Plínio Bortolotti

23.12.11 18:34

Trânsito em Fortaleza: a selvageria cotidiana

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

De um leitor recebi o texto e as fotos.

Leitor registrou 13 infrações em meia hora de observação (clique para ampliar)

«Infelizmente as infrações de trânsito em Fortaleza estão cada vez mais comuns. A prova disso é que em apenas pouco mais de trinta minutos observando o trânsito, em um único cruzamento da Capital e em plena sexta-feira, dia 23/12, antevéspera de natal, pude constatar vários “motoristas” cruzando o meio-fio da Av. Senador Virgilio Távora.
De tanto os carros praticarem esta infração, o meio-fio já está bem deteriorado, mas é perfeitamente possível saber que este tipo de manobra é proibida.

Busquei um contato com a AMC para requisitar agentes nesta área, mas não consta qualquer e-mail em seu site. Você, como jornalista, para o bem da cidade e dos verdadeiros cidadãos, poderia encaminhar estas fotos até este órgão de trânsito. Tenho certeza que posso contar com a sua colaboração.»

Comentário

Das treze infrações fotografadas pelo leitor, em 30 minutos, como ele registra, publico três fotos: a que está acima e duas abaixo. O cruzamento em referência é da av. Virgílio Távora com rua Carolina Sucupira.

Quanto à queixa, ele está coberto de razão. O trânsito em Fortaleza é uma verdadeira selvageria. Tudo acontecendo sob o olhar complacente da AMC, o órgão que deveria organizar e fiscalizar o trânsito na cidade.

Observem ainda, do lado direito da primeira foto abaixo, como os carros se aglomeram sobre a calçada subtraindo o espaço dos pedestres. Continuar lendo

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29.04.11 10:07

Não é só a classe média que sofre com buracos nas ruas

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 7 Comentários

Matéria publicada hoje pelo O POVO (29/4/2011) põe por terra desculpa da Prefeitura de que os buracos prejudicam apenas a “classe média”, preocupada com seus carros.

Os textos publicados mostram que as pessoas pobres, que dependem do transporte coletivo, também estão pagando um preço alto pelos problemas causados pelos buracos e pelo caos no trânsito. Veja:

Empresas alteram as rotas para escapar dos buracos (provocando atrasos e estresse nos motoristas e passageiros).
Taxistas reclamam do prejuízo com ruas esburacadas (pneus que eram trocados a cada ano, agora é preciso trocá-los a cada três meses).
Cratera atrapalha o trânsito na saída do terminal Siqueira (tempo da viagem aumenta).

Creio que não é preciso dizer mais nada.

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05.12.09 22:58

Coelce dá a luz, mas empata o trânsito

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Coelce-1Na seção “Elevador”, deste sábado [5/12/2009] a coluna “Vertical” do O POVO assinalou com um “Desce” a marmota que a Coelce arranjou ao fazer a entrada de seu estacionamento pela rua Padre Valdevino. A empresa fez um recuou na calçada para evitar que os carros parassem nas ruas, mas acontecem duas coisas:

1. O número de veículos que entra é maior do que suporta o recuo e eles fazem fila dupla;
2. Alguns motoristas folgados usam o recuo como estacionamento.

A Coelce merece elogios por ter trazido a sua sede para o Centro, mas tem de ser duramente criticada por não se importar que a solução arranjada para o seu estacionamento atravanca o trânsito em uma das ruas mais movimentadas da cidade – e é perigoso.

Ainda mais se observando que a empresa poderia ter feito a entrada de seu estacionamento na rua paralela, bem menos movimentada.

É que todo mundo vai dando o seu jeitinho, na Fortaleza, terra de ninguém.

PS. O “dá a luz” no título é modo de dizer, pois, na verdade, a empresa vende a energia.

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02.12.09 16:49

"Desajustados sociais da classe média alta" usam carros como armas; quem vai tomar providências?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Vejam a carta do jornalista Nerilson Moreira publicada na edição de hoje [2/12/2009] do O POVO

«Roleta paulista
Nerilson Moreira

Excelente as reportagens publicadas pelo O POVO enfocando o caótico trânsito fortalezense.

Ainda mais agora que o nosso trânsito ganhou um jogo proibido, letal e criminoso chamado de “roleta paulista”, que consiste em dirigir carros em alta velocidade, atravessando os cruzamentos de bairros como Papicu e Aldeota, sem verificar se os semáforos estão dando passagem ou não, como prova de coragem. Uma nova mania!

Esse tipo de crime precisa ser coibido pela Polícia urgentemente. Tem origem em círculos de desajustados sociais da classe média alta, e são realizados como um ato de coragem e de “respeito”  junto ao grupo, tendo inclusive alguns apostas financeiras. Irresponsabilidade! A Polícia tem que agir logo e pegar esses bandidos e colocá-los na cadeia.

No último sábado, a minha família trafegava tranquilamente num veículo pela avenida Alberto Sá (Papicu) e no cruzamento com a rua José Carlos Gurgel Nogueira foi vítima deles, tendo a lateral do automóvel destruída por um criminoso que trafegava em alta velocidade numa camioneta L-200, evadindo-se do local sem prestar socorros. Minha esposa foi lesionada.

Moradores do bairro informaram que isso é comum na área, pois não há policiamento nesse sentido. Têm medo. Pedem providências policiais.

Fica aqui o alerta para as nossas autoridades. E que Deus nos proteja desses loucos da direção.»

E assim caminha a nossa Fortaleza, terra de ninguém.

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30.06.09 08:53

"Multa zero" está no campo da demagogia ou da afronta à lei

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Posso do novo titular da AMC: flagrante de desrepeito às leis de trânsito. Foto da coluna "Política"

Posse do novo titular da AMC: flagrante de desrepeito às leis de trânsito

Ao tomar posse, na sexta-feira da semana passada,  Fernando Bezerra, novo titular da AMC [Autarquia Municicipal de Trânsito e Cidadania] disse que ia implantar um projeto de “multa zero”.

Um negócio que parece impossível, mesmo que os milhares de motoristas de Fortaleza fossem todos anjos.

A meu ver, o que o novo comandante do trânsito de Fortaleza deveria fazer seria disciplinar o trânsito caótico das ruas, que toma conta, inclusive, das calçadas. Poderia pedir ajuda de outro novo secretário, Deodato Ramalho, da Semam [Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano].

E, sinto dizer, controlar a selvageria que tomou conta do espaço urbano de Fortaleza não se fará sem multas. Educação é bom, mas um sujeito que chegou as 20, 30, 40 anos de idades sem a mínima noção de urbanidade e de espaço público, só vai aprender se algo se houver  algum tipo de punição,  isto é –  multa.

Neste blog, sob a rubrica “Fortaleza, terra de ninguém” tenho postado exemplos do verdadeiro vale-tudo que toma conta das ruas e calçadas da cidade.

No post abaixo, mais um exemplo: a TIM privatizou a calçada de sua loja, na rua Coronel Alves Teixeira, esquina com a Barão de Studart.

 Anoto este exemplo, mas há centenas de outros na cidade; de vez em quando vou pôr um aqui, como também mostrar como motoristas estacionam onde se lhes dá na telha.

Sem falar nos estacionamentos “legais” sobre as calçadas, que deveriam ser proibidos em qualquer hipótese.

Calçada deveria ser exclusividade dos pedestres.

É disso que os novos titulares da AMC e da Semam precisam cuidar e não fazer promessas demagógicas que ele nunca vai poder cumprir e – se o fizer – o fará contra a lei, pois esta manda multar infratores de trânsito.

A propósito, na edição de sábado passado no O POVO, a coluna Política, assinada pelo jornalista Fábio Campos, mostrou que, na posse de Fernando Bezerra na AMC, seus convidados promoveram um verdadeiro festival de desrespeito às leis de trânsito e aos pedestres. [Foto acima, reproduzida da coluna "Política".] Estacionaram em cima de calçadas e em fila dupla.

Foram os primeiros beneficiados do “multa zero”.

[Também comento o assunto em artigo publicado na edição de hoje do O POVO.]

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25.05.09 16:09

AMC: uma miniaventura burocrática

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Ok. Você é multado por circular a 58 km/h na avenida Beira-Mar, sendo o limite de velocidade 40 km/h. [Você imaginava que o limite fosse 60 km/h, mas é jogo jogado; descumpriu uma lei de trânsito e foi punido por isso.]

Ocorre que o veículo não está em seu nome e, quando a multa chega, você vai distraidamente à sede da AMC [av. Antônio Sales] para assumir a devida culpa. Só que ao chegar lá, você, que é distraído, é chamado a atenção por uma gentil funcionária porque falta a assinatura do proprietário legal do veículo na documento da multa, que é “obrigatório”.

Quer dizer que você precisa da assinatura de uma terceira pessoa para se autoincriminar? [Você pensa, mas não pergunta e nem discute. Com a idade, desistiu  tentar entender as razões de "ordens superiores", e acha que é covardia bater no portador, como sempre vê as os outros fazerem em filas de banco ou de supermercado, como se o funcionário tivesse culpa de o empregador economizar com mão-de-obra.]  

Isso sem falar  [distraído, mas nem tanto] que você já carregava uma cópia da Carteira de Habilitação [20 centavos, mais a chateação], quando eles tem sua vida inteira [foto, RG, digital eletrônica, etc., etc.] nos terminais de computador deles.

Mas aí, você pensa mais: por que obrigar uma pessoa a se dirigir a uma loja da AMC para assumir a culpa por uma multa de trânsito? Por que não se pode fazer isso pela internet? Por que não se pode fazer por telefone, como fazem os cartões de crédito, que com duas ou três perguntinhas básicas, validam a sua identidade?

Mas por que simplificar, se eu posso complicar?, devem pensar os burocratas da AMC. Afinal, eles devem ter pouco trabalho, já que resolveram todos os problemas do trânsito de Fortaleza.

Amanhã você vai voltar lá com a dita multa assinado por quem de direito. Mas, está temeroso, pois [distraído, de novo] rasurou o documento ao preenchê-lo. O que o esperará?

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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