27.06.09 08:01
Na ditadura ou na democracia, a culpa é da imprensa
O senador pelo Amapá [mesmo sendo vice-rei do Maranhão] José Sarney, acusa uma “campanha midiática” para tirá-lo da presidência do Senado.
O alvo é o jornal O Estado de S. Paulo, por matéria divulgando que o neto do ex-presidente tem uma empresa que intermedeia empréstimos consignados para servidores do Senado.
Para defender o descendente, Sarney disse que o neto era extremamente qualificado com “mestrado na Sorbone e doutorado em Harvard”. [Parece que Sarney deixa a província, mas a província não sai dele. Ele parece dizer que estudar no "exterior" é uma espécie de licença para malfeitos?]
Corte rápido
Em Teerã, o governo iraniano vem culpando a “imprensa internacional” pelos protestos contra a ditadura dos aiatolás.
O jornal governista Java acusou especificamente a BBC e seu correspondente Jon Leyne, expulso do país, de haverem contratado criminosos para atirar na jovem Neda Agha Soltan, cuja morte gravada em vídeo, correu o mundo. Segundo o jornal, o jornalista teria agido assim para filmar a morte e responsabilizar o governo iraniano.
Moral da história
Na democracia ou na ditadura, a culpa é da imprensa.
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27.06.09 08:01
BBC divulga despesas com executivos
A emissora de TV pública britânica BBC divulgou na última quinta-feira (25) detalhes de seus gastos com os executivos na casa.
A decisão, baseada na lei local sobre liberdade e acesso à informação, surge após críticas da população quanto a gastos excessivos do veículo.
Na página da BBC na internet aparece uma lista com os 50 mais altos salários pagos pela emissora. Entre os reembolsos da BBC, aparecem gastos com uso de jatos, flores e compra de champagne.
As informações serão fornecidas a público a cada três meses a partir de setembro desde ano.
A BBC é financiada por meio de um tributo que cobra cerca de 142 libras (equivalente a R$ 450) ao ano de cada residência que possui aparelho de TV.
De acordo com o diretor-geral da emissora, Mark Thompson, o objetivo é tornar a BBC mais transparente, em meio aos escândalos de despesas realizadas pelo parlamento inglês.
[Reproduzido do Portal Imprensa]
A pressão à BBC surgiu depois da denúncia da farra de gastos de parlamentares britânicos [algo parecido com o que aconteceu no Brasil].
Depois do escândalo, o Parlamento britânico publicou a lista de gastos de seus parlamentares nos últimos cinco anos. Mas a prestação de contas vem sendo criticada por ter deixado muita coisa sem explicação.
A BBC, mantida com dinheiro público, sentiu-se pressionada a fazer o mesmo.
Faz bem à democracia.
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26.06.09 07:35
Ministro da Educação defende cursos de graduação em jornalismo
O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu a necessidade de bons cursos de graduação em jornalismo, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Em sua opinião, o mercado de trabalho não espera a extinção do campo, mas um aumento na qualidade.
“O jornalismo é um dos pilares da democracia, não podemos desconsiderar as especificidades do exercício da profissão. Mais do que habilidades e competências, um curso de jornalismo deve trabalhar os valores da prática jornalística, preparar bem o profissional que fará a intermediação da informação para o público”, afirmou Haddad, na última segunda-feira (22/06), durante a assinatura de portaria que modifica as normas para credenciamento e avaliação dos cursos de mestrado profissional.
A portaria normativa abre espaço para novas possibilidades de trabalhos de conclusão de curso, além da dissertação. Também permite que profissionais reconhecidos possam dar aulas mesmo sem o título de mestrado ou doutorado. As medidas buscam transformar a pós-graduação lato sensu num mestrado voltado para o mercado profissional. Para o ministro, o jornalismo deve ser uma das áreas mais beneficiadas pela mudança.
“Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, o mestrado profissional em jornalismo deve ganhar força”, afirmou.
Reproduzido do Comunique-se, incluindo o título.
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14.06.09 07:15
Diploma volta à pauta do STF na quarta
A exigência de diploma para o exercício do jornalimos profissional volta à pauta de julgamento do Supremo Tribunal Federal [STF] na quarta-feira [17/6/2009].
As informações são da página do STF na internet, em notícia com título “Diploma de jornalistas, pneus usados e cobrança de tarifa básica de telefone na pauta de julgamentos do STF”. Juntar diploma de jornalista com “pneus usados” deu um toque de humor involuntário à polêmica causa.
Quanto aos pneus usados, fiquei me perguntando o que eles têm a ver com a Contituição. É que existe legislação proibindo a importação do produto e os importadores estão questionando se a lei tem respaldo na Constituição. [De qualquer modo continua parecendo estranho que um assunto desses ocupe a pauta do STF.]
Quanto ao telefone, os ministros vão decidir se mantém decisão dos Juizados Especiais Cíveis da Bahia que reconheceram a ilegalidade da cobrança de tarifa básica de assinatura de serviço de telefonia fixa.
As sessões, que serão na quarta-feira e na quinta-feira, começam às 14h, com transmissão ao vivo, pela TV e pela Rádio Justiça.
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07.06.09 08:03
Brasil está na lista do CPJ como 13° país onde mas se assassina jornalistas
«O Brasil está entre os 14 países onde mais se assassinou jornalistas, na última década, em represália ao exercício da profissão, segundo a organização americana CPJ (Committee to Protect Journalists [Comitê de Proteção aos Jornalistas).
O país passou, neste ano, a integrar também o ranking de impunidade em casos de assassinatos de jornalistas, uma lista que é liderada pelo Iraque. "Jornalistas cobrindo crimes, corrupção e políticas locais têm sofrido grandes consequências", diz o relatório da CPJ.
No ranking de impunidade da organização, o Brasil ocupa a 13ª posição, com indíce superior ao da Índia, que aparece em 14º no ranking. Para chegar ao indíce de impunidade de cada país, o CPJ considera o número de casos de homicídios de jornalistas que não foram punidos por cada grupo 1 milhão de habitantes.
A entidade só considera os caos em que, comprovadamente, os assassinatos de jornalistas foram motivados por questões relacionadas ao exercício profissional, como investigação e publicação de denúncias.»
Esse é o início de matéria da jornalistas Ivana Moreira, que pode ser visto na íntegra no site da Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo].
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28.05.09 12:28
Woodward fala sobre o caso Watergate
Bob Woodward, repórter do Washington Post que, em parceria com Carl Bernstein, expôs o escândalo do Watergate, comentou a revelação de que o New York Times teria pistas informações sobre o caso. A fonte era o diretor do FBI na época, L. Patrick Gray. [Veja postagem abaixo: "New York Times soube antes do caso Watergate"]
Na opinião de Woodward, a simples informação não era suficiente para contar a história. Ao Times, segundo ele, faltou trabalho de reportagem.
“Watergate não tinha nada de pistas”, disse, em entrevista ao site Editor and Publisher. Para ele, o caso foi construído com extensa reportagem e coleta de informações. “Eles [o NYT] decidiram não fazer reportagens. Nós temos essa idéia de que era sobre uma história ou uma fonte ou uma dica, mas não era”, completa.
Na última segunda-feira (25/5), o próprio New York Times publicou matéria contando que o repórter do jornal Robert M. Smith recebeu informações do diretor do FBI, incluindo sobre a participação da Casa Branca no escândalo. Ele relatou a conversa com o editor Robert H. Phelps, mas a história caiu no esquecimento.
Woodward ainda menosprezou a recente revelação. “As informações (que chegaram ao Times) eram as histórias que nós estávamos fazendo no Post e que eles não seguiram”, comentou. [Do Comunique-se]
08.05.09 17:53
Dinossauros, Titanic e a Ilha Fiscal
Devido à crise porque passam os jornais impressos, sou sempre provocado por alguns “jovens” jornalistas conectados e por uma certa “esquerda”, que considera a imprensa uma espécie de complô da burguesia [com comitê central e tudo] para submeter a “classe operária”. Dizem mais ou menos que somos uma espécie de dinossauro [se bem que o asteróide da internet ainda não nos destruiu completamente], que estamos tocando no convés do Titanic ou, quem sabe, dançando no baile da Ilha Fiscal.
Sempre respondo, pacientemente, aos dois grupos [ambos são imaturos], que não tenho – os jornalistas não devem ter – nenhum fetiche pelo papel. Explico didaticamente: o homem [quando é para alguém da "esquerda" trato de ser politicamente correto e acrescento "e a mulher"] começou a deixar sua marca nas paredes das cavernas, depois passou a escrever em tabletes de argila; pele de animais, o papiro e, depois, inventou o papel. Portanto, este, é apenas mais um dos suportes de que se valem os humanos para manifestar e difundir os seus pensamentos. Se houver outro melhor, a tela do computador, a tinta eletrônica, o display do celular, passemos a usá-los.
Digo então para eles que o negócio das empresas de notícias e dos jornalistas é o jornalismo: levar notícias às pessoas, contar história de gente – em qualquer suporte. Aqui é que se concentra o problema que nos atinge a todos: estamos fazendo bom jornalismo? O jornalismo está cumprindo o seu papel de levar às pessoas informações de interesse público? Ou os jornais também estão se transformando em meios de entretenimento e de banalidades de modo a concorrer com os outros meios, mais “dinâmicos”?
A crise dos jornais não deveria ser motivo de regozijo, deveria ser justificativa para pensar, pelo menos aqueles que creem que a democracia depende de uma boa imprensa – e livre, e que a liberdade de imprensa depende da democracia.
06.05.09 16:55
BBC abre Academia de Jornalismo
A BBC – rede pública de rádio e TV do Reino Unido – resolveu difundir para o público o seu método de fazer jornalismo. Para isso criou na internet a sua Academia de Jornalismo. O objetivo, segundo Rogério Simões, diretor da BBC Brasil, é começar a compartilhar com o público “os padrões em que se baseia a sua produção jornalística”. Ele diz, na página de abertura da Academia, que o novo espaço explicará ao leitor os princípios que regem o trabalho da rede, “como objetividade, imparcialidade, independência e transparência”.Posts Relacionados
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