23.12.11 18:34
Trânsito em Fortaleza: a selvageria cotidiana
De um leitor recebi o texto e as fotos.
«Infelizmente as infrações de trânsito em Fortaleza estão cada vez mais comuns. A prova disso é que em apenas pouco mais de trinta minutos observando o trânsito, em um único cruzamento da Capital e em plena sexta-feira, dia 23/12, antevéspera de natal, pude constatar vários “motoristas” cruzando o meio-fio da Av. Senador Virgilio Távora.
De tanto os carros praticarem esta infração, o meio-fio já está bem deteriorado, mas é perfeitamente possível saber que este tipo de manobra é proibida.
Busquei um contato com a AMC para requisitar agentes nesta área, mas não consta qualquer e-mail em seu site. Você, como jornalista, para o bem da cidade e dos verdadeiros cidadãos, poderia encaminhar estas fotos até este órgão de trânsito. Tenho certeza que posso contar com a sua colaboração.»
Comentário
Das treze infrações fotografadas pelo leitor, em 30 minutos, como ele registra, publico três fotos: a que está acima e duas abaixo. O cruzamento em referência é da av. Virgílio Távora com rua Carolina Sucupira.
Quanto à queixa, ele está coberto de razão. O trânsito em Fortaleza é uma verdadeira selvageria. Tudo acontecendo sob o olhar complacente da AMC, o órgão que deveria organizar e fiscalizar o trânsito na cidade.
Observem ainda, do lado direito da primeira foto abaixo, como os carros se aglomeram sobre a calçada subtraindo o espaço dos pedestres. Continuar lendo
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22.10.09 12:15
AMC: nem uma coisa, muito menos a outra
Em matéria publicada na edição de hoje, O POVO mostra que houve aumento de 12% nas multas aplicadas pelo Detran-CE. A maioria delas, por descumprimento da lei que proíbe o motorista de dirigir depois de beber, a chamada “lei seca”.
Ou seja, a ação do Detran retirou das ruas motoristas que estavamo pondo em risco a vida de outras pessoas, por conduzirem seus veículos sem condições de fazê-lo.
Foi ouvido também Fernando Bezerra, presidente da Autarquia Municipal de Trânsito e “Cidadania”. Perguntou-lhe o repórter Tiago Braga por que a AMC estava há 10 meses ser fazer nenhuma blitz, período em que o Detran intensificou as suas. A resposta do presidente da AMC, depois de dizer que “aquela blitz que a gente conhece, de parar o carro na rua, não tenho intenção de retomar”:
“A gente fazia blitze mais para colaborar com o órgão do Estado [o Detran]; a AMC é responsável pela circulação”, referência às operações que “exigem mobilidade, como aque fiscalizam os estacionamentos proibidos”, como registrou o repórter.
Ok, se existe ficalização rigorosa e cotidiana, as blitze, poderiam, de fato ser menos frequentes ou inexistentes.
Mas de qual “AMC” e de qual cidade Ferando Bezerra está falando? “Mobilidade”, em Fortaleza, só se for para os carros [isto é, quando não há congestionamento], pois para o pedestre e o ciclista o caminhar ou o pedalar é um sacrifício ao qual só se aventuram os fortes [ou os muito necessitados].
Estacionamento irregular, que o presidente diz ser atribuição dele coibir, bastava ele sair da sede da AMC e caminhar 100 metros até a av. Antônio Sales para ele ver o festival de irregularidades que ali [em em toda a cidade, acontecem].
Portanto, ficamos assim: sem blitzes e sem fiscalização regular.
É a Fortaleza, terra de ninguém.
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01.10.09 05:11
A edição de ontem do O POVO publicou que quatro pessoas receberam órgãos da estudante de enfermagem Vanessa Mustafá de Paula, de 22 anos, que morreu atropelada em frente à escola onde estudava.
A estudante foi atropelada, na quinta-feira da semana passada, quando atravessava a rua Guilherme Rocha. Um ônibus avançou o sinal da rua Padre Mororó e a atingiu e a outra colega, que sobreviveu ao acidente. As duas se encaminhavam para aulas na Escola de Enfermagem São Camilo de Lellis.
Ao O POVO, o diretor da Escola de Enfermagem, Weber Carvalho da Silva, deu declaração dizendo que o acidente – e a morte da estudante – poderia ter sido evitado por uma ação da Prefeitura.
Segundo ele, vários outros acidentes aconteceram no mesmo cruzamento, também por desrespeito ao sinal.
Frente ao problema, os vizinhos organizaram um abaixo-assinado com mais de 3.000 assinaturas pedindo uma lombada eletrônica no local.
Questionada pelo OPOVO, a assessoria de Comunicação da Autarquia AMC [Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania] informou que um estudo havia sido feito na área, mas que a conclusão chegada pelos técnicos fora de que o semáforo seria sinalização suficiente.
Para Weber, o que aconteceu foi, ”principalmente, a omissão das autoridades competentes”.
Depois da tragédia, a AMC afirmou que o processo para instalar a lombada eletrônica pode ser reaberto. [Vamos ver se a solução sai antes de outra morte.]
É um típico caso em que burocratas de gabinete acham que sabem mais do que pessoas que vivenciam o problema. Certamente, o abaixo-assinado deve ter citado os seguidos acidentes no local, o que não sensibilizou as “autoridades” de trânsito.
E assim caminha a Fortaleza, terra de ninguém.
[Veja na postagem acima sobre o mesmo tema.]
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16.07.09 08:00
Zona Azul e a esculhambação urbana
O POVO noticia hoje, na matéria Zona Azul suspensa após fim de contrato, que faz um mês que o serviço deixou de funcionar em Fortaleza. Você, cidadão contribuinte, tinha conhecimento disso?
Obviamente a Prefeitura de Fortaleza deve achar que não deve nenhuma satisfação para os munícipes – e eles que se virem se quiserem obter informações mínimas sobre a cidade.
A AMC [Autarquia Municipal de Trânsito Serviços Públicos e Cidadania] diz que vai se manifestar somente hoje sobre o assunto. Provavelmente, não teve tempo, durante um mês, para preparar uma resposta decente para os cidadãos.
Mas o fato é que este é apenas mais um dos problemas urbana que infernizam a vida da cidade. Também hoje O POVO anuncia em sua primeira página: Lixo invade as áreas nobres [nas "áreas pobres" a invasão já aconteceu faz tempo].
Quanto à Zona Azul, o melhor era acabar com TODOS os estacionamentos sobre as calçadas. Nossa capital transformou-se em uma cidade, como venho monstrando na seção deste blog “Fortaleza, terra de ninguém”, na qual o pedestre é tratado com desprezo e descaso.
Os carros transformaram-se em reis e ditadores. Expulsam o pedestre de seu habitat, as calçadas e, folgadamente tomam conta da cidade. Sob as vistas grosssas e complacentes das “autoridades”.
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30.06.09 08:53
"Multa zero" está no campo da demagogia ou da afronta à lei

Posse do novo titular da AMC: flagrante de desrepeito às leis de trânsito
Ao tomar posse, na sexta-feira da semana passada, Fernando Bezerra, novo titular da AMC [Autarquia Municicipal de Trânsito e Cidadania] disse que ia implantar um projeto de “multa zero”.
Um negócio que parece impossível, mesmo que os milhares de motoristas de Fortaleza fossem todos anjos.
A meu ver, o que o novo comandante do trânsito de Fortaleza deveria fazer seria disciplinar o trânsito caótico das ruas, que toma conta, inclusive, das calçadas. Poderia pedir ajuda de outro novo secretário, Deodato Ramalho, da Semam [Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano].
E, sinto dizer, controlar a selvageria que tomou conta do espaço urbano de Fortaleza não se fará sem multas. Educação é bom, mas um sujeito que chegou as 20, 30, 40 anos de idades sem a mínima noção de urbanidade e de espaço público, só vai aprender se algo se houver algum tipo de punição, isto é – multa.
Neste blog, sob a rubrica “Fortaleza, terra de ninguém” tenho postado exemplos do verdadeiro vale-tudo que toma conta das ruas e calçadas da cidade.
No post abaixo, mais um exemplo: a TIM privatizou a calçada de sua loja, na rua Coronel Alves Teixeira, esquina com a Barão de Studart.
Anoto este exemplo, mas há centenas de outros na cidade; de vez em quando vou pôr um aqui, como também mostrar como motoristas estacionam onde se lhes dá na telha.
Sem falar nos estacionamentos “legais” sobre as calçadas, que deveriam ser proibidos em qualquer hipótese.
Calçada deveria ser exclusividade dos pedestres.
É disso que os novos titulares da AMC e da Semam precisam cuidar e não fazer promessas demagógicas que ele nunca vai poder cumprir e – se o fizer – o fará contra a lei, pois esta manda multar infratores de trânsito.
A propósito, na edição de sábado passado no O POVO, a coluna Política, assinada pelo jornalista Fábio Campos, mostrou que, na posse de Fernando Bezerra na AMC, seus convidados promoveram um verdadeiro festival de desrespeito às leis de trânsito e aos pedestres. [Foto acima, reproduzida da coluna "Política".] Estacionaram em cima de calçadas e em fila dupla.
Foram os primeiros beneficiados do “multa zero”.
[Também comento o assunto em artigo publicado na edição de hoje do O POVO.]
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25.05.09 16:09
AMC: uma miniaventura burocrática
Ok. Você é multado por circular a 58 km/h na avenida Beira-Mar, sendo o limite de velocidade 40 km/h. [Você imaginava que o limite fosse 60 km/h, mas é jogo jogado; descumpriu uma lei de trânsito e foi punido por isso.]
Ocorre que o veículo não está em seu nome e, quando a multa chega, você vai distraidamente à sede da AMC [av. Antônio Sales] para assumir a devida culpa. Só que ao chegar lá, você, que é distraído, é chamado a atenção por uma gentil funcionária porque falta a assinatura do proprietário legal do veículo na documento da multa, que é “obrigatório”.
Quer dizer que você precisa da assinatura de uma terceira pessoa para se autoincriminar? [Você pensa, mas não pergunta e nem discute. Com a idade, desistiu tentar entender as razões de "ordens superiores", e acha que é covardia bater no portador, como sempre vê as os outros fazerem em filas de banco ou de supermercado, como se o funcionário tivesse culpa de o empregador economizar com mão-de-obra.]
Isso sem falar [distraído, mas nem tanto] que você já carregava uma cópia da Carteira de Habilitação [20 centavos, mais a chateação], quando eles tem sua vida inteira [foto, RG, digital eletrônica, etc., etc.] nos terminais de computador deles.
Mas aí, você pensa mais: por que obrigar uma pessoa a se dirigir a uma loja da AMC para assumir a culpa por uma multa de trânsito? Por que não se pode fazer isso pela internet? Por que não se pode fazer por telefone, como fazem os cartões de crédito, que com duas ou três perguntinhas básicas, validam a sua identidade?
Mas por que simplificar, se eu posso complicar?, devem pensar os burocratas da AMC. Afinal, eles devem ter pouco trabalho, já que resolveram todos os problemas do trânsito de Fortaleza.
Amanhã você vai voltar lá com a dita multa assinado por quem de direito. Mas, está temeroso, pois [distraído, de novo] rasurou o documento ao preenchê-lo. O que o esperará?
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