Plínio Bortolotti

18.04.10 11:50

Controlador do Promar diz que estaleiro pode ser em qualquer lugar

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

"Charada ecológica", de Hélio Rôla

Quem não estiver acompanhando o caso, basta clicar em alguns dos itens sugeridos abaixo ou ler a matéria no O POVOPromar vence licitação da Transpetro.

O caso é que, contrariando a assertiva do governado do Estado, Cid Gomes [PSB] de que o estaleiro “tem” de ser construído na Praia do Titanzinho: “Será lá ou não será em lugam nenhum [do Ceará]“, o presidente da PMRJ, Paulo Haddad, disse:

“Não sei se vai ser no Titanzinho, no Pecém, etc. Onde tiver as características que eu preciso para mim não tem problema nenhum.”

A PMRJ é a empresa controladora do Promar. O terreno para a construção do empreendimento deve ser repassado pelo Governo do Estado:  “Não vou me envolver na discussão de onde é mais caro, mais barato”, disse Haddad.

Mas Haddad também afirmou que não pode ficar esperando indefinidamente a solução. Disse que a licitação permite que ele construa o estaleiro em qualquer ponto do território nacional. E sugeriu que um prazo de 15 dias seria razoável para obter a resposta das autoridades.

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13.04.10 20:17

Dilma Roussef: "Lula passou a olhar o Brasil com um olhar nordestino"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

A partir da esquerda: o deputado federal José Pimentel (PT), Luciana Dummar (presidente do Grupo de Comunicação O POVO) e Luizianne Lins (PT), prefeita de Fortaleza. Foto de Evilázio Bezerra

A partir da esquerda: deputado federal José Pimentel (PT), jornalista Luciana Dummar (presidente do Grupo de Comunicação O POVO), Dilma Roussef e Luizianne Lins (PT), prefeita de Fortaleza. Foto: Evilázio Bezerra

“Lula passou o olhar o Brasil com um olhar nordestino, o olhar que os nordestinos merecem”.

A frase de Dilma Roussef, no almoço organizado pelo Grupo de Comunicação O POVO, demonstra a disposição dela  em encarar o debate que se desenha na campanha presidencial.

O PSDB, como fez no lançamento de seu candidato, José Serra, vai acusar o PT de querer “dividir o Brasil”.

Ela complementou dizendo que o Nordeste vem crescendo mais do que a média nacional, o que considera justo, por razões históricas e conjunturais.

Para ela o que caracteriza o Brasil de hoje é a “transformação da esperança em realidade”, o que teria se tornado possível pelas realizações do governo Lula.  “Quando se dá uma oportunidade para o povo brasileiro, ele o agarra com as duas mãos”.

Estrela

Refutou, com vigor, o argumento do PSDB que o PT tivera apenas “sorte”, pois governava sem enfrentar nenhuma crise  econômica [o que ocorrera no governo de FHC]. Para ela, os fatos desmentiram tal proposição, pois o Brasil pegou uma crise que abalou a economia mundial, saindo ela como “uma das estrelas da economia mundial”.

Quando esse argumento foi derrubado, disse ela, os opositores teriam partido para uma tentativa de  “desqualificação” do governo e do PT.

“O governo [Lula] deixou de ser parte do problema [como era antes] para ser parte da solução”, disse ela ao lembrar que o Brasil não tem mais sua economia indexada ao dólar e tem reservas suficientes para enfrentar adversidades.

Para Dilma, o governo Lula representou a “ruptura” com a estagnação que imperava em outros governos, abrindo uma “nova era de prosperidade”. “Mudamos a vida das pessoas, com um modelo de desenvolvimento que abrange todas as classes”, uma política em que “todos ganham”.

Mulheres

A candidata também destacou o papel das mulheres na economia ao dizer que 15% da população brasileira desenvolve alguma atividade empreendedora e que, desses, 53% são mulheres.

Também falou que é preciso lançar um olhar mais cuidadoso às micros, pequenas e médias empresas, que para ela são o esteio fundamental da economia brasileira. Disse que o Ministério da Indústria está mais voltado para as grandes empresas e que é preciso um organismo que pense políticas para as micros e pequenas empresas, cujos problemas “são diferentes”.

Fez forte menção à recuperação da indústria naval brasileira, que ela vê como um fator importante para a economia e para a geração de empregos.

Dilma fala à imprensa

Dilma fala à imprensa

Abertura

A  cerimônia foi aberta pela presidente do Grupo de Comunicação O POVO, Luciana Dummar. Ela saudou a convidada Dilma Roussef, lembrando a coincidência que o evento estar se realizando no dia do aniversário de Fortaleza [284 anos] e um dia depois de Dilma ter recebido o título de Cidadã de Fortaleza.

Disse ainda que o objetivo do ciclo de debates com os candidatos à Presidência da República é o de reafirmar o compromisso do O POVO com o jornalismo informativo, formador de opinião e “indutor das transformações políticas, econômicas e sociais no Ceará”.  “Fazemos isso com o mesmo ímpeto, há 82 anos.”

Prefeita

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins [PT] falou de sua preocupação sobre os grandes problemas sociais: Fortaleza é uma das cidades mais desiguais do Brasil e está entre as 20 mais desiguais do mundo; 75% da população não tem plano de saúde e um milhão de pessoas depende do transporte público.

E diz que seu trabalho vai no sentido de construir uma cidade “mais justa, mais humana, mais fraterna e mais solidária” e que “o povo está empenhado com a Prefeitura em construir a Fortaleza Bela”.

Com o salão do hotel Gran Marquise com mais de 300 convidados, o evento começou com mais de uma hora de atraso, pouco antes das 14 horas.

Conversa com Cid Gomes

No início da tarde a pré-candidata do PT à presidência da República teve uma conversa reservado com o governador Cid Gomes [PSB]. Também fez uma concorrida entrevista coletiva.

O governado Cid Gomes, como já ocorrera na cerimônia de entrega do título de Cidadão de Fortaleza a Dilma Roussef, não compareceu ao almoço oferecido à candidata do PT.

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18.02.10 16:24

Novo Enem será o fim do vestibular? A resposta do DCE da UFC

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

De Rodrigo Santaella, do Diretório Central dos Estaudantes da Universidade Federal do Ceará, recebi o comentário abaixo, em resposta ao post Nação Zumbi, DCE da UFC contra o Enem (e a crase), Luizianne e a Guarda Municipal.

«Caro Plínio,

Quanto à crase, de fato foi um erro. Pedimos desculpas aos que perceberam. Como encomendamos a faixa por telefone, não nos atentamos para o fato de que eles poderiam esquecer a crase. Quando vimos, já era tarde demais.

Quanto ao ponto mais importante, os motivos pelos quais temos posição contrária à proposta apresentada pela UFC para a nova metodologia de ingresso à universidade, reproduzo aqui uma nota produzida por nós, do DCE-UFC, em conjunto com grande parte do movimento estudantil da UFC e UECE.

Peço, como direito de resposta, que a nota seja reproduzida como um post do seu blog. Se não for aceito, pelo menos fica registrada aqui nos comentários.»

Eu: No comentário deixei reposta ao Rodrigo dizendo que a menção à crase foi em um tom jocoso. E que, obviamente, não é a capacidade de pôr o sinal de crase no lugar correto [ou deixar de pô-lo] que vai definir a capacidade de alguém.

Abaixo, segue a nota, na íntegra, enviada pelo DCE da UFC

«NOVO ENEM: SERÁ O FIM DO VESTIBULAR??

Em março de 2009, o MEC propôs um novo modelo de vestibular, substituindo o modelo atual por uma avaliação nos moldes do ENEM, que passaria a ter 180 questões de múltipla escolha e redação. O novo ENEM está sendo propagandeado massivamente pelo governo em conjunto com a grande mídia como sendo o fim do vestibular, uma grande mentira. Esse novo modelo representa um supervestibular unificado das universidades federais, o qual daria a possibilidade aos estudantes de serem avaliados para as vagas em diversas instituições em todo o país. Segundo Fernando Haddad, isso representaria o fim do vestibular. Ora, o vestibular é um instrumento de seleção que somente tem sentido porque o direito à educação superior não é assegurado a todos e a universalização deste direito não está assegurada nesta proposta.

Esse supervestibular vem sob uma nova roupagem na tentativa de mascarar as idéias centrais do projeto: elitizar ainda mais o acesso à Universidade, reformular o currículo do ensino médio por base nos conteúdos abordados no ENEM, substituir o desempenho acadêmico dos estudantes ingressantes nas instituições de ensino superior (ENADE) e validar a certificação de jovens e adultos no ensino médio. O serviço terceirizado utilizado pelo MEC foi catastrófico. A recente fraude e o adiamento do ENEM 2009 custaram aos cofres públicos cerca de R$35 milhões. E o mais surpreendente é que as Universidades estão assimilando que a avaliação de seus futuros estudantes deve ser um serviço subcontratado.

O carro chefe da campanha do MEC é a mobilidade acadêmica. Na prática, com o Novo ENEM os vestibulandos podem tentar vaga em universidades de qualquer lugar do Brasil, mas somente uma minoria pode efetivamente migrar para a região de interesse. Hoje, vestibulandos de classes sociais mais favorecidas já possuem a tal mobilidade, independente de qualquer critério seletivo nas universidades. O que acontece com o Novo ENEM é que a mobilidade, para os que já têm acesso a ela, se torna burocraticamente mais fácil, o que implica a diminuição das chances de entrar na Universidade pelos que não têm acesso a essa mobilidade. Por exemplo, as poucas vagas da UFC que seriam preenchidas atualmente por estudantes de escolas públicas do Ceará, passariam muito provavelmente a ser preenchidas por estudantes de classe média do sul e sudeste.

Enquanto isso, os estudantes de escolas públicas daqui teriam suas vagas garantidas em outras Universidades menos “concorridas” em outros estados do Brasil, mas não teriam condições financeiras de se sustentarem nestes lugares. Isso acontece porque não existe uma política séria de assistência estudantil para os estudantes das universidades públicas brasileiras, tais como residência universitária, restaurantes universitários, bolsas estudantis, entre outras. Garantir a mobilidade de todos sem assistência estudantil é, na prática, tornar o sistema mais excludente e elitista, além de contribuir com a intensificação do processo de criação de alguns centros de excelência, por um lado, e de Universidades “escolões,” por outro. Na prática, portanto, é maior a exclusão com o modelo de vestibular unificado, já que a dificuldade de ingresso de alunos de escolas públicas aumenta ainda mais. Continuar lendo

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17.02.10 11:25

Nação Zumbi, DCE da UFC contra o Enem (e a crase), Luizianne e a Guarda Municipal

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 35 Comentários

Estive ontem no aterrinho da Praia de Iracema para ver a Nação Zumbi: Jorge du Peixe* e seus companheiros continuam chacoalhando a moçada. Bom, eu não sou muito de acompanhar música; não chego a ser como João Cabral de Melo Neto que equivalia música a barulho. Mas, naquela coisa de de ilha deserta e tal, se eu fosse obrigado a escolher entre levar discos ou livros eu preferiria levar estes.

Ouvi distraidamente os primeiros CDs deles, gostando do caldeirão de raízes nordestinas com outras influências, como o rock, por exemplo. Minha filha que me levou aos show [sim, eu já estou nessa fase de precisar de um empurrão para ir a tais lugares] disse que a levada deles está mais para o rock, agora; se ela disse, deve ser. Não sei se é pelo efeito do costume, mas gostei mais das músicas antigas.

O lugar estava lotado, mas tudo correu tranquilamente sem nenhuma briga, nem aos menos empurrões ou bate-boca e, ainda, se alguém pisava no seu pé, sem querer, apressava-se a pedir desculpas. Um negócio muito bom de ver.

DCE

Os estudantes do DCE da UFC levaram uma faixa “Acesso de todos a [sic] universidade” e “Contra o novo Enem”. Eles foram muito educados: levantavam a faixa alguns segundos e logo a abaixavam, para não atrapalhar a visão de quem estava atrás. Apesar dos bons modos, eles se  esqueceram sinal indicativo de crase, o que é grave para meninos que devem ter feito o ensino médios em bons colégios particulares e agora são contra o Enem – sabe-se lá por qual motivo. Obviamente, quem vai ver a Nação Zumbi em plena terça-feira de Carnaval, está muito pouco preocupado com uma crase [creio também que não está interessado, naquele momento, em política estudantil], mas fica o registro de um sujeito implicante.

Luizianne Lins

A prefeita Luizianne Lins falou ao fim do evento. Antes dela entrar, o rapper Preto Zezé veio dar uma amaciada no público: disse não ser “qualquer administração” que teria a coragem de trazer o “undreground” para o palco principal, etc., e chama a prefeita.

Luizianne entra de calça branca, camisa vermelha e peruca de cabelos pretos. Um grupo pequeno vaia; outro menor aplaude: a grande maioria fica indiferente. A prefeita atribui à gestão dela o fato de agora Fortaleza ter Carnaval, que até pouco tempo não havia, etc. Os vaiadores continuam; ela: “Gente, o show já acabou quem quiser ir embora pode ir”. As vaias aumentam, sempre um grupo pequeno.

Eu acho o seguinte: vaia, apesar de constrangedor, faz parte da democracia e da livre manifestação. O que é impróprio fazer, como muitos faziam, é acompanhar a vaia com o gesto ofensivo de “dar o dedo” [o dedo médio esticado e os demais encolhidos]. Quem faz esse tipo de coisa só pode ser gente desclassificada.

A mais, Luizianne Lins não merece tratamento assim. Quem diz isso é um cara que vem fazendo severas críticas à administração municipal, basta procurar neste blog.

Guarda Municipal

Ao sair, no calçadão, uma surpresa: pensei que o Pelotão da Choque da PM havia sido chamado para ajudar na segurança. Mas eram homens da Guarda Municipal, em uniformes de camuflagem, parecidos com aqueles usados militares do Exército.

É um troço muito estranho: se a Guarda Mucipal tem atribuições definidas na lei; se é uma guarda comunitária, por que seus integrantes se vestem com fardas de combate na selva? É assustador e ridículo.

…….

*Erramos [vergonhoso]: Às 12h37min de 17/2. Antes eu tinha anotado o nome de Fred Zero Quatro. A correção foi do Renato e da Amanda [comentários abaixo]. O Fred é de outra banda de manguebeat, a Mundo Livre S/A, como eles me alertaram. Pois é, os estudantes não entendem de sinal de crase, em compensação eu sou um verdadeiro Zero em matéria de música. : ) Agradeço a eles.

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07.02.10 22:37

Prefeita Luizianne Lins fala sobre estaleiro

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Arte: Hélio Rôla

Arte: Hélio Rôla

O jornal O POVO em seu “Assunto da semana” abordou a possível construção de um estaleiro na Praia do Titanzinho, no Serviluz, tem que vem mobilizando debates na cidade. A tradicional enquete semanal do O POVO ouve seis pessoas sobre determinado assunto.

Veja as opiniões opostas de Adahil Fontenele [secretário da Infraestrutura do Estado do Ceará] e da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins:

Adail Fontenele

«Existe um ponto fundamental nessa discussão: o único lugar possível para a instalação do estaleiro é o Serviluz. A população será ouvida sobre esta decisão. Sua implantação gerará 6.200 empregos, sendo 1.200 para a população local, além de outros benefícios sociais, como a qualificação profissional. Não será necessário o deslocamento de nenhuma família da área e, também, será possível compatibilizá-lo com outras iniciativas urbanistas, considerando a existência do Porto e de outras indústrias instaladas ali há muitos anos. O transporte da matéria-prima será pelo mar, portanto, sem congestionamento de tráfego. A prática do surfe terá continuidade. Homens e mulheres, jovens e adultos ali residentes serão favorecidos.»

Luizianne Lins

«Além dos aspectos técnicos e ambientais que envolvem um estaleiro, já expostos pela comunidade acadêmica e científica, esse empreendimento comprometeria uma série de iniciativas da Prefeitura de Fortaleza que envolvem o litoral de maneira integrada. Ações que, inclusive, já estão em andamento à luz do Projeto Orla, como o Vila do Mar, a requalificação da Praia de Iracema e da Beira Mar, dentre outros. Além disso, propomos a criação de um parque marítimo na Praia Mansa, aberto à comunidade, que se integraria ao Titanzinho e ao Farol Velho do Mucuripe – que será requalificado -, bem como ao Aldeia da Praia, projeto de requalificação urbana do Serviluz que está em fase de captação de recursos. Ou seja, um estaleiro no local iria contra as nossas perspectivas de desenvolver a região aproveitando seu potencial turístico e belezas naturais.»

Veja a opinião das demais pessoas ouvidas.

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30.01.10 23:09

Cid Gomes faz ofensiva para construir estaleiro no Titanzinho

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

Estaleiro & Surf, na visão de Hélio Rôla

Estaleiro & Surf, na visão de Hélio Rôla

Abordei pela primeira vez a possibilidade de se instalar um estaleiro para a construção de navios para a Petrobras na Praia do Titanzinho neste post [embaixo do qual há linques para outros em que falei do assunto]. Devido às características do bairro Serviluz, onde fica a Praia do Titanzinho, defendi que o equipamento fosse instalada em outro local, como o Porto do Pecém, por exemplo.

No retorno das férias pego de proa a ofensiva política do governador Cid Gomes para instalar o estaleiro no Titanzinho, entre a Beira Mar e a Praia do Futuro, dentro da cidade, um local que me parece inadequado para equipamento de tais proporções.

Vontade

A disposição do governador é tanta em defender o empreendimento no Titanzinho que ele saiu de uma posição de “não leio jornais” no início de seu governo para uma visita ao O POVO, munido de seu indefectível notebook, seus precisos gráficos e sua lógica de engenheiro.

Foi peremptório ao dizer que “não existe mais a alternativa Pecém”; ou se faz no Titanzinho ou o Ceará perde o estaleiro. Afirmou que, devido as características do porto do Pecém o projeto encareceria R$ 300 milhões. Que o estaleiro poderia conviver com as atividades de surfe desenvolvidas no Titanzinho e que não inviabilizaria o projeto da Prefeitura de transformar o o bairro Serviluz em área turística, com espaço para shows, etc.

Afirmou – um argumento recorrente – estar “imbuído [...] da melhor das intenções”, pois o estaleiro geraria “oportunidade de trabalho” para os cearenses, especialmente aos moradores do Serviluz, um bairro habitado por população de baixa renda.

Das boas intenções de Cid Gomes não há motivo para duvidar, mas esse é um argumento irrelevante no debate, mesmo porque, quem defende a instalação do equipamento em outro local, deve ter os mesmos sentimentos do governador.

Com a mesma determinação de propósito, Cid já atropelara a, digamos assim, liturgia que deve reger a relação entre o poder estadual e o municipal e convidou vereadores representantes do Serviluz, junto com o presidente da Câmara, Salmito Filho [PT] para uma conversa. Isso antes de falar com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, sua aliada política – e do mesmo partido do presidente da Câmara.

Batendo bumbo

Salmito saiu do encontro com o governador batendo bumbo a favor do projeto. Ele preferiu priorizar a disputa – por ora surda, por vezes aberta – que mantém com a prefeita e sua colega de partido a manter uma postura um pouco mais prudente que se esperava de quem dirige o poder legislativo municipal, por onde o debate forçosamente passsará.

Ressalvando ou para além das boas intenções que movem os que se envolvem neste debate, sobram os argumentos técnicos e sociais: incluindo a questão ambiental, geração de emprego, alternativa de renda para os moradores etc. Enfim, qual a alternativa melhor atende aos interesses da população fortalezense e, mais especificamente, dos moradores diretamente envolvidos na questão?

De qualquer modo, creio que o debate tem de avançar mais, sem ameaças do tipo “tudo ou nada” e sem preconceitos contra o “poder econômico”; pois somente grandes investidores é que podem fazer um estaleiro de tal porte. E, também, sem o preconceitos de classificar como “românticos” [se é que ser romântico é algo negativo] aqueles que defendem propostas alternativas para o Titanzinho.

Perguntas

1. A construção de um estaleiro é fator de degradação do meio ambiente?

2. É possível conciliar o projeto do estaleiro com a proposta que a Prefeitura tem para o local?

3. Será possível a continuidade de projetos sociais – ligados ao mar – hoje existentes no Serviluz?

4. Considerando toda a costa cearense somente na Praia do Titanzinho é possível construir um estaleiro?

5. Mesmo que o projeto encareça R$ 300 milhões não seria economicamente viável encaminhá-lo para o Pecém já que a Prefeitura também promete fazer um projeto turístico no Serviluz – ficando assim o Ceará com dois projetos geradores de emprego e renda?

Comentário

Ainda existe outra questão, a Prefeitura diz ter um projeto para o Serviluz e Titanzinho, mas até hoje ninguém o viu. Portanto, é preciso apresentá-lo para mostrar o que a administração municipal pretende fazer lá: os equipamentos que pretende construir, o benefícios que terão os moradores, quando custará projeto, quando ficará pronto, etc.

Caso contrário, será a disputa de um projeto com preço, prazo e objetivos determinados contra a vaga idéia de transformar o Serviluz em um lugar idílico, para não dizer “romântico”. : )

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28.12.09 10:30

Líder da prefeita faz leitura tortuosa de pesquisa e diz que Luizianne está entre prefeitos mais populares do país

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 10 Comentários

O POVO publica hoje Luizianne cai no ranking de prefeitos, matéria sobre a pesquisa do Datafolha, em que a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins [PT] fica em sétimo lugar entre nove capitais pesquisadas.

Comentei o assunto ontem, no post Luizianne cai no ranking do Datafolha, alertando que a pesquisa  não autorizava “análise” de adversários políticos dizendo que a prefeita estaria em “antepenúltimo” lugar em um ranking de prefeitos, pois foram pesquisada nove capitais. Ou seja, ela é a antepenultima entre as cidades objeto da pesquisa e não entre todas as cidades e nem mesmo entre todas as capitais.

Mas, não é que análise do tipo foi feita pelo líder da prefeita na Câmara dos Vereadores, Acrísio Sena, só que em mão inversa?

Veja o que disse o líder da prefeita ao O POVO:

«O líder da prefeita no Legislativo, vereador Acrísio Sena (PT), recebeu com tranquilidade o resultado da pesquisa. Na visão do petista, é apenas “o reflexo de um momento conjuntural”. Ele também afirma ser relevante a prefeita aparecer entre os nove prefeitos mais populares do Brasil, levando em conta a difícil realidade das prefeituras do Nordeste. “Antes de 2012, o perfil melhora novamente, quando serão entregues, por exemplo, o Hospital da Mulher e a nova Beira-Mar”.»

1. É óbvio que a prefeita não está entre os “nove prefeitos mais populares do Brasil”, pois só foram pesquisada nove cidades [capitais] entre os mais de cinco mil municípios existentes no Brasil.

1.1. Mesmo que Luizianne Lins tivesse tirado nota  zero, ela apareceria na lista das nove cidades pesquisadas.

1.2. Sou capaz de dizer que, com a nota de 5,1 que a prefeita tirou, dificilmente ela estaria entre “os prefeitos mais populares”; ficaria do meio – no máximo – para o fim.

2. Portanto, ou o líder da prefeita não sabe do que está falando; ou sabe mas é dado a mistificações; ou pensa que os [e]leitores são abestados.

Ou talvez, seja fruto do descolamento da realidade que vem atingindo a administração municipal.

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27.12.09 20:40

Luizianne Lins cai no ranking do Datafolha

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Prefeitos - Ranking DatafolhaAlertado por um post no blog Política do O POVO fui verificar a pesquisa do instituto Datafolha que pôs a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins [PT] em sétimo lugar entre nove capitais pesquisadas.

Publicada no jornal Folha de S. Paulo,  um resumo da pesquisa pode ser visto na Folha Online, cuja tabela reproduzdo ao lado.

Antes que apareçam análises dizendo que a prefeita está em “antepenúltimo” lugar entre os prefeitos, observe-se que foram pesquisadas apenas nove capitais. Ou seja, Luizianne Lins é a sétima entre as cidades pesquisadas, que foram nove capitais.

Feito o esclarecimento, obviamente não é confortável da administração municipal. Se a prefeita fosse aluna de uma das escolas municipais, ela ficaria de “recuperação” e – por muito pouco – não ficariam com uma nota “vermelha” no boletim.

Além disso, a prefeita está escorregando velozmente no índice do Datafolha: no fim do primeiro mandato, estava em quarto lugar; no mês de março deste ano, desceu duas posições ficando em sexto, agora, cai para a sétima posição.

Seu índice de rejeição é de  36%; de aprovação 33%, com margem de erro de cinco pontos percentuais.

A queda que a prefeita Luizianne Lins vem sofrendo no índice do Datalho é o retrato de sua administração.

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02.12.09 09:25

IPTU: o socialismo canhestro da Prefeitura de Fortaleza

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

De princípio não sou contra o reajuste do IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano], pois, comparado ao IPVA [Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotores], por exemplo, não é um imposto caro. O IPVA de um carro médio é mais alto do que um bom apartamento, bem localizado

Portanto, sou a favor de dar isenção para quem tem imóveis de baixo valor e cobrar mais daqueles que são mais caros. Como é a tabela do Imposto de Renda, por exemplo.

Agora, a proposta da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins [PT] de cobrar mais de quem tem “mais posses” ou de quem tem mais imóveis – e chamar isso de “princípio socialista”, denota um certo alheamento da realidade. [Veja matéria no O POVO]

Porque:

1. Cobrar mais de quem tem mais posses: qual seria o critério? A Prefeitura vai cruzar dados do Imposto de Renda? A Receita Federal permite isso?

2. Cobrar mais de quem tem mais imóveis: obviamente, quem tem muitos imóveis, não os usa todos. Aluga-os. E não existe um único proprietário que arque com as despesas do IPTU; contratualmente, transferem a responsabilidade para os inquilinos.  Assim, a proposta “socialista” da prefeita não vai triscar nos proprietários e vai arrochar os inquilinos.

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17.09.09 09:57

Titanzinho x estaleiro: governador Cid Gomes não fala; seus auxiliares agem

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

O jornal O POVO traz, na edição de hoje, declaração das duas maiores autoridades do Estado do Ceará sobre a falada instalação de um estaleiro [pra construir navios para a Petrobras] na Praia do Titanzinho, no bairro Serviluz.

Primeiro é o governador Cid Gomes [PSB] afirmando que não dará declarações sobre o assunto enquanto não existirem “fatos concretos” sobre os quais possa opinar.

Depois, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins [PT], diz que, “a oprincípio”, é contra, pois o estaleiro concorre com o seu projeto de integrar a orla marítima, mas disse que vai falar com o governador sobre o assunto. Conhecendo-se o modo de trabalho de prefeita – e a sua origem nos movimentos sociais – é bem possível que ela consolide a opinião contra a construção do estaleiro.

Contradição

Mas, o que soa estranho é a afirmativa do governador, de que não vai opinar sobre o assunto por não existir um fato concreto.

Se o governador não quer opinar, ele precisa então avisar os seus auxiliares da Adece [Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará], que são nomeados por ele, e, supõe-se, devem obediência às suas diretrizes.

O presidente da Adece, Antônio Balhmann, pelo menos desde de agosto, vem defendendo com veemência a construção do estaleiro na Praia do Titanzinho, mesmo sem a existência de “fatos concretos”.

Segundo informa a coluna Vertical S/A, assinada por Jocélio Leal no O POVO, o presidente da Adece já disse que o estaleiro “não move uma palha do local” [a Praia do Titanzinho].

Na terça-feira [15/9] houve uma audiência Pública na Câmara Municipal para debater o assunto. E lá estava Eduardo Neves, diretor da Adece, acompanhado de Paulo Haddad,  representante da empresa PMJR, que vai participar da licitação para a construção do estaleiro.

A própria Adece informa em sua página na internet: “O diretor da Adece, Eduardo Neves e o controlador da empresa PMJR, responsável pelo empreendimento, Paulo Haddad, explicaram aos participantes características do projeto”.

O governador, na matéria citada acima, diz que só vai discutir o assunto “se ganhar o projeto virtual” [as empresas vão apresentar propostas de construção do estaleiro].

Ora, mas parece óbvio que decidir se se quer ou não o estaleiro teria de preceder a decisão de participar ou não da concorrência. Por que a Adece se envolve em um projeto que depois será descartado? Por que a Adece se associa a uma das empresas que participarão da licitação [suponho que haverá outras]?

Se uma empresa do porte de uma empresa que tem condições de construir um estaleiro entra em um processo desses não o faz para “testar hipóteses”. Certamente, quererá garantias que seus esforços terão consequencia.

Creio que o debate tem de ser feito e seria interessante que o governador manifestasse a sua opinião sobre o projeto, que ele há de ter uma.

Agora, se o próprio governador não quer falar sobre assunto de tamanha importância e impacto na vida da cidade, parece indevido que auxiliares dele o façam, sem a menor cerimônia.

Veja mais sobre debate a respeito do estaleiro:

Somos soldados do bem.
Estaleiro x Titanzinho. [Com belas fotos do local]
Protesto no Serviluz.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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