Plínio Bortolotti

08.12.10 16:27

Cid Gomes pretende criar corregedoria desvinculada das polícias

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

No programa de entrevista Grandes Nomes, da rádio O POVO/CBN, o governador do Ceará, Cid Gomes disse que pretende criar uma corregedoria desvinculada tanto da Polícia Civil como da Polícia Militar. Seria uma de “secretaria” vinculada diretamente ao governador.

A declaração inédita foi a uma pergunta que lhe fiz, depois de o governador ter discorrido, com veemência, sobre as medidas que vem tomando na área da segurança pública.

Perguntei como ele pretendia resolver o problema de um segmento criminoso que convive na instituição, cuja punição enfrenta a reação corporativa e, também, se beneficia de medidas judiciais para se livrar das penas, principalmente da expulsão.

Depois de pensar alto: “Falo ou não falo?”, Cid disse que está fazendo consultas ao Ministério da Justiça para verificar a legalidade da criação de uma corregedoria com essas características. Se não houver obstáculos legais, o governador diz que vai pôr o plano em prática.

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08.12.10 16:04

Governador Cid Gomes rejeita projeto de indicação que propõe Conselho de Comunicação para o Ceará

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB) afirmou que não existe a menor possibilidade dele acatar o projeto de indicação da deputada Raquel Marques (PT) propondo a criação do Conselho Estadual de Comunicação do Ceará. A afirmação foi feita hoje no programa no programa de entrevistas Grandes Nomes, da rádio O POVO/CBN (AM 1010).

Para ele, essa é uma questão que tem de ser resolvida em nível federal e que vai desconsiderar, na sua totalidade, o projeto apresentado pela deputada.

Um projeto de indicação e uma espécie de “sugestão” que se faz ao governo, cabendo ao chefe do Executivo acatá-lo ou não. No caso, Cid Gomes nem entrou no mérito do projeto, descartou-o de bate-pronto.

Dois dos posts que fiz sobre o assunto

Comunicação e conselhos
Pensar com independência é obrigação número um de qualquer jornalistas que queira honrar a sua profissão

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16.07.10 18:52

Saúde: “O maior clamor do cearense”, diz governador Cid Gomes

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

A partir da esquerda: eu, Jocélio Leal, governador Cid Gomes (PSB, candidato à reeleição), José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB), candidatos ao Senado

O governador Cid Gomes (PSB), na pele de candidato à reeleição, visitou hoje O POVO. Ele estava acompanhado dos candidatos ao Senado José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB). Eles foram recebidos pela presidente do Grupo de Comunicação O POVO, jornalista Luciana Dummar.

Cid Gomes começou a falar justamente do “fio da navalha” sobre o qual ele tem de caminhar como governador e candidato. Disse dos “exageros” a que os candidatos são submetidos na interpretação das leis que regem a disputa eleitoral.

Cita o fato de um juiz ter proibido manifestações políticas no Parque de Exposições do Crato, sob o argumento de que o equipamento é estatal.

Fez a ressalva dizendo que não está se queixando da Justiça, mas que ele toma o excesso de zelo como um alerta para ter uma posição de “absoluto cuidado” para não dar margens a interpretações dúbias, em seu papel de governador e de candidato.

Oposição

Sobre a campanha, diz que assiste a uma disputa entre seus dois principais concorrentes [Lúcio Alcântara (PR) e Marcos Cals (PSDB), nomes que ele não citou] para se apresentarem aos eleitores como aquele que vai “galvanizar” o voto de setores descontentes com o seu governo.

Metas

Traçou cinco áreas nas quais pretende investir mais, caso seja eleito:

1. Educação
2. Emprego
3. Saúde
4. Segurança
5. Incentivo à agricultura familiar

Educação

Disse que o Ceará obteve o melhor resultado do Nordeste no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), entre 2007 e 2009. No ensino fundamental (4ª série/5º ano), o Ideb de 2009, foi de 4,4 (superior à meta projetada para 2013, que seria de 4,3). Na 8ª série/9º ano, o Ideb passou de 3,5 (2007) para 3,9 (2009) superando o que estava previsto para 2011(3,6).

Destacou ainda o Paic (Programa Alfabetização na Idade Certa), o que tem contribuído para a melhoria dos índices. Disse que esse é o tipo do programa “feijão com arroz”, isto é, que tem de ser feito todo dia, mas que “não dá notícia”. Segundo a avaliação do governador, os jornais não tem o hábito de repetir a notícia, a não ser quando em casos extraordinários.

Segurança

Disse que o tema, em possível novo mandato, terá o seu envolvimento pessoal. Afirmou que as pessoas reconhecem os investimentos feitos, mas é preciso buscar resultados.

Apontou como uma das prioridades o combate aos homicídios, lembrando a recente criação de uma divisão especial para investigar esses crimes. Citou que 90% dos crimes de homicídio não são elucidados, número que precisar ser revertidos, disse.

Afirmou que já foram comprados equipamentos, no valor total de R$ 13 milhões, para equipar o setor de “inteligência” da polícia, de modo a dar caráter científico às investigações.

Emprego

Para o emprego, Cid não apontou nenhuma solução nova, mas disse que entre 1999 e 2006 foram criados, em média, 23 mil novos empregos por ano no Ceará – número que subiu para 89 mil nos últimos doze meses. Fruto, segundo ele, do desenvolvimento econômico pelo qual para o Ceará. [Ele sugere que se verifique o portal do Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, onde dos dados podem ser conferidos].

Saúde

Cid disse ser esse “o maior clamor dos cearenses” quanto às demandas ao governo. E listou a medidas que o seu governo vem tomando: a) construção de dois grandes hospitais; b) construção de 21 policlínicas; c) construção de 17 CEOs (Clínicas de Especialização Odontológica); d) construção de 32 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento); e) universalização do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Segundo Cid Gomes, essas medidas deixarão o Ceará “com a melhor estrutura de saúde pública do Brasil”.

Agricultura

Sobre a pequena agricultura disse que, em parceria com o governo federal será “universalizada” a luz elétrica no campo;  62 mil novas cisternas de placas serão construídas, e que a emissão de títulos vai regularizar 100% das pequenas propriedades em 125 municípios do Ceará.

Senador

Os candidatos a senador, Pimentel e Eunício, que andaram se estranhando na pré-campanha, vivem uma fase de plena lua de mel, trocando elogios. Eunício até tomou emprestado o slogan “O senador de Lula”, historicamente utilizado por Pimentel em suas candidaturas. Hoje, os dois dividem o privilégio de ter o apoio direto do presidente.

Externamente também ambos estão na fase “paz e amor”: dizem que, na campanha, não vão falar mal de ninguém.

O governador Cid Gomes (PSDB), candidato à reeleição, e os postulantes ao senado José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB) foram recebidos pela jornalista Luciana Dummar (Presidente do Grupo de Comunicação O POVO), Dummar Neto (vice-presidente), Democrito Filho (diretor de Mídia Digital), Arlen Medina (diretor Geral de Jornalismo), Fátima Sudário (diretora de Redação), Erick Guimarães (editor-chefe), Guálter George (editor-executivo do Núcleo de Conjuntura) e os colunistas Jocélio Leal (Vertical S/A) e Fábio Campos (Política). Todos os candidatos a governador serão convidados a visitar o jornal.

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18.04.10 11:50

Controlador do Promar diz que estaleiro pode ser em qualquer lugar

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

"Charada ecológica", de Hélio Rôla

Quem não estiver acompanhando o caso, basta clicar em alguns dos itens sugeridos abaixo ou ler a matéria no O POVOPromar vence licitação da Transpetro.

O caso é que, contrariando a assertiva do governado do Estado, Cid Gomes [PSB] de que o estaleiro “tem” de ser construído na Praia do Titanzinho: “Será lá ou não será em lugam nenhum [do Ceará]“, o presidente da PMRJ, Paulo Haddad, disse:

“Não sei se vai ser no Titanzinho, no Pecém, etc. Onde tiver as características que eu preciso para mim não tem problema nenhum.”

A PMRJ é a empresa controladora do Promar. O terreno para a construção do empreendimento deve ser repassado pelo Governo do Estado:  “Não vou me envolver na discussão de onde é mais caro, mais barato”, disse Haddad.

Mas Haddad também afirmou que não pode ficar esperando indefinidamente a solução. Disse que a licitação permite que ele construa o estaleiro em qualquer ponto do território nacional. E sugeriu que um prazo de 15 dias seria razoável para obter a resposta das autoridades.

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05.02.10 09:37

Escritora Ana Miranda manifesta-se contra o estaleiro no Titanzinho

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

"Paisagem #2", de Hélio Rôla

"Paisagem #2", de Hélio Rôla

Em sua crônica de hoje, publicada quinzenalmente no O POVO, a escritora Ana Miranda manifesta-se contra a construção do estaleiro no Titanzinho, no bairro do Serviluz.

Ela inicia mostrando-se favorável a várias iniciativas do governo do Estado para depois expor as razões de sua contrariedade em relação ao estaleiro:

«Basta um passeio pela orla de Santos, ou de Vitória, para constatarmos a destruição de uma possibilidade racional, humana, o desprezo pelo que vale e significa a paisagem na alma de uma cidade. Não apenas a paisagem, mas o preço da degradação urbana que se forma em torno dessas indústrias. Coisas do passado. Nenhuma administração pode se permitir mais esses equívocos. Basta passear pela orla do Rio, pela Barra, pela Lagoa, para ver o oposto, calçadas, jardins, playgrounds, bosques, quiosques, ciclovias… Barcelona, Londres, Paris, Sidney, Manaus, Belém, Boa Vista… O estaleiro na orla urbana renega o próprio aquário construído para a ocupação de área nobre, em favor da cidade e da população, do mesmo modo como foi feito o belíssimo Dragão do Mar, que, sozinho, numa ilha entre abandonos, perde sua simbologia e força. O grande símbolo dessa ocupação das áreas nobres pelo interesse elevado, pela população, é uma guinada contra a utilização desses espaços como zona de deleite subalterno ou de violência consentida. A cidade, como diz Lucio Costa, é um ato deliberado de posse, de um gesto desbravador. O que se poderia esperar era o contrário, a retirada do porto de Mucuripe para local mais adequado, com todos os seus guindastes, contêineres, caminhões, óleo e fumaça, e que a orla prosseguisse em sua função. Ali a aptidão é, juntamente com o Titanzinho, ser uma área de beleza e valores naturais, como é o aterro do Flamengo no Rio, artisticamente arborizada, com quadras para atividades esportivas, de brincadeiras infantis, celeiro de tartarugas e golfinhos, praia para pescaria e surfe, calçadas para passeios, lazer e reconforto para os moradores de Serviluz, escolas esportivas, o que está ditado pela sua ocupação espontânea.»

A sensibilidade da escritora não lhe embota os motivos materiais. Pelo contrário o seu texto é a mistura de argumentos racionais [áreas industriais dentro da cidade tendem a degradar seu entorno] e de emoção:  “Todo esse esforço, pago pela população e empreendido pelo poder público, deve tornar Fortaleza uma cidade moderna e corajosa, não mais uma capital de província, nem uma serva do interesse econômico, mas a tradução da ideia de prestígio e dignidade, associada à noção de coisa pública, acompanhando as preocupações do nosso tempo e as necessidades e sonhos de nosso povo.”

Vamos ver o que diz o engenheiro Cid Gomes.

Leia o texto completo de Ana Miranda.

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02.02.10 23:55

Cid tem um plano para o Titanzinho: o estaleiro; e o projeto de Luizianne qual é?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

No post Cid Gomes faz ofensiva para construir estaleiro no Titanzinho levantei a seguinte questão: haverá dificuldade para aqueles que defendem que o estaleiro deve ser construído fora da área urbana de Fortaleza se tiverem que enfrentar o debate de mãos vazias. Isto é, sem um projeto para contrapor ao estaleiro, que tem preço, prazo e objetivos – goste-se dele ou não. E, a meu ver, a construção de um estaleiro na área seria completamente inadequado.

Conversa

Há uma conversa – rolando há bastante tempo – afirmando que a Prefeitura teria um projeto para o Titanzinho, de modo a acomodar a vocação do bairro em se valer do mar, aliando a isso a urbanização do lugar, a criação de oportunidade de trabalho, renda e moradia digna para os habitantes do Serviluz.

Um projeto dessa evergadura não nasce do dia para a noite, portanto era de se supor que a Prefeitura estivesse investindo em sua preparação e fontes de financiamento. Pois o Serviluz e suas precárias condições estão ali muito antes de se, ao menos, pensar em estaleiro.

Mais eis que, ao surgir Luizianne Lins para acudir o rebuliço que o governador Cid Gomes provocou com a sua pressa em viabalizar o estaleiro no Titanzinho – inclusive atropelando as férias da chefe do Executivo municipal -, ela pouco conseguir dizer além da momentosa frase: “A cidade tem prefeita”. Ok, e já está no segundo mandato.

Qual é o projeto mesmo?

No mais, o que a prefeita apresentou como “projeto” para o Serviluz, seria risível, não fosse patético.  Segundo matéria publicada pelo O POVO, a prefeita estaria “trabalhando em duas frentes” para oferecer alternativa ao estaleiro.

A primeira “compensar” os 1,2 mil empregos que seriam criados com o estaleiro. Segundo registrou a matéria, a prefeitra estaria negociando com a empresa têxtil Guararapes para que sua filial na Barra do Ceará seja ampliada, gerando 1,5 mil postos de trabalhos. Desse total, mil seriam direcionados para os moradores do Titanzinho, que teriam transporte de ida e volta. Ora, isso não é “compensação” de modo algum: a alternativa tem de ser criada no próprio bairro. Se a prefeita tem esses mil empregos, que benefie os trabalhadores da prórpia Barra do Ceará, que também devem estar precisando. Os outros 200 empregos poderiam ser viabilizados com a criação de um “parque turístico” no Serviluz

Segundo a matéria a “outra tática” seria “acelerar um projeto de revitalização” [eita palavrinha desgastada, serve pra tudo]  para o bairro Serviluz, batizado de “Aldeia da Praia”. “Nós vamos avançar para criar o parque de contemplação, um parque marítimo naquela região, que é muito preciosa pra virar um estaleiro”.

Quem explica?

1. Gostaria de saber em que pé está essa “negociação” com a Guararapes Confecções.

2. Ainda que existindo esses empregos não parece algo razoável fazer mil trabalhadores vararem a cidade todo dia, indo e voltando – do Serviluz à Barra do Ceará -, o que daria uma viagem de cerca de 40 km por dia, no trânsito infernal de Fortaleza. É algo que tende a não dar certo.

3. Eu não entendo muito de turismo, mas parece que um projeto bem pensado para aquela área criaria muito mais do que meros 200 empregos.

4. “Parque de Contemplação”?: o que seria exatamente isso? Ao que me parece os espaços à beira mar, já são, por sua própria natureza, espaço de “contemplação”.

5. Parque marítimo? Será que é para concorrer com o Acquário [assim mesmo, com o cezinho intrometido] que o governador vai construir ao lado da Ponte Metálica? Se assim for, não teremos apenas “maior aquário da América Latina”, teremos dois.

6. Se não houvesse o projeto do estaleiro esse “projeto” da Prefeitura seria ao menos um dia apresentado, ou surgiu apenas para “compensar” os empregos que o estaleiro promete criar?

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30.01.10 23:09

Cid Gomes faz ofensiva para construir estaleiro no Titanzinho

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

Estaleiro & Surf, na visão de Hélio Rôla

Estaleiro & Surf, na visão de Hélio Rôla

Abordei pela primeira vez a possibilidade de se instalar um estaleiro para a construção de navios para a Petrobras na Praia do Titanzinho neste post [embaixo do qual há linques para outros em que falei do assunto]. Devido às características do bairro Serviluz, onde fica a Praia do Titanzinho, defendi que o equipamento fosse instalada em outro local, como o Porto do Pecém, por exemplo.

No retorno das férias pego de proa a ofensiva política do governador Cid Gomes para instalar o estaleiro no Titanzinho, entre a Beira Mar e a Praia do Futuro, dentro da cidade, um local que me parece inadequado para equipamento de tais proporções.

Vontade

A disposição do governador é tanta em defender o empreendimento no Titanzinho que ele saiu de uma posição de “não leio jornais” no início de seu governo para uma visita ao O POVO, munido de seu indefectível notebook, seus precisos gráficos e sua lógica de engenheiro.

Foi peremptório ao dizer que “não existe mais a alternativa Pecém”; ou se faz no Titanzinho ou o Ceará perde o estaleiro. Afirmou que, devido as características do porto do Pecém o projeto encareceria R$ 300 milhões. Que o estaleiro poderia conviver com as atividades de surfe desenvolvidas no Titanzinho e que não inviabilizaria o projeto da Prefeitura de transformar o o bairro Serviluz em área turística, com espaço para shows, etc.

Afirmou – um argumento recorrente – estar “imbuído [...] da melhor das intenções”, pois o estaleiro geraria “oportunidade de trabalho” para os cearenses, especialmente aos moradores do Serviluz, um bairro habitado por população de baixa renda.

Das boas intenções de Cid Gomes não há motivo para duvidar, mas esse é um argumento irrelevante no debate, mesmo porque, quem defende a instalação do equipamento em outro local, deve ter os mesmos sentimentos do governador.

Com a mesma determinação de propósito, Cid já atropelara a, digamos assim, liturgia que deve reger a relação entre o poder estadual e o municipal e convidou vereadores representantes do Serviluz, junto com o presidente da Câmara, Salmito Filho [PT] para uma conversa. Isso antes de falar com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, sua aliada política – e do mesmo partido do presidente da Câmara.

Batendo bumbo

Salmito saiu do encontro com o governador batendo bumbo a favor do projeto. Ele preferiu priorizar a disputa – por ora surda, por vezes aberta – que mantém com a prefeita e sua colega de partido a manter uma postura um pouco mais prudente que se esperava de quem dirige o poder legislativo municipal, por onde o debate forçosamente passsará.

Ressalvando ou para além das boas intenções que movem os que se envolvem neste debate, sobram os argumentos técnicos e sociais: incluindo a questão ambiental, geração de emprego, alternativa de renda para os moradores etc. Enfim, qual a alternativa melhor atende aos interesses da população fortalezense e, mais especificamente, dos moradores diretamente envolvidos na questão?

De qualquer modo, creio que o debate tem de avançar mais, sem ameaças do tipo “tudo ou nada” e sem preconceitos contra o “poder econômico”; pois somente grandes investidores é que podem fazer um estaleiro de tal porte. E, também, sem o preconceitos de classificar como “românticos” [se é que ser romântico é algo negativo] aqueles que defendem propostas alternativas para o Titanzinho.

Perguntas

1. A construção de um estaleiro é fator de degradação do meio ambiente?

2. É possível conciliar o projeto do estaleiro com a proposta que a Prefeitura tem para o local?

3. Será possível a continuidade de projetos sociais – ligados ao mar – hoje existentes no Serviluz?

4. Considerando toda a costa cearense somente na Praia do Titanzinho é possível construir um estaleiro?

5. Mesmo que o projeto encareça R$ 300 milhões não seria economicamente viável encaminhá-lo para o Pecém já que a Prefeitura também promete fazer um projeto turístico no Serviluz – ficando assim o Ceará com dois projetos geradores de emprego e renda?

Comentário

Ainda existe outra questão, a Prefeitura diz ter um projeto para o Serviluz e Titanzinho, mas até hoje ninguém o viu. Portanto, é preciso apresentá-lo para mostrar o que a administração municipal pretende fazer lá: os equipamentos que pretende construir, o benefícios que terão os moradores, quando custará projeto, quando ficará pronto, etc.

Caso contrário, será a disputa de um projeto com preço, prazo e objetivos determinados contra a vaga idéia de transformar o Serviluz em um lugar idílico, para não dizer “romântico”. : )

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20.12.09 20:10

Pesquisa Datafolha fortalece tese dos irmãos Gomes de duas candidaturas da "base aliada"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Divulgada hoje pelo jornal  Folha de S. Paulo [veja na Folha Online], a pesquisa do Datafolha pode ser considerada a primeira a trazer um retrato importante do que pode vir a ser a campanha presidencial de 2010.

De quebra, mostra que o “fator Ciro Gomes” ganha relevância, não mais como uma candidatura incômoda, a ser afastada pelo PT, mas o contrário. A pesquisa fortalece o argumento dos irmãos Gomes [Cid e Ciro]  de que a candidatura do PSB seria crucial para garantir o segundo turno de um candidato do “projeto político” levado a cabor pelo governo federal. Para eles a vertente plebiscitária, majoritária entre petistas, é de risco, sendo mais seguro ter dois candidados da “base aliada” ao Planalto.

A vontade petista – como se sabe – é da eleição “plebiscitária”, polarizando-se dois candidatos: Dilma Roussef [PT] e José Serra [PSDB]. Cada um representando os feitos de seu respectivo partido. Na verdade, a comparação dos oitos anos do governo Lula ao mesmo lapso de tempo da presidência de Fernando Henrique Cardoso.

O resumo da pesquisa é o seguinte:

José Serra mantém os 37%; Dilma consolida-se em segundo lugar com 23%; seguindo-se Ciro Gomes [13%] e Marina Silva, PV [8%]. Mas o “x” da questão é este: quando se retira Ciro Gomes da lista de candidatos, Serra sobe para 40%, Dilma cai para 26% e Marina sobe para 11%, com as duas candidatas somando 37% – insuficientes para um segundo turno.

Assim, juntando-se a pesquisa com a saída de Aécio Neves da disputa, é fora de dúvida que a candidatura de Ciro Gomes ganha dimensão maior, quando menos, nas negociações entre os partidos.

É fato que muita gente ainda não vinculou a candidata Dilma Roussef a Lula – que aparece nas pesquisa com a aprovação recorde de 72%. E que, certamente, a campanha petista repisará que Dilma é a continuidade de Lula – e que não votar nela representaria o “retrocesso” ao projeto tucano, e o retorno de FHC, por meio de Serra.

Dilemas

No entanto, a permanecer assim o quadro algumas dúvidas vão atormertar as hostes do PT. O que seria melhor:

1. Cid Gomes na campanha, fustigando Serra, tirando votos dele e de Marina?, ou

2. Com a ausência de Ciro, ver naufragar a tese plebiscitária com Serra decidindo a parada no primeiro turno?

Ainda o PT terá de levar em conta o seguinte:

a) Se Ciro ficar fora da disputa presidencial, qual será o ânimo dele para ser um cabo eleitoral de Dilma?

b) Se Ciro entrar na disputa não haveria o risco [para o PT] de ser ele o candidato a ir ao segundo turno representando o “projeto político” do governo?

c) Mesmo sem Ciro, Marina Silva também pode desarrumar a tese plebiscitária, pois tenderá a aparecer como uma “terceira via”.

A propósito, pela pesquisa, Serra venceria tanto Dilma quanto Ciro no segundo turno.

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21.11.09 23:58

Cid Gomes usa Twitter com instrumento de governo [e conta com o microblog lhe deu uma manchete no O POVO]

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 5 Comentários

André Teixeira Bezerra, estudante da turma dos Novos Talentos – programa para novos jornalistas que eu oriento no O POVO – deixou no blog [restrito] do projeto um podcast com a palestra que o governador do Ceará Cid Gomes fez no 3º Fórum de Comunicação do Governo Federal no Nordeste, realizado no início deste mês, no Centro Administrativo do Banco do Nordeste. Por julgá-la interessante, vou reproduzir aqui alguns trechos.

Ele falou basicamente de sua experiência no Twitter, e lembrou como salvou uma pauta da jornalista Dalviane Pires – do O POVO – quando esta postou um pedido de “ajuda” a Cid Gomes para concluir sua matéria. O governador viu a mensagem, pediu o telefone da jornalista via Twitter, falou com ela, e deu-lhe os dados de que estava precisando.

O governador estava a vontade e foi uma conversa divertida, entrecortada de risos. Cid chegou a brincar com a fama de americanizada que tem Sobral, sua cidade de origem. Quando afirmou que se mantinha “up to date” [autalizado] com a tecnologia, alguém da platéia fez uma brincadeira, e ele emendou: “Gostaram do ‘up to date’?, eu aprendi em Sobral”, provocando risos generalizados.

A palestra

Cid Gomes fez uma histórico da avanço da tecnologia da informação no Ceará e de seu interesse pelo assunto. Foi quando disse que se mantinha “up to date”. Para ele, a informática é um misto de “lazer e trabalho”.

Contou como, a partir de um GPS instalado no seu Iphone passou a fazer o georreferenciamento das obras do Estado, anotando-as no Google Earth.

Foi quando tomou conhecimento do Twitter, pelo uso que o presidente americano, Barack Obama, fez durante a sua campanha. Disse ter observado que o Twitter era uma “ferramente extraordinária” para comunicar-se com as pessoas. Assim, o governador passou a fazer posts no Twitter com link para o Google Maps, onde aponta o local e publica uma foto da obra em construção.

Afirmou que ele mesmo faz suas a atualizações, diferentemente de muitos políticos que repassam a atribuição a assessores. Para ele, a ferramenta “perde o valor” se não for o próprio autor do microblog a preocupar-se com a atualização. Garantiu que não existe um único post que não tenha sido feito por ele mesmo.

Contou que todas as vezes que se encontra com o presidente Lula incentiva-o a criar um endereço no Twitter, mas que não tem conseguido sucesso.

O governador disse que frente à população do Ceará, de mais de 8 milhões de habitantes, podem parecer pouco significtivos seus 4.407 seguidores [4.946 quando escrevi este post], mas que isso não o desmotiva, pois a repercussão de seus posts alcança um universo mais amplo, pois ele é seguido por jornalistas e outras pessoas que reproduzem as informação que ele posta no microblog.

Foi quando o governador lembrou passagem ocorrida com uma jornalista do O POVO,

Dalviane Pires, que preparava uma matéria sobre o refinancimento de débitos com o Estado. Sem conseguir falar com nenhum secretário do governo e com o horário do fechamento se aproximando, ela começou entrar naquele desespero que todo jornalista conhece. Vejam como o próprio Cid Gomes descreveu a situação:

“Uma repórter, não sei se ela está aqui [alguém na mesa lembra-lhe o nome da jornalista], fez um comentário assim [no Twitter]: Ah se o cid me ajudasse. Ela não pedia não; só clamava aos deuses, ao céu [risos]. Aí eu respondi para ela: me mande o seu telefone que eu te ligo. Ela, surpresa, me mandou o telefone. Eu telefonei para ela, foi manchete dojornal no dia seguinte; não manchete que eu liguei para ela [risos], mas o assunto que ela tinha pautado. Muitas vezes eu tenho conseguido me antecipar à [minha] assessoria de impresa.”

O endereço do governador Cid Gomes no Twitter: http://twitter.com/cidfgomes

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17.09.09 09:57

Titanzinho x estaleiro: governador Cid Gomes não fala; seus auxiliares agem

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

O jornal O POVO traz, na edição de hoje, declaração das duas maiores autoridades do Estado do Ceará sobre a falada instalação de um estaleiro [pra construir navios para a Petrobras] na Praia do Titanzinho, no bairro Serviluz.

Primeiro é o governador Cid Gomes [PSB] afirmando que não dará declarações sobre o assunto enquanto não existirem “fatos concretos” sobre os quais possa opinar.

Depois, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins [PT], diz que, “a oprincípio”, é contra, pois o estaleiro concorre com o seu projeto de integrar a orla marítima, mas disse que vai falar com o governador sobre o assunto. Conhecendo-se o modo de trabalho de prefeita – e a sua origem nos movimentos sociais – é bem possível que ela consolide a opinião contra a construção do estaleiro.

Contradição

Mas, o que soa estranho é a afirmativa do governador, de que não vai opinar sobre o assunto por não existir um fato concreto.

Se o governador não quer opinar, ele precisa então avisar os seus auxiliares da Adece [Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará], que são nomeados por ele, e, supõe-se, devem obediência às suas diretrizes.

O presidente da Adece, Antônio Balhmann, pelo menos desde de agosto, vem defendendo com veemência a construção do estaleiro na Praia do Titanzinho, mesmo sem a existência de “fatos concretos”.

Segundo informa a coluna Vertical S/A, assinada por Jocélio Leal no O POVO, o presidente da Adece já disse que o estaleiro “não move uma palha do local” [a Praia do Titanzinho].

Na terça-feira [15/9] houve uma audiência Pública na Câmara Municipal para debater o assunto. E lá estava Eduardo Neves, diretor da Adece, acompanhado de Paulo Haddad,  representante da empresa PMJR, que vai participar da licitação para a construção do estaleiro.

A própria Adece informa em sua página na internet: “O diretor da Adece, Eduardo Neves e o controlador da empresa PMJR, responsável pelo empreendimento, Paulo Haddad, explicaram aos participantes características do projeto”.

O governador, na matéria citada acima, diz que só vai discutir o assunto “se ganhar o projeto virtual” [as empresas vão apresentar propostas de construção do estaleiro].

Ora, mas parece óbvio que decidir se se quer ou não o estaleiro teria de preceder a decisão de participar ou não da concorrência. Por que a Adece se envolve em um projeto que depois será descartado? Por que a Adece se associa a uma das empresas que participarão da licitação [suponho que haverá outras]?

Se uma empresa do porte de uma empresa que tem condições de construir um estaleiro entra em um processo desses não o faz para “testar hipóteses”. Certamente, quererá garantias que seus esforços terão consequencia.

Creio que o debate tem de ser feito e seria interessante que o governador manifestasse a sua opinião sobre o projeto, que ele há de ter uma.

Agora, se o próprio governador não quer falar sobre assunto de tamanha importância e impacto na vida da cidade, parece indevido que auxiliares dele o façam, sem a menor cerimônia.

Veja mais sobre debate a respeito do estaleiro:

Somos soldados do bem.
Estaleiro x Titanzinho. [Com belas fotos do local]
Protesto no Serviluz.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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