23.08.09 23:09
Iurd: franceses têm filme "anti-Universal"
A Folha Online anunciou que a Central Globo de Comunicação teria comprado o documentário “Universal, uma ameaça ao país dos crentes” (“L’Universelle: Une Menace au Paix des Croyants”, no título em francês). Depois, a própria Folha Online publicou resposta da Globo, negando que tenha comprado o filme. Mas a Folha afirma que a emissora tem uma cópia da obra em seu poder.
A informação surgiu logo após o anúncio que a Record comprara o documentário Muito além do Cidadão Kane (1993), uma crítica feroz à Globo, de produtores ingleses.
O documentário “anti-Universal”, uma ataque às práticas da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), foi produzido para a TV católica francesa KTO, que o exibiu uma única vez, em 2002. O filme foi feito por católicos carismáticos.
No filme, segundo a Folha Online, o bispo Edir Macedo, retratado como o líder de uma legião de fanáticos, que leva uma vida de “bilionário”*.
“A gente apertava a mão de Macedo com medo, pois era como apertar a mão do próprio Deus”, depõe em vídeo Marcelo Gonzales, ex-integrante da igreja.
O filme
No YouTube é possível ver um trecho de pouco mais de dois minutos do filme.
Nele aparece um culto da Igreja Universal na França em que o pastor promove uma sessão de “cura” do câncer e da Aids. A narradora diz que os adeptos “acreditam no milagre” e “diabolizam” a igreja católica.
O padre Marcelo Rossi dá depoimento dizendo que “no fundo” a Iurd “não é uma igreja”.
Em outro culto um pastor compara aqules que não querem pagar o dízimo ao marido que “trai a esposa” ou aqueles que vivem “no pecado da homossexualidade”. Outro pastor achaca os fiéis desafiando-os a pôr dinheiro “sobre a bíblia”.
O depoimento mais contundente é do ex-pastor brasileiro Marcelo Gonzales, que o filme qualifica como antigo “servidor” da Universal. Ele diz que quando a sua mulher engravidou pela primeira vez ele foi obrigado, pela Iurd, a fazer vasectomia. Segundo ele foram “mais de mil pastores” operados ao mesmo tempo, “sob as ordens do bispo Macedo”. Para Gonzales, “eles” querem cada vez “mais poder político”.
Marcelo Crivella também é entrevistado e diz que “um dia teremos um presidente evangélico”. Crivella é sobrinho de Edir Macedo, bispo licenciado da Iurd, senador da República (PR) – e foi candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro na últimas eleições (ficou em terceiro lugar) (Veja aqui comentário que fiz a respeito do livro “Plano de poder – Deus os cristão e a política”, escrito por Edir Macedo e, no qual ele estabelece um plano para chegar ao poder.
Globo x Universal
O jornal O POVO deste domingo publicou uma boa reportagem, assinada pelo repórter Marcos Sampaio, a respeito da disputa entre as duas maiores redes de TV do país:
Televisão em péde guerra.
O lado pedagóico do Confronto, texto da professora Cida de Sousa.
Pelo fim dos latifúndios, entrevista com o jornalista José Arbex.
Crônica do perdedor não anunciado, texto da jornalista Ana Ângela Farias.
*[Até 17h41min de 24/8 foi mantido o termo "miliardário", corrigido pelo leitor Wanderley Neves, veja nos comentários.]
Abaixo, o compacto do filme “Universal, uma ameaça ao país dos crentes”.
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21.08.09 09:08
Rede Record compra "Muito além do Cidadão Kane" para atacar a Globo
A Rede Record acaba de comprar o documentário “Muito além do Cidadão Kane” (“Beyond Citizen Kane”) por menos de 20 mil dólares, segundo a Folha Online.
O uso que a Record fará do filme está mais do que explícito: a guera com a Globo, que hoje galvaniza a atenção do público e de especialistas em comunicação.
Transmitido pela primeira vez em 1993, no Reino Unido, o filme mostra o empresário Roberto Marinho (1904-2003) como ícone da concentração da mídia no Brasil. Essa é a referência a Charles Foster Kane, magnata das comunicações vivido pelo cineasta Orson Welles em “Cidadão Kane” (1941).
Simon Hartog, diretor da obra, morreu em 1992, antes de o trabalho ser exibido. Seu produtor John Ellis se tornou a partir daí o responsável pelo projeto. Ellis deteve, até o começo dessa semana, o direito de exibição do filme em TV aberta no Brasil, agora na mão da Record.
A produtora independente fez o longa para o canal britânico Channel 4, responsável por sua transmissão (a BBC nunca teve qualquer ligação com a produção, diferentemente do que a própria Record insiste em divulgar).
Em entrevista ao caderno “Mais!” (da Folha de S. Paulo) publicada em fevereiro do ano passado, Ellis revelou que tanto Globo quanto Record tentaram comprar os direitos do filme nos anos 90 – a primeira para engavetá-lo, a segunda para exibi-lo. Ellis disse também que o documentário nunca foi proibido ou embargado pela Justiça brasileira.
Em outro trecho da entrevista à Folha no ano passado, este inédito, Ellis criticou o envolvimento da Iurd com a Record: “Por que uma igreja deveria gastar seu dinheiro desse modo [em TV] quando há muitos assuntos urgentes que merecem seu dinheiro e atenção? Como eles respondem a isso?”, questionou à época. (As informações e trechos foram reproduzidos de matéria da Folha Online.)
Entre os entrevistados no documentário estão:
Leonel Brizola (22/1/1922-21/6/2004): “[Roberto Marinho] é uma espécie de Stálin das Comunicações no nosso país: quem não concorda com ele, ele manda para a Sibéria. A Sibéria do gelo; a Sibéria do esquecimento.”
Chico Buarque: “Roberto Marinho é a força política mais importante do país. Nada se faz sem consultar o dr. Roberto Marinho. É assustador.”
Lula (então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo): “A Globo só mentia a respeito da greve; não dava o número de participantes correto; não dava as nossas deliberações corretas. Ela só informava sobre os interesses patronais. Um exemplo: a Globo entrevistava o Lula, falando em nome dos trabalhadores, e entrevistava o Mário Garnero falando em nome dos empresários. No dia da entrevista, só aparecia o Mário Garnero e não aparecia o Lula.”
Lula (em outra parte, em trecho do programa eleitoral do PT de 1989, em discurso enfezado): “E por que que não mostra? Por que o sistema que predomina neste país é um sistema arcaico, onde a minoria pode tudo e a maioria não pode nada.”
O documentário também reproduz trechos do debate entre Collor e Lula e acusa a Rede Globo de ter manipulado a edição em favor de Collor.
Armando Nogueira (então chefe do Departamento de Jornalismo da Globo sobre o compacto do debate apresentado no Jornal Naciona): Diz que “protestou” diretamente com Roberto Marinho criticando a edição do debate, que ele considerou “burra”. Afirma que não viu o compacto antes de ter ido ao ar.
Lula (nos minutos finais do filme): “Democracia pressupõe liberdade de comunicação, liberdade de expressão. E não havrá liberdade de expressão se os meios de comunicação não forem democratizados. Se você tem um instrumento de comunicação, que por dia, fala com 60, 70 milhões de pessoas, e o controle das mensagens é feito apenas por uma equipe ordenada ideologicamento por um senhor (Roberto Marinho), eu penso que se está descaracterizando qualquer possibilidade de democracia.”
O filme termina com uma pergunta retórica, enquanto baratas cobrem o rosto de Roberto Marinho e o logotipo da Globo, ao som do “plim plim”:
“A Globo começou a dominar a televisão no Brasil durante a ditadura militar. Manteve o silêncio sobre as verdade daquele regime. Agora, está começando a falar mais. Mas será que a Globo e Roberto Marinho podem realmente se libertar dessa herança? Ou será que o Brasil deveria libertar-se da dominação da Globo?”
O perigo é “libertar-se” da Globo e cair nas afiadas garras dos bispos da Record, especialistas em ludibriar a boa-fé de almas simplórias, inclutindo-lhe o fanatismo, enquanto cultuam o deus-dinheiro e cobiçam o poder terreno.
O documentário tem 93 minutos de duração e está disponível no Google vídeos.
(Ilustração: O diabo original? – de Hélio Rôla)
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20.08.09 00:34
Igreja Universal terá de indenizar herdeiros de mãe de santo
A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão do próprio colegiado que reconheceu a obrigação de a Igreja Universal do Reino de Deus indenizar em R$ 145,2 mil os filhos e o marido da mãe de santo baiana Gildásia dos Santos e Santos.
Uma foto da religiosa, que morreu em 2000, foi usada de maneira ofensiva no jornal Folha Universal, veículo de divulgação da Igreja.
A decisão mantida foi proferida pela Turma em julgamento ocorrido no dia 16 de setembro do ano passado. Na ocasião, os integrantes do colegiado seguiram integralmente o voto do juiz convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região Carlos Fernando Mathias, que reduziu o valor a ser pago aos herdeiros.
A decisão da 17ª Vara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) havia condenado a Igreja Universal ao pagamento de R$ 1,4 milhão como indenização. (Informações do STJ)
A propósito
Estive ontem no program “Viva Fortaleza” – apresentado por Isabel Andrade -, da TV O POVO falando da disputa entre a Globo e a Record.
Resumidamente, disse o seguinte:
1. Existe uma verdade factual à qual a Rede Record não responde: foi aberto um processo contra o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, e mais nove integrantes por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
2. Que um índice massificante de audiência, em torno de 50% ou 60%, é um malefício para a democracia, sendo dele detentor a Globo (como é hoje) ou a Record (como quer vir a ser). (Em qualquer país democrático o virtual monopólio da audiência seria considerado uma aberração.)
3. Que a radiodifusão (canais de rádio e TV) são concessões públicas, portanto, elas devem prestar contas à sociedade, o que não fazem; a concessão estabelce outras obrigações, que não são oferecidas. Disse que, nesse sentido, concordava com o “controle”, isto é, com a exigência de mecanismos fiscalizatórios e regulatórios que pudessem fazer-lhes essa cobrança.
4. Que considero que a Igreja Universal ludibria a boa fé de seus seguidores.
5. Que considerava perigoso que concessões de rádio e TV sejam dominadas por religiões, quaisquer que sejam elas.
6. Que é preciso rever a forma como são concedidos canais de rádio e TV.
Lembrando
Em postagem de 14 de maio, comentei o livro “Plano de poder – Deus, os cristãos e a política”, de autoria de Edir Macedo. E se trata disso mesmo, da tomada do poder no Brasil – e Macedo se propõe a fazer o serviço, se apresentando como um novo Moisés. Aqui.
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14.05.09 09:24
Bispo Macedo quer tomar o poder e diz que foi Deus quem mandou
Acabei de ler o livro Plano de poder – Deus, os cristãos e a política, escrito pelo mais bem sucedido pastor neopentecostal do Brasil, o bispo Edir Macedo. Olha, eu vou te contar: dá medo. O homem está obcecado pelo poder, e tem um plano para tomá-lo. Ele parece considerar-se um novo Moisés e está convencido de estar agindo sob as ordens diretas de Deus.
Logo de início, na página 8, Macedo escreve: “Vamos nos aprofundar, através desta leitura, no conhecimento de um grande projeto de nação elaborado e pretendido pelo próprio Deus e descobrir qual é a nossa responsabilidade neste processo. [...] Desde o início de tudo Ele nos esclarece de sua intenção de estadista e de formação de uma grande nação”.
Obviamente, o bispo fala do Brasil e se põe como intérprete e representante direto de Deus.
Macedo apela diretamente aos cerca 40 milhões de cristãos brasileiros [isto, é, os evangélicos, pois somente estes ele considera cristãos] para verem a bíblia não apenas como um livro religioso, mas também como uma espécie de “manual” de ação política, escrito pelo maior dos estadistas: Deus.
“[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo [...] Quando todos ou a maioria dos que a seguem estiverem convictos de que ela é a Palavra de Deus, então ocorrerá a realização do grande sonho Divino”.
O homem sabe até com o que Deus sonha.
Para ele, a “mobilização geral” dos evangélicos, com sua “potencialidade numérica” pode “decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo quanto no Executivo, em qualquer escalão, municipal, estadual ou federal”. E seguem orientações práticas de como os “cristãos” devem proceder para eleger os seus, isto é, os representantes de Deus.
A comparação dos hebreus, sob o governo do faraó do Egito, com os “cristãos” brasileiros, à espera de um “libertador”, um novo Moisés, perpassa todo o livro. “Até porque temos percebido, por parte da sociedade, que ser evangélico no Brasil ainda é como ser estrangeiro no Egito nos dias do Faraó”.
Um dos capítulos é dedicado ao “agente apropriado” para assumir o poder e que isso – novamente a comparação com Moisés seria o “início do grande intuito divino”. Tudo indica que Macedo vê ele mesmo como o “agente apropriado” para ser o “Moisés” brasileiro.
É de se lembrar que o bispo Macedo é dono da Rede Record. Segundo o portal Donos da Mídia, a Record é o quarto grupo de comunicação do país, com 142 veículos ligados à rede, sendo vice-líder em audiência em todo o Brasil.
[O livro Plano de Poder – Deus, os cristãos e a política foi escrito por Edir Macedo e Carlos Oliveira, diretor do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, tem 126 páginas e foi editado pela editora Thomas Nelson
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