Plínio Bortolotti

07.12.11 21:51

Celso Furtado, navio da Transpetro, faz sua viagem inaugural a Fortaleza

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Convés do navio Celso Furtado, Beira Mar ao fundo

Fica atracado até amanhã no porto do Mucuripe o navio Celso Furtado. A embarcação, de 183 metros de comprimento, foi entrega pela presidente Dilma Rousseff no fim de novembro. O navio pertence à frota da Transpetro, subsidiária da Petrobras, sendo a primeira embarcação construída no Brasil depois de 14 anos de paralisação da indústria naval.

Navios

A retomada da construção de navios faz parte do Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota), que entregará outros 49 navios nos próximos quatro anos.

A viagem para Fortaleza – com carregamento de combustível -, que segue para Belém, foi a primeira da nova embarcação da Transpetro. Hoje houve uma visita guiada para que a imprensa pudesse conhecer o navio. Do O POVO, estivemos no evento eu e Érico Firmo (editor adjunto da editoria de Política).

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21.03.10 20:10

Os royalties e o carnaval fora de época

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Esse negócio dos royalties do petróleo tornou-se rapidamente uma discussão emocial daquelas que provocam mais barulho do que luz [para esclarecer a situação]. O governador do Rio, Sérgio Cabral [PMDB] já aproveitou para fazer seu carnaval fora de época, alguns políticos Nordestinos falam como se preparassem uma nova Confederação do Equador.

Calma gente, que o santo é de barro [e de vez em quando faz chover]. Me parece que o negócio devia ser mais ou menos assim:

1. É óbvio que não se pode retirar, de chofre, os royaties que já são pagos aos estados atualmente produtores [o que vem sendo chamado de camada pós-sal], que hoje já são beneficiados, sob pena de inviabilizá-los.

2. É óbvio também que a partilha dos novos poços [o pré-sal] não pode ser feito nos mesmo moldes anteriores.

3. Talvez seja possível renegociar os poços já existentes, mas isso será algo demorado. Por isso, o melhor seria resolver a questão do pré-sal e deixar o outro debate para depois.

Royalties para quê?

Dito isso, chamo a atenção para uma matéria publicada no portal da BBC Brasil: Royalties não melhoraram vida em municípios produtores, diz estudo.

O professor Cláudio Paiva, da Unesp [Universidade Estadual Paulista] afirma que os royalties “trouxeram a corrupção”, diante da falta de um marco regulatório sobre a aplicação dos recursos. “Isso não quer dizer que tenhamos de tirar os recursos desses municípios [produtores]. Temos é que ter um controle forte sobre esses recursos”.

No texto, alguns exemplos de como os governantes não souberam ou não quiseram usar o aumento de recursos para melhorar a vida da população:

“Já que o recurso é nacional, já que temos uma grande chance, com os recursos do pré-sal, de ter um novo modelo de desenvolvimento, deveríamos pensar em como criar fundos para reduzir as desigualdades regionais. Precisamos olhar para as experiências atuais e tentar compreender o que está sendo feito com os royalties do petróleo. Ou seja, será que as políticas publicas executadas a partir dos royalties têm melhorado a qualidade de vida da população? Eu não tenho certeza se isso melhorou. Pelo contrário, os resultados até agora mostram que a melhora não foi tão fundamental como a gente imaginava. Outros municípios brasileiros têm políticas públicas muito melhores do que a de Campos e Macaé, por exemplo, que são os municípios que mais recebem royalties do petróleo.”

Pelo que entendi – e concordo -, o professor propõe que o dinheiro dos royalties, ou pelo menos uma boa parte, seja “carimbado”, por exemplo: terá de ser usado em educação, redução das desigualdades, ciência e tecnologia e outras prioridades.

Mas, taí um negócio que político não gosta: eles preferem ter o dinheiro para usar como quiserem, sendo que alguns usam como não devem.

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17.08.09 05:31

Titanzinho: "Somos soldados do bem, da natureza, da cidadania"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Vale a leitura a matéria de Ciro Câmara, com fotos de Talita Rocha: “Titãs da resistência”, no O POVO.

Mostra que a construção de um estaleiro no Mucuripe vai acabar com as ondas da praia do Titanzinho.

A praia é pequena, tem pouco mais de um quilômetro de extensão, mas presta um grande serviço aos garotos do bairro, pois lá funcionam três escolinhas de surfe que já deram ao Ceará Tita Tavares, Fávio Silva e Pablo Paulino. Os alunos se viram com pranchas de segunda mão e os que nem isso tem, pegam ondas com pedaços de madeira.

Em tempos em que tanto se fala em “inclusão” das populações mais pobres, a fim das ondas seria um duro golpe para as meninas e meninos que, se não viram, todos, craques no surfe aprendem muito da vida convivendo com o ensinamentos do mar.

A Transpetro, presidida pelo cearense Sérgio Machado, bem que poderia escolher outro lugar para o estaleiro, que terá como objetivo construir navios para a Petrobras. No Complexo Portuário do Pecém, por exemplo, onde ficará a refinaria da empresa.

Fala-se que a o estaleiro levará emprego e renda para os moradores do bairro do Serviluz, ok, mas há outras formas. O professor Mauro Oliveira, do Cefet,  por exemplo, luta há bastante tempo para implantar lá o Titanzinho Digital, a exemplo do trabalho que fez com os meninos do Pirambu Digital, que ganharam o Brasil e o mundo, desenvolvendo soluções em tecnologia da informação.

Moradores e surfistas dizem que vão resistir.

O exemplo dá Rafaela Bahia, cinco vezes campeã cearense de surfe e campeã do circuito feminino de surfe na pororoca: “A gente passou por várias lutas sociais e essa é mais uma”, diz que “o mar é uma forma de inclusão”. E completa:

“Somos soldados do bem, da natureza, da cidadania”.

Vale pouco: mas meu coração está com eles.

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15.06.09 07:01

Folha: ombudsman fala do blog da Petrobras

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

O ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, comentou, na sua coluna de domingo, o caso do blog Petrobras, o Fatos e Dados.

Lins considerou que o assunto foi debatido de modo “injustificamente histérico”, considerando que “qualquer entidade ou cidadão têm o direito indiscutível de criar quantos blogs, sites, jornais ou publicações de qualquer espécie que quiserem”.

Para o ombudsman, ”a reação de muitos jornalistas, veículos e entidades à iniciativa foi claramente despropositada. Se alguém pode sair prejudicado pela decisão de revelar as questões de jornalistas antes da publicação das reportagens a que se destinam é a própria empresa, como seu recuo nesse ponto deixou claro: se as pautas exclusivas deixam de ser exclusivas porque a fonte as revela ao público, o mais indicado para quem as produz é não ouvir essa fonte antes de publicar a reportagem”.

O comentário de Carlos Eduardo Lins da Silva equipara-se aos que eu fiz em postagens abaixo. Aliás, parecido com qualquer intervenção que analisou o assunto com isenção, o que, felizmente, foi feito por vários blogueiros.

É preciso que existam pessoas que façam frente – sem entrar na briga de rua que eles promovem – aos cachorros loucos da blogosfera: de um lado os que sacralizam o governo e, de outro, os que o demonizam. Eles se equivalem, ou, para usar uma expressão que já foi muito cara na disputa política, são “farinha do mesmo saco”.

Leia na íntegra o comentário do ombudsman. Continuar lendo

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12.06.09 07:01

Petrobras esclarece novo procedimento de seu blog Fatos e Dados

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

Respondendo a perguntas do jornal Folha de S. Paulo a Petrobras esclareceu alguns questionamentos levantados na postagem imediatamente anterior deste blog. O jornal paulisa perguntou se houvera “recuo” da Petrobras pelo fato de deixar de divulgar antecipadamente as respostas, passando a fazê-lo somente na primeira hora da madrugada em que a matéria for publicada.

Veja a resposta da Petrobras:

«O que está sendo feito é um ajuste que compatibiliza as reivindicações e argumentações dos jornalistas com os propósitos do blog. A Petrobras não entende isso como um recuo. O blog Fatos e Dados foi criado para prestar esclarecimentos quanto a questionamentos relacionados à CPI e quanto a perguntas encaminhadas por jornalistas e respostas enviadas pela Companhia. E a Petrobras mantém esse propósito de transmitir de forma transparente as informações. As perguntas dos jornalistas e as respostas continuarão a ser publicadas no blog. A diferença será o momento da publicação, que passará a ser por volta da zero hora, no caso de jornais e revistas, do dia da publicação da matéria, data que será informada pelo jornalista à assessoria de imprensa. No caso de programas de TV ou rádio, as perguntas e respostas serão postadas no blog no horário do programa indicado pelo jornalista. As perguntas e respostas aos veículos online serão publicadas no momento de publicação informado pelo repórter à Petrobras.»

A Folha de S. Paulo também pergunta se, em caso de adiamento da publicação da matéria, o blog da Petrobras vai suspender a divulgação da resposta.

A Petroleira responde que sim. Explica que, em casos assim, o jornalista deverá entrar  em contato com a assessoria de imprensa da Petrobras informando a nova data para que a divulgação da resposta no blog seja suspensa. E complementa: “A intenção da Petrobras não é interferir ou prejudicar o trabalho da imprensa em nenhuma hipótese”.

Veja no blog da Petrobras, Fatos e Dados, a resposta na íntegra.

[Agradeço o leitor Leonardo, cujo comentário publiquei no post anterior, por ter-me alertado sobre essa postagem do blog da Petrobras.]

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11.06.09 07:01

Petrobras: surge dúvida sobre as intenções da estatal em relação ao seu blog

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

Na lista de debates da Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo] surgiram dúvidas sobre as reais intenções da Petrobras com o comunicado [postagem abaixo], na qual a estatal afirma que divulgará as respostas dadas aos jornalistas somente após a publicação da matéria.

O texto fica dúbio no seguinte ponto:

«Perguntas dos jornalistas e respectivas respostas da Companhia continuarão a ser publicadas no blog e, a partir de hoje, por volta das 0:00h do dia da publicação da matéria, data que normalmente é informada pelo jornalista.»
 
Levando-se em conta o grifo [meu] em vermelho, a impressão que fica é que a empresa vai esperar a informação do jornalista sobre o dia em que publicará o seu texto. [Por si só isso já geraria  um problema operacional: o jornalista pode sair da redação com a certeza que seu texto será publicado, mas, por um problema ou outro - um assunto mais urgente, por exemplo - isso pode não acontecer.]

Vejamos por outro ângulo, o mesmo texto, com grifo em vermelho em outra passagem.

«Perguntas dos jornalistas e respectivas respostas da Companhia continuarão a ser publicadas no blog e, a partir de hoje, por volta das 0:00h do dia da publicação da matéria, data que normalmente é informada pelo jornalista.»

O  jornalista fala com a fonte e, feita a consulta, normalmente, a matéria é para sair no dia seguinte – e isso fica combinado. Mas e se o editor ao recebê-la - digamos, perto das 10 da noite – e acha que tem de haver mais apuração e resolve segurar a matéria? Nesse caso, a Petrobras continuará a divulgar as respostas antecipadamente.

Logo

Se a Petrobras reconehce que  houve ”mal entendido”, como expressou em seu comunicado no blog Fatos e Dados, não haveria nenhum prejuízo e nada lhe custaria  esperar para ver a matéria impressa, antes de publicar as suas respostas na íntegra.

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10.06.09 16:48

Petrobras vai esperar matérias para publicar suas respostas na íntegra

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

A Petrobras acaba de postar em seu blog a decisão de esperar a publicação das matérias para, depois, postar em seu blog as respostas na íntegra que dá aos jornalistas.

O título da postagem – “Um mal entendido a ser corrigido” – mostra que a Petrobras absorveu as críticas que lhe foram feitas.

Reconheça-se que a empresa teve tranquilidade e não aceitou a provacação das matilhas de cachorros loucos da blogosfera, que desprezam os argumentos e o debate, e preferem o xingamento e a desqualificação como médoto de se confrontar com aqueles de quem divergem.

A Petrobras dá uma lição de civilidade.

Portanto, a meu ver, o que fez a Petrobras recuar não foi a manada de desvairados, mas os argmentos sérios e fundamentados, que viram a oportunidade de fazer um debate de idéias, incluindo a exposição das contradições nas quais a estatal se enreda.

Duas dessas opiniões que julguei interessantes, publiquei em postagem abaixo. Acrescento agora a de Cláudio Weber Abamor [aqui]

Veja, abaixo, a íntegra da postagem da Petrobras

« Blog da Petrobras – Um mal entendido a ser corrigido
O blog é nosso?

By Blog Fatos e Dados Petrobras

O blog Fatos e Dados tem recebido o explícito apoio de milhares de internautas, jornalistas e entidades como ABI, OAB, entre outras, o que demonstra o acerto da decisão da Petrobras de manter um canal de comunicação rápida e direta com o público, dedicado a apresentar fatos e dados recentes da Petrobras, o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e esclarecimentos solicitados pela imprensa.

As manifestações que temos recebido nos motivam ainda mais. Por isso, reafirmamos que continuaremos a dar transparência do relacionamento da Petrobras com a imprensa, a postar análises do que for publicado sobre a Companhia, respeitando todas as opiniões sem nos furtar de emitir as nossas. Perguntas dos jornalistas e respectivas respostas da Companhia continuarão a ser publicadas no blog e, a partir de hoje, por volta das 0:00h do dia da publicação da matéria, data que normalmente é informada pelo jornalista.

Acompanhe e participe deste espaço de diálogo através dos seus comentários, que tentaremos liberar e eventualmente responder com mais agilidade. Mais do que da Petrobras, esse blog é de todos nós. O blog é nosso!»

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10.06.09 08:01

Petrobras x imprensa: debate começa a tormar rumo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

O debate em torno da iniciativa da Petrobras em criar um blog – Fatos e Dados -, no qual vem antecipando as respostas que dá aos jornais e confrontando o material depois publicado, vem se aprumando.

Depois que a turma que acusa os jornais de “partido da imprensa golpista” se digladiar, com o costumeiro baixo nível, com aqueles que os chamam de “petralhas”, duas análises, que reproduzo nesta postagem,  põem as coisas em patamar mais elevado, isto é, do debate de ideias.

Em dois posts que publiquei sobre o assunto - nos quais exponho minha opinião sobre o caso – busquei fazer o mesmo.  Mas, reconheço, os dois colegas blogueiros, cujos textos reproduzo, fizeram melhor.

Pedro Doria, do Weblog,  diz que  ”não é ilegal e nem antiético” o que a Petrobras vem fazendo, mas considera “má assessoria de imprensa” o fato de a estatal divulgar antecipadamente a resposta que dá aos jornalistas.  Ao mesmo tempo diz que a imprensa brasileira vem perdendo a credibilidade aos olhos dos leitores, e que os jornais tem que tomar uma atitude urgente se quiserem mudar a situação.

Carlos Castilho, do Código Aberto, diz que a Petrobras está fazendo o que “já é rotina” em empresas e órgãos públicos nos Estados Unidos. Para ele, “a irritação dos jornais vem do fato de que o blog da Petrobras permite uma comparação entre o que a empresa forneceu aos jornalistas e o que foi publicado. Com isto é possível identificar erros de contexto, omissões e equívocos de transcrição”.

  Veja a íntegra dos textos de Pedro Doria e Carlos Castilho. Continuar lendo

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09.06.09 07:01

Petrobras x jornais: esquenta a disputa

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

A Petrobras enviou ontem nota à imprensa defendendo a medida de divulgar, em seu blog Fatos e Dados, as perguntas que lhe enviam os jornais, com as respostas da empresa, antes da publicação da matéria que seria produzida a partir dos questionamentos.

Também divulgaram nota a ANJ [Associação Nacional dos Jornais], classificando a atitude da Petrobra de “antiética e equiva”, e a Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo], na qual “condena” a divulgação antecipada de respostas a jornalistas pela estatal, mas ressalva que a empresa  ” tem o direito de confrontar suas respostas com o que foi publicado”.

Veja as notas abaixo:

Petrobras cria blog para dar transparência às informações divulgadas

1. Em relação às matérias publicadas na imprensa sobre o blog Fatos e Dados, a companhia entende que não houve quebra de confidencialidade ou ilegalidade na publicação das perguntas e respostas enviadas aos jornalistas no recém lançado blog.

2. A relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública. Neste contexto não há espaço para informação sigilosa, como o verbo “vazar” utilizado por alguns veículos. Tanto as respostas da Petrobras são públicas quanto as perguntas dos repórteres também o são, ou deveriam ser.

3. A publicação das respostas no blog, antes da decisão editorial de um jornal publicar ou não a reportagem em questão, reforça o objetivo da Petrobras de alcançar o máximo de transparência possível no relacionamento com seus públicos de interesse.

4. A agilidade no tratamento e no encaminhamento das respostas aos questionamentos da imprensa demonstra também o compromisso da Companhia em prestar todos os esclarecimentos a ela solicitados.

5. A Petrobras tem liberdade para publicar a íntegra das respostas que fornece aos veículos de comunicação porque é fonte e detentora dos dados disponibilizados. No campo jurídico, especialistas consultados reafirmam a legalidade de nossa decisão. Cabe-nos, entretanto, ressaltar que a medida não tem como objetivo prejudicar o trabalho dos jornalistas.

6. A iniciativa de criar o blog Fatos e Dados, na opinião da Petrobras, é um marco na construção de novas pontes de comunicação com os públicos de relacionamento da companhia, em uma nova era de circulação de informação digital em tempo real. A chamada blogosfera permite uma relação direta entre a fonte divulgadora de informação e os leitores, sem a necessidade de filtros, de maneira que a decisão sobre o que interessa de fato ao receptor seja por ele selecionada, na medida em que tem acesso à íntegra das perguntas e respostas.

7. Entende ainda a Petrobras que contribui com o avanço democrático ao possibilitar um diálogo mais profundo nessa complexa teia, composta por intermediários pulverizados e integrados em redes múltiplas.

8. Por fim, cabe ressaltar que o objetivo do blog é essencialmente dar transparência aos processos da Petrobras e não prejudicar o levantamento de fatos e dados pelos jornalistas. Ao contrário, a divulgação prévia poderá propiciar aos veículos, inclusive, que justifiquem mais tecnicamente suas legitimas posições editoriais. Quaisquer que sejam elas, desde que explicitamente opiniões, serão sempre legitimas no entendimento da Petrobras.

9. Essa nota também será publicada no Blog da Petrobras, na coluna “Nossa Opinião”.

 ANJ se manifesta contra Petrobras

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta seu repúdio pela atitude antiética e esquiva com que a Petrobrasvem tratando os questionamentos que lhe são dirigidos pelos jornais brasileiros, em particular por O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que nas últimas semanas publicaram reportagens sobre evidências de irregularidades e de favorecimento político em contratos assinados pela estatal e suas controladas.

Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes. Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um “tratamento adequado”. Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos.

Brasília, 8 de junho de 2009
Júlio César Mesquita
Vice-Presidente da ANJ
Responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão

Abraji condena atitude da Petrobras de divulgar perguntas de jornalistas antes da publicação da reportagem

A Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo] condena a atitude da Petrobras de divulgar em seu blog “Fatos e Dados” as perguntas que recebe de jornais e repórteres sobre investigações conduzidas, muitas vezes, de maneira reservada.

A Abraji entende que após a publicação da matéria, a Petrobras – assim como qualquer outra empresa, instituição ou pessoa – tem o direito de confrontar suas respostas com o que foi publicado. Mas, ao divulgar os questionamentos e eventuais respostas antes da veiculação da reportagem, a estatal federal prejudica o trabalho jornalístico do profissional que, de boa fé, procura a empresa para checar alguns dados ou ouvir alguma contestação para compor o trabalho de reportagem.

Ao agir dessa forma, a Petrobras inibe os meios de comunicação e os jornalistas que precisam verificar com a empresa informações de eventuais reportagens que serão veiculadas. A estatal deve rever essa prática para preservar um relacionamento profissional com os meios de comunicação e jornalistas, que têm o direito de manter suas apurações em sigilo antes da veiculação do produto final.

Comentário 

Como escrevi na postagem abaixo, a Petrobras está em seu pleno direito quando cria um blog para expor sua argumentação, mas erra ao divulgar perguntas que lhe são feitas por jornalistas antes da publicação da matéria.

A Petrobras e a transparência não sofreriam nenhum prejuízo se a empresa confrontasse as suas respostas com a matéria que dela se originou, depois que os jornal publicasse a reportagem.

Há pelo menos dois bons motivos para isso:

1.  Um jornal pode estar de posse de um informação exclusiva e tem o direito de apurar a matéria até o seu final para publicá-la antes de seus concorrentes.

2. Um meio de comunicação pode estar de posse de uma denúncia, verificá-la com a empresa e se convencer que não procede, portanto, não irá publicar a suspeita. Se a Petrobras publicar antes a pergunta e a resposta, levará a público um boato, prejudicando a si mesma. [A não ser que a estatal faça uma triagem do que irá divulgar em seu blog, aí o argumento da "transparência" cairá por terra.]

No mais

A medida da Petrobras vai criar; aliás, criar não, vai mostrar, mais uma vez, a divisão que observamos hoje. De um lado, aqueles que chamam os jornais de “partido da imprensa golpista”; de outro aqueles que atacam o governo por todos e por nenhum motivo.

Precisamos nos afastar de ambos os lados, pois aos dois faltam razão e argumentos e sobram xingamentos e [auto]desqualificação. Isso, certamente, não levará a lugar nenhum: nem a uma imprensa melhor, nem a um governo melhor.

Neste debate, a Petrobras poderia dar duas grandes contribuições:

 1. Reconhecer que a sua medida de divulgar antecipadamente suas respostas ao jornais foi um equívoco – e suspendê-la;

 2. Manter o seu blog, confrontando as respostas dadas com as matérias publicadas, de modo a oferecer sua visão plena aos leitores.

Os jornais também poderiam contribuir:

 1. Reconhecer que qualquer pessoa, instituição ou empresa, tem o direito de confrontar o que é publicado pela imprensa, principalmente quando seu próprio nome está envolvido;

 2. Aceitar que a publicação da resposta de uma fonte, na íntegra – depois de a matéria publicada -, contribuiu para a transparência e para a verdade, objetivo que devem perseguir todos os meios de comunicação.

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08.06.09 07:30

Petrobras cria blog e provoca mal-estar em jornais

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

df8f3_petrobras1A Petrobras pôs no ar o blog Fatos e Dados no dia 2/6/2009. O objetivo expresso é divulgar “fatos e dados recentes da Petrobras e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”.

A maioria das postagens, até agora, reproduzem as perguntas de jornalistas, enviados à empresa por e-mail, juntamente com as respostas da Petrobras. Outras postagens confrontam o material publicado pelos jornais com as respostas, na íntegra, oferecidas pela empresa.

A decisão da Petrobras de criar o blog  já provocou estremecimentos entre jornais e a estatal. A Folha de S. Paulo questionou, em matéria [edição de 6/6/2009, veja a íntegra abaixo] a política do blog em divulgar e-mails de reportagens “ainda em andamento”. O gerente de imprensa da estatal, Lúcio Pimentel, disse à Folha que vai manter a decisão em nome da “política de transparência” adotada pela empresa.

O jornal O Estado de S. Paulo também escreveu à Petrobras perguntando se não havia ilegalidade em divulgar o e-mail que a Folha enviara à estatal. Obteve como resposta, no próprio blog, que a Petrobras não divulgara o e-mail, apenas as perguntas nele contidos [com as respostas enviadas ao jornal].

O advogado José Paulo Cavalcanti Filho, especialista em legislação de imprensa – ouvido pela própria Folha – disse não ver ilegalidade no procedimento. Ele classificou a medida apenas como  ”deselegância” com os jornais. Mas disse que, do “ponto de vista da democracia” via a medida como positiva, por divulgar as respostas a empresa na íntegra, de modo que “qualquer um” pudesse tomar conhecimento.

Comentário

Vai ser interessante acompanhar o desenrolar desse confronto entre informações fornecidas pela empresa e aquela divulgadas pelos jornais.

Os jornalistas estranham, mas, cada vez mais, terão de se habituar a ver o seu trabalho sob escrutínio, não apenas dos leitores, mas das próprias fontes.

Acho positivo também que uma empresa do porte da Petrobras adote essa política. Fui ombudsman do O POVO por três anos e uma das coisas que me chamaram a atenção no período foi um certo “temor reverencial” que algumas fontes, principalmente políticos e instituições, têm dos meios de comunicação.

Eles temem ficar “marcados” por algum veículo ou pelos próprios repórteres ou editores, caso se insurjam contra alguma matéria publicada. Eram comum receber ligações com queixas, com pedido de anonimato.

Tranquilizava-os e os incentivava a tornar públicas suas reclamações ou a falar diretamente com repórteres e editores, dizendo-lhes que no O POVO não vigorava a política de “veto” àqueles que tinham questionamentos ao que era publicado.

O importante é que a medida da Petrobras resulte em debate relevante - e não se transforme em mero espaço de confrontos inócuos e disputa de vaidades, no terreno minado em que convivem assessores e jornalistas. 

Para começar

1. Obviamente, não há o que questionar a Petrobras por criar o seu próprio blog. É um direito que assiste a todos, a empresas ou pessoas.

2. A Petrobras poderia repensar sobre a “deselegância” a que se referiu o advogado. Esperar pela publicação das reportagens geradas pelas respostas da empresas, seria um modo sinalizar uma convivência menos tensa.

Assim como não se pode criminalizar genericamente empresas e instituições, também não se pode antepor desconfiança a jornalistas, a partir de perguntas que eles tem o direito e a obrigação de fazer.

Não haveria nenhum prejuízo à Petrobras se ela reproduzisse as respostas enviadas depois de a reportagem ter sido publicada. Seria até mais interessante, pois os leitores poderiam fazer o confronto direto entre o texto jornalístico e as respostas enviadas pela empresa.

No mais, não sou ingênuo a ponto de deixar de perceber que se trata de “briga de cachorro grande”. Vai ser muito difícil prever quem vai piscar primeiro. A Petrobras é uma instituição poderosa e pode influenciar outras empresas e fontes a seguirem o mesmo caminho.

A imprensa, por sua vez, ainda que tenha visto a sua capacidade de influir na opinião pública se reduzir,  ainda detém o poder de fazer o que os especialistas chamam de “agenda setting”, ou seja, de agendar, pôr em evidência, aqueles assuntos sobre os quais nós vamos conversar no dia-a-dia.

Espero que isso sirva para um debate frutífero, que poderia ser benéfico para todos.

Mas, o mais certo, infelizmente, é que a iniciativa da Petrobras vai atrair os cachorros loucos da blogosfera de ambos os lados: aqueles que veem uma conspiração da imprensa contra, bem, contra aquilo que difira de suas convicções e preconceitos - e, de outro, dos que creem ser o governo [e tudo o que o representa] com um mal em si e querem atacá-lo a qualquer preço. 

[Clique para ver a matéria da Folha de S. Paulo sobre o assunto.]

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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