Plínio Bortolotti

13.07.10 19:51

A era da internet gratuita chegou ao fim?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Na edição de 11/7/2010 o jornal O Estado de S. Paulo publicou interessante matéria mostrando que cada vez mais empresas – incluindo as noticiosas – vêm cobrando pelo conteúdo na internet.

Nos debates sobre o assunto, eu sempre tenho defendido que os jornais devem cobrar pelo contéudo, disponibilizando apenas uma parte gratuitamente.

A matéria é um pouco longa, mas vale a pena a leitura para quem se interessam pelo assunto.

O texto é assinado pelo editor de Suplementos Semanais do jornal, Gregory M. Lamb e tem como título.

O fim da era da internet gratuita
Gregory M. Lamb – O Estado de S.Paulo (11/7/2010)

[Grifei]

“A informação quer ser gratuita” é o refrão da internet há muito tempo. Quando um vídeo, uma música ou um artigo estão na rede, são mais difíceis de ser controlados do que uma sala cheia de gente curiosa.

Oferecer conteúdo gratuito para começar é um elemento básico para uma empresa. Mas como estratégia a longo prazo, “gratuito” não faz muito sentido: como criadores de conteúdo poderão continuar produzindo se não forem pagos? A publicidade é uma das maneiras de pagar as contas. Mas as companhias da internet ainda lutam para entender e avaliar o impacto dos anúncios online. Ao mesmo tempo, muitos anunciantes continuam céticos e questionam até que ponto poderão depender dele.

Tanto o setor de comunicação quanto o de entretenimento voltaram a experimentar planos de pagamento para conteúdo online. Algum dia, 2010 poderá ser lembrado como o ano em que as companhias acabaram com a ideia da internet “gratuita”.

Atualmente, o Google tenta aplicar o YouTube Rental. O novo serviço permite que as companhias cobrem dos usuários para assistir a determinados vídeos, como programas de TV ou filmes. Os geradores de conteúdo também poderão tentar diferentes planos de pagamento para testar de que modo afetam as vendas.

O jornal britânico The Times, de propriedade da Rupert Murdoch’s News Corp, pretende estabelecer um preço que seria pago para a leitura de artigos – cerca de US$ 3 por semana, ou US$ 1,50 por dia. Para desestimular os que carregam o material gratuitamente, motores de busca como o Google serão impedidos de acessar o conteúdo.

O New York Times anunciou que planeja proteger a maior parte de seu conteúdo por um sistema de pagamento até certo ponto fácil de evitar. O jornal solicitará o pagamento depois que um leitor voltar ao site certo número de vezes por mês. Para atrair novos leitores, o jornal diz que os visitantes que chegam por intermédio de um motor de buscas ou de outro recurso sempre obterão acesso livre.

A revista The New Yorker pretende cobrar um pagamento único no fim do ano, segundo a revista Advertising Age. Mediante o pagamento de uma tarifa, os assinantes poderão ler a revista em todas suas formas – impressa, no iPad da Apple, no Amazon Kindle, e possivelmente em outros aparelhos de leitura eletrônicos – por um preço único, em lugar de ter de comprar o acesso a cada texto separadamente.

A Wired Magazine cobra US$ 4,99, o mesmo do preço da banca, para a leitura de uma edição no tablet do iPad. A versão inclui recursos interativos não disponíveis na edição impressa.

Parte dessa mudança tem a ver como trecho há muito esquecido da famosa citação “a informação quer ser gratuita”. “A informação quer ser cara, por ser valiosa”, disse o escritor Stewart Brand na Conferência dos Hackers, em 1984. “A informação certa no lugar certo pode mudar sua vida. Por outro lado, a informação quer ser gratuita, porque seu custo está baixando cada vez mais. Por isso elas brigam entre si”.

De certo modo, somente a segunda parte pegou.

“A distribuição gratuita de conteúdo de qualidade para uma empresa equivale a jogar valor fora até falir”, diz um recente relatório da Group M, agência de compra de veículos de informação da WPP, a gigante internacional da mídia e da publicidade. O relatório define as pessoas que usam os motores de busca para encontrar notícias ou informações de “turistas inúteis” que não pagam e não têm valor, mesmo para os anunciantes. Continuar lendo

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28.03.10 00:19

Carlos Chaparro analisa reforma gráfica do jornal O Estado de S. Paulo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

ChaparroO professor Carlos Chaparro, que mantém interessante blog sobre jornalismo, O Xis da Questão, fez uma análise de recente reforma gráfica do jornal O Estado de S. Paulo.

Ele avalia que a reforma “mudou a cara do jronal”, deixando-o “mais bonito, mais prazeroso de olhar”, dando mais “agressividade às fotos”, mas ele acha que, em alguns aspectos, a legibilidade ficou comprometida. Veja a análise completa.

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18.12.09 18:42

Fernando Sarney desiste de processo contra jornal O Estado de S. Paulo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

O empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney [PMDB-AP], vai retirar a ação  que move contra O Estado de S. Paulo – e que resultou na censura que atinge o jornal há mais de quatro meses.  Ele fez o anúncio nesta sexta-feira [18/12/2009] em nota à imprensa e em carta enviada à ANJ [Associação Nacional dos Jornais].

O jornal paulista está sob censura, sustentada por liminar do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, decidida em 31 de julho pelo desembargador Dácio Vieira.

O Estado de S. Paulo ficou impedido de publicar informações a respeito da investigação – que corre em segredo de Justiça – sobre o empresário.  A operação, comandada pela Polícia Federal, foi nomeada de “Boi Barrica”, posteriormente de “Faktor”. Fernando Sarney é suspeito de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de divisas para o exterior, segundo informações do estadao.com.br.

Fernando Sarney foi indiciado no dia 15 de julho deste ano por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, segundo a Folha Online.

Nota à imprensa

Na “nota à imprensa” Fernando Sarney escreve: “Infelizmente, este gesto cidadão [o recurso à Justiça] teve, independente de minha vontade, interpretação equívoca de restringir a liberdade de imprensa, o que jamais poderia ser meu objetivo”.

Segundo ele, a desistência da ação foi o modo encontrado para reafirmar seu respeito à liberdade de imprensa: “Para reafirmar minha convicção e jamais restar qualquer dúvida sobre ela, resolvi tomar esta atitude, considerando que a liberdade de imprensa é um patrimônio da democracia e que jamais tive desejo de fazer qualquer censura a seu exercício.”

Carta à ANJ

Na carta enviada à ANJ, Fernando Sarney chama de “vazamento criminoso” a divulgação do teor da investigação da Polícia Federal.

Afirma que não “existem direitos absolutos” e considerou “afronta a lei” a divulgação de informações do processo que estava sob sigilo judicial.

Para ele, “assim como o jornalista preza o segredo da fonte”, também devem ser resguardados, em nome do interesse público, “os dados coletados em uma investigação policial em segredo de Justiça”. Mas afirmou que essa não é uma luta individual, dele, mas de toda a sociedade. E queixou-se da “inércia dos que deveriam lutar para que tal direito fosse protegido”.

Afirmou que a retirada da ação não significa que desista de seus direitos: “Desisto da ação. Não dos meus direitos”. “Não quero, porém, hastear, sozinho, uma bandeira que cabe à sociedade empunhar: a da defesa das decisões judiciais válidas e amparadas na legislação”.

Comentário

Se Fernando Sarney tem tanta certeza de que está certo, sendo ele um grande empresário – e de uma família poderosa, por que abre mão do combate, repassando um  dever – que também é dele – para “toda a sociedade”?

A propósito, sugiro a leitura do artigo de Eugênio Bucci: Os juízes vão editar jornais?

Veja a íntegra da “nota à imprensa” e da carta à ANJ, emitidas por Fernando Sarney:

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13.12.09 20:52

"Proibição de divulgar chama-se censura"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

O jornalista Janio de Freitas, comentou, neste domingo [Folha de S. Paulo, 13/12/2009], a recente decisão do Supremo Tribunal Federal [STF] em manter a proibição ao jornal O Estado de S. Paulo de divulgar informações relacionadas a Fernando Sarney, investigado pela Polícia Federal na chamada Operação Boi Barrica.

Destaco dois trechos:

«[...] O vernáculo não perdoa, porém. Proibição de divulgar chama-se censura, sem distinção de sua autoria. E, se procedente do Judiciário, a adjetivação cabível é mesmo a de censura judicial. Não há filigranice jurídica que ludibrie a associação de vernáculo e senso comum.”
[...]
Ocorre que “a ameaça” relacionada a uma publicação ainda desconhecida é uma presunção – tanto no sentido de suposição como no de pretensão. É, como base de leis, a própria censura prévia baseada no princípio da arbitrariedade: a censura antidemocrática.»

Veja o artigo completo. Continuar lendo

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11.12.09 16:19

Abraji: nota oficial protesta contra censura

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 7 Comentários

A Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo] lançou nota protestando contra a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal] que “na prática mantém a censura prévia” ao jornal O Estado de S. Paulo.

Veja a nota completa:

«A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) protesta contra a decisão do Supremo Tribunal Federal que, na prática, mantém a censura prévia a “O Estado de S. Paulo” e proíbe o jornal de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A Abraji vê com preocupação a manifestação da maioria dos ministros do STF a favor do que chamam de “tutela judicial”, pois ela implica censura prévia e, portanto, a relativização da liberdade de imprensa.

Quando se fere a liberdade de imprensa, a democracia também é atingida. Uma não existe sem a outra.»

[Veja mais sobre o assunto no post abaixo.]

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10.12.09 22:17

STF mantém censura de "face odiosa" ao jornal O Estado de S. Paulo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 11 Comentários

O STF [Supremo Tribunal Federal] manteve a censura a que está submetido o jornal O Estado de S. Paulo – há mais de 130 dias – devido a decisão provisória do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Foram seis votos a três contra o recurso do jornal, que tentava derrubar a medida liminar impondo-lhe a probição de publicar matéria sobre o empresário Fernando Sarney.

Portanto, o jornal continua proibido de publicar informações “colhidas sigilosamente”, constantes de processo movido contra o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney. Fernando é investigado pela Política Federal na operação alcunhada de “Boi Barrica”.

Assim sendo:

É preocupante que permaneçam visões autoritárias que buscam justificar, pelo exercício arbitrário a prática ilegítima da censura, da censura de livros, jornais, revistas, publicações em geral. E, tem sido tão abusivo o comportamento de alguns magistrados de tribunais que hoje o poder geral de cautela é o novo nome da censura judicial.

Esta censura representa esta face odiosa que compromete o caráter democrático de um país, que deseja ser livre, e que quer examinar sob escrutínio público a conduta dos seus governantes.

As palavras acima,

Não são exatamente da minha lavra, mas fazem parte do voto do ministro Celso de Mello ao se manifestar pelo acatamento do recurso que o jornal O Estado de S. Paulo fazia ao STF para que lhe fosse levantada a censura. Veja abaixo, como descrito no portal do STF, o resumo do voto do ministro Celso de Mello.

«Entendo particularmente grave e profundamente preocupante que ainda remanesçam no aparelho de estado determinadas visões autoritárias que buscam justificar, pelo exercício arbitrário do poder geral de cautela, a prática ilegítima da censura, da censura de livros, jornais, revistas, publicações em geral”, disse o ministro Celso de Mello. Ele conheceu da ação e acompanhou a divergência iniciada pelo ministro Carlos Ayres Britto, no sentido de deferir o pedido contido na ADI.

De acordo com ele, a censura “traduz a ideia mesma da perversão das instituições democráticas, não podendo subsistir num regime político onde a liberdade deve prevalecer”. Celso de Mello afirmou que a censura estatal, não importando o órgão de que emane (Executivo, Legislativo ou Judiciário), representa grave retrocesso político e jurídico no processo histórico brasileiro. Isto porque “devolvê-nos ao passado colonial e aos períodos em que declinaram em nosso país as liberdades públicas”.

O ministro salientou que o Estadão foi a única empresa jornalística atingida, uma vez que outros órgãos de comunicação social divulgaram, continuam divulgando e não sofreram interdição. “Portanto, essa interdição é, além de arbitrária, inconstitucional, ofensiva à autoridade do nosso julgamento proferido na ADPF 130, é uma decisão discriminatória e coincidentemente incide sobre um órgão de imprensa que já no final do segundo reinado fez da causa da República um dos seus grandes projetos políticos”, ressaltou.

Para o ministro, a apreensão de livros, revistas, jornais é um comportamento típico de regimes autoritários e não se pode retroceder no processo de conquistas de liberdades. “Eu entendo que tem sido tão abusivo o comportamento de alguns magistrados de tribunais que hoje, de certa maneira e é lamentável que se tenha que dizer isso, hoje o poder geral de cautela é o novo nome da censura judicial em nosso país”, disse, ao frisar que a conquista de direitos e garantias constitucionais não pode sofrer retrocesso.

Ele destacou que o peso da censura é algo insuportável e intolerável. “A censura representa esta face odiosa que compromete o caráter democrático de um país que deseja ser livre e que quer examinar sob escrutínio público a conduta dos seus governantes. Os cidadãos têm direitos a governantes probos”, finalizou.»

Veja na portal do STF matéria sobre o assunto – e como foi o voto de cada ministro.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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