Plínio Bortolotti

15.08.11 12:27

“Princípios editoriais das Organizações Globo”: um passo (ainda pequeno) adiante

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Somente agora, 15 de agosto, graças ao feriado de N. S. da Assunção, padroeira de Fortaleza (e também Dia de Iemanjá por essas bandas) é que pude ler com atenção o documento “Princípios editoriais das Organizações Globo”, divulgado no início do mês por todos os seus veículos.

Espera

Houve aqueles que atacaram, como atacam tudo proveniente da Rede Globo; houve os que tiveram optaram pela expectativa do que virá na era pós-compromisso público que as Organizações Globo fazem com seus leitores, espectadores e ouvintes. Eu vou tentar fazer uma análise, que submeto aos eventuais leitores.

Contas

Primeiro, parece óbvio que a mais importante rede de comunicação do país percebeu que não poderia mais continuar agindo como sempre agiu. Ou seja, abster-se de prestar contas de como conduz o seu jornalismo.

Isso, segundo o próprio documento deu-se pela “consolidação da Era Digital”: ou seja, antes o jornalismo era uma via de mão única, uma espécie de “eu falo, você escuta e estamos conversados”. Hoje, o jornalismo tornou-se um diálogo: o receptor tornou-se também um emissor. Por isso, as coisas nunca mais serão como antes.

A Globo tem plena consciência de que é preciso adaptar-se à nova era.

Autorregulamentação

Em segundo lugar, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), depois de um debate interno, resolveu incluir em seu estatuto um capítulo denominado Do código de ética e autorregulamentação, incentivando os seus associados a estabelecerem mecanismos desse tipo. Nesse capítulo, um “parágrafo único” estabelece: “As associadas deverão adotar, de forma transparente, mecanismos e critérios próprios de autorregulamentação, e que sejam de conhecimento do público leitor”.

Portanto, a meu ver, à parte em se ver obrigada a dar respostas a seus críticos que pululam na Internet, as Organizações Globo também quiseram dar o exemplo, como um integrante da ANJ, da qual seu jornal é um dos filiados mais influentes.

Debate

Porém, o máximo a que a ANJ conseguiu chegar foi a essa leve sugestão aos seus associados. Observem que o “parágrafo único” soa como um mero conselho e não como uma obrigação. Assim, ficará a cargo de jornais – que, até hoje, não se preocuparam em adotar nem mesmo um ombudsman ou Conselho de Leitores -, a decisão de estabelecerem “mecanismos de autorregulação”.

A proposta da ANJ é muito débil para responder ao movimento, cada vez mais crescente, que exige um estatuto de regulagem para os meios de comunicação do país.

Conselho

O teto será, portanto, documentos como esse da Globo, que são cartas de intenções. A ANJ deve ao público leitor algo mais firme nesse sentido, estabelecendo, por exemplo, algo como o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Mecanismo que já existe em vários países do mundo, que é um conselho ao qual, quem se sentir ofendido por algum veículo de comunicação possa recorrer, sem precisar apelar para um processo judicial.

Princípios

Dito isso, não resta a menor dúvida de que o fato de as Organização Globo se sentirem no dever de emitir um documento desse tipo é algo de importância, um pequeno passo, é verdade, mas relevante.

Eu li o documento todo, e é uma boa peça de como se deve fazer jornalismo – e de como os jornalistas devem se comportar em diversas situações. Eu recomendo a sua leitura a todos os estudantes e também a profissionais. Há o que aprender no texto.

Queixas

E, a partir de agora, os leitores, ouvintes e telespectadores das Organizações Globo terão algo a que se apegar quando quiserem fazer alguma crítica. O documento oferece uma boa base para se cobrar que a Globo faça jornalismo com isenção e de interesse público.

[Obs. O POVO criou o cargo de Ombudsman em 1994, função que existe em apenas dois jornais do país (o outro, a Folha de S. Paulo); desde de 1998, funciona um Conselho de Leitores, com 15 integrantes, eleitos pela Redação do jornal. Sua Carta de Princípios e seu Código de Ética datam de 1989.]

Veja o documento: “Princípios editoriais das Organizações Globo”. Continuar lendo

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10.04.11 22:33

Novelas: Lauro César Muniz solta o verbo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Para quem gosta de novela – para fruí-las ou estudá-las (ou ambas) – pode baixar gratuitamente o livro Lauro César Muniz solta o verbo.

Autor teatral, de novelas e minisséries, Lauro trabalhou nas principais emissoras de TV do país. Na Globo ficou por  mais de 30 anos – e, no livro, relata a sua polêmica saída da emissora.

A obra é da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. No site, encontram-se para download gratuito biografias de artistas, cineastas e dramaturgos, além de roteiros de cinema, peças de teatro e a história de diversas emissoras de TV.

Resenha

A resenha do livro publicado no site da Coleção Aplauso

«Com impressionante vigor e costumeira sinceridade, este livro relata a trajetória de um dos maiores dramaturgos e autores de telenovelas do Brasil: Lauro César Muniz. É um livro-depoimento ao jornalista Hersh W. Basbaum (que também registrou para a Coleção a biografia de José Renato) ao conseguir apreender o âmago da vida e da obra de Lauro, nascido em Ribeirão Preto, formou-se engenheiro civil e depois em dramaturgia pela EAD de São Paulo.

Ficou conhecido ao escrever para o teatro peças de sucesso como “Este Ovo é um Galo”, “O Santo Milagroso”, “Direita Volver”, “Infidelidade ao Alcance de Todos” e tantas mais.

Estreou como autor de telenovelas ainda na TV Excelsior (em 1966, com “Ninguém Crê em Mim”), trabalhando também para a Tupi (“Estrelas no Chão”) e Record (“Pupilas do Senhor Reitor”, “Os Deuses estão Mortos”).

Mas é na Globo que se consagra primeiro com o seriado “Shazam, Xerife & Cia” (coescrito com Walter Negrão) e depois com enredos inovadores e de sucesso como “Carinhoso”, “O Salvador de Pátria”, “Escalada”, “O Casarão”, “Espelho Mágico”, “Sinal de Vida” e outras. Assim como minisséries (“Chiquinha Gonzaga”, “Aquarela do Brasil”) e diversos trabalhos.

A partir de 2006, passou a cotrabalhar com a Rede Record, escrevendo Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo.»

Neste post mais livros virtuais sobre comunicação e jornalismo que podem ser baixados gratuitamente.

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18.09.10 22:49

Jards Macalé risca o carro de Tadeu Schmidt, que estacionou na calçada

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 5 Comentários

Por indicação do médico Armênio Santos, um dos comentadores eventuais deste blog, cheguei à seguinte preciosidade, reproduzida do Blue Bus, originalmente da coluna “Gente Boa”, do jornal O Globo:

«Conta hoje Joaquim Ferreira dos Santos em sua coluna Gente Boa no Globo [14/9/2010]: “Jards Macalé ia pela calçada da Rua Maria Angélica, Jardim Botânico, quando foi interrompido por um carro estacionado com as quatro rodas [em cima da

calçada].

Não teve dúvida. Arranhou-o de um lado ao outro – e só nao continuou pelo outro lado porque de dentro do carro, escondido pelo insulfilm, saiu o motorista, de 2m de altura. Começou o bate-boca e a multidao juntou, tomando partido em discursos”.

A cena ficou mais ‘fantástica’ quando surgiu o dono do carro, o repórter Tadeu Schmidt, da Globo. A PM veio em seguida, depois, a Guarda Municipal. A cena se desfez duas horas depois, quando Macalé se dispôs a pagar os danos à lataria do carro (já orçados em R$ 1,000), desde que houvesse multa pelo estacionamento na calçada. O caso está na 15ª DP.”»

Só fiquei curioso para saber se Tadeu Schmidt deu uma de Bozó, o famoso personagem de Chico Anísio: “Eu sou da Grobo”.

[Para quem implicar com a possível dubiedade do título informo que era o veículo, e não o seu proprietário que estava estacionado na calçada, : )]

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11.11.09 20:04

Apagão causa briga entre repórteres da Record e da Globo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 75 Comentários

Quarta-feira, 10 horas, em frente ao Ministério das Minas e Energia, em Brasília:o secretário executivo Márcio Zimmerman prepara-se para uma entrevista à Rede Globo, ao vivo.

Também está lá a repórter Venina Nunes, da Rede Record. O âncora do jornal Hoje em Dia, Celso Zucatelli, a instiga a falar com o secretário. Ela tenta, mas não consegue. Veja por quê.

É uma rusguinha, na grande briga Globo X Record.

[Não me responsabilizo pelo título do vídeo, que está como foi postado no Youtube. Eu já vi outro na internet, cujo final foi cortado, que tem título inverso: "Record tenta invadir link ao vivo e se dá mal". Veja e tire suas próprias conclusões.]

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23.08.09 23:09

Iurd: franceses têm filme "anti-Universal"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

A Folha Online anunciou que a Central Globo de Comunicação teria comprado o documentário “Universal, uma ameaça ao país dos crentes” (“L’Universelle: Une Menace au Paix des Croyants”, no título em francês). Depois, a própria Folha Online publicou resposta da Globo, negando que tenha comprado o filme. Mas a Folha afirma que a emissora tem uma cópia da obra em seu poder.

A informação surgiu logo após o anúncio que a Record comprara o documentário Muito além do Cidadão Kane (1993), uma crítica feroz à Globo, de produtores ingleses.

O documentário “anti-Universal”, uma ataque às práticas da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd),  foi produzido para a TV católica francesa KTO, que o exibiu uma única vez, em 2002.  O filme foi feito por católicos carismáticos.

No filme, segundo a Folha Online, o bispo Edir Macedo, retratado como o líder de uma legião de fanáticos, que leva uma vida de “bilionário”*.

“A gente apertava a mão de Macedo com medo, pois era como apertar a mão do próprio Deus”, depõe em vídeo Marcelo Gonzales, ex-integrante da igreja.

O filme

No YouTube é possível ver um trecho de pouco mais de dois minutos do filme.

Nele aparece um culto da Igreja Universal na França em que o pastor promove uma sessão de “cura” do câncer e da Aids. A narradora diz que os adeptos “acreditam no milagre” e “diabolizam” a igreja católica.

O padre Marcelo Rossi dá depoimento dizendo que “no fundo” a Iurd “não é uma igreja”.

Em outro culto um pastor compara aqules que não querem pagar o dízimo ao marido que “trai a esposa”  ou aqueles que vivem “no pecado da homossexualidade”. Outro pastor achaca os fiéis desafiando-os a pôr dinheiro “sobre a bíblia”.

O depoimento mais contundente é do ex-pastor brasileiro  Marcelo Gonzales, que o filme qualifica como antigo “servidor” da Universal. Ele diz que quando a sua mulher engravidou pela primeira vez ele foi obrigado, pela Iurd, a fazer vasectomia. Segundo ele foram “mais de mil pastores” operados ao mesmo tempo, “sob as ordens do bispo Macedo”. Para Gonzales, “eles” querem cada vez “mais poder político”.

Marcelo Crivella também é entrevistado e diz que “um dia teremos um presidente evangélico”. Crivella é sobrinho de Edir Macedo, bispo licenciado da Iurd, senador da República (PR) – e foi candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro na últimas eleições (ficou em terceiro lugar) (Veja aqui comentário que fiz a respeito do livro “Plano de poder – Deus os cristão e a política”, escrito por Edir Macedo e, no qual ele estabelece um plano para chegar ao poder.

Globo x Universal

O jornal O POVO deste domingo publicou uma boa reportagem, assinada pelo repórter Marcos Sampaio,  a respeito da disputa entre as duas maiores redes de TV do país:

Televisão em péde guerra.
O lado pedagóico do Confronto, texto da professora Cida de Sousa.
Pelo fim dos latifúndios, entrevista com o jornalista José Arbex.
Crônica do perdedor não anunciado, texto da jornalista Ana Ângela Farias.

*[Até 17h41min de 24/8 foi mantido o termo "miliardário", corrigido pelo leitor Wanderley Neves, veja nos comentários.]

Abaixo, o compacto do filme “Universal, uma ameaça ao país dos crentes”.

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21.08.09 09:08

Rede Record compra "Muito além do Cidadão Kane" para atacar a Globo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 7 Comentários

O diabo original? - De Hélio RôlaA Rede Record acaba de comprar o documentário “Muito além do Cidadão Kane” (“Beyond Citizen Kane”) por menos de 20 mil dólares, segundo a Folha Online.

O uso que a Record fará do filme está mais do que explícito: a guera com a Globo, que hoje galvaniza a atenção do público e de especialistas em comunicação.

 Transmitido pela primeira vez em 1993, no Reino Unido, o filme mostra o empresário Roberto Marinho (1904-2003) como ícone da concentração da mídia no Brasil. Essa é a referência a Charles Foster Kane, magnata das comunicações vivido pelo cineasta Orson Welles em “Cidadão Kane” (1941).

Simon Hartog, diretor da obra, morreu em 1992, antes de o trabalho ser exibido. Seu produtor  John Ellis se tornou a partir daí o responsável pelo projeto. Ellis deteve, até o começo dessa semana, o direito de exibição do filme em TV aberta no Brasil, agora na mão da Record.

A produtora independente fez o longa para o canal britânico Channel 4, responsável por sua transmissão (a BBC nunca teve qualquer ligação com a produção, diferentemente do que a própria Record insiste em divulgar).

Em entrevista ao caderno “Mais!” (da Folha de S. Paulo) publicada em fevereiro do ano passado, Ellis revelou que tanto Globo quanto Record tentaram comprar os direitos do filme nos anos 90  – a primeira para engavetá-lo, a segunda para exibi-lo. Ellis disse também que o documentário nunca foi proibido ou embargado pela Justiça brasileira.

Em outro trecho da entrevista à Folha no ano passado, este inédito, Ellis criticou o envolvimento da Iurd com a Record: “Por que uma igreja deveria gastar seu dinheiro desse modo [em TV] quando há muitos assuntos urgentes que merecem seu dinheiro e atenção? Como eles respondem a isso?”, questionou à época. (As informações e trechos foram reproduzidos de matéria da Folha Online.)

Entre os entrevistados no documentário estão:

 Leonel Brizola (22/1/1922-21/6/2004): “[Roberto Marinho] é uma espécie de Stálin das Comunicações no nosso país: quem não concorda com ele, ele manda para a Sibéria. A Sibéria do gelo; a Sibéria do esquecimento.”

Chico Buarque: “Roberto Marinho é a força política mais importante do país. Nada se faz sem consultar o dr. Roberto Marinho. É assustador.”

Lula (então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo): “A Globo só mentia a respeito da greve; não dava o número de participantes correto; não dava as nossas deliberações corretas. Ela só informava sobre os interesses patronais. Um exemplo: a Globo entrevistava o Lula, falando em nome dos trabalhadores, e entrevistava o Mário Garnero falando em nome dos empresários. No dia da entrevista, só aparecia o Mário Garnero e não aparecia o Lula.”

Lula (em outra parte, em trecho do programa eleitoral do PT de 1989, em discurso enfezado): “E por que que não mostra? Por que o sistema que predomina neste país é um sistema arcaico, onde a minoria pode tudo e a maioria não pode nada.”

O documentário também reproduz trechos do debate entre Collor e Lula e acusa a Rede Globo de ter manipulado a edição em favor de Collor.

Armando Nogueira (então chefe do Departamento de Jornalismo da Globo sobre o compacto do debate apresentado no Jornal Naciona): Diz que “protestou” diretamente com Roberto Marinho criticando a edição do debate, que ele considerou “burra”. Afirma que não viu o compacto antes de ter ido ao ar.

Lula (nos minutos finais do filme): “Democracia pressupõe liberdade de comunicação, liberdade de expressão. E não havrá liberdade de expressão se os meios de comunicação não forem democratizados. Se você tem um  instrumento de comunicação, que por dia, fala com 60, 70 milhões de pessoas, e o controle das mensagens é feito apenas por uma equipe ordenada ideologicamento por um senhor (Roberto Marinho), eu penso que se está descaracterizando qualquer possibilidade de democracia.”

O filme termina com uma pergunta retórica, enquanto baratas cobrem o rosto de Roberto Marinho e o logotipo da Globo, ao som do “plim plim”:

“A Globo começou a dominar a televisão no Brasil durante a ditadura militar. Manteve o silêncio sobre as verdade daquele regime. Agora, está começando a falar mais. Mas será que a Globo e Roberto Marinho podem realmente se libertar dessa herança? Ou será que o Brasil deveria libertar-se da dominação da Globo?”

O perigo é “libertar-se” da Globo e cair nas afiadas garras dos bispos da Record, especialistas em ludibriar a boa-fé de almas simplórias, inclutindo-lhe o fanatismo, enquanto cultuam o deus-dinheiro e cobiçam o poder terreno.

O documentário tem 93 minutos de duração e está disponível no Google vídeos.

(Ilustração: O diabo original? – de Hélio Rôla)

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20.08.09 00:34

Igreja Universal terá de indenizar herdeiros de mãe de santo

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão do próprio colegiado que reconheceu a obrigação de a Igreja Universal do Reino de Deus indenizar em R$ 145,2 mil os filhos e o marido da mãe de santo baiana Gildásia dos Santos e Santos.

Uma foto da religiosa, que morreu em 2000, foi usada de maneira ofensiva no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da Igreja.

A decisão mantida foi proferida pela Turma em julgamento ocorrido no dia 16 de setembro do ano passado. Na ocasião, os integrantes do colegiado seguiram integralmente o voto do juiz convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Carlos Fernando Mathias, que reduziu o valor a ser pago aos herdeiros.

A decisão da 17ª Vara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) havia condenado a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização. (Informações do STJ)

A propósito

Estive ontem no program “Viva Fortaleza” – apresentado por Isabel Andrade -, da TV O POVO falando da disputa entre a Globo e a Record.

Resumidamente, disse o seguinte:

1. Existe uma verdade factual à qual a Rede Record não responde: foi aberto um processo contra o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, e mais nove integrantes por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

2. Que um índice massificante de audiência, em torno de 50% ou 60%, é um malefício para a democracia, sendo dele detentor a Globo (como é hoje) ou a Record (como quer vir a ser). (Em qualquer país democrático o virtual monopólio da audiência seria considerado uma aberração.)

3. Que a radiodifusão (canais de rádio e TV) são concessões públicas, portanto, elas devem prestar contas à sociedade, o que não fazem; a concessão estabelce outras obrigações, que não são oferecidas. Disse que, nesse sentido, concordava com o “controle”, isto é, com a exigência de mecanismos fiscalizatórios e regulatórios que pudessem fazer-lhes essa cobrança.

4. Que considero que a Igreja Universal ludibria a boa fé de seus seguidores.

5. Que considerava perigoso que concessões de rádio e TV sejam dominadas por religiões, quaisquer que sejam elas.

6. Que é preciso rever a forma como são concedidos canais de rádio e TV.

Lembrando

Em postagem de 14 de maio, comentei o livro “Plano de poder – Deus, os cristãos e a política”, de autoria de Edir Macedo. E se trata disso mesmo, da tomada do poder no Brasil – e Macedo se propõe a fazer o serviço, se apresentando como um novo Moisés. Aqui.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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