cern - Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

26.06.09 07:10

Cortadores de cana terão garantias

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Nas andanças em reportagem pelo interior, na semana passada [veja posts neste blog na categoria "Reportagem CE-RN], um dos municípios que visitamos foi Ererê, a cidade cearense que mais manda trabalhadores para cortar cana nas usinas de São Paulo.

Um dos trabalhadores comparou o serviço ao “trabalho escravo” e disse que no lugar em que ele ficava alojado serviam uma comida que “nem o cachorro que tinha lá comia”.

Ontem foi assinado, em Brasília, pelo presidente Lula, o “Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar”. [Agência Brasil]

Pelo que ficou acertado, segundo o portal da CUT, dá para observar em que condições esses trabalhadores labutam.

As empresas que os empregam deverão providenciar:

• registro em carteira;

• garantia de que os gastos com transporte e segurança não serão descontados dos salários dos empregados;

• alojamento adequado para trabalhadores migrantes;

• alimentação de qualidade deverá servida no local de trabalho

• as empresas contratantes fornecerão equipamento de segurança individual em acordo com normas internacionais;

• deverá haver telefones nos acampamentos e outras formas de permitir comunicação com as famílias;

• obrigatoriedade de duas pausas coletivas por dia;

•  as metas de produção (metros ou quilos) deverão ser estabelecidas em negociação com os sindicatos de trabalhadores rurais de cada região;

• instalação de equipamentos certificados para a medição da produção individual de cada cortador, e de que a medição será feita sob supervisão das entidades sindicais dos trabalhadores;

• garantia que o trabalhador, cuja produção não atingir ganho igual ao piso, receberá complementação salarial;

• os sindicatos terão papel ativo na fiscalização do cumprimento das novas normas, junto com os instrumentos de fiscalização do Estado.

Agora é ver se o acordo será cumprido ou foi um modo de reduzir a pressão internacional, que acusa a produção de etanol brasileira de usar trabalho análogo ao da escravidão nas fazendas de corte de cana.

A propósito, o presidente Lula fez uma referência ao assunto ao assinar o acordo.

“Sei que o trabalhador de cana trabalha no pesado, mas é menos pesado do que trabalhar em uma mina de carvão, que foi o que transformou seu país numa potência [referindo-se ao desenvolvimento das nações ricas]. Tirem o dedo sujo de combustível fóssil do nosso combustível limpo, senão fica acusação por acusação”, disse o presidente.

Bom, não creio que uma coisa possa justificar a outra. O fato de os países ricos terem devastado as suas matas, por exemplo, não nos autoriza a pôr abaixo a floresta amazônica.

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21.06.09 11:11

O ninhal das garças

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Valdir, Dário Gabriel e Demitri fotografando ninhal na beira da rodovia. Foto: Plínio

Valdir, Dário Gabriel e Demitri fotografando ninhal na beira da rodovia. Foto: Plínio

Na proximidades de Açu [RN] Demitri, candidato a fotógrafo, pede para parar: ele quer fotografar um ninhal de garças, à beira da estrada.

Ele é acompanhado pelo Valdir e por Dário Gabriel, que, no caminho,  fica dando dicas de fotografia e frescando com as fotos que o Demitri faz.

De Açu, paramos em Mossoró, para falar com a direção da Ufersa [Universidade Federal Rural do Semiárido], sucessora da Esam [Escola Superior de Agronomia de Mossoró].

De lá, foi um estirão até Fortaleza. Rodamos quase dois mil quilômetros pelas estradas do Ceará e do Rio Grande do Norte.

E o prazer de ter viajado e trabalhado com uma equipe de primeira qualidade, em todos os sentidos: Valdir, Demitri Túlio e Dário Gabriel.

Com este post, concluo esta narrativa, em que tentei usar várias mídas para contar uma história.

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20.06.09 11:07

Dário Gabriel, Demitri e Valdir em ação

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 5 Comentários

Dário Gabriel dentro da tanque de alevinagem, no Castanhão: tudo por uma boa foto. Fotos Plínio

Dário Gabriel no tanque de alevinagem, no Castanhão: tudo por uma boa foto. Fotos Plínio

Dário fotografa e Demitri fala com mulheres produzindo filé de tilápia, na comunidade Curupati Peixe

Dário fotografa e Demitri fala com mulheres produzindo filé de tilápia, na comunidade Curupati Peixe

Para o repórter fotográfico Dário Gabriel não tem tempo ruim, chamando a a si mesmo de “o negão aqui”, ele não rejeita nenhuma parada, quando se trata de fazer uma boa foto.

Uma de suas façanhas nesta viagem foi entrar [só de calção, o que lhe custou algumas piadas no restante da viagem] no tanque de peixes na Estação de Alevinos do Dnocs, no Castanhão.

A palavra de ordem do repórter-especial Demitri Túlio é “bóra”, na hora de correr atrás de uma pauta.

Na sexta-feira, Ian Gomes, no programa “Revista O POVO/CBN”, me perguntou se levávamos GPS, brincando com o fato de eu ter me perdido em Ererê.

Disse a ela que o nosso GPS era o motorista Valdir, que conhece todas as estradas e desvão do Ceará. Sem contar a direção segura. Raramente ele passa por algum buraco, o que é quase um milagre em se tratando das estradas no Ceará.

E Valdir não é só motorista: ele tem o tino de um repórter, dá várias suguestões e nos dár várias sugestões que aproveitamos nas pautas.

Como sou um fotógrafao amador, não tenho nenhuma foto dele em ação, porém fica o registro escrito.

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Veja mais fotos. Continuar lendo

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20.06.09 10:37

Pau-de-arara para os estudantes

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Alto Santo: Estudantes chegando à cidade; ao fundo um aluno faz o "dever" de casa

Alto Santo: Estudantes chegando à cidade; ao fundo um aluno faz o "dever" de casa. Foto: Plínio

Passamos em mais duas cidades em que vimos paus-de-arara usados como meio de transporte para estudantes da zona rural: Alto Santo e Ererê.

A desculpa dos secretários da educação é sempre a mesma: as estradas são ruins e só dá para transitar em caminhões F-4000 ou camionetas D-20.

Eles só não explicam porque não consertam as estradas e nem que, em boa parte dos casos, o serviço de transporte é entregue a parentes e aderentes.

Em Alto Santo falamos por cerca de 30 minutos com a secretária da Educação, Geudir Gurgel, sem que tivesse surgido o assunto transporte de estudantes.

Perguntamos qual era o partido do prefeito: “Nem sei o nome, é do partido do Cid Gomes”. Na verdade, Adelmo Aquino é do PRB, partido “alternativo” do governador do Ceará Cid Gomes, que é do PSB.

Ao sairmos, deparamos com caminhões chegando com os alunos. Voltamos à secretaria para inquiri-la sobre o assunto. Sem graça, ela deu a explicação acima.

O secretário da Educação de Ererê, Carlos Cavalcante, acresceu mais um argumento para estudantes em ”pau-de-arara”, palavra que ele mesmo utilizou como era o transporte de alunos. Ele se refetiu à “pobreza” do município.

A cidade é dirigida pelo prefeito Manoel Martins Alves, conhecido como Nelson Martins, do PSDB.

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19.06.09 16:37

Sem palavras

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

fixado-na-porta-do-banheiro-vestiario-do-posto-mae-maria-em-tabuleiro-do-norte-18-6-2009A placa acima está pregada na entrada do banheiro do posto Mãe Maria, em Tabuleiro do Norte [CE].

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19.06.09 16:24

Me perdi em Ererê

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 63 Comentários

Centro de Ererê, por volta do meio-dia

Centro de Ererê, por volta do meio-dia. Foto: Plínio

Ererê é uma cidade com pouco menos de sete mil habitantes. Cerca de mil jovens da cidade saem, todos os anos, para cortar cana em São Paulo. “É como um trabalho escravo”, diz um deles.

O município é paupérrimo [ver IBGE]. Parece mais um vilarejo, uma cidade fantasma.

Mesmo assim, consegui “me perder” na cidade. O motorista Valdir me deixa na casa do secretário da Educação enquanto o Demitri fica falando jovens que já haviam experimentado cortar cana em São Paulo.

Termino a entrevista, e resolvo voltar a pé, em esperar pelo Valdir, que ficara de me apanhar. Começo a caminhar, vejo que estou perdido.

O negócio mais chamativo que tinha visto, perto de onde estávamos era o “Paris Games” [foto acima].

Pergunto para dois rapazes: onde fica o Paris Games?

“Hem?”

- Paris Games.

[Eles se entreolham.]

Resolvo apelar: “O restaurante da dona Margarida” [onde havíamos almoçado].

“Ah, sim, é só virar ali”.

Achei, mas é vegonhoso perder-se numa cidade que tem duas ou três ruas.

[No dia 25/7/2009, às 20h04min retirei um comentário injusto que fiz sobre o restaurante de Dona Margarida.]

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19.06.09 16:02

O empreendedor do Castanhão

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Cooperados fazem evisceração da tilápia. Fotos: Plínio

Cooperados fazem evisceração da tilápia. Fotos: Plínio

Fernandes acendendo o fogo para fazer "biodiesel"

Fernandes acendendo o fogo para fazer "biodiesel"

Pauta é assim: você vai atrás de um coisa, fica de olhos abertos e descobre outras.

Na matéria sobre a cooperativa de pescadores [criadores] de tilápias na comunidade Curupati Peixe, no Castanhão, perguntamos o que se fazia com as vísceras dos peixes.

O técnico da Ematerce que nos acompanhava, Tércio Gomes da Silva, disse que durante cinco anos foram jogadas fora. Depois, passaram a ser dadas “àquele rapaz ali” para ele fabricar “biodiesel”.

O rapaz é Francisco Maciel Fernandes de Arruda, 24 anos, casado com a filha de um dos associados da Cooperativa Corupati Peixe.

Com uma espécie de rastelo, ele puxa as vísceras para dentro de baldes [acima os cooperados fazendo a limpeza dos peixes, Fernandes aparece ao fundo]. Depois, com reboque em uma moto, ele leva os restos para uma pequena palhoça.

Lá, num fogão rústico, ele cozinha as vísceras por quatro horas, decanta e retira o óleo, que ele vende para motoristas que a usam em uma mistura de 40% com óleo diesel. “Também serve para fazer sabão”.

O empreendedor está contente com o seu trabalho: consegue renda média de R$ 1.000,00 por mês.

Veja a matéria no O POVO.

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19.06.09 15:27

A cabra curiosa do Castanhão

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Cabra alimenta o filhote e...

Cabra alimenta o filhote e...

curiosa, verifica a lente. Fotos: Plínio

...curiosa, verifica a lente. Fotos: Plínio

No pátio da estação de criação de alevinos [filhotes de peixe] do Dnocs, no Castanhão convivem pacificamente homens, cabras, cachorros e gatos.

Observava um cabritinho mamando, aproximei-me da mãe para fotografar. Curiosa, ela colou o focinho da lente [do celular] para ver que diabo era aquilo.
Esperei ela se acostumar para fazer a foto da mãe alimentando o filho.

Veja mais no Twitter #CE-RN e no Google Maps.

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19.06.09 15:12

Xuxa dorme na guarita do Castanhão

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Xuxa, depois de prenha, ficou preguiçosa. Foto: Plínio

Xuxa, depois de prenha, ficou preguiçosa. Foto: Plínio

É, de fato, um espetáculo ver o mar de água do maior açude do Brasil: o Castanhão. Chegamos lá no dia 17/6/2009, pela manhã.

Enquanto esperamos para entrar [turistas e visitantes passam direto, mas o adesivo “Reportagem O POVO” nas laterais laterais co arro fez o vigilante nos para: “Reportagem e foto só com autorização”.

Enquanto esperamos os trâmites, entram várias pessoas com máquina fotógrafica. “E se chegássemos sem os adesivos”, pergunto. “A gente ia notar que era reportagem e ‘chegava junto’”.

Fico por ali olhando uma vira-lata deitada no chão da guarita. Pergunto qual o nome da cachorra, o guarda, meio sem graça: “O pessoal chama ela de Xuxa, porque é amarela”.

- É sua?

“É daqui, da guarita”.

- Ela passa o tempo todo deitada?

“Não, é que ela ficou meio preguiçosa depois que ficou prenha.

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17.06.09 22:03

Em Russas, lan house fecha às 10 da noite

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Caros amigos e leitores deste blog. Hoje  rodamos 340 km, visitando cinco localidades diferentes.

Chegamos  às 20h na lan house para escrever as matérias, pois os modens dos note books pegam muito mal no interior.

Em Russas, as lan houses fecham às 22h, e não deu para fazer posts. Vou ver se consigo publicar algo amanhã sobre as reportagens que estamos fazendo pelo interior.

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Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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