Plínio Bortolotti

19.03.12 14:11

“Em busca de Iracema”, de Adísia Sá e Cleto Pontes: lançamento na quinta-feira

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

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O livro Em busca de Iracema será lançado na quinta-feira (22/3), às 20 horas, no Armazém da Cultura (rua Jorge da Rocha, 154 – Aldeota)

A obra é de autoria da professora Adísia Sá (jornalista do O POVO) e do médico psiquiatra Cleto Pontes (articulista do O POVO) e mostra os caminhos que a personagem de José de Alencar percorreu no Ceará, locais como a bica do Ipu e lagoa de Messejana.

Com personagens fictícios e figuras históricas, a história se passa entre os anos 1960 e 1964, relembrando as origens cearenses do diário de Soares Moreno, para muitos o fundador do Ceará. [Com informações da Agência da Boa Notícia]

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12.03.12 00:11

Agualusa, “O vendedor de passados”, e o mistério da osga

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Quando li “osga”, sabia que era lagartixa, não por ser palavra comum, de uso corrente. Eu a ouvi uma única vez há mais de vinte anos quando eu e uma amiga mineira observávamos algumas bribas (é assim em cearensês) caçando insetos na parede.

Minas Gerais

Ela me contou, então, que em Minas Gerais, se diz estar “caçando osga” para quem fica absorto, pensativo, com o olhar perdido; em São Paulo dir-se-ia “no mundo da lua”; no Ceará, que o sujeito está “pensando na morte da bezerra”. Fiquei com a ideia que “osga” fosse usada na linguagem informal mineira.

Pois bem, defrontei-me novamente com “osga” no livro “O vendedor de passados”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, que me chegou às mãos por empréstimo da amiga Regina Ribeiro, editora das Edições Demócrito Rocha. Óbvio, portanto – se Agualusa a utiliza do outro lado do oceano -, “osga” não poderia ser apenas um regionalismo mineiro.

Cearensês

Fui a dois dos mais importantes dicionários brasileiros: o Houaiss e o Aurélio, ambos classificam a palavra como “regionalismo”: Norte e Nordeste (Houaiss) ou Amazonas, Pará e Maranhão (Aurélio), dando-lhe “lagartixa” como sinônimo, além de “aversão entranhada; asco, repulsa”.

Consultei o melhor dicionário de cearensês, o “Vocabulário popular cearense”, de Raimundo Girão, que tem o verbete “OSCA – s. f. Porcaria, excremento: ‘osga de galinha’. ‘Uma osga’ significa ‘uma ova’, ‘pra lá’. Do árabe: usga”, sem registrar “lagartixa” como sinônimo.

Dicionário do Nordeste

Apelei ainda ao meu amigo virtual, Fred Navarro, autor do Dicionário do Nordeste (um dos mais completo em termos nordestinos), no qual não encontrei “osga”. Conversei com ele, via e-mail, e Fred me disse que na próxima edição do seu dicionário (previsto para sair em setembro) constará o verbete, tendo como base o Aurélio e o Houaiss.

Interessante é que nem no Houaiss e nem no Aurélio citam “osga” como regionalismo de Minas Gerais. Consultei na internet alguns dicionários de expressões populares mineiras e encontrei a palavra como sinônimo de lagartixa, como dissera a minha amiga.

Eulálio

A propósito, a osga é um importante personagem no livro de Agualusa. Tem até nome, Eulálio, uma osga macho, portanto. O nome próprio da osga diz muito do que ela (ele) é no livro. Se você consultar o dicionário mudando o gênero do nome para o feminino, excluindo o assento agudo, terá uma boa ideia de qual é o papel de Eulálio no livro (isto é, se você ainda não o tiver lido, o que, nesse caso, recomendo).

Mais osgas

Fred Navarro me manda mais sinônimos de lagartixa, isto é de osga: labigó (PI); catonga (SE); catenga (N.E.); carambolo (MA e PI). Documentadas e abonadas, segundo o Fred. [acrescido em 12/3/2012]

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10.03.12 18:46

Clássicos da literatura e muito mais na biblioteca digital do Domínio Público

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Domínio Público é um site mantido pelo Ministério da Educação no qual se pode baixar livros, imagens, vídeos e áudios, das mais diversas áreas. Tudo gratuitamente.

É possível, por exemplo, ter acesso à obra completa de Machado de Assis, à poesia de Fernando Pessoa ou à Divina Comédia (Dante Alighieri), em português. Também é possível ter acesso a vídeos educativos, imagens ou músicas.

O sistema de busca é bastante simples, podendo-se ter acesso às obras pelo título, autor ou categoria.

Veja aqui: Domínio Público.

[Mais livros eletrônicos gratuitos, principalmente na área de Comunicação.]

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21.02.12 12:43

“O jornal e o livro”: a previsão errada de Machado de Assis

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

A editora Companhia das Letras relançou cinco textos de Machado de Assis, compilados no volume “O jornal e o livro”, da coleção “Grandes Ideias”. A obra, além do artigo que lhe dá título, oferece três textos de crítica literária: “Aquarelas”, “O ideal do crítico” e “Notícias da atual literatura brasileira”.

Não precisei comprar o novo livro com obras do Bruxo do Cosme Velho, pois tenho minha velha coleção da editora Nova Aguilar (obras completas em três livros de capa dura, papel bíblia), à qual fui para rever os textos. Estão no terceiro volume, nas seções “Miscelânea” e “Crítica”.

O artigo mais interessante é “O jornal e o livro”, na qual o jovem Machado (com 20 anos, em 1859) defende a superioridade do jornal frente ao livro, prevendo o “extermínio” deste. Será sugestivo ler o texto substituindo “livro” por “jornal” e “jornal” por “internet”, verificar-se-á um debate muito interessante e atual.

Baixe gratuitamente o texto de O jornal e o livro.

Mais livros virtuais sobre jornalismo.

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16.02.12 11:25

“Pravataria tucana” terá lançamento em Fortaleza

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

O livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. será lançado em Fortaleza no próximo dia 15 de março, às 19h, no auditório da Faculdade de Direito da UFC. O evento é promovido pela Fundação Mauricio Grabois, em parceria com a Revista Nordeste 21 e o Instituto da Cidade.

CPI

Estarão presentes o autor do livro e o deputado Federal Protógens Queiroz (PCdoB-SP), que está requerendo a instalação da “CPI da Privataria” na Câmara dos Deputados. Na ocasião ocorrerá debate com o tema: “Mídia e privatização no Brasil”.

Privatização

Segundo Amaury, “A privataria tucana” é resultado de 12 anos de investigações que ele fez sobre aprivatização de estatais brasileiras, entre elas a Companhia Vale do Rio Doce (empresa do setor de mineração e siderurgia), e a Telebras (empresa de telecomunicações), ocorridas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

[Inclui os promotores do evento às 11h41min, depois da bronca que recebi da leitora Carolinas campos, comentário abaixo, por haver esquecido essa informação.]

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21.01.12 18:36

Pessoas acreditam em coisas estranhas pois vivem em um mundo assombrado pelos demônios

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

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Depois de ler Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas, de Michael Shermer, fui reler O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan. O livro de Shermer (ed. 2002) tem como subtítulo “Pseudo ciência, superstições e outras confusões dos nossos tempos”. A obra de Sagan (1ª ed. 1995) tem como subtítulo “A ciência vista como uma vela no escuro”.

Divulgação científica

Ambas as obras são títulos de divulgação científica, ou seja, tem o objetivo de explicar a Ciência para um público leigo. Mais do que isso, são defesas apaixonadas da Ciência e de seu método de estudo do mundo natural.

São livro de fácil compreensão, mesmo para quem tenha apenas a noção de Ciência aprendida até o ensino médio. O livro de Sagan, principalmente, pode-se lê-lo como se lê um bom romance. O fio da argumentação é tão bem conduzido que sempre nos induz a querer ver o “próximo capítulo”. Continuar lendo

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11.01.12 18:20

“Entre ritos, risos e batalhas”, livro de Oswald Barroso

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

No próximo dia 14 de Janeiro de 2012 (sábado), às 17 horas, será lançado o livro “Entre ritos, risos e batalhas”, de Oswald Barroso.  A obra reúne cinco textos para teatro da produção recente do autor. Na ocasião o Grupo Teatro de Caretas e artistas convidados fará a leitura dramática de um dos textos do livro: “Todomundo, Nada e Ninguém”.  O evento será no Theatro José de Alencar.

Entre Ritos, Risos e Batalhas é uma publicação da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, incluída nas Edições Theatro José de Alencar. Reúne os textos para teatro: “Vaqueiros”, “Auto do Caldeirão”, “O milagre”, “Família Raimundo”, e “Todomundo, Nada e Ninguém ou O biscateiro que deu um chute no saco do juiz”. Traz ainda um prefácio do crítico paraibano, radicado em Pernambuco, Carlos Newton Júnior, e um comentário sobre a peça “Vaqueiros”, da jornalista Geísa Matos.

Leia o restante do texto de divulgação do livro. Continuar lendo

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02.01.12 01:14

Alain de Botton, em “Religião para ateus”, propõe uma “religião” secular

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

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Acabei de ler “Religião para ateus”, no qual o filósofo Alain de Botton (“ateu obstinado”) defende que as religiões  têm aspectos que deveriam ser utilizados no mundo secular. No livro, ele se detém a analisar principalmente os ritos da igreja católica e do budismo.

A questão não é saber se Deus existe

Logo no começo, um alerta: “Este é um livro para pessoas incapazes de acreditar em milagres, espíritos ou histórias de sarça ardente…”, mas que “a real questão não é saber se Deus existe ou não, mas para para onde leva a discussão ao se concluir que ele evidentemente não existe”.

Religião secular

A partir daí, Botton conduz o leitor pelas práticas religiosas sugerindo adaptá-las ao mundo secular, de modo a educar o homem no senso de “comunidade”, para a “gentileza”, “educação”, “arte”, “arquitetura”, o ser e estar no mundo – e outras questões cruciais que, na visão dele, são apropriados pelas igrejas constituídas (as palavras entre aspas são títulos de alguns capítulos do livro).

Leon Trotsky

Lembrei-me de um livro de Leon Trotsky,  ”Questões do modo de vida” (1923), no qual um dos principais líderes da Revolução Russa já abordava questões parecidas, incluindo capítulos como títulos equivalentes aos quais Botton usa mais de 80 anos depois. Trotsky, como Botton, sabia que os homens precisam de rituais: se lhe tiram a religião, algo precisa ser posto no lugar. Trotsky – como Botton – se perguntava – e fazia sugestões – sobre que instituições poderiam ocupar o lugar que até então fora da igreja.

Hábito de beber

Trotsky preocupava-se com o hábito de beber dos russos, da facilidade com que falavam palavrões (comum a todas as classes) e com a família. Título de alguns dos capítulos do livro de Trotsky: “Da antiga à nova família”, “A família e os ritos”, “As atenções e a delicadeza como condições necessárias para relações harmoniosas”.

Arte

Alain de Botton escreve: “O cristianismo [...] nunca nos deixa qualquer dúvida sobre para que ser a arte: é um meio para nos lembrar daquilo que importa”. E Botton diz que o mundo secular deveria fazer o mesmo, dando à arte uma “missão educativa, terapêutica”. Trotsky já escrevera: “O êxito[...] deve-se não às qualidades artísticas da obra, mas a forma ‘comunista’ de encarar a vida que nela descreve”.

Rituais pagãos

Botton propõe vário rituais, com a devida dispensa dos deuses – como uma saudação à primavera, por exemplo – para substituir os ritos religiosos. Trotsky já escrevera: “No homem, a necessidade de espetáculo — ver e ouvir qualquer coisa de não habitual e de colorido, qualquer coisa para além do acinzentado do quotidiano — é muito grande, é irremovível e persegue-o desde a infância até à velhice” – dizendo que os comunistas tinham de substituir o papel ocupado pela igreja de oferecer isso ao homem soviético.

Líder supremo

Por um lado, é certo que vivemos em um mundo hedonista, egoísta e individualista: para uns é necessário freio, outros se  ressentem das mazelas; muitos refugiam-se nas religiões para ter algum conforto – inclusive para a finitude da vida, pois todas as religiões prometem a vida eterna e perfeita.

O problema é que a prática de uma “religião secular” pode levar a distorções como um Estado artificial da Coreia do Norte, que provoca arrepios só de ver as imagens na televisão, terminar com um partido tornando-se uma nova igreja e o seu “dirigente máximo”, transformado em um ser que ganha apodos como “guia genial dos povos”, “supremo líder”, “fuher” ou coisa que o valha.

De qualquer modo, é interessante ler o livro de Botton (editora Intrínseca). Propicia boas reflexões.

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25.12.11 17:57

“Graciliano – Retrato fragmentado”: a precisão como método de trabalho

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Ler Graciliano Ramos deveria ser obrigatório em todas as escolas de jornalismo. Ele é exemplo de concisão; do uso preciso de cada palavra. Nada em seu texto é ao acaso.

Para quem quiser conhecer um pouco mais de seu método de trabalho, sugiro a leitura de “Graciliano Ramos – Retrato fragmentado”, de autoria de Ricardo Ramos, seu filho mais novo. O livro foi lançado em 1992 e ganhou uma boa reedição da editora Globo, com prefácio de Rogério Ramos, neto de Graciliano, filho de Ricardo.

Cavalo

Filiado ao PCB, stalinista, a ponto de chorar (o que foi uma surpresa para mim) quando morreu Joseph Stalin, Graciliano nunca se submeteu aos cânones do “realismo socialista”. Para Jdânov, encarregado pelo PCURSS de produzir informes sobre arte e literatura para orientar os escritores do partido, Graciliano tinha um substantivo (ele evitava adjetivos):

- É um cavalo.

Que demais

De outra feita, pediu ao filho para revisar “Angústia”, dizendo-lhe ter “que” demais. Ricardo releu a obra e diz ter achado apenas quatro “ques” passíveis de supressão:

- Ótimo, valeu a pena. São quatro pestes a menos.

Viagem

O melhor capítulo é o último, que começa depois de morte de Graciliano (1953). Nele, Ricardo comenta a fortuna crítica da obra do pai e mostra como ela começa a ganhar vulto, fora do círculo de escritores e críticos literários. Mostra também a luta que a família teve com a direção do PCB que queria ler “Memórias do cárcere” e “Viagem” (relato que Graciliano fez de sua visita à União Soviética) antes de serem publicados.

O trecho mais conhecido do livro é a descrição que Ricardo faz das orientações que recebe de Graciliano, quando ele (o filho) começa na sua lide de escritor. Serve como uma pequena aula, principalmente para jornalistas.  Veja. Continuar lendo

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12.11.11 19:25

Jornalismo literário e jornalismo de precisão

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

O texto que se segue é de autoria do jornalista americano Philip Meyer, autor do livro “Precision journalism: A reporter’s introduction to social science methods” – considerado um dos mais importantes livros sobre jornalismo e comunicação de massa no século XX – e “Os jornais podem desaparecer? Como salvar o jornalismo na era de informação”.

O artigo, uma palestra do autor, foi publicado no Observatório da Imprensa, de onde o recolhi, reproduzindo-o na íntegra. O texto é bastante longo, mas jornalistas e aspirantes a, não podem deixar de lê-lo.

Jornalismo literário e jornalismo de precisão
Por Philip Meyer, em 08/11/2011, edição 667 do OI.

Em 3/10/2011, o veterano jornalista Philip Meyer, professor emérito na Escola de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade da Carolina do Norte, fez o discurso reproduzido abaixo na Academia Austríaca de Ciências, como parte da Conferência Hedy Lamarr. Tradução: Leticia Nunes. Continuar lendo

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Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

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