Plínio Bortolotti

16.04.10 17:36

A igreja católica e a mídia

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

“A Igreja raramente ajudou na cobertura dos episódios dos abusos sexuais e, sem a cobertura midiática, a Igreja não teria limpado as suas ações. Além disso, atacar a mídia é uma estratégia de relações públicas estúpida que não funciona.”

Afirmação é do jesuíta Thomas J. Reese, integrante sênior do Woodstock Theological Center da Georgetown University.

O artigo de onde foi retirado o trecho foi publicado em sua página This Catholic’s View, no portal do jornal Washington Post, em 14/04/2010.

Veja mais um trecho do artigo

A mídia está sendo atacada pelos defensores do Papa Bento XVI que sentem que a sua cobertura da crise dos abusos sexuais é injusta. Será que alguns repórteres fazem um trabalho de reportagem descuidado? Com certeza. Alguns comentaristas estão passando dos limites em sua retórica? Com certeza. Quando a discussão é entre o New York Times e a Igreja Católica, trata-se simplesmente de uma instituição infalível enfrentando outra.

Mas sejamos honestos. A Igreja raramente ajudou na cobertura dos episódios dos abusos sexuais e, sem a cobertura midiática, a Igreja não teria limpado as suas ações. A Igreja tem uma dívida de gratidão para com a mídia, especialmente com o National Catholic Reporter, que acompanha essas histórias desde a metade da década de 80, muito antes que o Boston Globe.

Além disso, atacar a mídia é uma estratégia de relações públicas estúpida que não funciona. De fato, é contraproducente. Faz com que a Igreja pareça defensiva e que esteja tentando minimizar o problema dos abusos. Chamar a cobertura das notícias de “fofocas insignificantes” ou comparável ao antissemitismo é desastroso. É jogar gasolina sobre o fogo.

Veja o texto completo no portal do Instituto Humanitas Unisinos.

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23.08.09 23:09

Iurd: franceses têm filme "anti-Universal"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

A Folha Online anunciou que a Central Globo de Comunicação teria comprado o documentário “Universal, uma ameaça ao país dos crentes” (“L’Universelle: Une Menace au Paix des Croyants”, no título em francês). Depois, a própria Folha Online publicou resposta da Globo, negando que tenha comprado o filme. Mas a Folha afirma que a emissora tem uma cópia da obra em seu poder.

A informação surgiu logo após o anúncio que a Record comprara o documentário Muito além do Cidadão Kane (1993), uma crítica feroz à Globo, de produtores ingleses.

O documentário “anti-Universal”, uma ataque às práticas da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd),  foi produzido para a TV católica francesa KTO, que o exibiu uma única vez, em 2002.  O filme foi feito por católicos carismáticos.

No filme, segundo a Folha Online, o bispo Edir Macedo, retratado como o líder de uma legião de fanáticos, que leva uma vida de “bilionário”*.

“A gente apertava a mão de Macedo com medo, pois era como apertar a mão do próprio Deus”, depõe em vídeo Marcelo Gonzales, ex-integrante da igreja.

O filme

No YouTube é possível ver um trecho de pouco mais de dois minutos do filme.

Nele aparece um culto da Igreja Universal na França em que o pastor promove uma sessão de “cura” do câncer e da Aids. A narradora diz que os adeptos “acreditam no milagre” e “diabolizam” a igreja católica.

O padre Marcelo Rossi dá depoimento dizendo que “no fundo” a Iurd “não é uma igreja”.

Em outro culto um pastor compara aqules que não querem pagar o dízimo ao marido que “trai a esposa”  ou aqueles que vivem “no pecado da homossexualidade”. Outro pastor achaca os fiéis desafiando-os a pôr dinheiro “sobre a bíblia”.

O depoimento mais contundente é do ex-pastor brasileiro  Marcelo Gonzales, que o filme qualifica como antigo “servidor” da Universal. Ele diz que quando a sua mulher engravidou pela primeira vez ele foi obrigado, pela Iurd, a fazer vasectomia. Segundo ele foram “mais de mil pastores” operados ao mesmo tempo, “sob as ordens do bispo Macedo”. Para Gonzales, “eles” querem cada vez “mais poder político”.

Marcelo Crivella também é entrevistado e diz que “um dia teremos um presidente evangélico”. Crivella é sobrinho de Edir Macedo, bispo licenciado da Iurd, senador da República (PR) – e foi candidato a prefeito da cidade do Rio de Janeiro na últimas eleições (ficou em terceiro lugar) (Veja aqui comentário que fiz a respeito do livro “Plano de poder – Deus os cristão e a política”, escrito por Edir Macedo e, no qual ele estabelece um plano para chegar ao poder.

Globo x Universal

O jornal O POVO deste domingo publicou uma boa reportagem, assinada pelo repórter Marcos Sampaio,  a respeito da disputa entre as duas maiores redes de TV do país:

Televisão em péde guerra.
O lado pedagóico do Confronto, texto da professora Cida de Sousa.
Pelo fim dos latifúndios, entrevista com o jornalista José Arbex.
Crônica do perdedor não anunciado, texto da jornalista Ana Ângela Farias.

*[Até 17h41min de 24/8 foi mantido o termo "miliardário", corrigido pelo leitor Wanderley Neves, veja nos comentários.]

Abaixo, o compacto do filme “Universal, uma ameaça ao país dos crentes”.

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07.08.09 05:59

Meca e a autocensura: fanáticos muçulmanos inspiram terror

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Caaba, a pedra sagrada dos muçulmanos

Caaba, a pedra sagrada dos muçulmanos

Já não bastasse a censura que impera nos países submetidos à lei islâmica, o terror que impõem os muçulmanos fanáticos atravessa  fronteiras e impõe limite às artes.
O filme-catástrofe “2012″ vai mostrar a destruição da estátua do Cristo Redentor [Rio de Janeiro], da Basílica de São Pedro [no Vaticano]. Mas foi retirado do filme, dirigido por Roland Emmerich, a destruição da Caaba [a pedra sagrada dos muçulmanos, guardada em uma construção que fica no pátio da grande mesquita de Meca, na Arábia Saudita].

Harald Kloser, co-roteirista e produtor do filme, disse que não tinha nenhuma predileção por destruir símbolos católicos. “Queríamos retratar um situação em que as orações não pudessem frear os acontecimentos, porque a natureza é mais forte que a religião”, disse ele.

“No nosso roteiro original, também prevíamos a destruição da Caaba. Mas eu disse para o Roland:  ‘Não, eu não quero acabar sendo morto por causa disso’”. Segundo Kloser, o filme mostra apenas orações ao redor do local.

Em “2012″, que será lançado no fim do ano no Brasil e nos EUA, se inspira em profecias maias que prevêem o fim do mundo no ano de 2012. A estátua do Cristo e a Basílica de São Pedro se despedaçam, enquanto São Francisco [EUA] é engolida por uma enorme cratera.

Roland Emmerich é o  mesmo diretor de “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”. [Informações de Uol Cinema.]

Fanatismo mortal

Um dos casos mais famosos de perseguição por motivos religiosos foi a do escritor britânico [de origem indiana] Salman Rushdie.

Ao publicar o livro “Versos Satânicos”, em 1989, a obra foi considerada ofensiva ao profeta Maomé, pelo então todo-poderoso líder do Irã, o aitolá Khomeini.

O líder religioso lançou uma “fatwa” – sentença de morte – contra o escritor, que poderia ser executada por qualquer seguidor do islã, em qualquer parte do mundo. [Veja nos comentários as pertinentes explicações de Wanderley Neves sobre o significado de "fatwa", a quem agradeço por fazê-las.]

Isso porque Rushdie escreveu que já acreditava no Islã. Khomeini ordenou a todos os “muçulmanos zelosos” o dever de tentar assassinar o escritor.

Rushdie foi obrigado a viver por vários anos escondido e sob proteção policial. [Com informações da Wikipedia]

Cinema

Outra vítima do fanastismo islâmico foi o diretor de cinema e escritor Theo van Gogh. Ele foi asassinado em Amsterdã, em novembro de 2004. Van Gogh foi morto a facadas e depois ainda lhe deram vários tiros. Seu crime: ter dirigido o filme “Submissão”

O filme é um curta-metragem de dez minutos que relata a violência contra as mulheres muçulmanas. Foi escrito por Ayaan Hirsi Ali, uma refugiada somali, que deixou de ser muçulmana, e é membro do parlamento holandês. Ela também vive sob ameaça de morte. [Informações da Folha Online]

É compreensível o temor que desperta a violência fanática. Mas é preocupante ver o medo levando à autocensura.

Critique-se a Igreja Católica – por vezes ela implica com algum filme - como foi o caso de Harry Potter [já "liberado"]  ou “O Código Da Vinci”. Ou mesmo leva a censura, como foi o caso de “Je vous salue, Marie” (Eu vos saúdo, Maria), filme de Jean-Luc Godard, lançado em 1985. Mas, pelo menos, não condena ninguém à morte.

Um aggionarmento talvez fosse indicado ao islamismo, se é que e se pode ousar dar alguma sugestão a eles.

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11.07.09 17:08

Fifa proíbe propaganda religiosa em jogos e adverte Brasil

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

O blog de Maurício Stycer comenta duas notas publicadas na coluna “Painel” do jornal Folha de S. Paulo informando que a Fifa [Fédération Internationale de Football Association] proibiu mensagens religiosas em seus jogos.

A nota, que foi recebida pela CBF [Confederação Brasileira de Futebol] na sexta-feira [10/7], diz que a Fifa  “não irá mais permitir mensagens religiosas em comemorações de jogadores durante suas competições”.

A Fifa recebe o ofício duas semans após a partida em que o Brasil ganhou a Copa das Confederação, no jogo final contra os Estados Unidos. Ao fim da partida, houve uma espécie de celebração regiliosa no gramado, com todos os jogadores rezando em conjunto.

Além disso, o capitão Lúcio e o jogador Kaká vestiram camisas com frases religiosas. Lúcio: “I love Jesus”; Kaká: “I belong [pertenço] to Jesus”.

Fiz dois posts sobre o assunto:

Seleção de futebol é do Brasil ou de Jesus?

Dinamarca: jornal critica “atletas de Cristo”.

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29.06.09 19:08

Dinamarca: jornal critica "atletas de Cristo"

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 9 Comentários

Uma leitora brasileira na Dinamarca, Margareth Marmori, que mantém o Blogadona, escreve concordando com o post “A seleção de futebol é do Brasil ou de Jesus?”

Ela diz ter-se sentido “envergonhada” com a atitude do capitão Lúcio e do jogador Kaká, ao exporem as camisas fazendo proselitismo de sua fé.

“Quando vejo os conflitos religiosos na Europa, costumo me sentir orgulhosa de vir de um país onde a liberdade religiosa impera. Mas o comportamento dos jogadores dá uma impressão completamente errada da sociedade brasileira”, escreveu ela em seu blog.

 Ao mesmo tempo, mandou link do jornal Politiken, que fez matéria com o título [traduzido por ela] “Estrelas do futebol fazem propaganda cristã” (Fodboldstjerner reklamerer for kristendommen).

A matéria traz com várias fotos mostrando a publicidade cristã que fizeram os jogadores. O texto  descreve  como agem os “atletas de Cristo”, diz que a Fifa proíbe, mas não apena tais atitudes, e uma crítica ao final, afirmando ser “inadmissível” que os jogadores procedam de tal maneira. [Espero não ter cometido nenhum erro na versão, se houver, a responsabilidade é do Google Tradutor, onde joguei o texto :)

Só gostaria de saber uma coisa: por que o assunto é tão pouco debatido no Brasil? Por que os comentarista “de grife” fazem de conta que não vêem isso?

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29.06.09 09:26

Seleção de futebol é do Brasil ou de Jesus?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 35 Comentários

Lúcio leva Jesus para a seleção

Lúcio leva Jesus para a seleção

Se a seleção brasileira de futebol representa, institucionalmente, o Brasil, então parece equivocado o que fizeram os jogadores Lúcio e Kaká quando a equipe venceu a Copa das Confederações.

O primeiro tirou o camisa de uniforme para vestir outra com os dizeres: “I love Jesus”; Kaká uma que dizia “I belong to Jesus” [eu pertenço a Jesus].

É verdade que, na hora de apanhar os troféus, Lúcio vestiu novamente a farda da seleção [levando a outra na mão]. Mas, ao receber a taça principal, prendeu a camisa proselitista de sua fé no calção, fazendo-a uma espécia de “saia” em que a frase ficou exposta à lente dos fotógrafos. 

É fato que maioria dos brasileiros é cristão, ainda que não evangélica [a religião de Kaká, a de Lúcio eu não sei], mas entre os representados pela seleção estão milhares de praticantes de outras religiões, e também os ateus.

No caso de Lúcio, talvez um pouco mais grave, capitão do time, ele é o representante oficial da seleção e dos demais jogadores. [Na foto ao lado, reproduzida do portal Terra, o capitão levanta a taça.]

O que eles fizeram pode ser considerado de uma simples deselegância com os anfitriões até uma ofensa. A maioria da população da África do Sul é cristã ou muçulmana [que aceita Jesus como um dos profetas, mas não "o" profeta, papel reservado a Maomé]. Mas, além dessas religiões, é forte em toda a África religiões locais, muitas delas com papel ativo na luta contra o apartheid.

Habituados a rodar o mundo, os jogadores deveriam saber que, muitas vezes, a simples menção de determinada religião, pode soar como provocação, dependendo do país em que se está.

Mas como se pode criticar os jogadores se o prêambulo da Constituição brasileira diz que a Carta foi promulgada “sob a proteção de Deus”? Um país em que praticamento todos parlamentos e tribunais ostentam símbolos cristãos, mais especificamente da religião católica, em claro desrespeito às demais religiões e aos ateus.

Pesquisando na internet, verifico que, em 2007, a Fifa [Féderátion Internationale de Football Association] proibira o uso de camisa com mensagens cristãs – algo que se difundia na Europa – em “respeito” às demais religiões.

O presidente da Fifa, Joseph Batter, estava lá entregando troféus e medalhas. Vamos ver de haverá alguma consequência.

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14.05.09 09:24

Bispo Macedo quer tomar o poder e diz que foi Deus quem mandou

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 21 Comentários

Acabei de ler o livro Plano de poder – Deus, os cristãos e a política, escrito pelo mais bem sucedido pastor neopentecostal do Brasil, o bispo Edir Macedo. Olha, eu vou te contar: dá medo. O homem está obcecado pelo poder, e tem um plano para tomá-lo. Ele parece considerar-se um novo Moisés e está convencido de estar agindo sob as ordens diretas de Deus.

Logo de início, na página 8, Macedo escreve: “Vamos nos aprofundar, através desta leitura, no conhecimento de um grande projeto de nação elaborado e pretendido pelo próprio Deus e descobrir qual é a nossa responsabilidade neste processo. [...] Desde o início de tudo Ele nos esclarece de sua intenção de estadista e de formação de uma grande nação”.

Obviamente, o bispo fala do Brasil e se põe como intérprete e representante direto de Deus.

Macedo apela diretamente aos cerca 40 milhões de cristãos brasileiros [isto, é, os evangélicos, pois somente estes ele considera cristãos] para verem a bíblia não apenas como um livro religioso, mas também como uma espécie de “manual” de ação política, escrito pelo maior dos estadistas: Deus.

“[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo [...] Quando todos ou a maioria dos que a seguem estiverem convictos de que ela é a Palavra de Deus, então ocorrerá a realização do grande sonho Divino”.

O homem sabe até com o que Deus sonha.

Para ele, a “mobilização geral” dos evangélicos, com sua “potencialidade numérica” pode “decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo quanto no Executivo, em qualquer escalão, municipal, estadual ou federal”. E seguem orientações práticas de como os “cristãos” devem proceder para eleger os seus, isto é, os representantes de Deus.

A comparação dos hebreus, sob o governo do faraó do Egito, com os “cristãos” brasileiros, à espera de um “libertador”, um novo Moisés, perpassa todo o livro. “Até porque temos percebido, por parte da sociedade, que ser evangélico no Brasil ainda é como ser estrangeiro no Egito nos dias do Faraó”.

Um dos capítulos é dedicado ao “agente apropriado” para assumir o poder e que isso – novamente a comparação com Moisés seria o “início do grande intuito divino”. Tudo indica que Macedo vê ele mesmo  como o “agente apropriado” para ser o “Moisés” brasileiro.

É de se lembrar que o bispo Macedo é dono da Rede Record. Segundo o portal Donos da Mídia, a Record é o quarto grupo de comunicação do país, com 142 veículos ligados à rede, sendo vice-líder em audiência em todo o Brasil.

[O livro Plano de Poder – Deus, os cristãos e a política foi escrito por Edir Macedo e Carlos Oliveira, diretor do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, tem 126 páginas e foi editado pela editora Thomas Nelson

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29.06.00 08:04

A seleção de futebol é do Brasil ou de Jesus?

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Lúcio leva Jesus para a seleção

Lúcio leva Jesus para a seleção

Se a  seleção brasileira de futebol, institucionalmente, representa o Brasil, então me parece descabido que jogadores tirem a camisa do uniforme para vestir camisetas com frases religiosas como fizeram Lúcio:  ”I love Jesus” – e Kaká: “I belong to Jesus” [eu pertenço a Jesus].

Da parte de Lúcio, que é o capitão da equipe, a coisa parece um pouco mais grave, pois ele é o representante oficial da seleção dentro de campo. Ainda que maioria, nem toda a população professa a fé cristã, sem falar nos ateus brasileiros.

Além do mais, fazer o que Lúcio e Kaká fizeram pode representar, no mínimo, uma deselegância, quando não ofensa, aos anfitriões da África do Sul. É verdade que a maioria deles são cristão e muçulmanos [que tem Jesus como um dos profetas, mas não como  "o" profeta], mas é fato também que o país tem fortes religiões locais – sem ligações com o cristianismo – e muitas delas base de resistência ao apartheid.

Em alguns países uma “inocente” referência cristã pode soar como uma provocação. Os jogadores, habituados a rodas pelo mundo, deveriam saber disso.

É fato que Lúcio, ao receber o troféu de campeão da Copa das Confederações, voltou a vestir a farda da seleção, mas usou a camiseta “I love Jesus” enfiada no calção, como se fosse uma “saia” para deixar a mostra os dizeres de sua fé. [Na foto ao lado, reproduzida do portal IG.]

Mas como se pode criticar os jogadores em um país, que se diz laico, mas inclui “sob a proteção de Deus” no preâmbulo de sua Constituição? Um país onde tribunais, parlamentos e repartições públicas ostentam símbolos cristãos, mais especificamente da católica?

Segundo uma busca que faço na internet, a Fifa [Fédération Internationele de Football Association], havia proibido, em 2007, que jogadores fizessem tais referências, em “respeito” a outras religiões.

Se houve desrespeito a uma norma fa Fifa, foi na cara do presidente, Joseph Blatter, que estava lá entregando troféus e medalhas as jogadores.

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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