09.10.09 23:41
O sr. Keuner e o desenho da sua sobrinha
O sr. Keuner observou o desenho da sua sobrinha pequena. Representava uma galinha voando sobre um pátio. “Por que a sua galinha tem três pernas?”,
perguntou ele. “As galinhas não voam”, respondeu a pequena artista, “por isso precisei de mais uma perna para dar o impulso.” “Estou contente por ter perguntado”, disse o sr. Keuner.
“Histórias do Sr. Keuner”, Bertolt Brecht
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08.10.09 00:03

"Saber e exclusão", de Hélio Rôla
“Histórias do Sr. Keuner”, de Bertolt Brecht
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05.10.09 04:49
O sr. K. viu passar uma atriz e disse: “Ela é bonita”. Seu acompanhante disse: “Ela teve sucesso recentemente porque é bonita”. O sr. K. se aborreceu e disse: “Ela é bonita porque teve sucesso”.
“Histórias do Sr. Keuner”, de Bertolt Brecht
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28.09.09 04:49
Um homem que o sr. K. não via há muito o saudou com as palavras: “O senhor não mudou nada”. “Oh!”, fez o sr. K., empalidecendo.
“Histórias do Sr. Keuner”, Bertolt Brecht
24.09.09 04:49
“Histórias do Sr. Keuner”, Bertolt Brecht
17.09.09 05:12
«O sr. K. observava uma pintura na qual alguns objetos tinham uma forma bem arbitrária. Ele disse: “A alguns artistas acontece, quando observam o mundo, o mesmo que aos filósofos. Na preocupação com a forma se perde o conteúdo. Certa vez trabalhei com um jardineiro. Ele me passou uma tesoura e me disse para cortar um loureiro. A árvore ficava num vaso e era alugada para festas. Por isso tinha que ter a forma de uma bola. Comecei imediatamente a cortar os brotos selvagens, mas não conseguia atingir a forma de uma bola, por mais que me esforçasse. Uma vez tirava demais de um lado, outra vez de outro. Quando finalmente ela havia se tornado uma bola, esta era pequena demais. O jardineiro falou, decepcionado: ‘Certo, isto é uma bola, mas onde está o loureiro?’”»
Histórias do Sr. Keuner, de Bertolt Brecht
16.09.09 05:12

Bertolt Brecht
«O sr. K. que era partidário da ordem nas relações humanas, envolveu-se em muitas pelejas durante sua vida. Certa vez ele se viu novamente numa situação difícil, pois na mesma noite era preciso ir a vários encontros, em pontos diferentes e distantes da cidade. Estando doente, pediu emprestado o casaco de um amigo. Este lhe prometeu o casaco, embora tivesse de cancelar um compromisso por isso. À tarde, o estado do sr. K. piorou de tal modo, que as caminhadas em nada o ajudariam, e outras coisas se tornaram necessárias. No entanto, e apesar da falta de tempo, o sr. K. mantendo o que fora combinado, buscou pontualmente o casaco inútil.»
Histórias do Sr. Keuner, Bertolt Brecht
13.09.09 05:03
O sr. K. falou sobre o mau costume de engolir em silêncio a injustiça sofrida, e contou a seguinte história: “Um passante perguntou a um menino que chorava qual o motivo do seu sofrimento. ‘Eu estava com dois vinténs para o cinema’, disse o garoto, ‘aí veio um menino e me arrancou um da mão’, e mostrou um menino que se via à distância. ‘Mas você não gritou por socorro? perguntou o homem, ‘Sim’, disse o menino, e soluçou um pouco mais forte. ‘Ninguém o ouviu?’, perguntou ainda o homem, afagando-o carinhosamente. ‘Não’, disse o garoto, e olhou para ele com esperança, pois o homem sorria. ‘Então me dê o outro’, disse, e tirou-lhe o último vintém, continuando tranquilo o seu caminho”.
“Histórias do Sr. Keuner”, de Bertolt Brecht
10.09.09 16:11

"Quando se é humano", de Hélio Rôla
«Alguém perguntou ao sr. K. se existe um Deus. O sr. K. respondeu: “Aconselho refletir se o seu comportamento mudaria conforme a resposta a essa pergunta. Se não mudaria, podemos deixar a pergunta de lado. Se mudaria, posso lhe ser útil a ponto de dizer que você já decidiu: Você precisa de um Deus.»
Histórias do Sr. Keuner, Bertolt Brecht
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