Plínio Bortolotti

01.12.11 18:16

Pau de arara, transporte “padrão” no interior, mata três estudantes por ano

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Estudante corta o pé em rolo de arame farpado levado como carga no pau de arara de transporte escolar. Foto de Edimar Soares (clique para ampliar)

Os frequentes acidentes em caminhões pau de arara, usados como transporte escolar no interior do Ceará  sempre me incomodaram. Muitos desses acidentes provocam a morte de crianças.

Neste blog, e em artigos no O POVO, escrevi várias vezes sobre o assunto. Ainda assim, achava que ficava faltando mais alguma coisa. Resolvi escrever uma reportagem sobre o assunto, tendo em vista  legislação específica que obriga as prefeituras a oferecerem ônibus padronizados para o transporte escolar.

Acidentes

Levantei, em matérias publicadas no O POVO, o número de acidentes nos últimos dez anos (2001-2010) e cheguei a 27 mortes de estudantes no período, contabilizando também 210 crianças e jovens feridos. Em média, são 2,7 mortes por ano.

Mais grave

No primeiro texto que escrevi, disse que os números poderiam ser maiores, pois os acidentes deixam muitos feridos graves – e algum acidente poderia não ter sido registrado. Nos comentário online à matéria, dois leitores deixaram informações de outros dois acidentes fatais.

Autoridades

Concluído o levantamento, falei com representantes do Ministério Público Estadual, com a Secretaria da Educação, com a Associação dos Municípios do Ceará (Aprece) e com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), responsável pela fiscalização dos veículos nas rodovias estaduais.

Viagem

Após isso, fiz uma viagem – acompanhado do motorista Valdir Gomes e do repórter-fotógrafico Edimar Soares – a quatro cidades do interior: Acopiara, Mombaça, Boa Viagem e Monsenhor Tabosa. Verifiquei como os estudantes são transportados e acompanhei os estudantes em cima de dois veículos pau de arara. Conversei também com um casal de agricultores que teve o filho de 10 anos morto em um acidente.

Prefeituras

Falei com representantes de prefeituras que tem “explicações” na ponta da língua para o uso de caminhões pau de arara: estradas intransitáveis para ônibus (as quais eles mesmos são responsáveis pela conservação), extensão do município e falta de recursos.

Governo

Tanto o governo federal como o governo estadual fazem repasses aos municípios para cobrir gastos com transporte escolar. Além disso, existe o programa do governo federal “Caminho da Escola”, que financia veículos padronizados com juros subsidiados, por meio do BNDES. O governo do Ceará, a cada ônibus comprado pelos prefeitos doa outro (até o limite de cinco), sem nenhum custo para a prefeitura.

Veja as matérias

Nos links abaixo, quem estiver interessado pode ler as matérias, com fotografias e vídeos de Edimar Soares. Para fazer a série, tivemos a ajuda inestimável do motorista Valdir Gomes. Continuar lendo

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26.09.11 10:01

Vida de gado: crianças são transportadas assim em muitas cidades do interior

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Clique para ampliar

Depois de ter escrito dois artigos no O POVO sobre o assunto:  Prefeitos põem crianças no pau-de-arara (6/5/2010) e Pau-de-arara: crime sem punição (22/9/2011), relatando a morte de crianças, no interior do Estado, em acidentes nesse tipo de veículo, a que são submetidos estudantes por prefeitos irresponsáveis, recebi a foto acima, do leitor Adriano Teixeira.

Granja

Pelas informações do e-mail que ele me enviou trata-se de um caminhão usando para transportar estudantes na cidade de Granja, situação que se repete em dezenas de cidades do interior do Estado.

Detran

Adriano, que é técnico de segurança do Trabalho, informa que a portaria 1153/2002 do Detran regulamenta o transporte escolar de estudantes. Obviamente, o pau-de-arara foge a qualquer regulamentação. Aliás, mais óbvio ainda seria o prefeito reconhecer que, mesmo se não existisse lei nenhuma, transportar estudantes assim é um absurdo.

Dizer o quê?

Eu ia escrever mais alguma coisa, mas a imagem dispensa comentários. Cada um pode complementar com as palavras que julgar melhores para definir esse tipo de siautação.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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