Plínio Bortolotti

16.09.10 00:01

“Os senadores”, mostra que a situação complica-se para Tasso Jereissati

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 5 Comentários

Praça do Ferreira: Fortaleza, em foto de Drawlio Joca: http://www.flickr.com/photos/drawliojoca

Meu artigo semanal, publicado na edição de hoje (16/9/2010) do O POVO.

Os senadores
Plínio Bortolotti

Com a grande diferença entre os dois principais candidatos à Presidência da República; Dilma Rousseff (PT) mantendo-se à frente de José Serra (PSDB), como mostram as pesquisas – fato que nem um terremoto parece abalar –, os olhares se voltam para a disputa ao Senado. O fenômeno está acontecendo em vários estados.

No Ceará, o candidato à reeleição ao governo, Cid Gomes (PSB), também vem navegando em céu sem nuvens. Portanto, desde o início, é a campanha para senador que desperta mais atenção. Os “candidatos do Lula”, José Pimentel (PT) e Eunício Oliveira (PMDB) disputam Tasso Jereissati (PSDB), uma das vozes importantes da oposição.

No entanto, os dois candidatos da situação a senador andaram se estranhando. A grande diferença entre eles e o senador Tasso Jereissati, apontada pelas pesquisas, fazia com que, em alguns momentos, eles se “esquecessem” da campanha conjunta, abrindo espaço para que o eleitor ou apoiadores importantes optassem por Tasso Jereissati, como “segundo nome”.

O que a pesquisa publicada na terça-feira pelo O POVO trouxe de novidade foi a consolidação da queda de Tasso Jereissati (de 59% na pesquisa de julho para 48%) e a subida conjunta dos dois candidatos da situação: Eunício (24% para 34%) e Pimentel (24% para 31%). Analistas de pesquisa contrariam a máxima de que a enquete é sempre um “retrato do momento”. Se em duas pesquisas seguidas – dizem – o candidato sobe ou desce, isso significa uma “tendência” de que a queda ou a ascendência continuará.

Esse é um dos motivos que deve ter feito acender a luz amarela no comitê de Tasso Jereissati. O outro, é que a pesquisa poderá ter o condão de levar a uma trégua os candidatos da situação, pelo vislumbre de os dois serem eleitos – o que os levará a intensificar a campanha conjunta. Isso será mais um complicador para a reeleição do senador oposicionista, em uma campanha que parecia mostrar-se tranqüila.

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09.09.10 12:20

Falta de educação e de civilidade ajudam a provocar “Mazelas urbanas”

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

Arte de Hélio Rôla, exclusiva para os leitores do blog

Acabei por transformar em artigo, publicado na edição de hoje do O POVO, o tema do post Pais promovem festival de irregularidades na porta de colégios. A postagem, até agora (12h11min de 9/9/2010) está com 24 comentários, o que dá para se ter uma ideia de como a situação incomoda as pessoas, que apelam para alguma atitude das “autoridades”.

Mazelas urbanas
Plínio Bortolotti

Quando comecei com meu blog queria divulgar questões relacionadas ao jornalismo, o que continuo a fazer. De modo casual, passei a publicar também fotos de obstáculos que infernizam a vida dos pedestres, e também a comentar o absoluto desrespeito que se tem pelo espaço público em Fortaleza.

Essas postagens acabaram por ganhar significado inesperado, pois leitores passaram a mandar fotos e a demonstrar incômodo com a situação. Observo que é cada vez maior a intolerância das pessoas com as mazelas urbanas que tornam incivilizada a convivência na cidade.

As áreas públicas são uma espécie de terra de ninguém, nas quais prevalece a força bruta. Calçadas viram extensão de negócios privados, onde se vê de tudo: borracharias, oficinas, lojas, bares, ocupação de construtoras, etc. Batentes, rampas, degraus, construções irregulares, “puxadinhos” são coisas comuns, incluindo os bairros considerados “nobres”. Sem contar que estacionar sobre calçadas – ou torná-las estacionamentos irregulares – tornou-se banalidade.

Apesar da atenção deficitária que a Prefeitura dedica a essas questões, surgem algumas boas surpresas, como é o caso da Secretaria Executiva Regional II, que responde a todas as demandas, e resolve uma boa parte delas.

Se falta faltam medidas do poder público, a deseducação das pessoas contribui para esse estado de coisas. Recentemente, uma leitora do blog comentou o festival de infrações que os pais cometem quando vão apanhar seus filhos nos portões dos colégios.

Dia desses, li na seção de cartas do O POVO uma leitora se queixando que vê o padecimento da mãe, uma senhora enferma, aumentar nos horários de entrada e saída de um colégio da qual ela é vizinha. Os pais, para chamarem a atenção dos filhos, param em fila dupla e promovem um verdadeiro buzinaço, agravando os problemas da idosa.

É de se perguntar: que tipo de exemplo esses pais estarão querendo repassar para seus filhos?

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02.09.10 00:01

É preciso mudar critérios para concessões: “TV, rádio e políticos”

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Praça do Ferreira, Fortaleza (CE), em foto de Drawlio Joca

Meu artigo semanal, publicado na edição de hoje (1º/9/2010) no O POVO, com foto de Drawlio Joca, exclusiva para os leitores do blog.

TV, rádio e políticos
Plínio Bortolotti

Assim que tomou posse, o novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, vendeu a sua emissora de TV a Chilevisión, o segundo canal mais importante do país. O negócio foi feito com a Time Warner por 140 milhões de dólares.

Piñera relutou em abrir mão da TV, ainda tentou entregá-la a uma fundação administrada por sua família. Pressionador por opositores – que alegaram conflito de interesses entre ele ter a propriedade de uma poderosa emissora de TV e ser detentor do cargo político mais importante do país – ele mudou de ideia. Como presidente, Piñera também nomeia o presidente da estatal TVN, o canal mais importante do país.

Enquanto isso, no Brasil continua o contubérnio entre políticos e o serviço de radiodifusão. E não há opositores para reclamarem, pois esses, quando na “situação” também costumam beneficiar os seus aliados na distribuição de emissoras de rádio e TV.

Se, nas campanhas eleitorais, existe controle para que as rádio e TVs tratem de modo equilibrado os candidatos em disputa, a pergunta nunca respondida é a seguinte: fora desse período é permitido que um político use esses meios para se autopromover? Sim, pois é difícil imaginar que, sendo político, o proprietário de uma emissora vá dar refresco aos seus adversários, em qualquer época.

Ficando no Nordeste, dê um passeio pelos estados, a partir do Maranhão e verifique que, na maioria deles, há ligação direta entre a dominação política e/ou econômica e a propriedade dos meios de comunicação. José Sarney, presidente do Senado, chegou a afirmar – em um rasgo de sinceridade – que não precisaria ser proprietário de jornal, rádio e TV se não fosse político.

Desse modo, poucos querem ouvir falar em rever a forma como são distribuídos canais de rádio e televisão – concessões públicas – de modo a pôr um pouco de ordem e equilíbrio no setor.

Fotos

Se gostou da foto de Drawlio Joca,  você poder ver mais nos seguintes endereços:

. Flickr
. Facebook (São Paulo)
. Facebook (Rio)

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26.08.10 00:01

Chapada do Apodi, Tabuleiro de Russas: “Desenvolvimento a que preço?”

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Arte de Hélio Rôla

Meu artigo semanal, publicado na edição de hoje (26/8/2010) no O POVO.

Desenvolvimento a que preço?
Plínio Bortolotti

Completaram-se quatro meses da morte de José Maria Filho, agricultor de Limoeiro do Norte. Abatido com 19 tiros, ao que tudo indica por matadores de aluguel, o seu assassinato não foi apenas uma brutalidade por si só, sugere também um aviso.

Zé Maria era personagem ativo na luta contra o uso intensivo e extensivo de agrotóxicos – pulverizado por aviões – na cultura de frutas nos perímetros irrigados da região. Participava também do movimento de agricultores desapropriados para a instalação desses projetos – Chapada do Apodi e Tabuleiro de Russas.

De acordo com estudos da médica Raquel Rigotto, professora da UFC, são despejados mais de 70 mil litros de agrotóxico a cada pulverização, atingindo localidades habitadas por mais de oito mil pessoas. Segundo a médica, são sete tipos de veneno que contaminam as pessoas diretamente, o solo e o lençol freático, poluindo a água consumida nessas comunidades. (O POVO, 20/8)

A primeira coisa a dizer é a seguinte: depois das declarações de praxe das autoridades, no momento do crime, inexistem informações se a polícia encontrou alguma pista dos assassinos ou dos possíveis mandantes, ou mesmo se está se aplicando para chegar à identidade dos criminosos.

Depois, faltam explicações de instituições governamentais (federais, estaduais e municipais) sobre esses empreendimentos: se eles cumprem a legislação, se são fiscalizados, se há dinheiro público envolvido, se os consumidores de seus produtos também estão sendo envenenados, etc.

Mas esse parece ser um tema tabu; a “situação” evita o assunto e antepõe a palavra mágica “emprego” a qualquer questionamento; a “oposição” tradicional acomoda-se, pois se comporta de modo equivalente.

Que o Ceará precisa se desenvolver, que precisa atrair indústrias, que as populações (urbanas e rurais) precisam de emprego e renda, tudo isso é verdade. Mas não se pode admitir o “desenvolvimento” a qualquer custo, muito menos ao preço de vidas e da saúde das pessoas.

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19.08.10 00:01

Propaganda de candidatos: “Legal, mas inconveniente”

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Ilustração de Hélio Rôla, exclusiva para os leitores do blog

Meu artigo semanal, publicado na edição desta quinta-feira, no O POVO:

Legal, mas inconveniente
Plínio Bortolotti

A legislação eleitoral já melhorou ao proibir candidatos de sujarem a cidade, colando cartazes e outdoors a torto e a direito.

Pouco tempo atrás, muita gente ainda deve se lembrar, as cidades ficavam emporcalhadas no período eleitoral, pois postes eram usados para colar cartazes, muros eram pichados e faixas eram penduradas em qualquer lugar. Na pior fase, em São Paulo, o ator Wagner Sugamele chegou a criar um troféu, o “Porcolino” para “premiar” o político que mais sujasse a cidade nas eleições.

Mas, a meu ver, a legislação ainda é leniente: o negócio deveria ser mais rigoroso. Sem falar nos candidatos “espertos” que buscam as famosas “brechas” na lei para se darem bem.

Um desses horrores são os “carros de som” com suas ridículas musiquinhas de exaltação dos candidatos. Os caras não respeitam domingos nem feriados; desconhecem que tem gente que trabalha e quer usufruir o direito de ler ver televisão ou de descansar em sua própria casa.

E, pior, infernizam a vida de estudantes, nessa época, preocupados com as provas do Enem. Os “carros de som” gostam de circular próximo aos shoppings, onde hoje se localizam boa parte dos cursos preparatórios para as provas de admissão das universidades. Fiz um post no blog e no Twitter sobre o assunto e recebi várias mensagens de estudantes da UFC (campus Benfica) com a mesma queixa.

Existem também os que driblam a legislação fixando “pirulitos” de propaganda nas praças ou que aparecem em outdoors para divulgar um suposto livro ou um suposto programa de TV, quando na verdade estão buscando confortáveis cadeiras no parlamento.

Esta semana fui premiado com a inauguração do comitê de um candidato no meu bairro. O som troou com manjados discursos até pelas 22h. No fim um rastro de sujeira até o meio da rua.

Senhores candidatos, os tempos mudaram: respeito gera respeito e, talvez, votos. Pensem nisso.

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12.08.10 00:01

Ficha limpa, ficha suja

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Meu artigo semanal publicado na edição de hoje do O POVO:

Ficha limpa, ficha suja
Plínio Bortolotti

O projeto chamado “Ficha Limpa”, sem dúvida nenhuma, foi algo positivo para o cenário político. A sua aprovação no Congresso Nacional deu-se pela enorme pressão popular e pela força do mais de um milhão de assinaturas, colhidas em todo o país, que o fez tramitar como um projeto de iniciativa popular. Seria muito difícil imaginar que tal medida vingaria, dependesse apenas da vontade dos políticos.

É um mecanismo que ajudará a sanear os costumes políticos do país, pois é inadmissível que um político, adepto do mau hábito de – digamos assim – maltratar os recursos públicos, continue gerindo uma cidade, um estado ou um país, ou mesmo que venha a ser um legislador.

Se para uma função pública de menor monta – um concurso, por exemplo – exige-se atestado de bons antecedentes, por que isso seria dispensável para representar os cidadãos no governo e no parlamento, funções nobres da democracia?

Posto isso, é preciso dizer o seguinte.

É hábito da imprensa de criar “selos” ou rótulos para assuntos que estão na ordem do dia ou de muita repercussão. Assim, o caso da suposta compra de votos de parlamentares, envolvendo o PT (2005) ganhou o carimbo de “mensalão”. E “mensaleiro” virou todo parlamentar que visitou determinado banco, onde supostamente se faziam os pagamentos, tendo ele culpa ou não no malfeito. Poderia citar dezenas de outros casos do mesmo teor.

Algo parecido, talvez pior, está acontecendo com a Lei da Ficha Limpa. Por oposição, a imprensa passou a batizar de “ficha suja” todos aqueles que têm a candidatura questionada, independentemente se cometeu um equívoco contábil ou praticou uma grande ilicitude.

Creio que a responsabilidade de separar uma coisa da outra cabe aos procuradores e à Justiça. E, também, à imprensa, pois a ela cabe informar seu leitor com clareza e precisão.

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05.08.10 11:09

Os emergentes e os gastos de classe

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Meu artigo semanal publicado na edição de hoje do O POVO, com ilustração de Hélio Rôla, exclusiva para os leitores do blog.

Gastos de classe
Plínio Bortolotti

Reportagem publicada na edição de terça-feira deste jornal mostra que, pela primeira vez este ano, o conjunto do consumo da classe D (renda entre R$ 511 e R$ 1.530) superou o que gasta a totalidade da classe B (renda entre R$ 5.101 e R$ 10.200).

Do bolo de rendimentos das duas classes, R$ 1,38 trilhão, a classe D gastou com produtos e serviços R$ 381,2 bilhões (28%) e a classe B gastou o equivalente a 24% (R$ 329,5 bilhões).

É bastante compreensível que os estratos mais pobres da população gastem mais à medida que a sua renda aumenta (para isso, certamente contribuíram a recuperação do valor do salário mínimo e os programas de transferência de renda).

Para uma pessoa de baixa renda falta aquilo que, para muitos, pode parecer o básico: um fogão, uma geladeira, um guarda-roupa para acomodar novas roupas, a melhoria da alimentação, entre outras coisas. E é a compra desses objetos que faz com que a classe D gaste mais com do que a classe B, que já não precisa aumentar os seus gastos nesses produtos.

(Isso provoca o que os economistas chamam de “círculo virtuoso”: a renda aumenta, cresce o consumo, a indústria produz mais e o setor de serviços vende mais – aumentam os empregos, etc.)

No entanto, o maior potencial de consumo está na classe C, a chamada “nova classe média” (renda entre R 1.531 R$ 5.100). E como esse segmento vem gastando?

Segundo pesquisa publicada no jornal Folha de S. Paulo (18/7/2010), esse público gasta entre 30% e 60% de sua renda com produtos de marca. Aí entram bolsas de grife, sapatos e roupas de luxo e caros produtos de beleza, entre outras coisas que podem, digamos assim, distinguir uma pessoa na multidão.

Se o anseio por um objeto, chamemo-lo de útil (um fogão, por exemplo), se justifica por si só, o que explicaria que um setor emergente passe a ter gastos tão elevados em coisas que poderiam ser chamadas de supérfluas?

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29.07.10 00:01

Ronda do Quarteirão: a nova velha polícia

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 4 Comentários

"A violência Ronda/Segurança mata", de Hélio Rôla

Meu artigo semanal, publicado no O POVO na edição desta quinta-feira [29/7/2010], com ilustração de Hélio Rôla, exclusiva para os leitores do blog.

A nova velha polícia
Plínio Bortolotti

Um rapaz de 14 anos é assassinado em ação criminosa da Polícia Militar. O motivo do crime: ele estava na garupa de uma motocicleta carregando uma suspeita caixa de ferramentas. Levou um tiro na cabeça, disparado por um funcionário público, pago para proteger a população. A desculpa: o pai do menino, que pilotava a moto, não teria atendido a ordem de parar da “autoridade”.

A abordagem desastrada não foi da “velha” polícia, mas ação da “polícia comunitária”, a “polícia cidadã”: a Ronda do Quarteirão. O que nasceu para ser o “exemplo” de uma “nova” polícia gangrena-se rapidamente. Não é o “velho” contaminando o “novo”, mas o velho que subsiste no “novo”. Para esse tipo de polícia, todo mundo é culpado até prova em contrário. O civil é visto como um inimigo a ser combatido, principalmente – talvez somente – se for pobre; pior se tiver o azar de ter a cor da maioria do povo brasileiro: pardo ou preto.

(Quando a Ronda foi criada confesso que vi brilhar uma chama do fim do túnel, mas cuidam de apagá-la bem rapidamente.)

No blog de Vasco Furtado, do Conselho de Leitores deste jornal, ele atribui o acontecido ao fato de policiais serem postos nas ruas sem a devida qualificação e afirma, com propriedade, que “polícia despreparada potencializa a violência”. Impossível discordar quanto à falta de treinamento.

Mas, pergunto: quanta “qualificação” seria necessária para se saber dos riscos de atirar em via pública? O que é preferível: deixar um suspeito fugir ou pôr em risco a vida de inocentes? Penso que qualquer pessoa normal sabe a resposta, mesmo sem nenhum tipo de treinamento.

A falta de treinamento é grave. Mas parece que o problema vai para além disso.

A freqüência assustadora com que casos assim – e outros tão graves – se repetem no Ceará e outros lugares, leva à conclusão de que não há “reforma” possível na corporação. É preciso começar tudo de novo. A unificação das polícias seria um bom começo.

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22.07.10 00:01

Mulheres de direita, os novos líderes?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

"Competição & hominização", de Hélio Rôla: somente para os leitores do blog

Meu artigo semanal publicado na edição de hoje (22/7/2010) do O POVO:

Mulheres de direita
Plínio Bortolotti

Rejeito a tese de que mulher somente por ser mulher tem mais “sensibilidade” do que o homem para governar, exercer cargo público ou de mando. A política, o exercício do poder – para o bem e para o mal – iguala a todos.

Em passagem do livro do livro México Rebelde, de John Reed, que acompanhou Pancho Villa para cobrir a revolta mexicana (1910-1917), o jornalista observa a ausência das mulheres em decisões importantes, apesar do número expressivo delas no grupo rebelde. Reed questiona Villa; o revolucionário lhe responde que as mulheres amoleceriam frente a uma decisão capital.

Segundo Reed, Villa costumava refletir sobre o que lhe diziam – e manda chamar sua cozinheira. Pergunta-lhe o que faria com um traidor, ela sorri timidamente: “Isso é com o senhor”. Villa insiste dizendo que ela teria de resolver. A resposta: “Eu mandaria fuzilar”. (Cito de memória, li o livro há mais de 30 anos e a passagem nunca me saiu da cabeça.)

Não foi Margareth Thatcher (primeira-ministra britânica, 1979-1990) “insensível” aos movimentos sociais? Não fez sentir sua mão de ferro sobre os trabalhadores mineiros?

Seria Marina Silva mais “sensível” do que foi o seu companheiro de luta ecológica, Chico Mendes? Seria Lula mais “insensível” do que Dilma Roussef?

Lembrei-me do assunto ao ler texto no jornal Valor Econômico sobre a ascensão de Miriam Lacerda, deputada estadual do conservador DEM, e candidata a vice-governadora de Pernambuco na chapa de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Sob a liderança dela, Lula foi derrotado por Serra nas eleições de 2002, em Caruaru, terra do presidente – e ela promete repetir o feito este ano.

Outra líder de direita, defensora do agronegócio – a quem, na visão dos movimentos coletivistas falta “sensibilidade social” – é a senadora Kátia Abreu (DEM).

Em uma quadra em que poucos têm coragem de enfrentar Lula diretamente, assumiriam as mulheres de direita esse papel?

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15.07.10 00:01

Brasileiros se apossam do país

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Meu artigo semana, publicado na edição de hoje (15/7/2010) do O POVO.

Brasil brasileiro
Plínio Bortolotti

O POVO, na edição de ontem, noticiou que 400 mil pessoas saíram da “linha de indigência” no Ceará, em um ano. E que, em cinco anos (2003-2008), 1,335 milhão de cearenses superaram a “linha de pobreza”. Ainda existe número inaceitável de pobres no estado, mais da metade da população: 51,1% (2008), mas eram 69,19% em 1998.

O mais importante são duas coisas: a) caiu o mito delfiniano de que “primeiro é preciso fazer crescer o bolo para depois dividi-lo”, pois o Brasil cresce com distribuição de renda; b) a redução da pobreza é sustentável, baseada no crescimento da economia e não somente em programas de transferência de renda – conforme o professor Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.

A Lei da Ficha Limpa, vocês sabem, saiu por mobilização exemplar de organizações da sociedade civil, que coletaram 1,300 milhão de assinaturas, o que fez com que o projeto tramitasse rapidamente no Congresso Nacional, sem que nenhum parlamentar ousasse questionar a sua essência.

Começou-se, porém, questionamentos se a lei valeria para as eleições deste ano. Alguns “fichas sujas” conseguiram liminar para registrar suas candidaturas.

Em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo (11/7/2010), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski disse que o adiamento da validade da lei seria uma “frustração para a sociedade”, no que ele tem razão. Mas alertou: “Aqueles que não tenham ficha limpa farão a campanha por sua própria conta e risco”, afirmando, pois o TSE confirmou a constitucionalidade da lei e as liminares podem cair.

Dou os dois exemplos, pois vez por outra, ouço comentários do tipo “o Brasil não tem jeito”. O que costumo responder é que, mesmo que seja vagarosamente, avança-se em várias áreas – e não estou falando de um governo ou de outro – mas da consciência cada vez mais clara de que o Brasil não pertence aos políticos – e sim aos brasileiros.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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