05.10.09 05:15
Em entrevista a Tom Cardoso – também autor da abertura que segue abaixo -, Jaguar, um dos fundadores do mítico Pasquim, fala do jornal alternativo mais conhecido do país. E, também, de seu assunto predileto: bares e bebida. O texto está publicado na Revista do Brasil.
Fígado de Jaguar
Aos 77 anos, e consumidor de chope há mais de meio século, ele próprio calcula: 10 chopes por dia, em média; 3.650 por ano; mais de 200 mil litros de experiência. O fígado do cartunista, por um milagre, está zerado. Ao médico ele foi apenas uma vez nas últimas cinco décadas, por insistência da mulher, a sanitarista Célia Pierantoni.
Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, se diverte trabalhando. É assim desde que entrou para a revista Manchete, em 1958. Na época, conciliava o trabalho de desenhista com o de escriturário do BB. Seu chefe era ninguém menos do que Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta. Trabalhou em grandes publicações, da Senhor, de Paulo Francis, ao Última Hora, de Samuel Wainer. Hoje é consultor de humor da Desiderata, editora responsável pelos melhores lançamentos em quadrinhos dos últimos anos e pelas antologias de O Pasquim – o tablóide que marcou época nos anos 1960-1970, tendo à frente ele próprio e os melhores vagabundos de Ipanema, como Ziraldo, Paulo Francis, Tarso de Castro, Millôr Fernandes, Luiz Carlos Maciel, Sérgio Cabral. A entrevista, ainda inédita, estava guardada pelo repórter há dois anos. Mas, assim como o fígado do sabatinado, resistiu firme ao tempo.
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07.07.09 09:54
Pasquim: Kucinski fala sobre os 40 anos do principal alternativo da década de 1970
Bernardo Kucinsky, autor do livro “Jornalistas e revolucionários – Nos tempos da imprensa alternativa”, obra fundamental para quem quiser entender a imprensa “nanica”, principalmente da década de 1970, falou ao O POVO sobre os 40 anos do lançamento do Pasquim [a primeira edição saiu em junho de 1969].
Kucinski autou em vários jornais da imprensa alternativa, é atualmente professor e pesquisador. Foi assessor especial de Lula, para o qual escrevia as “Cartas Ácidas”, análise do que a imprensa publicava sobre o governo
Veja alguns trechos da entrevista ao O POVO:
«O Pasquim foi o jornal da liberação dos costumes e, por isso, despertou a ira dos militares. Eles viam ali havia uma ação conspiratória, uma reunião mundial comunista para acabar com a família, esse besteirol todo.»
«O estilo descontraído e desbocado foi uma grande novidade.»
«Acho até que [os que faziam o Pasquim] eles eram mais anárquicos do que se davam a entender. Num episódio, surgiu a oportunidade de comprar uma gráfica e o Jaguar não quis porque precisaria contratar operários, ser patrão.»
«Ele [o Pasquim] não se renovava, não trazia os jovens para redação como nos outros jornais. Eram sempre as mesmas pessoas e na medida em que elas foram ficando velhos, seu humor foi ficando velho também. Isso ficou evidente quando eles relançaram o Pasquim anos depois e não pegou. O humor foi envelhecendo junto com eles. Hoje eu não leio o Millôr. Tenho um enorme respeito, mas o humor dele não diz nada para mim. Esse seria o principal fato para o fim. Esgotaram-se e passou.»
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