29.02.12 17:53
Ruas privatizadas e evento sem controle, na confusa Fortaleza

Evento no ginásio Paulo Sarasate congestiona ruas e incomoda moradores; em PM e nem AMC apareceram para organizar o trânsito
A seção “Fortaleza Terra de Ninguém” anda um pouco adormecida, mas coincidentemente esta semana recebi contribuição de dois leitores.
Paulo Sarasate
Um deles comenta [primeira foto] um evento ocorrido no dia 28 de fevereiro, no ginásio Paulo Sarasate. As ruas em trono do ginásio, principalmente a rua Ildefonso Albano e a avenida Heráclito Graça, ficaram um verdadeiro caos, por volta das 21h30min, conforme relata o leitor. Segundo ele, não havia nenhum carro da polícia, “e muito menos agentes da AMC”, tendo se formado um “engarrafamento enorme”.
Sem PM e sem AMC
O leitor diz não saber que tipo de evento acontecia, “mas se usou um equipamento público (o ginásio), a prefeitura deveria estar informada. Se estava, por que não mandou agente de trânsito? Se mandou, por que eles não organizaram o trânsito nas vias em torno do evento?”
Ficam as perguntas, espera-se a resposta
O outro leitor mostra [segunda foto] um fato lamentável e muito comum em Fortaleza. Comércios (lojas, bares, restaurantes, etc.) que privatizam a rua demarcando-a com cones, de modo a impedir o estacionamento em locais permitidos e, diga-se, públicos. Ou seja, para usufruto de qualquer cidadão, nos termos da lei.
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23.02.12 00:07
Meu artigo publicado na edição de hoje (23/2/2012) no O POVO.
Delírios do Carnaval
Plínio Bortolotti
Tão certas quanto o Carnaval são as confusões que se seguem, escrevi no Twitter, o que mereceu alguns retuítes: isto é, pessoas que concordaram e o enviaram para outras.
E a guerra vem, como sempre – afora os acidentes e mortes que se repetem com regularidade macabra –, na apuração de votos que escolhe a “melhor” escola de samba. Tem gente disposta a morrer para ver sua “escola” em primeiro lugar, como tem torcedor que morre e mata por seu time de futebol, cujos atletas estão muito mais preocupados (e não lhes tiro a razão) com suas carreiras do que dar importância a um bando de fanáticos.
Passo por cima de todas as notícias relativas à “festa”, a não ser aqueles impossíveis de se deixar de ler, pois nas primeiras páginas dos principais portais da internet, como aquela – sem a qual a humanidade poderia perecer – que nos deu a conhecer que atriz Jennifer Lopes evitou ser fotografada comendo batata frita (ou seria pastel?) em um dos camarotes no Rio, ao qual ela compareceu por módica quantia (comparando com os valores investidos na festa; dinheiro vindo sabe-se lá – e se sabe mesmo – de onde).
O Carnaval, dizem, serve para as pessoas se libertarem da camisa de força cotidiana, vivendo alguns dias de esbórnia. Ok, mas como diz o velho Belchior: “A minha alucinação é suportar o dia a dia, e o meu delírio é a experiência com coisas reais”.
No período, optei por uma espécie de prisão domiciliar voluntária, da qual saí raramente em algumas incursões exploratórias: para apreciar a cidade preguiçosamente vazia, pegar um filme, fazer uma caminhada. A alegria compulsória das multidões, bêbados, homens e mulheres exibindo latinhas de cerveja como troféus, me constrangem ao invés de me animarem.
Leio na manchete do O POVO de ontem: “Fortaleza redescobre o Carnaval”, prevendo que cidade deixará de ser “uma ilha de sossego” no período. Medo.
(De qualquer modo, peço um desconto aos leitores, pois, na opinião de um amigo, sou um cara com “senso de humor rarefeito”.)
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21.02.12 19:03
Novo serviço da Oi/Vélox antecipa para o Carnaval a penitência da Semana Santa
Acabou-se o monopólio estatal de alguns serviços – a telefonia, por exemplo – e caímos nas mãos de oligopólios que costumam ver o cliente apenas como um ser a ser explorado, sem lhe oferecer a devida contrapartida pelo serviço contratado. Para algumas dessas empresas não é preciso dar muitas satisfações à clientela, a não ser nas caras, bonitas e irreais publicidades na TV.
Oligopólios
Fomos transformados em reféns desses oligopólios, pois pouco adianta mudar de “operadora”; escapa-se de um serviço ruim, para cair em outro pior, no que se refere a dar um tratamento eficaz a quem depende de serviços, que, no mundo em que vivemos, é essencial.
As agência reguladoras, por sua vez, funcionam precariamente, dando ânimo para que esse tipo de procedimento continue impunemente.
Acidente
Pois bem, na quarta-feira (15/2/2012), um caminhão derruba os fios telefônicos na esquina do condomínio em que moro, deixando meu prédio – e possivelmente outros da redondeza – sem telefone fixo e sem a Internet, para quem é assinante da Vélox (o meu caso), pois esta é cabeada pela linha telefônica.
Carnaval
Eu, que precisava trabalhar no período de Carnaval, fiquei impedido de fazê-lo – pois dependo de consultas na Internet para escrever – e para postar ou enviar a minha produção. Isso, apesar de várias ligações para o número 10331, e depois de ter explicado o caso pelo menos uma dezenas de vezes (pois a cada ligação, normalmente, tem-se de fazê-lo a mais de um atendente). O problema não foi resolvido, nem digo com urgência – que o caso merecia –, mas em um lapso de tempo razoável.
Ligações
Depois de cinco ligações para a central Oi (a última no dia 19/2), dois prazos descumpridos, e um contato feito pelo Twitter, vencido pelo cansaço, desisto de fazer mais ligações.
Solução?
Na segunda-feira (20/2), por volta das 16 horas, cinco dias depois do acidente, o problema foi solucionado. O tempo de espera é muito longo (fora a chateação), ainda que se tratasse do telefone de apenas um cliente, mas era o caso, me aprece, de ser tratado com urgência, pela sua abrangência. Imagine se se tratasse da iluminação pública, por exemplo.
Maratona
Veja a maratona a que a Oi/Vélox me obrigou a participar; uma verdadeira via-crúcis, em pleno Carnaval, quando a penitência deveria ser depois. [De bônus, seguem também algumas palavras sobre o “Eduardo” o “seu atendente eletrônico”.] Continuar lendo
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21.02.12 14:11
Solidariedade ao jornalista Lúcio Flávio Pinto
Foi iniciada este mês campanha de solidariedade ao jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, condenado judicialmente por “ofender moralmente” o empresário Cecílio do Rego Almeida. Dono da Construtora C. R. Almeida, ele era acusado de apropriação ilegal de terras públicas na Amazônia. A matéria de Lúcio Flávio foi escrita em 1999, o empresário morreu em 2008, ao 78 anos de idade.
Jornal Pessoal
Lúcio Flávio, editor do independente Jornal Pessoal, se referiu ao empresário como “pirata fundiário” em sua publicação. A alcunha foi usada em reportagem sobre o uso de registros imobiliários falsos na tentativa de regularizar a posse de cinco milhões de hectares na região do vale do rio Xingu. Outras duas pessoas também haviam sido denunciadas por Cecílio do Rego Almeida, mas foram absolvidas pela justiça paulista.
Sentença: R$ 8 mil, corrigidos
A sentença, que condena Lúcio Flávio Pinto a pagar indenização de R$ 8 mil (que deverão ser corrigidos) à família do empresário, foi expedida pelo Tribunal de Justiça do Pará. Um recurso especial, submetido ao Superior Tribunal de Justiça, foi negado em fevereiro de 2012 por ausência de documentos exigidos pelo rito processual (falhas formais).
Arrecadação
Para ajudar o jornalista a cumprir a decisão judicial foi criado um fundo para a arrecadação de doações. Os recursos podem ser enviados ao Banco do Brasil, agência 3024-4, conta-poupança 22.108-2 em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista. [Com informações da Abraji.]
Jornalismo independente
O Jornal Pessoal de Lúcio Flávio é um dos maiores exemplos de sucesso em jornalismo independente, o qual o seu editor mantém a duras penas, como se poderá ver em seu texto abaixo. Lúcio Flávio, que já trabalhou nas principais redações do país, é fonte obrigatória quando se trata de assuntos relativos à amazônia.
Veja carta “O grileiro vencerá?”, escrita por Lúcio Flávio Pinto, na qual ela relata a situação que gerou o processo. Continuar lendo
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21.02.12 12:43
“O jornal e o livro”: a previsão errada de Machado de Assis
A editora Companhia das Letras relançou cinco textos de Machado de Assis, compilados no volume “O jornal e o livro”, da coleção “Grandes Ideias”. A obra, além do artigo que lhe dá título, oferece três textos de crítica literária: “Aquarelas”, “O ideal do crítico” e “Notícias da atual literatura brasileira”.
Não precisei comprar o novo livro com obras do Bruxo do Cosme Velho, pois tenho minha velha coleção da editora Nova Aguilar (obras completas em três livros de capa dura, papel bíblia), à qual fui para rever os textos. Estão no terceiro volume, nas seções “Miscelânea” e “Crítica”.
O artigo mais interessante é “O jornal e o livro”, na qual o jovem Machado (com 20 anos, em 1859) defende a superioridade do jornal frente ao livro, prevendo o “extermínio” deste. Será sugestivo ler o texto substituindo “livro” por “jornal” e “jornal” por “internet”, verificar-se-á um debate muito interessante e atual.
Baixe gratuitamente o texto de O jornal e o livro.
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20.02.12 22:32
Cinco modelos para financiar o jornalismo sem fins lucrativos
Em texto assinado por Margaret Looney, o IJNET (Rede Internacional de Joranlistas) publicou matéria mostrando cinco modelos para financiar o jornalismo sem fins lucrativos.
Está se tornando relativamente comum, nos Estados Unidos e alguns outros países, que os jornalistas busquem formas alternativas de financiar produção de matérias investigativas ou de fazer um jornalismo voltado para a comunidade.
Veja os modelos mais utilizados:
1. Financiado pela Comunidade. Campanhas financiadas por cidadãos comuns.
2. Micro-subsídios. Fundações doam uma pequena quantia para jornalistas empresariais ou freelancers iniciarem um projeto.
3. Paywalls. Cobra uma taxa de acesso ao conteúdo digital.
4. Cooperativas. Nos Estados Unidos já funciona uma cooperativa de jornalismo comunitário, modelo que também seguem jornalistas de outros países. [No Brasil um dos exemplos de maior sucessor de cooperativismo em jornalismo foi o Coojornal, periódico alternativo que circulou na década de 1970, de oposição à ditadura militar.]
5. Filantropia/entidades sem fins lucrativos. Modelo reúne múltiplos fluxos de receitas, vindos de fundações sólidas, doadores anônimos e às vezes empresas patrocinadoras.
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17.02.12 18:09
Associação dos Defensores quer reduzir evasão na carreira

O presidente da ADPEC, Roberto Leitinho, entre as diretoras Roberta Quaranta (esq) e Elizabeth Chagas
Recebi hoje a visita de diretores da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Ceará (ADPEC). Eles preparam uma campanha para divulgar o trabalho dos defensores públicos.
Estiveram presentes o presidente da ADPEC, Adriano Leitinho, acompanhado das diretoras Roberta Quaranta e Elizabeth Chagas.
Importância
O objetivo da campanha será mostrar a importância da Defensoria, e buscar evitar a evasão na carreira. Os defensores reivindicam “reclassificação” da carreira de modo a equiparar o salário inicial dos defensores com outras instituições do sistema de Justiça.
Evasão
O problema, diz Adriano, é que o salário inicial dos defensores é menor do que das outras instituições do sistema de Justiça, o que provocaria uma “evasão” de concursados da Defensoria. Segundo ele, do último concurso havido (2008) 40 defensores pediram demissão, pois passaram em concurso para a Justiça ou Ministério Público, que têm salários iniciais mais vantajosos.
Salário
Leitinho reconhece que os defensores têm um bom salário – R$ 13.890, no início da carreira. Mas como os aprovados no concurso para a Defensoria, diz ele, são pessoas aptas a passar em outros concursos, a tendência é que essas concursados migrem para as carreiras da Justiça e do Ministério Público, nas quais o salário inicial supera os R$ 20 mil.
Carreira
A diretora Roberta Quaranta faz questão de dizer que não se trata de pedir aumento salarial, pois no fim da carreira, o salário da Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública se equivalem. O objetivo principal, diz ela, é estancar a evasão na carreira de defensor público.
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16.02.12 16:12
Novos Talentos: UFC e FaC têm maior número de inscritos
Os estudantes inscritos estão realizando hoje a prova de seleção para a 11ª edição do Curso Novos Talentos O POVO para Estudantes de Jornalismo. Inscreveram-se 107 estudantes dos sete cursos de jornalismo existentes em Fortaleza.
Número de estudantes inscritos por faculdade:
Universidade Federal do Ceará (UFC): 26
Faculdades Cearenses (FaC): 24
Faculdade Estácio do Ceará (Estácio-FIC): 15
Faculdades 7 de Setembro (FA7): 14
Universidade de Fortaleza (Unifor): 14
Faculdades Nordeste (Fanor): 12
Faculdade Integrada Grande Fortaleza (FGF): 2
Para saber mais sobre os Novos Talentos.
16.02.12 11:25
“Pravataria tucana” terá lançamento em Fortaleza
O livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. será lançado em Fortaleza no próximo dia 15 de março, às 19h, no auditório da Faculdade de Direito da UFC. O evento é promovido pela Fundação Mauricio Grabois, em parceria com a Revista Nordeste 21 e o Instituto da Cidade.
CPI
Estarão presentes o autor do livro e o deputado Federal Protógens Queiroz (PCdoB-SP), que está requerendo a instalação da “CPI da Privataria” na Câmara dos Deputados. Na ocasião ocorrerá debate com o tema: “Mídia e privatização no Brasil”.
Privatização
Segundo Amaury, “A privataria tucana” é resultado de 12 anos de investigações que ele fez sobre aprivatização de estatais brasileiras, entre elas a Companhia Vale do Rio Doce (empresa do setor de mineração e siderurgia), e a Telebras (empresa de telecomunicações), ocorridas durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
[Inclui os promotores do evento às 11h41min, depois da bronca que recebi da leitora Carolinas campos, comentário abaixo, por haver esquecido essa informação.]
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16.02.12 00:07
A greve da PM e os “Irmãos de farda”
Meu artigo publicado na edição de hoje (16/2/2012) no O POVO.
“Irmãos de farda”
Plínio Bortolotti
Depois de ter ficado mais do que evidente a falência do sistema de segurança pública, herdado da ditadura, os congressistas parecem ter acordado para a necessidade de resolver o assunto. Agora o negócio é capaz de ir a toque de caixa, pois a água está batendo nas orelhas. De qualquer modo, para acrescentar mais um chavão, antes tarde do que nunca.
Se alguém ainda duvidava do perigo, para a democracia, de uma greve armada de militares basta observar alguns sinais do que poderia acontecer se não houvesse um basta aos motins que ameaçavam se espalhar por todo o país.
O mais grave, obviamente, é a suspeita de que, além de atos de vandalismo, alguns policiais cometeram crimes graves, como assassinatos, aproveitando-se da confusão que eles mesmos criaram na Bahia.
O outro foi durante o cerco à Assembleia Legislativa baiana, quando general Gonçalves Dias, comandante das tropas do Exército afirmou: “Militar não vai combater militar”. Pode ter sido um gesto conciliatório, o que é louvável; mas outra possível interpretação remete à pergunta: e se o confronto fosse necessário, qual seria a reação do general?
Posteriormente à greve, a Associação de Praças da Polícia Militar da Bahia (APPM-BA) registrou menção honrosa ao general Gonçalves Dias, destacando que PMs e Exército são “irmãos de farda”. O deputado estadual Sargento Isidório (PSB) diz que vai propor o título de cidadão baiano ao general. Parece tentativa de se forjar um “ídolo” militar.
A propósito dos “irmãos de farda”, um dos pontos que a reformulação do sistema de segurança terá de enfrentar será a desmilitarização da polícia. Sempre que o assunto vem à baila, lobbies de PMs acorrem ao Congresso para barrar a proposta.
Mas, pelo menos dois líderes da greve da PM no Ceará, o Capitão Wagner e Pedro Queiroz (presidente da Associação dos Cabos e Soldados Militares do Ceará), afirmam ser a favor da desmilitarização, seria interessante que eles viessem a público com tal afirmativa.
Outros artigos sobre o tema:
E se o Exército resolver fazer greve?
Silêncios pouco inocentes.
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