25.10.09 21:17
Quem escreveu a patente de Lampião
“Não mexe em nada do que o teu pai escreveu. Orlando, Orlando… O que o Leota fez está feito e é sagrado”, de Luís Câmara Cascudo, a Orlando Mota, filho de Leonardo Mota, que organizava um livro do pai a partir das anotações que ele deixara. Orlando perguntou a Câmara Cascudo se devia fazer algum tipo de alteração e recebeu essa suave admoestação de Cascudo.
Os que acompanham este blog já sabem que venho publicando, a cada domingo, as 11 primeiras histórias de “No tempo de Lampião”, de Leonardo Mota, livro escrito em 1930 pelo mestre das pesquisas do folclores e das coisas nordestinas.
Na foto, Leonardo Mota com o cantador Anselmo Vieira, em data não especificada, do blog Cantinho da Dalinha.
Já publiquei:
O príncipe
Para tirar a raça
O castiçal
Leia agora:
Quem escreveu a patente de Lampião
Foi nos primeiros dias do ano passado e quando me internei nos sertões de Pernambuco.
Não sei como, naquela calçada de hotel, em Caruaru a palestra começou a girar em torno do Padre Cícero, de Juazeiro. Falou-se na extrema capacidade de sedução do quase nonagenário reverendo. Na ignorância eterna em que ele finge estar de ofensas jornalístyicas que lhe são irrogadas. No empenho de obsequiar a todo hóspede ilustre de sua terra. Nos seus recursos de conversador matreiro, não abordando política com adversários, nem religião com incréus. Na sua eleição de Deputado Federal, sem dar à Câmara a confiança de tomar posse da cadeira para que fôra colhido. No seu culto pela virtude da Castidade, contra o que inimigos acérrimos jamais articularam qualquer imputação. Na sua megalomania, crendo-se autorizado a escrever cartas ao Kaiser, sugerindo-lhe a rendição da Alemanha, ou a dar conselhos a presidentes do Brasil, quanto ao modo por que se devem conduzir no governo… Éramos poucos, mas tudo gente esfarinhada no “caso” de Juazeiro.
Alguém lembrou que, de uma feita, ouvira um romeiro falar ao taumaturgo juazeirense: – Meu Padrim, eu queria que o Sr. me dissesse se, este ano, o sol incriza. Lhe pergunto porque eu estou com uma filha pra casar, mas ela diz que, se o sol incrizar este ano, ela não se casa… O Padre, que já havia lido as folhinhas do ano, disse que a moça podia se casar, pois naquele ano não haveria eclipse do sol…
- Certos milagres que o Padre Cícero faz eu também faço! ajuntou outro da roda. E exemplificou:
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