Plínio Bortolotti

20.09.11 18:35

Lula x FHC: 123 capas da revista Veja

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

O jornalista Gilberto Maringoni, do portal Carta Maior, fez uma seleção de 123 capas da revista Veja, entre 1993 e 2010.

Segundo Maringoni, a coleção forma

“uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro”.

Comentário

Independentemente de se concordar ou não com a análise de Maringoni, a seleção de capas se presta a um ótimo exercício de Jornalismo Comparado,  disciplina que não sei se ainda existe nos cursos de Comunicação.

Mas, no caso, seria melhor dizer “jornalismo autocomparado”, pois compara Veja com ela mesma, no tratamento dado a Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, ambos ex-presidentes da República Federativa do Brasil.

Veja aqui a seleção das capas de Veja.

*Correção: o título que permaneceu por alguns minutos foi “Lula x FHC: 20 anos de capas da revista Veja”,  um óbvio e vergonhoso erro (meu) nas contas: o período de 1993 a 2010 soma 17 anos.

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16.03.10 19:07

Presidente Lula somente poderá fazer campanha para Dilma "fora de seu espaço" de atuação pública, segundo regras da AGU

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

cartilhaPara evitar que os agentes públicos federais tenham condutas erradas e usem de forma inadequada recursos e bens públicos durante o período eleitoral, a Advocacia-Geral da União (AGU) elaborou uma cartilha com as condutas vedadas aos agentes públicos nesse período.

Entre as condutas a serem observadas estão:

? Proibição a candidatos de participar de inaugurações de obras públicas nos três meses anteriores às eleições, ou seja, a partir de 3 de julho.

? No mesmo período fica proibida a contratação, com recursos públicos, de shows artísticos para a inauguração de obras e serviços públicos.

? Proibição da distribuição gratuita de bens, valores e benefícios, tais como cestas básicas e materiais de construção. [A regra regra vale para todo o ano eleitoral e fica suspensa no caso de calamidade pública, estado de emergência e de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária.]

? No período de seis meses antes da eleição não é permitido dar aumento de salário aos servidores públicos maior do que a perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano eleitoral.

? O uso de bens materiais e serviços públicos em favor de campanhas e candidatos também é disciplinado. Em todos os anos e, sobretudo no eleitoral, é proibido usar, por exemplo, imóveis e ceder servidor público para comitês de campanha durante o horário de expediente.

? Entre os bens públicos que não podem ser usados para fazer campanha estão incluídos computadores e celulares públicos.

Penalidades

As penalidades incluem a cassação do registro da candidatura ou do diploma de eleito, como no caso da participação dos candidatos em inaugurações, e a aplicação de multas que vão de R$ 5.320,50 a R$ 106.410,00.

De acordo com o caso, a multa é aplicada ao agente responsável, ao partido político, às coligações e aos candidatos beneficiados, sendo ainda possível as sanções de caráter constitucional, administrativo e disciplinar.

Presidente está sujeito às regras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também deve obedecer as regras determinadas a agentes públicos.

Lula poderá participar de campanhas políticas fora do horário de expediente, mas deverá observar certas regras como, por exemplo, quando caberá ao partido arcar com os gastos de descolamento do presidente que é feito sempre em avião oficial.

“O presidente acompanhará todo esse processo de orientação. Agora, como todo agente público, não lhe é negado o direito de cidadania, que é o direito de apoiar candidatos. Ele vai poder realizar suas atividades públicas e não há impedimento de que fora desse espaço de atuação possa participar de campanha. Ele participa desse eventos não como presidente, mas como Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou o ministro Luiz Inácio Adams da AGU. [Informações da Agência Brasil, em matéria assinada por Yara Aquino.]

Veja aqui a íntegra da cartilha.

Comentário

Vamos ver como as coisas vão se desenrolar. Mas será bem difícil separar o que é “atuação oficial” do presidente e o que não é. Vamos supor que ele vá realizar uma atividade oficial em uma determinada cidade. E, digamos assim, coincidentemente há um comício de sua candidata Dilma Roussef à noite. Como o negócio será separado? A que hora termina o “expediente” oficial de um chefe de Executivo? Em que momento ele se desveste de seu cargo e passa a ser um “cidadão comum”? Neste mesmo exemplo, quem pagaria as despesas de sua viagem?

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03.03.10 18:08

Bolsa Família: proposta do senador Tasso Jereissati tende a pressionar crianças

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 9 Comentários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva [PT] considerou que “pode ser boa” a proposta do senador Tasso Jereissati [PSDB] de aumentar o valor da  Bolsa Família para estudantes que tiverem bom desempenho escolar. A proposta já foi aprovada na Comissão de Educação do Senado.

Lula só quer saber “de onde se vai tirar o dinheiro, porque todo gasto proposto tem de ter uma fonte de receita”.

Comentário

1. O problema maior não é a fonte de receita, é a proposta em si. Não se pode atribuir a uma criança o papel de conseguir dinheiro para a sua casa. Se passar, a proposta poderá se transformar em uma fonte de conflitos familiares, em que crianças poderão ser acusadas de não fazerem o bastante para conseguir mais dinheiro.

2. Mas, período eleitoral é cruel: se um faz alguma proposta de olho em votos, o outro não pode ficar atrás.

3. Se o senador Tasso Jereissati está mesmo interessado em aumentar o valor da Bolsa Família, ele que estude outros critérios mais justos, e não um que ponha crianças sob pressão.

E mais, uma curiosidade:

Gostaria de conhecer o “boletim” do senador Tasso Jeressaiti no período em que ele fazia o ensino fundamental e médio [que na época deveria ser primário, ginásio e colegial]. Como será que ele se saía na escola?

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21.12.09 20:07

“A decisão é minha”, diz o presidente Lula sobre a extradição de Battisti

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

“Não me importa o que disse o STF. Ele teve a chance de fazer e fez. Eu não dei palpite. A decisão é minha. Até lá [a publicação do acórdão] não tenho comentários a fazer”.

As palavras são do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divulgadas agora à tarde pela Agência Brasil. A decisão a que Lula se refere é sobre a extradição para a Itália de Cesare Battisti, condenado em seu país por crimes praticados quando integrava o grupo de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo, na década de 1970.

Lula deu a declaração depois de o Supremo Tribunal Federal ter alterado sua decisão anterior que dava à Presidência da República poderes plenos para decidir pela permanência do ex-militante no Brasil ou pela sua extradição.

Posteriormente, STF retirou o trecho que classificava a decisão de “ato discricionário” do Presidente da República. Desse modo a única alternativa que sobraria para Lula seria enviar Battisti à Justiça italiana, pois segundo o STF, o tratado de extradição com a Itália teria de ser cumprido.

O presidente do  STF, Gilmar Mendes disse que “não se cogita” que a decisão seja diferente, conforme matéria publicada no O POVO.

Comentário

Até agora eu tinha dúvida sobre a decisão de Lula. Depois da mudança de rumos do STF, tendo a achar que o presidente vai manter Battisti no Brasil.

Fazer de modo diferente seria submeter-se aos humores do STF que ora decide uma coisa, ora afirma outra diferente.

Vejam: não estou dizendo que se deva descumprir uma decisão do STF, pois em uma democracia deve-se respeitar decisões da Corte Suprema; ainda que discordando ou sob protesto, o que também é democrático.

Mas, nesse caso, qual decisão respeitar?:

a) a inicial que atribuía ao presidente o poder pleno de conceder ou negar a extradição?

ou

b) a decisão “reformada” afirmando que o presidente é que decide, mas só pode decidir de um jeito?

Mesmo sendo leigo no assunto, me parece que se abre uma avenida jurídica para que o presidente decida de um modo ou de outro, respeitando a lei e o STF.

E, pelo andar na carruagem, Lula deve decidir-se de um modo que deixe bem claro que a democracia também pressupõe que os poderes são harmônicos, mas independentes.

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30.11.09 11:30

Lula, Benjamin e o jornalismo do Velho Oeste: atira-se primeiro, pegunta-se depois

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 7 Comentários

O ombusdsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, comentou na coluna de domingo [29/11/2009] o artigo de Cesar Benjamin [trecho reproduzido abaixo], que acusa o presidente de ter tentando “subjugar” sexualmente um colega de cela quando Lula esteve preso na década de 1980.

Benjamin não viu a suposta cena. Segundo ele, o próprio Lula teria lhe contado o episódio, em 1994.

Pois bem, o ombudsman Lins da Silva diz que “não faz parte do escopo de trabalho do ombudsman emitir juízo de valor sobre textos opinativos”, mas diz concordar “inteiramente” com um dos leitores que lhe escreveu fazendo a seguinte observação: “Não há outra opção para ao jornal que publica artigo tão impactante quanto o de César Benjamin que a de, com suas equipes, tentar reconstituir os fatos narrados pelo autor”.

E, pelas palavras do próprio ombudsman, “é indispensável oferecer ao outro lado espaço e destaque similares para defender pontos de vista opostos ao do artigo de sexta feira”.

Comentário

1. De fato, não cabe a um ombudsman julgar opinião manifestada em artigos. Mas, para acusação de tamanha gravidade, que atinge não apenas o presidente, mas terá repercussão em toda a sua família, era preciso que o editor exigisse mais do que a simples declaração de um ex-militante do PT para publicar o texto. Benjamin não manifesta uma opinião, relata um suposto fato, o que é verificável.

1.1. Portanto, no que se refere à questão factual, o ombudsman pode e dever opinar. Observem que não se trata de uma “opinião” de César Benjamin.  Ele não disse que Lula é feio ou bonito; que seu governo é bom ou ruim: isso é opinião. Ele ralata um fato que teria acontecido. Afirmou que o agora presidente tentou estuprar um colega de cela. Isso é verificável e parece muito pouco jornalístico que isso tenha sido publicado sem a mínima checagem [pra usar o jargão das redações].

2. O ombudsman apela agora para que se “reconstitua o fato narrado”. Isso era condição prévia para a publicação do artigo. Confirmado, publica-se. Não se conseguiu provar ou há dúvida razoável, ponha-se no lixo. Uma afirmativa dessas, pode levar consequências gravíssimas do ponto de vista pessoal a Lula e sua família. [Não falo aqui nem do prejuízo político, que é superável, mas a marca de "estuprador", mesmo falsa, pode ser indelével.] Isso não se faz, é o antijornalismo: atira-se primeiro e pergunta-se depois.

3. Depois o ombudsman afirma que é “indispensável” oferecer ao “outro lado” espaço e destaque similares para defender “pontos de vista opostos aos do artigo” de César Benjamin. Aqui o negócio já se torna risível, pois não se trata de “ponto de vista”, mas repito, de um fato que, como diz o ombudsman, pode ser reconstituído, verificado. Agora o negócio está neste pé: um diz: “Você é estuprador”; o outro: “Não sou”. “Você é batedor de carteira”; o outro: “Não, não sou”. “Você bate na sua mãe”; o outro: “É mentira”. “Você é pedófilo”, o outro: “Nunca fui”. Estamos falando de jornalismo ou de briga de rua?

Ora, façam-me o favor.

[Eu até posso estar enganado, mas o artigo, longuíssimo para os padrões da Folha de S. Paulo - 1.755 palavras, 10.561 caracteres - não foi publicado assim, digamos, casualmente. O trecho que fala de Lula está ensanduichado entre uma longa introdução e outra longa conclusão, com César Benjamin narrando lances de sua militância na esquerda e do período que passou na prisão,  na década de 1970. Creio que a publicação deve ter sido precedida de negociação com o autor - e o editor deve ter tido tempo para refletir sobre assunto.]

Trecho do artigo de César Benjamin Continuar lendo

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23.11.09 09:58

FHC também tem seu filme, no qual defende a descriminalização da maconha

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

A figura central do documentário “Rompendo o silêncio”, de Fernando Grostein Andrdade, será o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC aparecerá no filme defendendo a descriminalização da maconha, como integrante da Comissão Latino Americana de Drogas e Democracia [nome esquisito, não?, dá a impressão que a democracia também é uma droga.]

Portanto, o PSDB já tem o seu filme e pode parar de reclamar de “Lula, o filho do Brasil”, que estreou recentemente.

Agora, já imaginaram se fosse Lula sendo o personagem principal de um filme defendendo a descriminalização da droga? O céu viria abaixo.

Mas como é com o Príncipe dos Sociólogos, o melhor é deixar o negócio quieto.

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18.11.09 20:32

Battisti e Lula: se correr o bicho pega; se ficar o bicho come

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Arte de Hélio Rôla

Arte de Hélio Rôla

Depois do Apagão, mais um problemão caiu no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O problema tem nome, sobrenome e país: Cesare Battisti, Itália. E quem amarrou o nó que Lula terá de desatar foi o STF [Supremo Tribunal Federal].

O STF acaba de decidir, nesta quarta-feira [18/11] o seguinte:

a) Autoriza a extradição do italiano Cesare Battisti.

b) Porém [o problema - para Lula -  é o porém] deixou a palavra final sobre entregar ou não Battisti ao governo italiano ao presidente.

Com o placar apertado  – 5 votos a 4, para as duas questões – os ministros julgaram que compete ao presidente decidir se extradita ou não o italiano.

Comentário

Desde o princípio a tese de que é prerrogativa do governo decidir a concessão de refúgio me parece a mais correta – é um ato de soberania do país. Isso sem entrar no mérito se as ações de Battisti foram crimes comuns ou políticos.

As perguntas de um leigo

Por que a Corte Suprema se ocupou de um longo julgamento para, depois, retornar a decisão ao Presidente da República?

O governo – por meio do ministro da Justiça Tarso Genro – já não havia tomado a decisão que o STF diz que o governo tem, agora, de tomar de novo?

O julgamento de quem era a competência para decidir o destino de Battisti, o STF não teria de ter tomados antes, como pré-condição, para a continuidade ou não do julgamento?

Isto é, se o STF tivesse decidido antes, como decidiu depois, que a palavra final competia a Lula, ficava sem sentido a Corte Suprema “autorizar”  o presidente a fazer aquilo que já era da competência dele fazer.

De qualquer modo, o negócio está consumado, e o problema agora para o presidente Lula é o seguinte:

1. Se ele conceder refúgio a Battisti, poderá parecer uma afronta ao STF e também ao governo italiano.

2. Se ele entrgar a cabeça de Battisti, vai entrar em conflito com muitos de seus aliados.

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15.11.09 18:56

FHC decide reconhecer filho que teve há 18 anos com jornalista da TV Globo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu reconhecer o filho, hoje com 18 anos, que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.

A decisão de FHC foi revelado em primeira mão pela jornalistas Mônica Bergamo, em texto publicado na edição deste domingo [15/11/2009] no jornal Folha de S. Paulo.

Segue abaixo a matéria assinada por Mônica Bergamo.

…..

«FHC decide reconhecer oficialmente filho que teve há 18 anos com jornalista

Mônica Bergamo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo.

Tomas Dutra Schmidt tem hoje 18 anos. O tucano já consultou advogados e viajou na semana passada a Madri,onde vive a jornalista, para cuidar da papelada.

A Folha falou com FHC no hotel Palace, na Espanha, onde ele estava hospedado. O ex-presidente negou a informação e não quis se alongar sobre o assunto. Disse que estava na cidade para a reunião do Clube de Madri.

Mirian também foi procurada pela Folha, que a consultou a respeito do reconhecimento oficial de Tomas por FHC. “Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública”, afirmou a jornalista.

O ex-presidente e Mirian tiveram um relacionamento amoroso na década de 90, quando ele era senador em Brasília. Fruto desse namoro, Tomas nasceu em 1991. FHC e Mirian decidiram, em comum acordo, manter a história no âmbito privado, já que o ex-presidente era casado com Ruth Cardoso, com quem teve os filhos Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.

No ano seguinte, a jornalista decidiu sair do Brasil e pediu à TV Globo, onde trabalhava havia sete anos, para ser transferida. Foi correspondente em Lisboa. Passou por Barcelona e Londres e hoje Trabalha para a TV em Madri.

Quando FHC assumiu o ministério da Fazenda, em 1993, a informação de que ele e Mirian tinham um filho passou a circular entre políticos e jornalistas.

Procurados mais de uma vez, eles jamais se manifestaram publicamente.

Em 1994, quando FHC foi lançado candidato à Presidência, Mirian passou a ser assediada por boa parte da imprensa.

E radicalizou a decisão de não falar sobre o assunto para, conforme revelou a amigos, impedir que Tomas virasse personagem de matérias escandalosas ou que o assunto fosse usado politicamente para prejudicar FHC.

Naquele ano, a colunista se encontrou com ela em Lisboa e a questionou várias vezes sobre FHC. “Nem o pai do meu filho pode dizer que é pai do meu filho”, disse Mirian.

Em 18 anos, o ex-presidente sempre reconheceu Tomas como filho, embora não oficialmente, e sempre colaborou com seu sustento. Nos oito anos em que ocupou a Presidência, os dois se viam uma vez por ano. Tomas chegou a visitá-lo no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Depois que deixou o cargo, FHC passou a ver o filho, que na época vivia em Barcelona, com frequência. Mirian o levava para Madri, Lisboa e Paris quando o ex-presidente estava nessas cidades. No ano passado, FHC participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres.

Neste ano, Tomas mudou para os EUA para estudar Relações Internacionais na George Washington University.»

……..

Comentário

Existem alguns temas que, mesmo acontecendo com pessoas públicas, são da esfera pessoal, que têm de ser respeitados. Mas, nesse caso, é preciso reconhecer que a imprensa tratou o caso com, digamos assim, discrição exagerada.

FHC, na época que o assunto começou a circular, era presidente da República e devia algum tipo de explicação ao país. Desde que não seja ilegal e não iterfira nos negócios públicos, ninguém tem nada a ver com o que um político se faz na vida privada. Mas um presidente da República deixar de reconhecer um filho, me parece que era assunto a ser divulgado.

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, vem passando maus bocados por ter tido filhos, os quais não reconheceu [com o agravante de que, quando mantinha relações amorosas, era bispo da Igreja Católica], antes de assumir a Presidência.

Caros Amigos 

O único meio da comunicação a dar destaque ao assunto foi a revista Caros Amigos. Em abril de 2002, a revista publicou a reportagem: “Porque a imprensa esconde o filho de FHC com a jornalista da Globo?” A matéria tinha seis páginas e trazia cópia do registro da criança, com o nome da mãe, mas com o espaço para o nome do pai em branco. Na ocasião, a revista circulou amplamente por todos os gabinetes de Brasília.

Diferentemente agiu a imprensa quando foi revelado que Lula tinha uma filha – Lurian – com uma ex-namorada. Por coincidência, também uma Mirian [Cordeiro]. Com uma ressalva importante: Lula reconheceu a filha desde o nascimento dela.

Lurian tornou-se conhecida no segundo turno da eleição de 1989, quando Lula disputava contra Fernando Collor. Naquele que é considerado um dos maiores golpes baixos das campanhas políticas no Brasil, o programa eleitoral de Collor mostrou imagens de Miriam Cordeiro, a ex-namorada de Lula, dizendo que ele teria-lhe oferecido dinheiro para que ela fizesse aborto.

Mesmo com assessores de Lula insistindo para que ele levasse a filha à TV para que ela explicasse o relacionamento dos dois em uma entrevista, Lula preferiu não expor a filha.

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08.11.09 02:19

A escolinha do PSDB e a comparação do presidente Lula

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

1. Caetano Veloso é um provocador profissional; ao dizer que Lula “não sabe falar, é cafona, grosseiro e analfabeto” ele quer apenas gerar polêmica e ser pichado por petistas, o que ele vai adorar. [Aliás, que cafona as palavras "cafona" e "pichar", não?] Caetano é como o Chacrinha, não quer explicar nada, só quer confundir.

1.1. A propósito, Lula não “fala errado”; como ensinam os linguistas, ele fala uma das variantes do português, adotada por milhões de brasileiros. Ainda que falasse “errado”, ele teria de ser julgado pelo seu governo e não pelos seus supostos erros gramaticais. E, a propósito, ele vem “errando” cada vez menos; sinal que, mesmo com escolaridade formal baixa, ele aprende muito mais ligeiro do que certos intelectuais e artistas.

2. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu um tiro no pé [não dele, especificamente], mas na candidatura de José Serra a presidente [isto é, se o governador de São Paulo resolver sê-lo, deixando de lado uma reeleição que parece fácil], ao escrever um artigo criticando o governo do presidente Lula. FHC -  para os candidatos do PSDB – transformou-se meio que naquele tio incoveniente que todo mundo quer esconder quando chega visita em casa.

2.1. Não se trata de saber se FHC tem ou não razão nas críticas que faz, mas a comparação entre os dois governos é tudo o que o PT pediu a Deus,  para fazer vingar a sua tese de eleição plebiscitária. Com a popularidade de Lula em torno de 80%, segundo as pesquisas, qualquer comparação será desfavorável ao PSDB. E, justa ou injustamente [em política o que vale é a versão], FHC e José Serra carregam o rótulo de pessoas frias, arrogantes, que não gostam de pobres nem de nordestinos.

3. Lula acertou na primeira parte da resposta a Caetano e FHC: “Tem muita gente que acha que inteligência está ligada à universidade”, não está, de fato, somente. Mas errou a mão na segunda, ao criticar o projeto do PSDB de dar “aulas” de formação para cabos eleitorais no Nordeste para treiná-los a combater [com palavras, ressalve-se] o governo Lula e fazer frente à esmagadora preferência que a região tem pelo presidente.

3.1. Lula, ao comparar a Escolinha do Professor Raimundo do PSDB, a uma atitude nazista ou hitlerista passou da conta e, aí sim, afrontou a inteligência alheia. “É um pouco o que Hitler dizia para os alemães; ou seja, vamos treinar gente para não deixar que eles sobrevivam”, disse. A comparação é injusta e um equívoco monstruoso do ponto de vista histórico – e Lula deve saber disso.

3.1.2. Então, vamos combinar o seguinte: a) o PSDB tem o direito de desenvolver o seu projeto; b) Lula tem o direito de criticá-lo; c) mas, exercer a Presidência reveste-se, também, de uma função educativa e pedagógica, e o presidente devia dar-se conta disso ao fazer seus discursos.

4. No mais, preparemo-nos, com o acirramento da campanha eleitoral, vamos ter de ouvir muitos absurdos… de todos os lados.

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04.11.09 15:55

Lula deve estar conversando com o professor Venício A. de Lima

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Ato 1

O professor Venício A. de Lima é um dos mais importantes estudiosos da mídia na atualidade. Autor de vários livros, escreve frequentemente artigos que são divulgados em portais de crítica à mídia [como o Observatório da Imprensa] e também em alguns sites de “esquerda”, como o Carta Maior.

Concorde-se ou não com o professor reconheça-se a qualidade de seus trabalhos, todos alicerçados em sólida base teórica.

Ato 2

De alguns dias para cá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem emitindo várias opiniões sobre a mídia. Disse que o trabalho da imprensa não era fiscalizar o governo, mas dar notícias; castigou os colunistas dizendo que eles vêm perdendo a capacidade de formar opinião; e exortou os jornalista a não “interpretarem” os fatos.

Ato 3

Em livro de 2006 “Mídia: crise política e pode no Brasil”, no capítulo “Revisitando as sete teses sobre mídia e política no Brasil”, o professor Venício escreve: “O que está realmente em jogo quando se trata das relações de mídia e política é o processo democrático”.

Pelo que se trata aqui, o mais interessante é a sua terceira tese, na qual ele anota que “a mídia está exercendo várias das funções tradicionais dos partidos políticos”, as seguintes:

? Construir uma agenda pública (agendamento)
? Gerar e transmitir informações políticas
? Fiscalizar ações do governo
? Exercer a crítica das políticas públicas
? Canalizar as demandas da população

E complementa afirmando que “mesmo no Brasil não havendo a tradição partidária consolidada, alguns analistas apontam a ocupação desse espaço pela mídia como uma das causas da crise generalizada dos partidos”.

Em artigo recente, o professor reafirma alguns desses pontos, traça um histórico do surgimento da mídia – que nasceu como imprensa partidária e de opinião – e pergunta se a mídia brasileira não estaria fazendo uma espécie de volta às origens partidárias.

Ato 5

A questão é a seguinte. A linha de raciocínio de Lula é muito parecida com essa para se supor que seja apenas coincidência. Ou Lula anda conversando com o professor Venício; ou está lendo seus livros ou alguém leu e soprou-lhe.

Existe também hipótese – Lula tem poder de análie e compreensão da realidade material e abstrata bem maior do que supõem seus detratores gratuitos ou não -, de o presidente ter chegado às mesmas conclusões pela sua própria experiência.

A minha aposta é que foi uma mistura das várias coisas. Lula conversa com muita gente – é o tipo de pessoa que parece pegar as coisas de ouvido.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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