24.01.12 13:51
Férias no Ceará & estorvo acústico
Do artista plástico Hélio Rôla, que refugiou-se na Lagoa Redonda em busca de sossego, mas encontrou barulho nos céus e terras, recebi o texto abaixo e o mapa acima.
«Férias no Ceará… Por conta de som excessivo oriundo do Recreio Clube de Campo (Av Recreio, 1090 – Lagoa Redonda, Fortaleza – Ceará) certas áreas da Lagoa sofrem, ultimamente, com o som abusivo “dos forrós do domingo” que somente terminam na madrugada de segunda-feira em meio à uma barulheira infernal bradando aos céus e uma gritaria sem fim, chegando mesmo a incomodar, pela sua duração de horas, mais do que os aviões da madrugada. Que coisa, não é?…
Enfim, pela distância entre a casa de show … e onde resido, 1,5 km, como pode ser visto no mapa Google, fica claro que o clube comete abuso socioambiental de expressiva abrangência… É muito provável que, fora a falta de alvarás e outras exigências, o estabelecimento não disponha de instalações adequadas para esse tipo de show, isto é, com tanto som à solta e, por isso, não obedeça as Leis Municipais quanto a conveniência do silêncio urbano no viver humano…
As casas de show de Fortaleza quase sempre deixam que seu “negócio cultural” se torne, como é de praxe, um estorvo para a vizinhança inocente que não tem nada a ver com os esses negócios… É uma história antiga, e por se tratar de um franco desrespeito aos direitos da humanidade dei ciência do fato à Semam em uma denúncia de Poluição sonora. Hoje, dia 24 de janeiro de 2012.
“O silêncio é um bem comum, o barulho, não”…
Poluição Sonora – Semam 3452.6923/6927»
*O título do post também é de autoria de Hélio Rôla.
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06.11.11 21:41
VídeoRôla protesta contra zoada aérea
O artista plástico Hélio Rôla, um homem em busca do sossego, resolveu inovar. Além de sua expedita Rolanet, na qual senta o pau no barulho aéreo que lhe atenaza o juízo lá pelas bandas da Lagoa Redonda, onde ele foi se refugiar – depois de fugir da Praia de Iracema – agora resolveu aumentar a amplitude de seu protesto: foi para o Yotube, criando uma espécie de VídeoRôla ou RôlaTV.
Fez uma colagem de suas criações artísticas, as quais qual distribui pelo canal competente (a prefalada Rolanet) e postou no Youtube, com música de fundo, esperando – penso eu – ques as “autoridades” seja cegas, porém não surdas.
O nome é Rolamovie
[Errei nos dois possíveis nomes da nova arte de Hélio Rôla. Abaixo, publico o e-mail que ele me enviou hoje, 7/11/2011.]
“Plínio, mais uma vez te agradeço a força e a oportunidade dada na qual foi lançado o “rolamovie”… Gostei, mas vou ter que estudar e me aplicar… pois mais avião vem aí… Com a indevida(? ) ampliação do aeroporto estamos, expressiva parte da população, experimentando o inusitado. A manhã toda, a partir das 5h até 11 horas, um silêncio paradisíaco jamais sentido. Vivido. Em troca de um barulho infernal (de uns 100 decibéis) quase contínuo, a partir de meia-noite até o dia clarear… Isso é guerra contra as pessoas, a paisagem e o sossego… Um mercantilismo criminoso, fora da lei e sem dúvida hediondo pelo seu carater recursivo. Manhã, tarde e noite…Todo dia. Prometendo sempre mais. Uma bestialidade sem limites. Saudações da pARTE do Hélio Rôla.”
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05.07.11 11:30
Em homenagem à temporada turística, a arte e o texto de Hélio Rôla
Com a entrada do período de férias, abre-se a temporada turística no Ceará, que faz a alegria dos comerciantes e do “trade” turístico.
Do seu refúgio na Lagoa Redonda – por onde sobrevoam garças e outros bichos maiores e mais barulhentos (por sobre as cabeças os aviões) -, Hélio Rôla, lembra do tempo em que a Praia de Iracema era apenas um recanto bucólico de boêmios e da vagabundagem inofensiva.
Turismo vaca-louca ou neo-boemia
Hélio Rôla
A praia de Iracema, em Fortaleza-Ceará, já foi um modesto, bucólico e poético eldorado boêmio à beira-mar, ao som de um plangente violão, sob o céu estrelado e a luz do luar. Com a chegada da cultura dura e bronca do SOMZÃO nos anos 90, ela foi rendida e condenada ao som de muitas bandas bundas e passou por uma profunda transformação.
Surgiu então uma praia louca, só barulho e carro e foi, antes de morrer, palco do doloroso massacre cultural Tchan-Cult de Mar-a-Bar que todos viram. Tomara que ela logo ressuscite enquanto as ondas do turismo batem no inútil “paredon” para vermos a agitação dos peixinhos fora d’agua…ao por do sol.
Saudações da pARTE do Hélio Rôla
rolanet.blogspot.com
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26.06.11 00:14
Humano feito vaca e em nome da galinha
O artista plástico Hélio Rôla, que lá pelas bandas da Lagoa Redonda perscruta o infinito, enquanto os aviões lhe atenazam o juízo, está intensificando a sua campanha contra o barulho aéreo a que os moradores são submetidos.
Cansado de apelar para o habitar humano, resolveu pôr os bichos na parada, do mesmo modo que fez o advogado Sobral Pinto, quando apelou para a Lei de Proteção dos Animais para que seu cliente, Luiz Carlos Prestes, tivesse tratamento digno na prisão em que estava.
Segue o texto do Hélio Rôla
Agressão acústica, humano feito vaca?
A partir de 55 decibéis, em casos de exposição constante ao barulho, as pessoas começam a manifestar sintomas de estresse, depressão, insônia e agressividade. Os riscos de infarto aumentam em 10 por cento para os que estão expostos a sons freqüentes na faixa de 55 a 75 decibéis. Acima de 75 decibéis, as possibilidades de infarto são 20 por cento maiores.
Experiência feita com uma vaca demonstra a gravidade da poluição sonora. Depois de receber 90 decibéis de som por um minuto, o animal passou 30 horas em total desequilíbrio orgânico. A vaca teve alterados seus níveis normais de colesterol e cortisol. Em outra pesquisa, jovens de 23 anos foram expostos a sons de 85 a 90 decibéis. Eles tiveram seu cortisol aumentado em até 68 por cento. O nível do colesterol subiu 25 por cento”
Integrante do Instituto de Pesquisas sobre o Cérebro da UNESCO, sediado em Paris, o prof. Fernando Pimentel, da UFMG, mostrava-se à época, preocupado com a qualidade do sono do brasileiro. Segundo ele, as pessoas não têm consciência de que sua insônia pode ser causada pelo excesso de barulho do dia-a-dia. Colhi esse comentário no jornal O POVO de alguns anos atrás. E então, humano vira vaca, depois da poluição sonora aeronáutica?
Saudações da pARTE do Hélio Rôla
Para aderir à campanha contra o barulho aéreo
Poluição sonora e aviação comercial em Fortaleza (abaixo-assinado)
Para seguir Hélio Rôla
Rolanet (blog)
Twitter
Veja outra: “Em nome da galinha”
08.06.11 10:06
Do artista plástico Hélio Rôla, o pensador-ermitão da Lagoa Redonda, recebi texto e ilustração
“Sem mídia não há poder e sem poder não existe mídia. É o que dizem. Mas, uma mídia ativa não é necessariamente indício de democracia, pelo contrário, quando ela se alia e se torna a alma e a própria essência do poder ela somente promove e alardeia tiranias.” Sol Ralo
Antes que alguém pergunte
Não concordo, necessariamente, com tudo o que o Hélio escreve, mas respeito tudo o que ele diz. Além de admirar toda a arte que acompanha os seus ditos.
07.05.11 18:34
“Intervenções autoritárias não podem consertar sociedades autoritárias”
Do artista plástico Hélio Rôla, que matuta sobre os destinos do mundo nos matos da Lagoa Redonda, recebi texto e ilustração.
Intervenções autoritárias não podem consertar sociedades autoritárias
“Um relatório da OMS de 1962 dizia que depois de três mil anos antes de Jesus Cristo, a humanidade flutuava sobre três bilhões e oitocentos milhões de mortos empilhados nos campos de batalha do que chamamos, com orgulho, nossa história.
Existem atualmente seis e meio bilhões de humanos vivos: mais da metade desse número passaram, na história, pelas armas, em combate. Somos melhores do que os ratos. Tal dilúvio de corpos assusta. Sobre esse crescimento angustiante de cadáveres, construamos uma arca. Quem embarcar?” [Michel Serres, La Guerre Mondiale, Éditions Le Pommier, 2008]
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20.03.11 19:19
“Cultura do turismo, a nova barbárie?”, pergunta Hélio Rôla
Quando termina mais uma “alta estação” turística em Fortaleza, nada como ler o texto (e ilustração) que Hélio Rôla nos envia. Os trechos são de Nietzsche, escritos no século retrasado, mas parece que foram feitos ontem.
Hélio Rôla, expulso da Praia de Iracema pelo turismo selvagem, segundo anunciou quando deixou sua antiga morada, mudou-se para a Lagoa Redonda, de onde filososfa com os aviões roçando-lhe a cabeça.
Vespas em voo
«À medida que andamos para o Ocidente se torna cada vez maior a agitação moderna, de modo que no conjunto os habitantes da Europa se apresentam aos americanos como amantes da tranqüilidade e do prazer, embora se movimentem como abelhas ou vespas em vôo. Essa agitação se torna tão grande que a cultura superior já não pode amadurecer seus frutos; é como se as estações do ano se seguissem com demasiada rapidez. Por falta de tranqüilidade, nossa civilização se transforma numa nova barbárie. Em nenhum outro tempo os ativos, isto é, os intranqüilos, valeram tanto. Logo, entre as correções que necessitamos fazer no caráter da humanidade está em fortalecer em grande medida o elemento contemplativo. » Nietzsche (1878)
As pessoas se envergonham do descanso
«Há uma selvageria pele-vermelha, própria do sangue indígena, no modo como os americanos buscam o ouro: e a asfixiante pressa com que trabalham – o vício peculiar ao Novo Mundo – já contamina a velha Europa, tornando-a selvagem e sobre ela espalhando uma singular ausência de espírito. As pessoas já se envergonham do descanso; a reflexão demorada quase produz remorso. Pensam com o relógio na mão, enquanto almoçam, tendo os olhos voltados para os boletins da bolsa – vivem como alguém que a todo instante poderia “perder algo”. “Melhor fazer qualquer coisa do que nada” – Este princípio é também uma corda, boa para liquidar toda cultura e gosto superior. Assim como todas as formas sucumbem visivelmente à pressa dos que trabalham, o próprio sentimento da forma, o ouvido e o olho para a melodia dos movimentos também sucumbem. [...] Pois viver continuamente à caça de ganhos obriga a despender o espírito até a exaustão, sempre fingindo, fraudando, antecipando-se aos outros: a autêntica virtude, agora, é fazer algo em menos tempo que os demais.» Nietzsche (1882)
[São meus os grifos e subtítulos.]
07.03.11 19:23
No barulho, Hélio Rôla pensa sobre o silêncio
Do artista plástico Hélio Rôla, que contempla o mundo da Lagoa Redonda, clamando por silêncio, recebi texto e arte.
Emprenhados pelos ouvidos
Se já não há silêncio em casa, no vizinho, na rua, na praça, na escola, no canil, no hospital, na UTI, no trabalho, no carro, no bar, no carnaval…no bordel… no céu cheio de aviões, na cidade dotada de lixo, no país inteiro que se desmata, nos parlamentos ideologicamente ruidosos e no mundo suicida ao largo… onde é mesmo que iremos encontrar um lugar de fato silencioso que nos deixe deveras pensar? Silêncio, logo penso?
Saudações da pARTE do Hélio Rôla
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http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6283
19.01.11 10:47
Hélio Rôla continua a sua peleja contra o barulho aéreo
De Hélio Rôla, o artista-pensador que vigia os céus da Lagoa Redonda, recebi texto e imagem, com entretítulos de minha responsabilidade.
«Abuso socioambiental de origem aeronáutica
… 311 dias atrás, no Grande Debate da TV O Povo, em 13 de março de 2010… o representante da INFRAERO se deu ao desplante e disse para a audiência da TV O Povo, audiência nada desprezível em número e apercebimento, que nessa imensa Fortaleza somente eu, “seu” Hélio Rôla é que reclamava do barulho dos aviões…Lembram disso?
Tirania empresarial
Ignomínia, é o nome que dou a esse comentário maldoso…bem revelador da conduta pirata que alicerça a fortuna da aviação comercial, aqui e alhures, isto é, irresponsável quanto às conveniências socioambientais e legais… Isso é tirania empresarial da boa e não é nada trivial esse meu empenho – nosso -, quero dizer, em deixar claro que nos deixamos levar pela tirania empresarial fazendo crer, quando não pedimos respeito ao nosso direito por sossego, que o avião somente traz benefícios…Progresso assim não é progresso, é aviltamento do habitar humano, aviltamento da cidadania, o avião é uma coisa e a empresa aeronáutica é outra, bem diferente.
Birra?
Bom, voltando aos aviões…Desde então, depois desses 311 dias uns 18.660 aviões continuaram, como antes faziam, durante as 24 horas, aloprando, voando baixo e despejando danosa poluição acústica e borrifo químico nada saudável sobre uma expressiva parte da cidade que insiste em se chamar de bela… Bela com céus empestiados?..Para ilustrar o infortúnio que isso representa tivemos desde aquela entrevista até agora 3.421 vôos somente durante as madrugadas… Pouca coisa? Birra minha?… Quem decide?
Ministério Público
O Ministério Público vai se manter, como tem feito até agora, em silêncio em meio a tanto barulho e ilegalidade?…Meu Deus! Sinal dos tempos? Aqui posso afirmar que se algum resultado sensato e legal surgir não tenho como não dizer que eu e muitos outros que sofrem e se rebelam contra essa agressão estamos dia e noite zelando pelo bem-estar de muitos também…por quê não desejar aos amigos fortuna e paz ambiental?
Saudações da pARTE do Hélio Rôla.»
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28.11.10 22:48
Reproduzo na íntegra mensagem que recebi do artista plástico Hélio Rôla (incluindo ilustrações). Ele se refere a uma queixa que fez ao Ministério Público Federal a respeito do barulho excessivo provocado por aviões que voam em baixa altitude sobre vários bairros nas proximidades do aeroporto Pinto Martins, incluindo a Lagoa Redonda, onde Hélio mora e de onde costuma expedir a Rolanet, seu famoso e iconoclasta informativo.
Bullying socioambiental
«Ao completar 2 anos da denúncia… eis uma boa notícia vinda pela internet… da parte do Ministério Público Federal (MPF) Procuradoria da República no Estado do Ceará, para os habitantes de Fortaleza e nesse caso mais ainda para aqueles que vivem sob as rotas aéreas e sofrem do “Bullying Socioambiental” cotidiano de origem aérea advindo da aviação comercial que tem como base o aeroporto Pinto Martins, um aeroporto operando nos seus limites, localizado no coração da cidade…
Nesse pequeno trecho adiante do documento, de 12 de fevereiro de 2010, vê-se o MPF “…( -Recomendação nº 08/2010 para ANAC. – Sede da PR/CE …) RECOMENDAR à Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC para adoção de providências no sentido de solucionar os ruídos no entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins, seja restringindo o horário dos vôos, seja alterando a altitude dos vôos, seja mudando a rota dos vôos ou qualquer outra medida eleita pela Administração Pública com vista ao saneamento do problema do excessivo barulho dos aviões comerciais que utilizam o referido aeroporto, constante do P.A nº 1.15.000.001764/2008-08, em trâmite nesta Procuradoria… Dê-se ciência da presente recomendação ao Gerente Regional da Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC… A presente recomendação constitui em mora os responsáveis pelas providências solicitadas e poderá ensejar o manejo das ações cabíveis contra os que se mantiverem inertes… Concedo prazo de 15 (quinze) dias para que a Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC, por meio de seu Gerente, informe as medidas tomadas para o cumprimento da recomendação…” Continuar lendo
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