Plínio Bortolotti

27.04.11 08:58

Jornalista Fábio Campos deixará de assinar a coluna “Política”

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

O jornalista Fábio Campos, depois de 15 anos, deixará de assinar a coluna Politica, no O POVO. Veja o texto em que ele informa aos leitores.

Em mais de cinco mil colunas

Diletos leitores, esta é a antepenúltima Coluna Política assinada por mim. De espontânea vontade, por livre decisão e, após cinco anos de muita conversa com o comando do jornal, que só recentemente acatou meu pedido, deixo-a depois de exatos 15 anos e quatro meses como seu editor. Tornei-me colunista titular em janeiro de 1996. Desde então, foram mais de cinco mil colunas. Quando assumi a função, tinha 31 anos incompletos, porém somente quatro anos e alguns meses de experiência como jornalista. Três desses anos como repórter de política. Hoje, deixo a Coluna perto de completar 46 anos. Quando a assumi, Tasso Jereissati iniciava a metade de seu segundo mandato e Juraci Magalhães acabara de ocupar a Prefeitura de Fortaleza, no mesmo dia em que Cid Gomes também sentava na cadeira de prefeito de Sobral. Um mês depois, Luizianne Lins começava sua trajetória política tornando-se uma aguerrida vereadora de Fortaleza. FHC presidia o Brasil, Lula comandava a oposição, o País estava longe de ouvir falar de Dilma Rousseff e o jornalismo na internet era uma miragem (fui o primeiro jornalista do Ceará a disponibilizar endereço eletrônico para contatos com leitores).

Clique aqui para ler o restante da coluna

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01.11.10 09:04

Como será o governo Dilma?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 5 Comentários

Meu artigo publicado na edição de hoje (1º/11/2010) no O POVO:

Como será o governo Dilma?
Plínio Bortolotti

Discordo da tese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o titereiro de Dilma Roussef, eleita para sucedê-lo –sendo a primeira mulher a assumir a chefia do Executivo da República Federativa do Brasil.

Primeiro, porque Lula deverá se entregar a outros afazeres. O presidente tornou-se personalidade internacional e, creio, a imagem que ele quer cultivar se aproxima mais de um Nelson Mandela ou de um Jimmy um Carter: ou seja alguém que paira acima das circunstâncias políticas.

Se Dilma, na campanha, se apresentava como parceira e, ao mesmo tempo, como dedicada discípula de Lula – ela não demonstra nenhuma vocação para marionete. Óbvio que Lula poderá ser um conselheiro privilegiado, pela experiência que adquiriu ao longo de sua vida, principalmente, nos oito anos que governou o país.

Mas, como governará Dilma? É uma questão em aberto. O que se pode dizer é o seguinte.

1) Dilma não tem a mesma popularidade de Lula, portanto terá de mostrar resultados rapidamente. Como a campanha foi de um acirramento inaudito – dança na qual até a imprensa entrou – é bem possível que ela não tenha nem os seis meses regulamentares de “lua de mel”.

2) A candidata eleita não tem o mesmo controle do PT que Lula detém. O presidente tem relação bonapartista com o seu partido: as suas vontades são acatadas sem muita dificuldade. Portanto, as propostas do partido podem ganhar mais visibilidade.

3) Diferentemente de Lula, que formou-se na área sindical, por isso sua habilidade em negociar, a presidente eleita tem a sua formação em grupos clandestinos, que implica em receber e dar ordens, pois disso depende a segurança pessoal e da organização. Além disso, Dilma tem um perfil de executiva que também pressupõe “autoridade” em vez da flexibilidade exigida na política.

4) A seu favor, ela terá um Senado mais amigável do que aquele que enfrentou Lula e lhe deu tantas dores de cabeça.

No mais é saudar a democracia, reafirmada mais uma vez nestas eleições.

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10.10.10 21:51

“Peixe na água”, de Mario Vargas Llosa: boa sugestão de leitura para Dilma Rousseff e José Serra

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Ao tempo em que candidatos disputam para ver quem é mais beato; quem é mais contra a descriminalização do aborto (pelo histórico, ambos são a favor, mais os dois candidatos negam); ao tempo em e que a religião assume papel preponderante na eleição presidencial brasileira – e aproveitando que Mario Vargas Llosa foi vencedor do Prêmio Nobel de Literatura reli Peixe na água.

Memória

É um livro de memórias, talvez um dos menos comentados do escritor, com justiça laureado com o maior prêmio mundial de literatura.

Nele, com a destreza habitual, Vargas Llosa conta como foi a sua candidatura, em 1990, à Presidência do Peru, que ele perdeu para Alberto Fujimori, de triste memória (ele e alguns de seus assessores foram condenados e presos, acusados desde corrupção, passando por assassinatos e violação aos direitos humanos).

Faria bem se Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) lessem o livro.

Eles veriam com que dignidade Vargas Llosa se portou quando seu adversário foi acusado de ser menos peruano do que ele, pela ascendência japonesa de Fujimori. Vargas Llosa deu declarações públicas e discursou contra a discriminação que pesava contra Fujimori. Proibiu seus partidários de fazerem ataques racistas e discriminatórios ao adversário, no que teve pouco sucesso, ele mesmo revela.

Eleições no Peru

Mostra como se portou quando quiserem transformar a eleição em uma guerra religiosa, com os adversários acusando-o de “ateísmo”. (Estranhamente, ele, um agnóstico, era visto como a salvação pela hierarquia católica peruana, acuada pelo avanço dos evangélicos, que se perfilaram, em sua maioria com Fujimori.)

E via, com horror, a disputa eleitoral “adotando uma fisionomia de guerra religiosa, em que os ingênuos temores, os preconceitos e as armas limpas se misturavam aos sujos golpes baixos e às mais pérfidas manobras, de um e outro lado, a extremos que beiravam a farsa e o surrealismo”.

Além disso, ele faz uma impiedosa análise do sistema político peruano, que serve para toda a América Latina e também para países de outros continentes.

Liberdade

Vargas Llosa não poupa nem mesmo o Liberdade, movimento criado por ele e alguns partidários. O Movimento Liberdade era radicalmente liberal com um conjunto de propostas “neoliberais”.

Relata como os oportunistas “com uma pequena corte ou séquito de parentes, amigos e protegidos” se apresentavam a ele “como dirigentes populares”, trocando de ideologia e partido como “quem muda de camisa”.

“Eram sempre eles que, depois das manifestações, tentavam carregar-me nos ombros – costume ridículo, imitação dos toureiros, de que cheguei a ser obrigado a defender-me a pontapés (…) Lidar com caciques, tolerar os caciques, servir-me dos caciques, foi coisa que jamais soube fazer” (pág. 165)

E viu, na campanha do segundo turno, “os níveis de imundícies em que tanto os meus partidários como meus adversários haveriam de incorrer”.

De bônus, intercalando capítulos com o relato das eleições, suas memórias mais antigas.

Vou transcrever alguns trechos do livro (edição de 1993, da Companhia das Letras). Leia a seguir.

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06.10.10 18:22

Pimentel, senador eleito, visita O POVO

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Pimentel (no centro), à direita dele: Guálter George (editor Núcleo de Conjuntura - Política), Érico Firmo (editor adjunto), eu e Arlen Medina (diretor geral de Jornalismo)

O deputado federal José Pimentel (PT), eleito senador nas eleições de domingo, visitou hoje O POVO.

Ele disse que amanhã recomeça a campanha, agora com dedicação exclusiva à campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.

Segundo ele, como a campanha agora reduziu-se à disputa pela Presidência, ele avalia que será mais fácil “explicitar” as propostas que o PT têm para o país.

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03.09.10 18:39

Candidatos: barulho de carros de som é ilegal e inconveniente

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 5 Comentários

Depois da publicação do meu artigo Legal, mas inconveniente (19/8/2010), a respeito do barulho que fazem os carros de som de candidatos, perturbando a vida de quem quer um mínimo de sossego, a editoria de Política do O POVO investigou o assunto.

Primeiro, descobriu que – ao contrário do meu entendimento - alguns carros de som agem de forma ilegal: passeando perto de escolas ou tocando os jingles em decibéias acima do permitido pela legislação. Veja aqui: Barulho incomoda e desrespeita a lei (2/9/2010).

Na edição de hoje (3/9), uma boa notícia: a partir da matérias publicada, a Justiça Eleitoral disse que iria intensificar a fiscalização para coibir a ilegalidade daqueles que vão nos representar no Executivo e no Legislativo (onde se fazem as leis). Veja aqui: Para coibir abusos, TRE promete blitze.

Enquanto isso, na reunião que o Ministério Público do Ceará fez para que os candidatos firmassem compromisso para combater a exploração do trabalho infantil e garantir os direitos previstos no Estatudo da Criança e do Adolescente, compareceram apenas 40 candidatos – dos cerca de 600 disputantes.

Dos candidatos a governador, compareceram  a candidata Soraya Tupinambá (PSOL) e Marcelo Silva (PV).  O governador-candidato Cid Gomes (PSB) e Lúcio Alcântara (PR) enviaram representantes”, veja aqui em Compromisso com as crianças.

Correção

Até às 19h33min do dia 4/9/2010 mantive, no último parágrafo, a informação incorreta de que nenhum candidato a governador havia comparecido ao ato – e que apenas Marcos Cals (PSDB) teria enviado representante. Fiz a correção alertado pelo leitor Daniel Fonseca (comentário abaixo), a quem agradeço.


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10.02.10 08:59

Tasso Jereissati chama Dilma de "liderança de silicone": é o preconceito marcando presença na "política"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Todo mundo sabe que política é um dos sinônimos de vale-tudo.  Tem até aquela frase famosa de um político:  “Vergonha é perder” – uma eleição ou seja lá o que for.

Mas, na “Câmara Alta”, sem sessão de ontem, o negócio foi um pouco longe demais, conforme noticia O POVO, edição de hoje.

O senador Tasso Jereissati chamou a ministra Dilma Roussef, de “liderança de silicone” e o senador Jarbas Vasconcelos [PMDB-PE] emendou tachando-o de “Frankenstein” [comparação, suponho, com a criatura sem nome, e não com o médico criador, Viktor Frankenstein. Os que não leram Mary Shelley; não veem ou não entendem os filmes sempre fazem a confusão. ]

Tasso ainda tentou se explicar dizendo que a comparação seria devido ao fato de a ministra ser “bonita por fora, mas falsa por dentro”. Eu não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra, mas pode ser que alguém consiga perceber a sutileza do pensamento do senador.

Jarbas Vasconcelos não se deu ao trabalho de explicar o porquê de comparar a ministra à criatura do dr. Frankenstein.

Por mais que eles se justifiquem – se é que se darão ao trabalho – é óbvio que as excelências estavam se referindo às possíveis cirurgias plásticas estéticas que a ministra fez – e às consequências  físicas que deixaram o tratamento de um câncer a que a ministra teve de se submeter .

É lamentável, tanto sob ponto de vista humano quanto ao aspecto político.

Nesse caso, digam o que disserem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – concorde-se ou discorde-se dele -, mas a comaparação que ele fez chamando a ministra de “reflexo de um líder” [Lula] é muito mais pertinente, muito mais adequada à política -  e diga-se: muito mais elegante.

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26.09.09 09:18

Dilma Roussef e Marina Silva: resistindo ao preconceito e dando-lhe combate

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Na entrevista de ontem nos “Debates Especiais Grandes Nomes” [veja postagem abaixo], a senadora Marina Silva recebeu a seguinte pergunta de um ouvinte: ele perguntava como ela faria para “conseguir votos” dos eleitores cearenses “desconfiados da atuação das mulheres no Executivo”, refereindo-se especificamente à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins e à ex-prefeita de Caucaia, Inês Arruda.

A senadora, ressalvando que não entraria no mérito de julgar as administrações, deu um cacetada [com a elegância que a caracteriza] no preconceito. Disse o seguinte:

«Engraçado, quando um homem faz um gestão inadequada, ninguém diz que os problema estão com os homens, como um todo; mas quando é uma mulher, acontece logo essa generalização. Então, eu acho que se trata do velho preconceito de gênero. [...] Eu não posso concordar com você [o leitor] que o erro de uma ou de duas é o erro de todas. Eu diria até que as mulheres têm um peso duplo em suas responsabilidades. Ao mesmo tempo em que têm que fazer tudo correto para ter uma boa gestão, elas têm que fazer tudo certo também para evitar desconstruir a imagens do feminino diante do processo de liderança.»

Dilma Roussef defrontou-se com o mesmo problema, como divulgou a edição de hoje do O POVO:

«A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, respondeu ontem, ao ser questionada por correspondentes estrangeiros no Brasil sobre a fama de “ranzinza” e “durona”, que,”se puder ficar paz e amor, é bom que se fique”. “É interessante a forma como se trata as mulheres na política”. A ministra citou como exemplos de mulheres que assumiram posição de liderança em seus países e são tachadas da mesma forma, como a ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher – conhecida por “dama de ferro” -, e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton. “Estou num país em que nenhum homem assume suas posições. Quando eu assumo, sou tachada de durona e mal-humorada”.

Pois é, o velho preconceito é resistente, está entranhado de tal modo que parece algo natural. Ainda bem que existem mulheres sempre dispostas a trazer o debate à tona, dando-nos algumas valiosas lições.

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05.06.09 17:11

As fotos de Berlusconi e a aula de jornalismo do El País

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

O jornal espanhol El País divulgou em sua edição de hoje fotos de uma casa do primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi,  na qual homens e mulheres transitam nus e seminus. As fotos foram feitas pelo fotógrafo italiano Antonello Zappadu em 2008, e confiscadas por ordem de promotores romanos na semana passada. 

O El País não informa como teve acesso às fotos. Em  uma delas um homem aparece completamente nu, em estado de, digamos assim, completa excitação. Devido ao teor das fotografias o jornal justificou, em editorial, o motivo que o levou a publicá-las, já que mostra uma área reservada da casa do primeiro ministro o que, à primeira vista, seria um espaço de privacidade. [O rosto de todas as pessoas aparecem borrados, à exceção de Berlusconi.]

As perguntas que o El País responde em seu editorial são: até que ponto deve ser respeitada a privacidade de um governante? É lícito que um governante use recursos públicos para atividades privadas? Qual é o momento em que a vida privada de um governante passa a influir negativamente na política pública?

Para o El país: 1. Berlusconi perdeu o direito à privacidade, pois a sua vida íntima está prejudicando o governo; 2. Ele vem usando recursos públicos para cobrir despesas de suas atividades privadas; 3.  O primeiro ministro italiano usa o espaço da política como uma “extensão de suas relações de amizade”; 4. O modo truculento de agir de Berlusconi põe em risco a democracia, o que é “motivo de preocupação para os italianos e todos os europeus”

Portanto, o jornal resolveu publicar as fotos que “deixam nu” a Berlusconi. O  editorial do El País [5/6/2009] serve como uma aula de jornalismo. Segue abaixo, com as desculpas pela tradução.

«Berlusconi está nu

Que não se engane Silvio Berlusconi: é a imprensa democrática que respeita a sua privacidade e que não deixa de pô-la em causa. Porque a publicação das fotografias de suas festas privadas não tem nenhum objetivo de fazer juízo de sua moral como cidadão, mas tem sim o propósito de demonstrar que ele, como primeiro ministro, está transformando o espaço da política democrática em uma simples extensão de suas relações de amizade e de sua diversão.

É isso exatamente que, segundo suas próprias declarações, tem feito ao elaborar sucessivas listas eleitorais de seu partido, incluindo quando precisa atribuir responsabilidade de governo. Outro tanto cabe dizer do uso que as facilidades que o Estado põe à disposição do primeiro ministro para que possa cumprir suas responsabilidades. Transportar convidados a festas particulares não é tarefa dos aviões oficiais, pouco importar que se trate de bailarinas ou apresentadoras de televisão. O fato de que o primeiro ministro fez aprovar em 2008 uma lei que abria os voos do Estado a qualquer acompanhante, não lhe dá uma cobertura jurídica, e sim evidencia um flagrante abuso de poder.

A imprensa italiana tem denunciado o escândalo e o primeiro ministro não tem se contentado em unicamente negar ou simplificar os fatos, apresentando-se com um paternal protetor de moças, das quais assegura apreciar os talentos artísticos e políticos. Recorrendo a confusão entre os interesses públicos e privados, Berlusconi vem tentando, ainda, a desacreditar cidadãos que, como sua própria mulher, estavam em condições de confirmar as denúncias. Esse gênero de pressões são a prova de que, sob Berlusconi, a liberdade de expressão se encontra ameaçada. O fotógrafo que captou essas imagens [em agosto do ano passado] teve a totalidade de seu arquivo confiscado pela Justiça.

Com este escândalo, Berlusconi fica nu, não como cidadão, mas como político. Se até agora as suas conversas vinham sendo tomadas como piada, agora existem novas e poderosas razões para advertir que o primeiro ministro está pondo em risco o futuro da Itália como Estado de Direito. E uma Itália que desmorone, do mesmo modo como está sendo arrastado Berlusconi, não é só motivo de preocupação para os italianos e para todos os europeus.»

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24.05.09 09:10

Uma visita instrutiva

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Um grupo de estudantes da Universidade de Brasília encerra hoje visita à Câmara Federal.  Com apoio de técnicos da Casa, os alunos vão simular sessões no plenário e nas comissões, apresentando e votando projetos de lei [de mentirinha].
O objetivo, segundo a agências de notícias da Câmara,  é oferecer “complemento acadêmico que supra a necessidade de conhecimento do processo legislativo”.

A Câmara poderia complementar o aprendizado com os alunos convocando alguns deputados para dar aulas complementares.

Agora me ocorrem duas sugestões: Ciro Gomes poderia lecionar “Relações com a imprensa” e Edmar Moreira, aquele castelo, poderia falar sobre História [medieval].

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18.05.09 17:20

Congresso em Foco x Ciro

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

O site jornalístico Congresso em Foco publica matéria que é uma espécie de “autodesagravo”. Sob o título “A Câmara pagou sim, Ciro”, afirma ter reunido informações para sustentar que a “a Câmara dos Deputados pagou quatro voos internacionais para a passageira Maria José Gomes, mãe do ex-governador cearense e do atual (Cid Gomes, irmão de Ciro). Os dois primeiros tiveram emissão em dezembro de 2007; os outros dois, em abril de 2008″, de acordo com os registros da TAM.

O site Congresso em Foco foi o responsável pelo levantamento dos principais casos do escândalo que ficou conhecido como a “farra das passagens aéreas”, material que foi reproduzido por praticamente todos os jornais do país.

Nesta matéria, o Congresso em Foco rebate a  “reação do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE)” que,  ao ver a lista dos deputados federais que usaram a cota de passagens para voos internacionais, classificou-a de ”leviana e grosseira mentira”.

O Congresso em Foco anota: “Ressaltamos que os nomes de Ciro e de sua mãe apareceram exclusivamente na lista dos parlamentares que usaram a cota para passagens internacionais, e não haviam sido destacados em nenhuma matéria deste site até a explosão verbal do deputado [quando Ciro disse alguns palavrões para jornalistas, pedindo para que fossem publicados], três semanas atrás”.

Continua o Congresso em Foco: “A assessoria de Ciro mantém a versão de que os dois voos de dezembro de 2007 não ocorreram, até porque, insiste o gabinete do deputado, ela [a mãe de Ciro] à época não tinha visto de entrada para os Estados Unidos. Em nenhum momento, o Congresso em Foco afirmou que essa viagem foi feita. Informou que a passagem foi paga pela Câmara”.

Ao siste a assessoria de Ciro diz que  ”a TAM pode ter feito uma confusão”, reafirmando outra declaração do deputado, que  sua cota “jamais foi usada para pagar viagens de qualquer pessoa, a não ser dele mesmo”.

A matéria deixa passar um certo tom de desabafo, resultado da forma como  o deputado Ciro Gomes reagiu à publiciação da lista do Congresso em Foco, desqualificando o trabalho de seus jornalistas, da forma como fez. O site afirma que sua atividade está “sujeita a erros”, como qualquer outra, mas não terá dificuldade em reconhecê-los, se “forem demonstrados”.

Veja a matéria completa no Congresso em Foco, incluindo reprodução de cartões de embarque em nome de Maria José Gomes.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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