03.07.10 23:25
Fortaleza está precisando de um choque de ordem igual a este
Veja a matéria abaixo, publicada na edição de 2 de julho, do jornal Folha de S. Paulo. É de um choque desses que a Fortaleza, terra de ninguém está precisando – de modo a se pôr um pouco de ordem no caos urbano que nos assola.
Algum tempo atrás li no O POVO matéria em que um cidadão construiu um lava-jato em plena praça e o administrador da Regional disse que tinha acionado a Justiça para tirá-lo de lá. Ora, isso equivale a um policial surpreender alguém em flagrante delito e dizer que não vai prendê-lo sem ordem judicial.
Chapinha quente
VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DE SÃO PAULO
MARCOS DE VASCONCELLOS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A chapinha está quente no salão de Marco Antonio de Biaggi, o cabeleireiro das celebridades dos Jardins.
Após ter sido fechado pela prefeitura na noite anterior, o local foi lacrado ontem por reabrir para atender clientes. A interdição terminou em socos e foi parar na delegacia.
Segundo o secretário de Controle Urbano, Orlando de Almeida, que ontem voltou lá para comandar a operação, o marido de uma cliente que saía do salão bateu no motorista que estava no carro oficial da secretaria, que bloqueava a garagem.
O casal fugiu numa Mercedes-Benz, mas a placa do carro foi anotada. A Polícia Militar foi chamada e o secretário foi à delegacia do bairro para registrar um termo circunstanciado sobre a agressão.
Depois de descumprir o fechamento administrativo, o salão de Biaggi recebeu duas multas: uma de R$ 3.600, pelas irregularidades, outra de R$ 10 mil por manter duas placas, em desacordo com a Lei Cidade Limpa.
Segundo Biaggi, o salão atendeu apenas uma noiva e não cobrou pelo serviço. “Foi só uma pessoa que pediu por favor. Foi solidariedade”, completou José Izar, advogado do cabeleireiro.
“Eu não sou dono do imóvel, não tinha ideia da irregularidade do espaço. E agora já tomei as providências e só vou reabrir quando estiver tudo certo”, disse Biaggi. Ele diz que não soube da briga.
Segundo a prefeitura, o salão MG Hair Design não possui alvará, funciona num prédio com área construída maior que a apresentada na planta e é 1,20 metro mais alto que o permitido pelo gabarito daquela região.
O Contru (órgão da prefeitura que fiscaliza a segurança dos imóveis) diz que blocos de concreto serão colocados para impedir a entrada no salão, que tem Adriane Galisteu, Daniella Cicarelli, Ivete Sangalo e Luana Piovani entre as clientes.
“Isso aí é o que chamamos de puxadinho de rico. Ontem combinamos que não iriam abrir, a não ser com uma liminar, só que eles abriram. Aí nós vamos colocar bloco de concreto aqui na frente”, disse o secretário Almeida.
Na noite de anteontem, horas após ter sido fechado, Biaggi informou aos seus 33 mil seguidores no Twitter que o salão “funcionava normalmente” e “não estava interditado”. O salão vizinho, da rival Lucinha Mauro, também fora fechado na quarta.
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23.05.10 16:23
Jornal de Arkansas vai na contramão da “gratuidade” e aumenta tiragem
O jornal “Arkansas Democrat-Gazette”, de Little Rock, capital do estado de Arkansas (Estados Unidos) manteve o seu foco no impresso, investiu na equipe, cobra acesso ao portal do jornal – e conseguiu aumentar a tiragem.
O seu publisher, Walter E. Hussman Jr, diz que seu objetivo é simples: proteger o valor do produto.
O “Democrat-Gazette” teve aumento de cirulação de 173.316 exemplares (1998) para 176.275 (2008), na média diária. A cidade tem cerca de 200 mil habitantes.
Uma parte da indústria mantém o ceticismo, dizendo que, a longo prazo, a estratégia estaria fadada ao fracasso. No entanto, o caso do “Arkansas Democrat-Gazette” vem sendo estudado com crescente atenção. Em 2008 Hussman foi eleito “publisher do ano” pela publicação “Editor & Publisher”. [Com informações do jornal Folha de S. Paulo]
Veja a seguir a matéria completa, publicada na edição deste domingo [23/5/2010], da Folha de S. Paulo. Continuar lendo
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19.05.10 19:26
Estudo alemão afirma que crise de jornais americanos deve-se a vinculação à Bolsa
Relatório divulgado neste mês pela Associação Alemã de Companhias Jornalísticas imputa a queda de circulação dos jornais americanos a problemas de estrutura das publicações do país.
Segundo o estudo, que compara as publicações americanas e alemãs, a maioria dos jornais da Alemanha são empresas familiares ou são controlados por companhias pequenas e de raízes locais.
Por outro lado, nos EUA, o setor está sob o domínio de grandes companhias listadas na Bolsa. Sob pressão de acionistas que clamam por resultados rápidos, os jornais norte-americanos realizaram cortes irresponsáveis em sua qualidade editorial e de produção, o que acelerou a fuga dos leitores e anunciantes para a web.
Os grupos jornalísticos norte-americanos, geralmente, apontam a crise econômica e a internet como causas dos problemas. A circulação diária de jornais caiu em 27% no país entre 1998 e 2008. [Reproduzido do jornal Folha de S. Paulo, edição de 17/5/2010]
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14.04.10 15:56
Folha de S. Paulo abre concurso para ilustradores, cartunistas e mais
O jornal Folha de S. Paulo abriu inscrições para o 4º Concurso de Ilustração da Folha. Podem se inscrever amadores e profissionais.
O vencedor ganhará um contrato de três meses de colaboração com o jornal. Também serão premiados três concorrentes em cada categoria do concurso, que recebe inscrições até 30/4/2010.
“A originalidade das ideias e do traço será um quesito importante na seleção, porque isso ajuda o trabalho a se sobressair”, diz Fábio Marra, editor de arte da Folha.
O primeiro concurso foi em 1985, revelando ilustradores como Fernando Gonsales, da tira Níquel Náusea. Em 1999, Jean foi um dos vencedores, e hoje faz charges para as páginas editorias da Folha de S. Paulo. Do concurso de 2006, alguns desenhistas continuam colaborando com o jornal promotor do concurso.
Serão cinco categorias: cartum, charge, quadrinho, caricatura e ilustração. Três
Informações da Folha Online. No link, mais informações, regulamento e endereço para onde mandar os trabalhos
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17.12.09 18:46
Jornalista e jornal Folha de S. Paulo condenados a pagar R$ 1,2 milhão a juiz
A 10ª Vara Cível de São Paulo condenou a empresa Folha da Manhã S/A – responsável pelo jornal Folha de S.Paulo – e o jornalista Frederico Vasconcelos a pagar indenização no valor de R$ 1,2 milhão ao juiz federal Ali Mazloum, a título de danos morais.
A decisão é atribuída à reportagem publicada em 4 de novembro de 2003, época que eclodiu a “Operação Anaconda”, que investigava a venda de sentenças judiciais.
Na ação, Mazloum alegou que teve a imagem maculada após série de reportagens publicadas pelo periódico. O juiz federal classificou ainda como “fruto de criação mental” do jornalista Frederico Vasconcelos a publicação “Mudança de sede causou polêmica”.
Em sua defesa, a Folha argumentou que a citação do nome do juiz foi baseada em investigação da promotoria e ressaltou que “a reportagem não faz acusações, pré-julgamentos ou juízos de valor, evidenciando apenas que havia à época dos fatos especulações quanto ao interesse do autor (da ação, Ali Mazloum)”. [Veja a íntegra no Portal Imprensa, de onde foram reproduzidas as informações.]
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13.12.09 20:52
"Proibição de divulgar chama-se censura"
O jornalista Janio de Freitas, comentou, neste domingo [Folha de S. Paulo, 13/12/2009], a recente decisão do Supremo Tribunal Federal [STF] em manter a proibição ao jornal O Estado de S. Paulo de divulgar informações relacionadas a Fernando Sarney, investigado pela Polícia Federal na chamada Operação Boi Barrica.
Destaco dois trechos:
«[...] O vernáculo não perdoa, porém. Proibição de divulgar chama-se censura, sem distinção de sua autoria. E, se procedente do Judiciário, a adjetivação cabível é mesmo a de censura judicial. Não há filigranice jurídica que ludibrie a associação de vernáculo e senso comum.”
[...]
Ocorre que “a ameaça” relacionada a uma publicação ainda desconhecida é uma presunção – tanto no sentido de suposição como no de pretensão. É, como base de leis, a própria censura prévia baseada no princípio da arbitrariedade: a censura antidemocrática.»
Veja o artigo completo. Continuar lendo
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30.11.09 11:30
Lula, Benjamin e o jornalismo do Velho Oeste: atira-se primeiro, pegunta-se depois
O ombusdsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, comentou na coluna de domingo [29/11/2009] o artigo de Cesar Benjamin [trecho reproduzido abaixo], que acusa o presidente de ter tentando “subjugar” sexualmente um colega de cela quando Lula esteve preso na década de 1980.
Benjamin não viu a suposta cena. Segundo ele, o próprio Lula teria lhe contado o episódio, em 1994.
Pois bem, o ombudsman Lins da Silva diz que “não faz parte do escopo de trabalho do ombudsman emitir juízo de valor sobre textos opinativos”, mas diz concordar “inteiramente” com um dos leitores que lhe escreveu fazendo a seguinte observação: “Não há outra opção para ao jornal que publica artigo tão impactante quanto o de César Benjamin que a de, com suas equipes, tentar reconstituir os fatos narrados pelo autor”.
E, pelas palavras do próprio ombudsman, “é indispensável oferecer ao outro lado espaço e destaque similares para defender pontos de vista opostos ao do artigo de sexta feira”.
Comentário
1. De fato, não cabe a um ombudsman julgar opinião manifestada em artigos. Mas, para acusação de tamanha gravidade, que atinge não apenas o presidente, mas terá repercussão em toda a sua família, era preciso que o editor exigisse mais do que a simples declaração de um ex-militante do PT para publicar o texto. Benjamin não manifesta uma opinião, relata um suposto fato, o que é verificável.
1.1. Portanto, no que se refere à questão factual, o ombudsman pode e dever opinar. Observem que não se trata de uma “opinião” de César Benjamin. Ele não disse que Lula é feio ou bonito; que seu governo é bom ou ruim: isso é opinião. Ele ralata um fato que teria acontecido. Afirmou que o agora presidente tentou estuprar um colega de cela. Isso é verificável e parece muito pouco jornalístico que isso tenha sido publicado sem a mínima checagem [pra usar o jargão das redações].
2. O ombudsman apela agora para que se “reconstitua o fato narrado”. Isso era condição prévia para a publicação do artigo. Confirmado, publica-se. Não se conseguiu provar ou há dúvida razoável, ponha-se no lixo. Uma afirmativa dessas, pode levar consequências gravíssimas do ponto de vista pessoal a Lula e sua família. [Não falo aqui nem do prejuízo político, que é superável, mas a marca de "estuprador", mesmo falsa, pode ser indelével.] Isso não se faz, é o antijornalismo: atira-se primeiro e pergunta-se depois.
3. Depois o ombudsman afirma que é “indispensável” oferecer ao “outro lado” espaço e destaque similares para defender “pontos de vista opostos aos do artigo” de César Benjamin. Aqui o negócio já se torna risível, pois não se trata de “ponto de vista”, mas repito, de um fato que, como diz o ombudsman, pode ser reconstituído, verificado. Agora o negócio está neste pé: um diz: “Você é estuprador”; o outro: “Não sou”. “Você é batedor de carteira”; o outro: “Não, não sou”. “Você bate na sua mãe”; o outro: “É mentira”. “Você é pedófilo”, o outro: “Nunca fui”. Estamos falando de jornalismo ou de briga de rua?
Ora, façam-me o favor.
[Eu até posso estar enganado, mas o artigo, longuíssimo para os padrões da Folha de S. Paulo - 1.755 palavras, 10.561 caracteres - não foi publicado assim, digamos, casualmente. O trecho que fala de Lula está ensanduichado entre uma longa introdução e outra longa conclusão, com César Benjamin narrando lances de sua militância na esquerda e do período que passou na prisão, na década de 1970. Creio que a publicação deve ter sido precedida de negociação com o autor - e o editor deve ter tido tempo para refletir sobre assunto.]
Trecho do artigo de César Benjamin Continuar lendo
11.09.09 05:13
Globo e Folha de S. Paulo estabelecem regras restrititivas para uso do Twitter, blog e redes sociais
O blog Radar Online divulgou que a Globo emitiu, ontem à noite, comunicado restringndo o uso das mídias sociais – blog, Twitter, facebook, orkut e outros – por seus contratados.
Ficaram proibidas “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”.
A emissora também informou que essas ferramentas somente poderão ser mantidas em veículos do grupo. Se algum contrata quiser ter, por exemplo, um blog, sem estar vinculado à emissora, terá de pedir autorização. Na prática, os contratados da Globo ficam proibidos de usar o microblog Twitter ou blogs que não estejam no guarda-chuva dos veículos da emissora.
Segundo o comunicado da Globo, o objetivo é proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.
Folha de S. Paulo
A Globo é o segundo grande meio de comunicação a tomar tal atitude. O blog Toledol, de José Roberto Toledo, já divulgara na quinta-feira [10/9/2009], que circular do jornal Folha de S. Paulo estabelecera regras bastante rígidas para jornalistas da casa que mantêm blogs, participam de redes sociais na internet, ou do Twitter.
A íntegra do comunicado da Folha, assinado pela editora-executiva Eleonora de Lucena, é o seguinte:
«Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do twitter devem lembrar que: a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários; b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.»
Ou seja, os jornalistas ficam proibidos de publicar “furos”, aparentemente, mesmo depois que o jornal os tenha divulgado, podendo, no máximo fazer a remissão ao texto original. [Aqui o jogo é perdido; será impossível controlar a divulgação de um conteúdo exclusivo – se o jornalista da Folha não o fizer, alguém fará.]
Como anota Toledo, a possibilidade de o jornalista escrever e publicar com rapidez em outro veículo [a internet] e não exclusivamente naquele no qual é empregado, “criou uma situação inédita e um potencial conflito de interesses entre o jornalista e o veículo para o qual trabalha. Ambos competem, de certo modo, pela atenção do público e pela primazia de informá-lo”.
Toledo levanta outras questões bastante pertinentes:
1. Onde termina a pessoa jurídica e onde começa a pessoa física do jornalista?
2. O repórter deve tuitar em caráter pessoal durante uma cobertura para seu veículo?
3. Se um jornalista apura informação exclusiva fora do seu horário de trabalho, essa notícia pertence a ele ou ao veículo para o qual trabalha?
4. Teria sido possível ao jornalista obter esse “furo” sem ter o respaldo institucional e o prestígio do veículo para o qual trabalha?
5. Os editores devem editar os posts dos repórteres?
6. Ao pagar o salário do jornalista, o veículo é dono de toda a sua produção intelectual e pode dispor sobre sua veiculação?
No blog Toledol, há uma enquete sobre o assunto.
E você, que é jornalista, aceitaria as regras determinadas pela Folha; aceitaria submeter seus posts em redes sociais, blog ou Twitter ao seu editor?
15.06.09 07:01
Folha: ombudsman fala do blog da Petrobras
O ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, comentou, na sua coluna de domingo, o caso do blog Petrobras, o Fatos e Dados.
Lins considerou que o assunto foi debatido de modo “injustificamente histérico”, considerando que “qualquer entidade ou cidadão têm o direito indiscutível de criar quantos blogs, sites, jornais ou publicações de qualquer espécie que quiserem”.
Para o ombudsman, ”a reação de muitos jornalistas, veículos e entidades à iniciativa foi claramente despropositada. Se alguém pode sair prejudicado pela decisão de revelar as questões de jornalistas antes da publicação das reportagens a que se destinam é a própria empresa, como seu recuo nesse ponto deixou claro: se as pautas exclusivas deixam de ser exclusivas porque a fonte as revela ao público, o mais indicado para quem as produz é não ouvir essa fonte antes de publicar a reportagem”.
O comentário de Carlos Eduardo Lins da Silva equipara-se aos que eu fiz em postagens abaixo. Aliás, parecido com qualquer intervenção que analisou o assunto com isenção, o que, felizmente, foi feito por vários blogueiros.
É preciso que existam pessoas que façam frente – sem entrar na briga de rua que eles promovem – aos cachorros loucos da blogosfera: de um lado os que sacralizam o governo e, de outro, os que o demonizam. Eles se equivalem, ou, para usar uma expressão que já foi muito cara na disputa política, são “farinha do mesmo saco”.
Leia na íntegra o comentário do ombudsman. Continuar lendo
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31.05.09 15:38
A Folha de S. Paulo e a "re-reeleição" do presidente Lula
A manchete da Folha de S. Paulo de hoje [31/5/2009] é “3° mandato de Lula divide o país”, com pesquisa do Datafolha revelando que 47% da população apoia a aprovação de uma emenda constitucional para dar ao presidente Lula a possibilidade de disputar mais uma eleição - sendo que 49% dos pesquisados manifestam-se contra. Veja aqui [para assinantes].
A pesquisa mostra que, em 2007, a ideia era rejeitada por 63% dos entrevistados. O aumento da aceitação de mais uma candidatura aumenta à medida em que cresce a popularidade do presidente, admite o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.
Aproveitando-se da pesquisa e, no estilo rombudo que o jornal vem, inexplicavelmente, adotando, o editoral, na mesma edição, usa as seguintes palavras para rechaçar a hipótese de Lula entrar em uma nova disputa: “Fruto bizarro, ao que tudo indica, dos interesses bajulatórios do baixo clero governista, a proposta da ‘re-reeleição’ para o presidente petista não alcança, pelos dados da pesquisa, densidade suficiente par se impor”. [Aqui, para assinantes.]
O estilo deixa-que-eu-chuto que o jornal paulista passou a usar, o impede de ver o óbvio: em apenas dois anos, a rejeição à “re-reeleição” caiu de 63% para 47%. E isso com o próprio Lula combatendo a ideia de maneira persistente, inclusive contra a oposição, uma das incentivadoras da proposta, pela frequência com que volta ao assunto. [Ou é estratégia para espantar fantasmas ou vontade oculta: ambos os casos mais propícios para a análise psicanalítica, e menos pela política.]
Parece óbvio a qualquer analista minimamente isento que, se Lula começasse a defender a proposta, em pouco tempo teria a maioria a favor de nova eleição. Mas não para a Folha, cujo editorial se impressiona com os dois pontos percentuais de diferença.
O editorial tem o arrogante, para não dizer autoritário, título de ”Assunto encerrado”; no “olho” [destaque], o jornal escreve: “Esvaem-se os ensaios sobre o terceiro mandato e, com eles, o risco de dividir o país em aventura danosa para o jogo democrático”.
1. Quem pode “encerrar” o assunto é o Congresso Nacional ou o STF [Supremo Tribunal Federal] e não a Folha de S. Paulo ou qualquer outro jornal.
2. Se os “ensaios” vão se “esvair” não depende da Folha, pois os que o fazem não estão subordinados ao jornal
3. Na reeleição de Fernando Henrique Cardoso, o jornal tinha posição diferente, tendo escrito editorial, também baseado em uma pesquisa do Datafolha, mostrando o apoio à tese da reeleição: “Uma eventual emenda de reeleição, ademais, evidentemente não muda a lei para manter um governante. Ela apenas permite que ele se recandidate. Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e inquestionável veredicto das urnas”.
O editorial, de 5/1/1996, apela para o “bom senso” para defender a proposta e tem o sugestivo título de”Reeleição popular”. Poderia ser republicado na íntegra se a Folha estivesse apoiando a tese da”re-reeleição”.
Comentário
1. Sou totalmente contra a possibilidade de Lula disputar uma terceira reeleição, isso seria deletério para o país e para a consolidação das instituições democráticas, que precisam de um mínimo de estabilidadepara funcionar. É a estabilidade que lhes dá a conhecer, reconhecimento e respeitabilidade. No entanto, a posição individual de um jornalista ou de um jornal, não pode levá-lo a negar aos leitores elementos para que eles possa formar seu próprio juízo.
2. Não estou entre aqueles que se regozijam com os recentes tropeços da Folha de S. Paulo, como no caso da “ditabranda” e na trapalhada da matéria sobre a ministra Dilma Roussef. Para mim, a Folha transformou-se em paradigma do jornalimo brasileiro, a partir do fim dadécada de 1970, quando teve um papel fundamental na redemocratização do país, dando voz à oposição e fazendo cobertura extensiva das manifestações pelas eleições diretas e contra o regime militar. Mas a Folha de S. Paulo não pode se esquecer que “um editor de jornal precisa ser reeleito todo dia”. Estou, portanto, entre aqueles que torcem para que o jornal retome seus dias de brilho.
Para ler, na íntegra, o editorial da Folha de 5/1/1996. Continuar lendo
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