Plínio Bortolotti

02.02.12 00:04

Rita Lee e a “relativização” das leis

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 1 Comentário

Meu artigo publicado na edição de quinta-feira (2/2/2012) no O POVO.

Rita Lee e a “relativização” das leis
Plínio Bortolotti

Fábio Campos, em sua coluna de domingo, neste jornal, escreveu em uma das notas que “nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum, está acima da lei” (concordo), afirmando ainda que a “relativização da lei põe em risco a democracia” (depende). Esta afirmativa gostaria de pôr em debate – e o episódio evolvendo a cantora Rita Lee, em seu show em Aracaju (SE), se presta à polêmica.

Rita Lee se irritou, pois os policiais estavam revistando jovens, em frente ao palco, em busca de cigarros de maconha. A cantora se excedeu, xingando os policiais, e insuflando a multidão, o que é um risco. “É rock and row”, gritou ela: talvez quisesse como parte do show. Veja aqui.  (Observe o momento em que o governador Marcelo Déda se retira do evento.)*

Pois bem, os policiais agiam legalmente ao buscar drogas. Mas pensemos um pouco, em termos de prioridades. Onde os policiais (pelo que se pôde ver eram muitos) eram mais necessários, dando o velho “baculejo” em busca de um baseado ou cuidando da segurança do show, prevenindo crimes graves? (Inda mais que a posse de drogas para consumo deixou de ser crime, segundo muitos juristas.)

Jogar lixo na rua é crime ambiental. Mas alguém gostaria que policiais militares deixassem de perseguir criminosos para abordar os ignorantes que jogam lixo pelas janelas de seu carro (apesar da vontade que dá de ver um sujeito desses ser punido exemplarmente)? Imagine se a Secretaria da Fazenda do Ceará, por exemplo, em vez de se preocupar com os grandes sonegadores, dispersasse seus fiscais para cada uma das bodegas da periferia, arrastando cada um dos pequenos infratores às barras da Justiça. Perderia a própria sociedade.

Quase todas as pessoas cometem pequenas contravenções. Fazer “vista grossa” a infrações de pequeno ou nenhum poder ofensivo é uma forma de priorizar temas mais importantes.

PS. Quem abordou o tema com propriedade, em outra circunstância, foi Hélio Schwartsman, na Folha de S. Paulo, cujos textos seguem abaixo.

*Correção: aos jornais o governador Marcelo Deda (PT) explicou que não deixou o local do show. Ele disse que saiu de seu lugar para pedir ao comandante da PM para que retirasse os policiais da frente do palco de modo a evitar um problema de maiores proporções (acréscimo feito às 17h14min do dia 2/2/2012). Continuar lendo

30.01.12 10:49

Cearense vaia até o Sol

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Primeira página do O POVO de 30/1/1942, um exemplo da molecagem cearense: o Sol recebe "tremenda vaia" (clique para ampliar)

O jornal O POVO publica hoje matéria referente a um fato ocorrido há 70 anos: o dia em que os cearenses vaiaram o Sol na Praça do Ferreira, em Fortaleza. Um repórter do O POVO, que passava pelo local registrou o fato para os anais da história, como mais um feito da famosa molecagem cearense.

Registro histórico

O repórter relata que, depois de alguns dias de chuva, o “sol ia conseguindo varar as grossas nuvens, lá no alto, num esforço desesperado para aparecer, os alegres circundantes, olhando para o alto e apontando, começaram uma estrondosa demonstração estrondosa, vaiando o astro vencido…” O titulado não perdoou: “O Sol recebeu tremenda vaia”. [Explicação para quem não é nordestino: por aqui, chuva é tempo bom, diz-se, inclusive que o tempo está "bonito pra chover", por isso a vaia ao "astro rei".]

Vida & Arte

Para comemorar  a data, o jornal publicou na edição de hoe 30/1/2012 depoimentos ficcionais de seus jornalistas sobre o evento e matéia no caderno Vida & Arte, aqui.

O POVO foi o único jornal a registrar o fato. Uma curiosidade: a data registrada na edição é de 30 de fevereiro de 1942, em vez de 30 de janeiro – ou foi erro ou foi molecagaem do editor.

Veja aqui a primeira página completa.

26.01.12 00:03

Pinheirinho: sobre decisões insensatas

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 6 Comentários

Meu artigo publicado na edição de hoje (26/1/2012) do O POVO.

Ilustração de Hélio Rôla (clique para ampliar)

Pinheirinho
Plínio Bortolotti

Duas mil famílias, seis mil pessoas, foram expulsas com violência de suas casas, em São José dos Campos (SP), em um bairro chamado Pinheirinho.

A Polícia Militar, apoiada por helicópteros e acompanhada de seu aparato bélico, fez o trabalho, escudada em uma ordem judicial, expedida pela juíza da 6ª Vara Cível de São José dos Campos. Cerca de dois mil policiais e guardas municipais iniciaram a ação às 6 horas de domingo passado.

O resultado pode ser visto nos jornais e TVs – e também pelas redes sociais da internet. Digitando “Pinheirinho” no Youtube, poder-se-á ter uma ideia de como se deu a expulsão dos moradores.

A área de um milhão de metros quadrados – que começou a ser ocupada há oito anos – pertence à massa falida da Selecta, uma empresa do “investidor” Naji Nahas (preso em 2008 na Operação Satiagraha) – e está avaliada em quase R$ 200 milhões.

É incompreensível o que se passa na cabeça de um juiz, no caso uma juíza, ao dar uma ordem dessas, aparentemente sem levar em conta as consequências de sua decisão. Desconhecimento da realidade? Arrogância? Inépcia? Falta de senso de justiça? Apego formal à lei?

Havia negociação em curso, incluindo representantes do governo federal, buscando uma saída pacífica – e havia um conflito de competência entre a Justiça federal e a estadual, o que recomendava cautela e um pouco de paciência. A Justiça estadual optou pelo uso da força, e muita.

Dito isso, revelou-se no caso Pinheirinho uma situação que se repete a cada polêmica, a cada conflito que se estabelece no país: um verdadeiro Fla-Flu. Exige-se alistamento automático e acrítico – e lança-se mão do argumento ad hominem (contra a pessoa) a qualquer um que questione qualquer “verdade” estabelecida por um dos lados.

A democracia tem dessas conseqüências: a tentativa de interditar o pensamento deixou de ser privilégio da direita.

24.01.12 18:35

Youtube promove “Seu Festival de Filmes” e dá prêmio de 500 mil dólares

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

O Seu Festival de Filmes é uma competição mundial que busca encontrar os melhores contadores de histórias, apresentá-los aos espectadores ao redor do mundo e oferecer uma verdadeira oportunidade para começar uma carreira brilhante. Para participar basta inscrever um curta em vídeo de 15 minutos de qualquer formato, estilo ou gênero.

Você pode enviar um curta, um episódio de web-série, um piloto de TV ou algo diferente, contanto que seja uma história. Após a seleção de 50 semifinalistas, os espectadores ao redor do mundo começarão a votar, escolhendo 10 finalistas. Os finalistas viajarão a Itália, onde seu trabalho abrirá o Festival de Veneza de 2012 e o grande vencedor será escolhido por um júri especial, formado pelos profissionais da indústria, e receberá um prêmio de 500 mil dólares para a produção com a Scott Free Films de um novo trabalho para ser apresentado ao mundo inteiro. [Reproduzido do site do festival.]

O filme pode ser narrado em português ou qualquer outra língua.
Inscrições: de 2/2/2012 a 31/3/2012.
Mais informações e inscrição.

24.01.12 13:51

Férias no Ceará & estorvo acústico

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Clique para ampliar

Do artista plástico Hélio Rôla, que refugiou-se na Lagoa Redonda em busca de sossego, mas encontrou barulho nos céus e terras, recebi o texto abaixo e o mapa acima.

«Férias no Ceará… Por conta de som excessivo oriundo do Recreio Clube de Campo (Av Recreio, 1090 – Lagoa Redonda, Fortaleza – Ceará) certas áreas da Lagoa sofrem, ultimamente, com o som abusivo “dos forrós do domingo” que somente terminam na madrugada de segunda-feira em meio à uma barulheira infernal bradando aos céus e uma gritaria sem fim, chegando mesmo a incomodar, pela sua duração de horas, mais do que os aviões da madrugada. Que coisa, não é?…

Enfim, pela distância entre a casa de show … e onde resido, 1,5 km, como pode ser visto no mapa Google, fica claro que o clube comete abuso socioambiental de expressiva abrangência… É muito provável que, fora a falta de alvarás e outras exigências, o estabelecimento não disponha de instalações adequadas para esse tipo de show, isto é, com tanto som à solta e, por isso, não obedeça as Leis Municipais quanto a conveniência do silêncio urbano no viver humano…

As casas de show de Fortaleza quase sempre deixam que seu “negócio cultural” se torne, como é de praxe, um estorvo para a vizinhança inocente que não tem nada a ver com os esses negócios… É uma história antiga, e por se tratar de um franco desrespeito aos direitos da humanidade dei ciência do fato à Semam em uma denúncia de Poluição sonora. Hoje, dia 24 de janeiro de 2012.

“O silêncio é um bem comum, o barulho, não”…

Poluição Sonora – Semam 3452.6923/6927»

*O título do post também é de autoria de Hélio Rôla.

23.01.12 11:41

Site de Flávio Paiva terá conteúdo aberto

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 3 Comentários

Jornalista, escritor e compositor, Flávio Paiva vai lançar um novo site com a publicação de sua obra, que ficará disponível para o uso sem fins lucrativos.

Convite do lançamento

A Cooperativa Pirambu Digital e o jornalista Flávio Paiva convidam para o lançamento do novo site www.flaviopaiva.com.br, com mais de 450 Artigos, 10 Ensaios, cerca de 80 Partituras, referências de publicações, fotos e vídeos. Tudo dentro de um conceito de “Cultura Livre Brasileira”, que valoriza o uso social dos conteúdos, com restrições apenas às finalidades comerciais, políticas e religiosas.

A nova versão do site somente estará disponível após o lançamento.

Data: 30 de janeiro de 2012 (segunda-feira)
Hora: das 08:30 às 10:00 horas
Local: Pirambu Digital – (85) 3236 0541
Rua Nossa Senhora das Graças, 1097 – bairro Cristo Redentor

21.01.12 18:36

Pessoas acreditam em coisas estranhas pois vivem em um mundo assombrado pelos demônios

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: 2 Comentários

Clique para ampliar

Depois de ler Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas, de Michael Shermer, fui reler O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan. O livro de Shermer (ed. 2002) tem como subtítulo “Pseudo ciência, superstições e outras confusões dos nossos tempos”. A obra de Sagan (1ª ed. 1995) tem como subtítulo “A ciência vista como uma vela no escuro”.

Divulgação científica

Ambas as obras são títulos de divulgação científica, ou seja, tem o objetivo de explicar a Ciência para um público leigo. Mais do que isso, são defesas apaixonadas da Ciência e de seu método de estudo do mundo natural.

São livro de fácil compreensão, mesmo para quem tenha apenas a noção de Ciência aprendida até o ensino médio. O livro de Sagan, principalmente, pode-se lê-lo como se lê um bom romance. O fio da argumentação é tão bem conduzido que sempre nos induz a querer ver o “próximo capítulo”. Continuar lendo

20.01.12 01:28

Canoa Quebrada: helicóptero nas falésias

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Do jornalista Túlio Muniz recebi as duas fotos acima, que lhe foram enviadas por conhecidos dele em Canoa Quebrada. Túlio exclama: “Se barracas e bugues são insuportáveis para as falésias, o que dirá Helicópteros”.

A força da grana

Pois é, parece o caso de muita grana e zero de consciência ecológica. Afinal, o cara com um helicóptero particular pode tudo, inclusive destruir impunemente o que a natureza levou milhões de anos para construir.

Interessante é que há poucos dias comentei neste blog o mal que pode causar esse tipo de turismo predatório.

20.01.12 01:09

Meruoca, a serra

Por: Plínio Bortolotti | Comentários: Comente

Caminho de Meruoca (clique nas fotos para ampliar)

Palestina, distrito de Meruoca: não consegui descobrir a origem do nome

Bastam 13 km, de Sobral à serra da Meruoca, para sair-se de uma temperatura próxima dos 40 graus centígrados e chegar-se a um clima de 16 graus. O local é para descanso, contemplar a paisagem, ouvir pássaros, fazer caminhadas – e outras coisas interessantes para um clima que pede aconchego. Há poucas pousadas e poucos restaurantes, mas vale a visita, principalmente se você vem de um roteiro de muito sol e muita praia.

Areia e água

Como me disse um “super sincero”, quando perguntei, em Jijoca de Jericoacora, o que tinha para ser visto por ali, ele respondeu: “Areia e água”. O que não deixa de ser verdade, mas uma boa combinação das duas coisas pode resultar em belas paisagens. Em Meruoca a combinação é “mato e água”, além da temperatura amena – e o canto dos pássaros.

Engenho

Não tive tempo nem mesmo de ir ao mirante e perdi um passeio a um velho engenho de cachaça da região, para o qual fui convidado, pois o tempo de folga estava se esgotando.

Então é isso, moçada, agora, o batente.

Veja também Icaraí de Amontada, Almofala, Jijoca, Jericoacora, Sobral.

Plínio Bortolotti

Plínio Bortolotti

Jornalista. Diretor Institucional do Grupo de Comunicação O POVO, jornal, rádios […]

Receba as postagens
do blog Plnio Bortolotti

Powered by Feedburner/Google