05.01.12 13:49
Governo italiano deixará de subsidiar imprensa
Com o título Crise do euro reabre debate sobre relações entre Estado e imprensa, o jornalista Carlos Castilho faz interessante analise em seu blog Código Aberto.
“Mais de 100 jornais italianos estão ameaçados de fechar as portas agora no início de 2012 em consequência da suspensão dos subsídios fornecidos pelo Estado como parte de um esforço de quase 50 anos para diversificar a informação no país.
O corte de 2/3 dos 170 milhões de euros (404,6 milhões de reais) em subsídios anuais à imprensa italiana foi imposto ainda no governo de Silvio Berlusconi e mantido pelo atual primeiro-ministro Mario Monti como parte do programa de austeridade destinado a evitar o caos econômico no país.
O corte afetará especialmente os jornais locais e a imprensa oposicionista de tendência socialista, pois os grandes veículos continuam usufruindo vantagens como anistia fiscal e tarifas postais reduzidas, mesmo perdendo também o subsídio direto.”
Veja o texto completo no blog Código Aberto.
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03.09.09 05:13
Esquerda ataca a imprensa comercial; direita agride o jornalismo público
James Murdoch já encontrou o culpado pela crise que a imprensa comercial vem enfrentando mundo afora: o jornalismo público, mais especificamente a BBC, rede pública de rádio e TV do Reino Unido.
Ah sim, James Murdoch é o principal executivo da News Corp., umas das maiores corporações de mídia do mundo. Por acaso, ele também é filho de Rupert Murdoch, cujo nome vem sempre acompanhado do aposto ”magnata das comunicações”. O filho falou no Festival de Televisão de Edimburgo, Escócia – um dos países da Grã Bretanha, logo do Reino Unido.
Mas por que James Murdoch acha que a “BBC de Londres” é a culpada pela queda dos lucros de suas empresas? Nas próprias palavras dele: “É essencial para o futuro do jornalismo independente digital que um preço justo seja cobrado por notícias que as pessoas valorizam [...] “A expansão do jornalismo patrocinado pelo Estado é uma ameaça à pluralidade e independência dos provedores de notícias”.
É isso mesmo que vocês leram. O jornalismo público é uma “ameaça” à independência do próprio jornalismo. De acordo com o magnata júnior, a BBC estaria sendo o problema por permitir que seu conteúdo seja acessado de graça, enquanto outros canais tentam cobrar pelo serviço.
A revolta talvez sejam porque a Sky, do grupo News Corporation, só no último ano, perdeu 3,4 bilhões de dólares, informação divulgada no site da BBC. De acordo com James Murdoch, o ano de 2009 “foi o mais difícil na história recente”.
Seguinte:
1. Há um erro de princípio em culpar a BBC pela queda no lucro da imprensa comercial; o problema é estrutural e não tem uma única causa. Se assim fosse, onde o jornalismo público é frágil ou inexistente, a imprensa comercial não deveria estar em crise.
2. O jornalismo da BBC não sai “de graça” os cidadãos britânicos pagam por ele, uma taxa de aproximadamente R$ 350 por ano, cobrada de todos os que têm um aparelho de TV.
3. Ainda que fosse verdade que o jornalismo público reduz o lucro da imprensa comercial, não seria motivo para extingui-lo. Ao contrário do que pensa James Murdoch, o jornalismo público, em qualquer circunstância, é um fator de aumento da diversidade e da pluralidade – e não o inverso.
4. A parte procedente na fala de Jame Murdoch é o debate que ele levanta sobre a necessidade de cobrar por acesso ao material jornalístico. Com o surgimento da internet, houve uma queda brutal nas receitas do jornalismo impresso – que atingiu mais os países da Europa e os Estados Unidos -, sem que o lucro auferido na internet compensasse a redução. Agora, não se pode obrigar as redes públicas a seguir o mesmo caminho – mesmo porque ele não é único.
Cobrança
A News Corporation anunciou que começará a cobrar por seu conteúdo após os prejuízos que a organização vem enfrentando. Isso depois de, cerca de dois anos atrás, ter dito que o negócio seria sustentato pelo mercando, por meio de anúncios – sem que fosse preciso cobrar do leitor.
[São de propriedade da News Corporatian veículos como The New York Post, The Times, News of the World e The Wall Street Journal. Também é de sua propriedade a Dow Jones & Company, a Fox e de parte do site Hulu em parceria com a Disney. O The Wall Street Journal sempre cobrou pelo acesso, mesmo antes de Murdoch adquiri-lo, e era um um dos únicos modelos bem sucedido de site com conteúdo pago.]
Assim
Parece claro que o ataque à BBC não é apenas uma questão monetária, mas ideológica. Essa é mais uma dos temas em que a direita se aproxima da esquerda. Enquanto um setor da esquerda sataniza a “imprensa capitalista”; seu equivalente da direita demoniza o jornalismo público, que eles devem considerar ”socialista”.
[Ilustração: "O diabo sob medida II", de Hélio Rôla]
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24.07.09 06:01
Umas das discussões que rolam hoje no meio jornalístico – e que preocupa a todos – é a seguinte: com a crise da “imprensa tradicional” quem vai financiar o jornalismo, principalmente aquele destinado a fiscalizar o poder [político, econômica ou religioso] e o que produz ”reportagens de fundo”?
Blogs e sites, que não estejam sob o guarda-chuva do de uma empresa “tradicional”, não dispõem de recurso para fazer uma investigação, que demanda tempo e dinheiro – sem garantia que, ao fim, haverá algum tipo de resultado.
A crise atual tem uma diferença crucial com as anteriores, superadas pelo jornalismo impresso: pela primeira vez na história da humanidade é possível ter, em uma única mídia – a internet – texto, som imagem e imagem em movimento. Uma revolução equiparável à que ocorreu quando Gutenberg inventou os tipos móveis.
Principalmente nos Estados Unidos vêm surgindo uma alternativa ao e para o jornalismo comercial. São as entidades sem fins lucrativos destinadas à produção do jornalismo jornalismo investigativo.
Mas elas também vem acompanhada de polêmica. Se estas entidades destinam dinheiro para que repórteres de jornais busquem notícias, a quem caberá a decisão editorial ou a escolha dos temas a serem cobertos? A quem paga ou aos jornais?, questionam algumas vozes.
Segundo informa o blog do Knight Center, um dos mais importantes jornais do mundo, o New York Times estuda receber apoio financeiro de fundações, prática utilizada há bastante tempo por radiodifusores públicos nos Estados Unidos.
O editor-público [ombudsman] do New York Times, Clark Hoyt, escreveu sobre o assunto [em resumo publicado pelo Observatório da Imprensa]: ”O Times procura novas fontes financeiras e abre-se a parcerias e acordos bem distantes do antigo modelo em que os editores decidiam o que é notícia, pautavam os repórteres e pagavam suas despesas – tudo isso apoiado por centenas e centenas de anunciantes – mas nenhum suficientemente forte para influenciar o jornalismo”.
Hoyt conta como o NYT deixou um repórter usar o nome do jornal para levantar fundos para a produção de uma matéria sobre uma extensa área do oceano Pacífico coberta de lixo.
Diz também que o Times já publicou matérias em parceria com a ProPublica, “uma entidade investigativa sem fins lucrativos fundada por banqueiros bilionários”.
Essa parceria com a ProPublica já produziu duas grandes reportagens no Times, mostra Hoyt: uma, de capa, examinando o fracasso dos esforços norte-americanos para a reconstrução no Iraque; a outra, sobre como a Siemens, uma empresa de engenharia alemã, pagou milhões de dólares em subornos pelo mundo afora. O Times e a ProPublica estão preparando um terceiro projeto que poderá vir a ocupar a totalidade da revista de domingo do próximo mês.
Hoyt diz que a ProPublica mantém parcerias com outras empresas jornalísticas importantes – para produzir jornalismo de qualidade “sem distorções políticas perceptíveis”.
Como acontece em toda crise ["A violência é a parteira da história", dizia o velho Marx] alguma coisa nova vai nascer. O que se espera é que mantenha a direção do jornalismo independente, pois este é um dos sustentáculos da democracia.
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