Plínio Bortolotti

28.01.10 00:03

Lampião passa por Barbalha, chega a Juazeiro e ganha patente militar

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Rua principal de Barbalha, pode onde Lampião e seu bando passaram em 1926, em direção a Juazeiro, onde ele receberia a patente de capitão

Rua principal de Barbalha, pode onde Lampião e seu bando passaram em 1926, em direção a Juazeiro, onde ele receberia a patente de capitão

Foi pela rua principal de Barbalha, na foto acima, que Lampião passou em direção a Juazeiro do Norte, convocado a participar do “Batalhão Patriótico”, milícia criada por Floro Bartolomeu para combater a Coluna Prestes. Há divergência entre os historiados se Padre Cícero sabia do convite a Lampião.

O bandoleiro foi atraído a Juazeiro, em 1926, onde chegou com cerca de 50 homens, com a promessa de receber a patente de capitão e ter anistia para seus crimes, em troca do enfrentamento à coluna dos tenentes.

No entanto, na cidade não havia ninguém que pudesse dar a patente a Lampião. A única autoridade federal na cidade era um engenheiro agrônomo, inspetor agrícola federal, e foi ele que escreveu o documento da patente, assinando-o.

Segundo Leonardo Mota, foi o próprio agrônomo Pedro Albuquerque Uchoa, o homem que assinou a patente de Lampião, quem lhe contou a história. Segundo Uchoa, foi o Padre Cícero quem o chamou à sua presença – pois Lampião queria a patente que lhe fora prometida de qualquer modo - orientou-o como escrever o texto, mandando-o assinar, com o argumento que o agrônomo era a “única autoridade federal” em Juazeiro.

Lampião ganhou a sua “patente” por quem não tinha autoridade para concedê-la, nunca enfrentou a Coluna Presntes, mas passou a ser chamado de “capitão”.

[Para ler todos os posts sobre o assunto clique abaixo em "Roteiro de férias".]

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25.10.09 21:17

Quem escreveu a patente de Lampião

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Leonardo Mota e Anselmo Vieira“Não mexe em nada do que o teu pai escreveu. Orlando, Orlando… O que o Leota fez está feito e é sagrado”, de Luís Câmara Cascudo, a Orlando Mota, filho de Leonardo Mota, que organizava um livro do pai a partir das anotações que ele deixara. Orlando perguntou a Câmara Cascudo se devia fazer algum tipo de alteração e recebeu essa suave admoestação de Cascudo.

Os que acompanham este blog já sabem que venho publicando, a cada domingo, as 11 primeiras histórias de “No tempo de Lampião”, de Leonardo Mota, livro escrito em 1930 pelo mestre das pesquisas do folclores e das coisas nordestinas.

Na foto, Leonardo Mota com o cantador Anselmo Vieira, em data não especificada, do blog Cantinho da Dalinha.

Já publiquei:

O príncipe
Para tirar a raça
O castiçal

Leia agora:

Quem escreveu a patente de Lampião

Foi nos primeiros dias do ano passado e quando me internei nos sertões de Pernambuco.

Não sei como, naquela calçada de hotel, em Caruaru a palestra começou a girar em torno do Padre Cícero, de Juazeiro. Falou-se na extrema capacidade de sedução do quase nonagenário reverendo. Na ignorância eterna em que ele finge estar de ofensas jornalístyicas que lhe são irrogadas. No empenho de obsequiar a todo hóspede ilustre de sua terra. Nos seus recursos de conversador matreiro, não abordando política com adversários, nem religião com incréus. Na sua eleição de Deputado Federal, sem dar à Câmara a confiança de tomar posse da cadeira para que fôra colhido. No seu culto pela virtude da Castidade, contra o que inimigos acérrimos jamais articularam qualquer imputação. Na sua megalomania, crendo-se autorizado a escrever cartas ao Kaiser, sugerindo-lhe a rendição da Alemanha, ou a dar conselhos a presidentes do Brasil, quanto ao modo por que se devem conduzir no governo… Éramos poucos, mas tudo gente esfarinhada no “caso” de Juazeiro.

Alguém lembrou que, de uma feita, ouvira um romeiro falar ao taumaturgo juazeirense: – Meu Padrim, eu queria que o Sr. me dissesse se, este ano, o sol incriza. Lhe pergunto porque eu estou com uma filha pra casar, mas ela diz que, se o sol incrizar este ano, ela não se casa… O Padre, que já havia lido as folhinhas do ano, disse que a moça podia se casar, pois naquele ano não haveria eclipse do sol…

- Certos milagres que o Padre Cícero faz eu também faço! ajuntou outro da roda. E exemplificou:

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Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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