
ALTO DA BALANÇA 11.444 4.458 6.986
MONDUBIM 10.264 3.062 7.202
JARDIM DAS OLIVEIRAS 11.730 4.496 7.234
CENTRO 16.563 9.038 7.525
BELA VISTA 11.928 4.136 7.792
BONSUCESSO 15.807 5.734 10.073
MONTESE 17.574 7.359 10.215
MANUEL SÁTIRO 15.005 4.706 10.299
JACARECANGA 17.050 6.279 10.771
GRANJA PORTUGAL 15.253 4.459 10.794
LVARO WEYNE 17.145 5.923 11.222
HENRIQUE JORGE 17.517 6.034 11.483
ANTÔNIO BEZERRA 18.708 6.497 12.211
PASSARÉ 21.466 6.795 14.671
PREFEITO JOSÉ WALTER 24.914 8.614 16.300
VILA VELHA 24.874 8.325 16.549
CONJUNTO CEARÁ 26.961 9.942 17.019
CRISTO REDENTOR 24.083 6.995 17.088
PARANGABA 30.272 11.956 18.316
BARRA DO CEARÁ 29.547 8.919 20.628
MESSEJANA 31.914 9.821 22.093
BOM JARDIM 33.861 9.735 24.126

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27.10.10 16:03

Aécio deve herdar gabinete de Tasso

Por: Érico Firmo | Comentários: Comente

O Correio Braziliense informa que o ex-governador mineiro e senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) deve herdar o gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB), que não foi reeleito, a partir de fevereiro.

O gabinete de Tasso é um dos mais cobiçados. Fica no chamado Anexo I – edifício alto que fica entre as cúpulas do Congresso.

Segundo a matéria do Correio, é cobiçado pois, além da vista para o Lago Paranoá, os congressistas têm praticamente um andar privativo e podem chegar aos respectivos gabinetes por entradas menos concorridas, sem sofrer abordagens”.

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18.10.10 21:57

Íntegra da fala de Dilma sobre Ciro no Jornal Nacional

Por: Érico Firmo | Comentários: 2 Comentários

Confira trecho do Jornal Nacional em que Dilma Rousseff (PT) respondeu sobre Ciro Gomes (PSB).

William Bonner: Me permita fazer uma questão agora sobre a campanha eleitoral. Nesse segundo turno, o ex-deputado Ciro Gomes se juntou a sua equipe para coordenar a sua campanha na eleição. É curioso, porque há seis meses, o candidato Ciro… o então… o ex-deputado Ciro Gomes chegou a dizer que o seu adversário, candidato José Serra, do PSDB, é mais preparado do que a senhora para ser presidente da República. Sobre o PMDB, que é o partido do seu candidato a vice, Michel Temer, ele disse que era um ajuntamento de assaltantes, palavras dele, e sobre o próprio Michel Temer, o seu candidato a vice, ele chegou a dizer que era o chefe dessa turma. A minha pergunta é a seguinte, candidata: foi a sua equipe que pediu ajuda a Ciro Gomes ou foi ele que ofereceu ajuda a sua campanha?

Dilma Rousseff: Veja bem, eu tenho uma relação muito longa, de há muito tempo com o deputado Ciro Gomes. Nós participamos do mesmo governo e eu sempre disse em todo esse processo que eu respeitava, tinha uma excelente relação com ele e entendia, inclusive, que naquele momento ele estivesse magoado pela circunstância que levou ele a não ser candidato. E eu vou ter sempre, eu sei como é que é a forma pela qual e o temperamento do deputado Ciro Gomes. Ele nos procurou e nós…

William Bonner: Foi ele que procurou? Aí a senhora…

Dilma Rousseff: …  aceitamos prontamente. Por quê? Porque o deputado Ciro Gomes, eu convidei para ir a minha casa, inclusive a jantar. Eu já não lembro se foi janta ou se foi o almoço. Por quê? Porque eu tenho uma relação pessoal, mas nesse momento ele não me apoiou formalmente.

William Bonner: Certo.

Dilma Rousseff: Ele foi me apoiar depois, agora, no primeiro turno, a partir do fato que ele foi coordenador da campanha do Cid e que o governador Cid, também pelas nossas relações, me apoiava.

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18.10.10 21:38

FHC critica uso eleitoral de aborto e religião na campanha

Por: Érico Firmo | Comentários: 3 Comentários

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou o uso da religião e o debate em torno do aborto na campanha. Ele defendeu que tais assuntos não devem ser politizados.

FHC é ardoroso defensor de outro tema muito polêmico: a descriminalização da maconha.

“Eu acho que os políticos não devem confundir a questão do Estado com a questão confessional”, defendeu. “É uma questão de convicção pessoal, e não política”.

No entanto, ao ser questionado, ele considerou natural o uso por Serra de depoimentos de religiosos. “Outra questão é entrar em debate propriamente religiosos. Aí, não”.

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18.10.10 21:28

Luizianne não vai à encontro de Cid com prefeitos por causa de “debate na Manchete”

Por: Érico Firmo | Comentários: Comente

Prefeita da Capital do Ceará e uma das coordenadoras da campanha de Dilma Rousseff (PT) no Estado, Luizianne Lins (PT) não estava entre os mais de cem prefeitos – incluindo-se tucanos – que participaram de ato em prol da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, na noite desta segunda-feira.

Segundo Waldemir Catanho, braço direito de Luizianne e eleito suplente de senador de Eunício Oliveira (PMDB) o motivo para o não comparecimento foi o fato de, na noite de domingo, a prefeita ter ido participar da equipe que assessorou Dilma no debate da “Manchete”, disse Catanho.

O debate, na verdade, foi na rede TV, que herdou a concessão da Manchete, extinta há mais de uma década.

As informações são da repórter Giselle Dutra.

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17.10.10 19:38

Índio da Costa estará amanhã em Fortaleza

Por: Érico Firmo | Comentários: 3 Comentários

Assessoria do senador Tasso Jereissati (PSDB) acaba de informar que Índio da Costa (DEM) estará amanhã em Fortaleza.

Ele chega ao meio-dia e, às 13 horas, almoça com jovens empresários. Em seguida, tem encontro com a coordenação da campanha de José Serra (PSDB) no Ceará.

Mais tarde, tem encontros, separadamente, com Tasso e Lúcio Alcântara (PR).

À noite, no Barbra’s Cambeba, participa, ao lado de Tasso, de encontro com pastores e líderes evangélicos.

Embarca em seguida para Alagoas.

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17.10.10 18:35

A íntegra da carta de Marina a Dilma e Serra

Por: Érico Firmo | Comentários: 15 Comentários

Carta Aberta aos Candidatos à Presidência da República

São Paulo, 17 de outubro de 2010

Prezada Dilma Rousseff, Prezado José Serra,

Agradeço, inicialmente, a deferência com que ambos me honraram ao manifestar interesse em minha colaboração e a atenção que dispensaram às propostas e ideias contidas na “Agenda para um Brasil Justo e Sustentável” que nós, do Partido Verde, lhes enviamos neste segundo turno das eleições presidenciais de 2010.

Embora seus comentários à Agenda mostrem afinidades importantes com nosso programa, gostaríamos que avançassem em clareza e aprofundamento no que diz respeito aos compromissos. Na verdade, entendemos que somos o veículo para um diálogo de ambos com os eleitores a respeito desses temas. Nesse sentido, mantemo-nos na posição de mediadores, dispostos a continuar colaborando para que esse processo alcance os melhores resultados.

Aos contatos que tivemos e aos documentos que compartilhamos, acrescento esta reflexão, que traz a mesma intenção inicial de minha candidatura: debater o futuro do Brasil.

Quero afirmar que o fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade em relação aos rumos da campanha. Creio mesmo que uma posição de independência, reafirmando ideias e propostas, é a melhor forma de contribuir com o povo brasileiro.

Já disse algumas vezes que me sinto muito feliz por, aos 52 anos, estar na posição de mantenedora de utopias, como os brasileiros que inspiraram minha juventude com valores políticos, humanos, sociais e espirituais. Hoje vejo que utopias não são o horizonte do impossível, mas o impulso que nos dá rumo, a visão que temos, no presente, do que será real e terreno conquistado no futuro.

É com esse compromisso da maturidade pessoal e política e com a tranquilidade dada pelo apreço e respeito que tenho por ambos que ouso lhes dirigir estas palavras.

Quando olhamos retrospectivamente a história republicana do Brasil, vemos que ela é marcada pelo signo da dualidade, expressa sempre pela redução da disputa política ao confronto de duas forças determinadas a tornar hegemônico e excludente o poder de Estado. Republicanos X monarquistas, UDN X PSD, MDB X Arena e, agora, PT X PSDB.

Há que se perguntar por que PT e PSDB estão nessa lista. É uma ironia da História: dois partidos nascidos para afirmar a diversidade da sociedade brasileira, para quebrar a dualidade existente à época de suas formações, se deixaram capturar pela lógica do embate entre si até as últimas consequências.

Ambos, ao rejeitarem o mosaico indistinto representado pelo guarda-chuva do MDB, enriqueceram o universo político brasileiro criando alternativas democráticas fortes e referendadas por belas histórias pessoais e coletivas de lutas políticas e de ética pública.
Agora, o mergulho desses partidos no pragmatismo da antiga lógica empobrece o horizonte da inadiável mudança política que o país reclama. A agressividade de seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma cultura política de paz e o debate de projetos capazes de reconhecer e absorver com naturalidade as diferentes visões, conquistas e contribuições dos diferentes segmentos da sociedade, em nome do bem-comum.

A permanência dessa dualidade destrutiva é característica de um sistema politico que não percebe a gravidade de seu descolamento da sociedade. E que, imerso no seu atraso, não consegue dialogar com novos temas, novas preocupações, novas soluções, novos desafios, novas demandas, especialmente por participação política.

Paradoxalmente, PT e PSDB, duas forças que nasceram inovadoras e ainda guardam a marca de origem na qualidade de seus quadros, são hoje os fiadores desse conservadorismo renitente que coloniza a política e sacrifica qualquer utopia em nome do pragmatismo sem limites.

Esse pragmatismo, que cada um usa como arma, é também a armadilha em que ambos caem e para a qual levam o país. Arma-se o eterno embate das realizações factuais, da guerra de números e estatísticas, da reivindicação exclusivista de autoria quase sempre sustentada em interpretações reducionistas da história.

Na armadilha, prende-se a sociedade brasileira, constrangida a ser apenas torcida quando deveria ser protagonista, a optar por pacotes políticos prontos que pregam a mútua aniquilação.

Entendo, porém, que o primeiro turno de 2010 trouxe uma reação clara a esse estado de coisas, um sinal de seu esgotamento. A votação expressiva no projeto representado por minha candidatura e de Guilherme Leal sinaliza, sem dúvida, o desejo de um fazer político diferente.

Se soubermos aproveitá-la com humildade e sabedoria, a realização do segundo turno, tendo havido um terceiro concorrente com quase 20 milhões de votos, pode contribuir decisivamente para quebrar a dualidade histórica que tanto tem limitado os avanços políticos em nosso país.

Esta etapa eleitoral cria uma oportunidade de inflexão para todos, inclusive ou principalmente para vocês que estão diante da chance de, na Presidência da República, liderar o verdadeiro nascimento republicano do Brasil.

Durante o primeiro turno, quando me perguntavam sobre como iria compor o governo e ter sustentação no Congresso Nacional, sempre dizia que, em bases programáticas, iria governar com os melhores de cada partido. Peço que vejam na votação concedida à candidatura do PV algo que ultrapassa meu nome e que não se deixem levar por análises ligeiras.

Esses votos não são uma soma indistinta de pendores setoriais. Eles configuram, no seu conjunto, um recado político relevante. Entendo-os como expressão de um desejo enraizado no povo brasileiro de sair do enquadramento fatalista que lhe reservaram e escolher outros valores e outros conteúdos para o desenvolvimento nacional.

E quem tentou desqualificar principalmente o voto evangélico que me foi dado, não entendeu que aqueles com quem compartilho os valores da fé cristã evangélica, vão além da identidade espiritual. Sabem que votaram numa proposta fundada na diversidade, com valores capazes de respeitar os diferentes credos, quem crê e quem não crê. E perceberam que procurei respeitar a fé que professo, sem fazer dela uma arma eleitoral.

Os exemplos de cristãos como Martin Luther King e Nelson Mandela e do hindu Mahatma Ghandi mostram que é possível fazer política universal com base em valores religiosos. São inspiração para o mundo. Não há porque discriminar ou estigmatizar convicções religiosas ou a ausência delas quando, mesmo diferentes, nos encontramos na vontade comum de enfrentar as distorções que pervertem o espaço da política. Entre elas, a apropriação material e imaterial indevida daquilo que é público, seja por meio de corrupção ou do apego ao poder e a privilégios; a má utilização de recursos e de instrumentos do Estado; e o boicote ao novo.

Assim, ao contrário de leituras reducionistas, o apoio que recebi dos mais diversos setores da sociedade revela uma diferença fundamental entre optar e escolher. Na opção entre duas coisas pré-colocadas e excludentes, o cidadão vota “contra’ um lado, antes mesmo de ser a favor de outro. Na escolha, dá-se o contrário: o voto se constrói na história, na ampliação da cidadania, na geração de novas alternativas em uma sociedade cada vez mais complexa.

A escolha, agora, estende-se a vocês. É a atitude de vocês, mais que o resultado das urnas, que pode demarcar uma evolução na prática política no Brasil. Podemos permanecer no espaço sombrio da disputa do poder pelo poder ou abrir caminho para a política sustentável que será imprescindível para encarar o grande desafio deste século, que é global e nacional.

Não há mais como se esconder, fechar os olhos ou dar respostas tímidas, insuficientes ou isoladas às crises que convergem para a necessidade de adaptar o mundo à realidade inexorável ditada pelas mudanças climáticas. Não estamos apenas diante de fenômenos da natureza.

O mega fenômeno com o qual temos que lidar é o do encontro da humanidade com os limites de seus modelos de vida e com o grande desafio de mudar. De recriar sua presença no planeta não só por meio de novas tecnologias e medidas operacionais de sobrevivência, mas por um salto civilizatório, de valores.

Não se trata apenas de ter políticas ambientais corretas ou a incentivar os cidadãos a reverem seus hábitos de consumo. É necessária nova mentalidade, novo conceito de desenvolvimento, parâmetros de qualidade de vida com critérios mais complexos do que apenas o acesso crescente a bens materiais.

O novo milênio que se inicia exige mais solidariedade, justiça dentro de cada sociedade e entre os países, menos desperdício e menos egoísmo. Exige novas formas de explorar os recursos naturais, sem esgotá-los ou poluí-los. Exige revisão de padrões de produção e um fortíssimo investimento em tecnologia, ciência e educação.

É esse, em síntese, o sentido do que chamamos de Desenvolvimento Sustentável e que muitos, por desconhecimento ou má-fé, insistem em classificar como mera tentativa de agregar mais alguns cuidados ambientais ao mesmo paradigma vigente, predador de gente e natureza.

É esse mesmo Desenvolvimento Sustentável que não existirá se não estiver na cabeça e no coração dos dirigentes políticos, para que possa se expressar no eixo constitutivo da força vital de governo. Que para ganhar corpo e escala precisa estar entranhado em coragem e determinação de estadista. Que será apenas discurso contraditório se reduzido a ações fragmentadas logo anuladas por outras insustentáveis, emanadas do mesmo governo.

E, finalmente, é esse o Desenvolvimento Sustentável cujos objetivos não se sustentarão se não estiver alicerçado na superação da inaceitável, desumana e antiética desigualdade social. Esta é ainda a marca mais resistente da história brasileira em todos os tempos, em que pesem os inegáveis avanços econômicos dos últimos 16 anos, que nos levaram à estabilidade econômica, e das recentes conquistas sociais que tiraram da linha da pobreza mais de 24 milhões de pessoas e elevaram à classe média cerca de 30 milhões de pessoas.
A sociedade, em sua sábia intuição, está entendendo cada vez mais a dimensão da mudança e o compromisso generoso que ela implica, com o país, com a humanidade e com a vida no Planeta. Os votos que me foram dados podem não refletir essa consciência como formulação conceitual, mas estou certa de que refletem o sentimento de superação de um modelo. E revelam também a convicção de que o grande nó está na política porque é nela que se decide a vida coletiva, se traçam os horizontes, se consolidam valores ou a falta deles.

Essa perspectiva não foi inventada por uma campanha presidencial. Os votos que a consagram estão sendo gestados ao longo dos últimos 30 anos no Brasil, desde que a luta pela reconquista da democracia juntou-se à defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades, no campo e na floresta.

Parte importante da nossa população atualizou seus desafios, desejos e perspectivas no século 21. Mas ainda tem que empreender um esforço enorme e muitas vezes desanimador para ser ouvida por um sistema político arcaico, eleitoreiro, baseado em acordos de cúpula, castrador da energia social que é tão vital para o país quanto todas as energias de que precisamos para o nosso desenvolvimento material.

Estou certa de que estamos no momento ao qual se aplica a frase atribuída a Victor Hugo: “Nada é mais forte do que uma idéia cujo tempo chegou”.

O segundo turno é uma nova chance para todos. Para candidatos e coligações comprometerem-se com propostas e programas que possam sair das urnas legitimados por um vigoroso pacto social entre eleitos e eleitores. Para os cidadãos, que podem pensar mais uma vez e tornar seu voto a expressão de uma exigência maior, de que a manutenção de conquistas alie-se à correção de erros e ao preparo para os novos desafios.

Mesmo sem concorrer, estamos no segundo turno com nosso programa, que reflete as questões aqui colocadas. Esta é a nossa contribuição para que o processo eleitoral transcenda os velhos costumes e acene para a sustentabilidade política que almejamos.

Como disse, ousei trazer a vocês essas reflexões, mas não como formalidade ou encenação política nesta hora tão especial na vida do país. Foi porque acredito que há terreno fértil para levarmos adiante este diálogo. Sei disso pela relação que mantive com ambos ao longo de nossa trajetória política.

De José Serra guardo a experiência de ter contado com sua solidariedade quando, no Senado, precisei de apoio para aprovar uma inédita linha de crédito para os extrativistas da Amazônia e para criar subsídio para a borracha nativa. Serra dispôs-se a ele mesmo defender em plenário a proposta porque havia o risco de ser rejeitada, caso eu a defendesse. Com Dilma Rousseff, tenho mais de cinco anos de convivência no governo do presidente Lula. E, para além das diferenças que marcaram nossa convivência no governo, essas diferenças não impediram de sua parte uma atitude respeitosa e disposição para a parceria, como aconteceu na elaboração do novo modelo do setor elétrico, na questão do licenciamento ambiental para petróleo e gás e em outras ações conjuntas.

Estou me dirigindo a duas pessoas dignas, com origem no que há de melhor na história política do país, desde a generosidade e desprendimento da luta contra a ditadura na juventude, até a efetividade dos governos de que participaram e participam para levar o país a avanços importantes nas duas últimas décadas.

Por isso me atrevo, seja quem for a assumir a Presidência da República, a chamá-los a liderar o país para além de suas razões pessoais e projetos partidários, trocando o embate por um debate fraterno em nome do Brasil. Sem esconder as divergências, vocês podem transformá-las no conteúdo do diálogo, ao compartilhar idéias e propostas, instaurando na prática uma nova cultura política.
Peço-lhes que reconheçam o dano que a política atrasada impõe ao país e o risco que traz de retrocessos ainda maiores. Principalmente para os avanços econômicos e sociais, que a sociedade brasileira, com justa razão, aprendeu a valorizar e preservar.

Espero que retenham de minha participação na campanha a importância do engajamento dos jovens, adolescentes e crianças, que lhes ofereçam espaço de crescimento e participação. Que acreditem na capacidade dos cidadãos e cidadãs em desejar o novo e mostrar essa vontade por meio do seu voto. Que reconheçam na sociedade brasileira uma sociedade adulta, o que pressupõe que cada eleitor escolha o melhor para si e para o país e o expresse, de forma madura, livre e responsável, sem que seu voto seja considerado propriedade de partidos ou de políticos. Pois, como repeti inúmeras vezes no primeiro turno, o voto não era meu, nem da Dilma, nem do Serra. O voto é e sempre será do eleitor e de sua inalienável liberdade democrática.

Esta é minha contribuição, ao lado das diretrizes de programa de governo que são um retrato do amadurecimento de quase 30 anos de construção do socioambientalistmo no Brasil. Espero que a acolham como ela é dada, com sinceridade. A utopia, mais que sinal de ingenuidade, é mostra de maturidade de um povo cujo olhar eleva-se acima do chão imediato e anseia por líderes capazes de fazer o mesmo.

Que Deus continue guiando nossos caminhos e abençoando nossa rica e generosa nação.

Marina Silva

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17.10.10 17:00

O panfleto da discórdia

Por: Érico Firmo | Comentários: Comente

O polêmico panfleto, que gerou protesto do padre em Canindé, na presença de José Serra (PSDB), e revoltou Tasso Jereissati (PSDB). Para ver ampliado, clique sobre a imagem.

O padre tinha razão ou exagerou?

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16.10.10 18:03

Enquanto Tasso se exaltou, Serra não demonstrou reação

Por: Érico Firmo | Comentários: 25 Comentários

Enquanto Tasso se irritava e partia para tomar satisfações com o padre Francisco, em Canindé, Serra fez que nem era com ele.

Sentado estava, sentado ficou.

E sem demonstrar reação.

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