Plínio Bortolotti

26.05.09 06:59

Frases

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

“Cada categoria social quer ter hoje o seu quarto de hora de glória, de manifestação. Mas não é mais o espaço público que se busca, mas o espaço publicitário”

Jean Baudrillard

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25.05.09 16:09

AMC: uma miniaventura burocrática

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Ok. Você é multado por circular a 58 km/h na avenida Beira-Mar, sendo o limite de velocidade 40 km/h. [Você imaginava que o limite fosse 60 km/h, mas é jogo jogado; descumpriu uma lei de trânsito e foi punido por isso.]

Ocorre que o veículo não está em seu nome e, quando a multa chega, você vai distraidamente à sede da AMC [av. Antônio Sales] para assumir a devida culpa. Só que ao chegar lá, você, que é distraído, é chamado a atenção por uma gentil funcionária porque falta a assinatura do proprietário legal do veículo na documento da multa, que é “obrigatório”.

Quer dizer que você precisa da assinatura de uma terceira pessoa para se autoincriminar? [Você pensa, mas não pergunta e nem discute. Com a idade, desistiu  tentar entender as razões de "ordens superiores", e acha que é covardia bater no portador, como sempre vê as os outros fazerem em filas de banco ou de supermercado, como se o funcionário tivesse culpa de o empregador economizar com mão-de-obra.]  

Isso sem falar  [distraído, mas nem tanto] que você já carregava uma cópia da Carteira de Habilitação [20 centavos, mais a chateação], quando eles tem sua vida inteira [foto, RG, digital eletrônica, etc., etc.] nos terminais de computador deles.

Mas aí, você pensa mais: por que obrigar uma pessoa a se dirigir a uma loja da AMC para assumir a culpa por uma multa de trânsito? Por que não se pode fazer isso pela internet? Por que não se pode fazer por telefone, como fazem os cartões de crédito, que com duas ou três perguntinhas básicas, validam a sua identidade?

Mas por que simplificar, se eu posso complicar?, devem pensar os burocratas da AMC. Afinal, eles devem ter pouco trabalho, já que resolveram todos os problemas do trânsito de Fortaleza.

Amanhã você vai voltar lá com a dita multa assinado por quem de direito. Mas, está temeroso, pois [distraído, de novo] rasurou o documento ao preenchê-lo. O que o esperará?

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25.05.09 08:19

Blogueiros americanos sob pressão judicial

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

“Cuidado com o que você publica no seu blog. Você pode ser processado”. Assim começa matéria do Wall Street Journal [21/5/2009] mostrando o aumento do número de processos por calúnia e difamação contra blogueiros americanos.

Em 2007  foram registradas 106 ações cíveis contra blogueiros e participantes de redes sociais online. Em 2003, apenas 12 ações foram formalizadas.

Os registros são do Citizen Media Law Project, do Centro Berkman para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard. As indenizações pagas pelos blogueiros chegam a US$ 17,4 milhões, de acordo com o Centro de Estudos de Direitos da Mídia, de Nova York.

Além de difamação, muitos blogueiros são acusados de invasão de privacidade de de atentar contra os direitos autorais. Além disso, podem ser acionados por comentários de terceiros postados em suas páginas.

“O que antigamente as pessoas escreviam na parede do banheiro hoje pode ser visto por milhões de pessoas”, disse a advogada Sandra Baron, diretora-executiva do Centro de Estudos de Direitos da Mídia.

Um dos casos relatados na matéria é o de Shellee Hale de Bellevue. Em março de 2008, ela fez várias postagens sobre supostas falhas de um software. A empresa proprietária do programa, alegando que nenhum de seus consumidores fora prejudicado, acionou a mulher, acusando-a de participar de uma campanha para “difamar e caluniar os demandantes”.

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25.05.09 08:15

Lippmann e a verdade factual

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

vozes_op_publica1A primeira coisa que me chamou a atenção no livro Opinião Pública, do jornalista americano Walter Lippmann, foi a distorção que fazem de uma de suas assertivas – “A função das notícias é sinalizar eventos” -, repetida para justificar erros e equívocos, como se o jornalismo não tivesse compromisso com a verdade.

Muitos blogs que preferem atirar primeiro e perguntar depois, vêm criando uma estranha categoria: a notícia como “processo”. Desse modo, publica-se, por exemplo, um boato e, no “processo”, vai se chegando à “verdade”.

Ainda que o fato final desminta a proposição inicial, o “processo” é considerado bom, pois “sinalizou-se um evento”. A rigor, esse pensamento tortuoso quer dizer o seguinte: o importante é publicar primeiro, a qualquer custo.

Ocorre que Lippmann, em seu livro publicado em 1922 [traduzido no Brasil somente em 2008], mostra-se muito mais sofisticado do que alguns “jornalistas” contemporâneos.

Para começar, se a frase for lida por completo verifica-se que o conceito que ela quer transmitir não é tão simplista: “A função das notícias é sinalizar eventos, a função da verdade é trazer à luz fatos escondidos, pô-los em relação um com outro e fazer uma imagem da realidade com base na qual os homens possam atuar. Somente naqueles pontos, onde as condições sociais tomam uma forma reconhecível e mensurável, o corpo da verdade e o noticioso coincidem”. Em outro trecho: “Há um corpo pequeno de reconhecimento exato, que [não] requer nenhuma habilitação excepcional ou treinamento. O resto está à disposição do jornalista”.

Ele dá um exemplo: John Smith vai à falência, conforme está registrado na junta específica. Relatado esse fato, que coincide com a realidade, ou seja, com a verdade, “todos os padrões estabelecidos desaparecem”. Mas, observe que, em nenhum momento Lippmann autoriza a desconsiderar a verdade factual.

Pelo contrário, ele condena com veemência essa prática. Comentando a frequência com que os jornais americanos da época anunciavam a morte de Lênin, líder da Revolução Russa de 1917, ele escreve: “Não há defesa, nem atenuação, nem desculpas quaisquer, para declarar seis vezes que Lênin morreu, quando somente a informação que o jornal possui é um relato de que ele morreu, de uma fonte repetida e comprovadamente inconfiável”.

O que Lippmannn diz é que o fato real e comprovável precisa ser relatado com fidelidade, “o resto está à discrição do jornalista”. Retomando John Smith. Ele faliu, fato “reconhecível e mensurável” [verdade factual]. “Por que ele fracassou, suas fragilidades humanas, a análise das condições econômicas nas quais tinha naufragado, tudo isso pode ser contado de uma centena de diferentes formas” [a verdade de cada um].

Portanto, o que está sob juízo do jornalista são as conclusões que ele vai chegar a partir do fato – e o modo como ele vai relatá-lo aos leitores. Isso está condicionado pelos conceitos que ele formou ao longo de sua vida: na família, no meio em que viveu, pela cultura, que se traduzirão na sua verdade pessoal. Lippmann não vê método capaz de suspender esses pré-conceitos. “A forma como vemos as coisas é uma combinação do que está lá e do que esperamos encontrar”.

Pode-se concordar ou discordar, mas é muito diferente de citar de forma interrompida a sua frase como se fora uma autorização para esbofetear a verdade factual.

Outra questão interessante abordada por Lippmann – e que volta com toda a força atualmente – é a rejeição das pessoas em pagar pela notícia, o que ele vê de modo crítico: “A informação precisa vir naturalmente, ou seja, grátis [...] O cidadão pagará por seu telefone, suas viagens por trem. Por seu carro. Sua diversão. Mas ele não paga facilmente por suas notícias. [...] Seria considerado como uma ofensa ter que pagar abertamente o preço de um bom sorvete por todas as notícias do mundo”.

Esse trecho poderia ter sido escrito hoje, que se aplicaria perfeitamente ao dilema em que estão envolvidos os grandes meios de comunicação sobre cobrar ou não pelo conteúdo publicado na internet. Lippmann, àquela época, já via o perigo de faltar fontes de financiamento para a produção de notícias.

Deixo de abordar alguns aspectos da obra de Lippman, como a sua visão de democracia, a sua descrença na capacidade de discernimento do homem comum, e sua proposta de um governo de “especialistas”. Temas que já foram por demais comentados.

No mais, pode-se  dizer que – ao contrário do que faz supor uma crítica ligeira – o livro de Lippmannn não faz um ataque, mas a defesa da imprensa, que ele compara a um holofote, “que se move sem descanso” para trazer à luz episódios que estão nas sombras.

Opinião Pública
Walter Lippmann
Tradução: Jacques A. Wainberg
352 páginas
Editora Vozes, 2008

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25.05.09 08:05

Fenaj lança plano de previdência para jornalistas

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

A Fenaj [Federação Nacional dos Jornalistas] vai lançar o FenajPrev, plano de previdência complementar para os jornalistas. O evento será em Belo Horizonte, dia 28 de maio, com a prsença do ministro da Previdência Social, José Pimentel.

Segundo explica a Fenaj o plano será administrado pela Petros [plano de previdência dos funcionários da Petrobras], e será destinado “tanto aos jornalistas com registro em carteira, quanto os free lances, desde que eles sejam associados a um dos Sindicatos instituidores”.

Leia mais sobre o FenajPrev.

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24.05.09 09:10

Uma visita instrutiva

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Um grupo de estudantes da Universidade de Brasília encerra hoje visita à Câmara Federal.  Com apoio de técnicos da Casa, os alunos vão simular sessões no plenário e nas comissões, apresentando e votando projetos de lei [de mentirinha].
O objetivo, segundo a agências de notícias da Câmara,  é oferecer “complemento acadêmico que supra a necessidade de conhecimento do processo legislativo”.

A Câmara poderia complementar o aprendizado com os alunos convocando alguns deputados para dar aulas complementares.

Agora me ocorrem duas sugestões: Ciro Gomes poderia lecionar “Relações com a imprensa” e Edmar Moreira, aquele castelo, poderia falar sobre História [medieval].

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24.05.09 06:59

Frases

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

“A perfeição absoluta é igual a nada”

José Geraldo Couto, jornalista

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23.05.09 08:10

Doritos: comercial liberado

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Por maioria de votos, o Conselho de Auto Regulamentação Publicitária (Conar) decidiu  pelo arquivamento do processo sobre o comercial “YMCA” do Doritos.

A veiculação do filme polêmico, criado pela AlmapBBDO, havia sido suspensa pelo órgão no dia 16 de abril. [Veja no meu antigo blog o início da polêmica e o filme que ora é liberado.]

A PepsiCo, dona da marca, entrou com recurso e agora pode exibir o comercial novamente. Como o segundo julgamento não foi unânime, a AGBLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais) ainda pode entrar com um recurso extrordinário. A associação considerou a peça preconceituosa e entrou com um processo no Conar.

[Com informações da Adnews]

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23.05.09 08:10

YouTube: muitos vídeos, nenhum lucro

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Segundo Ryan Junee, gerente de produtos do YouTube, atualmente são recebidos cerca de 20 horas de vídeos por minuto. Em janeiro deste ano, o índice chegava às 15 horas. “Veremos se vamos chegar a 24 horas, um dia inteiro de vídeos inseridos a cada minuto”, declarou.

A popularidade não tem conseguido tornar o YouTube um negócio rentável, mesmo depois de ter sido comprado por US$ 1,65 bilhão pelo Google.

Na tentativa de atrair anúncios, o site tem apostado em parcerias e na inserção de conteúdos profissionais, como programas de TV e filmes. Recentemente, o YouTube anunciou um acordo com a Sony e alguns estúdios de Hollywood para a criação de plataformas de shows e vídeos.

Com Adnews.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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