Plínio Bortolotti

05.12.09 22:21

Lampião e seus perseguidores

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Esta é a 10ª história sobre o cangaço do livro “No tempo de Lampião”, de Leonardo Mota, no próximo domingo, conclui-se a série.

Saiba mais sobre Leonardo Mota e as hisórias que venho publicando:

O príncipe; Para tirar a raça; O castiçal; Quem escreveu a patente de Lampião;
A morte do Jararaca; O troféu; Brincadeira de Homem;
A prisão de Antônio Silvino; Um precursor de Lampião.

O texto que se segue mostra que mestre Leota, mesmo considerando Lampião um bandoleiros – não um “bandido social” – não compactuava com as arbitrariedade da polícia que lhe dava perseguição e nem lhe aliviava cíticas aos agentes do governo.

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Lampião e seus perseguidores

Enrolei o meu cigarro de palha e pedi ao fazendeiro em cuja casa me hospedara me dissesse o que pensava das polícias que dão combate aos cangaceiros. Ele entupiu as ventas com uma pitada de “torrado” rescendente a cumaru, limpou o bigodão com a manga da camisa, aprumou-se na tripeça e não tardou em me dizer:

- Quero mais ante me ver neste ôco de mundo, às volta com bandido que com soldado de poliça. Me creia que os mata-cachorro, quando sai da capital, vem com o pensamento fixe em que todo matuto protege cangaceiro. Querem, por fina força, que a gente descubra o roteiro dos criminosos. Se o freguês diz que ignora, apanha pra descobrir; se descobre, também apanha, porque é sinal que, conhecendo, protege quem eles caçam. Não tem pronde correr: ninguém escapa…

- E os bandoleiros?

- Abém, esses estão no seu papel. Assim mesmo, tem vez que a questão é se saber tirar eles com jeito. A não ser um ou outro cabra desalmado, eles só fazem mal a nós quando andam aperreados pela poliça, quando desconfiam que se deu notiça deles à tropa do Governo, ou quando, precisando de dinheiro, sabem que o sabagante tem em casa, mas não dá porque não quer.

- Admiro-me de o Sr. falar assim: tenho sabido e apurado tanta crueldade de Lampião…

- Sim, me entenda: eu falo do tempo de Antônio Silvino, Luís Padre, Sebastião Pereira e outros, pois esse tal de Virgolino, com a graça de Maria Santíssima, nunca me apareceu aqui, não. Vejo se dizer que esse Lampião é um satanás de perverso…

- Mas, se os policiais cometem absurdos, por que os senhores não os denunciam às autoridades?

- Só se se fosse maluco! Ter questão com soldado é ter questão co Gunverno e ter questão co Gunverno é não ter amor à vida. Um Tenente no sertão manda mais que um Juiz de Direito. Se dependesse de mim, o Gunverno não mandava força pro interior. A gente ficava só com os cangacero, era só uma desgraça, em vez de duas. Quer que lhe seja franco? Muito desprepósto, muito abissurdo que se cuida, por aí afora, que foi feito por cangacêro, uma óva: foi, mas foi pela poliça!

- Por que, neste caso, os senhores não tratam de restabelecer a verdade? Continuar lendo

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Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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