A corrupção se faz com quantas malas?

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião do O POVO, edição de 23/11/207.

A corrupção se faz com quantas malas?

Na entrevista concedida em sua posse, o novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, deixou um “ponto de interrogação no imaginário popular”. Quantas malas de dinheiro são necessárias para configurar suspeita de corrupção?

Falando sobre a investigação, que levou a duas denúncias da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer, ele assim se manifestou: “A gente acredita que, se fosse sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo, porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes, e se haveria ou não corrupção”.

Segóvia referia-se à mala de Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer. Porém, a se levar em conta a sua afirmação, o mesmo poderia aplicar-se ao dinheiro transportado pelo primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e, ainda, aos R$ 51 milhões entesourados em malas pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Quanto ao fato de Segóvia usar o sujeito indeterminado “a gente”, a quem ele se refere? Seria apenas tentativa de parecer modesto? Talvez referência aos colegas da Polícia Federal, apesar de a PF ter participado da investigação? Ou referia-se aos que bancaram a sua indicação ao cargo, os “políticos do PMDB, quebrando a expectativa entre delegados da PF de que poderia haver uma continuidade da gestão de Daiello (o antigo diretor)”, segundo noticiou o jornal Folha de S. Paulo (9/11/2017)?”

A rigor, Segóvia criticava diretamente o antigo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reavivando a pendenga entre a PF e o Ministério Público.

Se o delegado houvesse dito que o trabalho poderia ter sido mais completo, ok. Mas ele levantou dúvida se o acontecido caracterizava como crime ou corrupção, mesmo depois de um auxiliar do presidente ter sido flagrado com R$ 500 mil em dinheiro vivo, após a conversa noturna entre Temer e Joesley Batista.

A principal suspeita no caso é se o delegado quis nos confrontar a inteligência ou simplesmente pensa que “a gente” é desprovido dela.

O capitalismo nos levará à utopia comunista?

Reprodução da coluna “Menu Político”, caderno “People”, edição de 19/11/2017 do O POVO.

O capitalismo nos levará à utopia comunista?

Já escrevi nesta coluna a respeito da renda básica universal, a propósito do livro “Utopia para realistas”, do historiador holandês Rutger Bregman. A renda mínima universal é uma espécie de “bolsa família”, que seria distribuída a todos os cidadãos, ricos ou pobres, de modo a garantir despesas básicas com alimentação, moradia e saúde.

Quem vê o Bolsa Família como “coisa de comunista” poderá ter uma síncope com essa proposta mais abrangente. Ocorre que os maiores defensores da renda básica universal são capitalistas. E grandes. Normalmente de empresas ligadas às novas tecnologias.

Um deles é Elon Musk, um dos fundadores da SpaceX (projeto para colonizar Marte), e presidente da Tesla Motors, empresa de fabricação de carros elétricos. Sua fortuna é avaliada em 21 bilhões de dólares. Ele diz que o trabalho vem sendo cada vez mais ocupado por máquinas, incluindo as atividades criativas, substituídas pela inteligência artificial. Para Musk, a renda básica pode ser a melhor solução para enfrentar essa nova realidade, em que milhões de indivíduos perderão seus empregos. A garantia de uma renda deixaria as pessoas com mais tempo para fazer “coisas mais complexas e mais interessantes”.

Com fortuna estimada em 56 bilhões de dólares, Mark Zuckerberg, dono do Facebook, também está entre os defensores da medida: “Chegou a hora de nossa geração definir um novo contrato social. Deveríamos explorar ideias como a da renda básica universal para garantir que todos tenham segurança para testar novas ideias”. Continue lendo

Os liberais do Bolsonaro

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião do O POVO, 16/11/2017.

Os liberais do Bolsonaro

Semana passada, com o artigo “À procura de um personagem”, falei da dificuldade da elite em lançar um candidato para representá-la nas eleições presidenciais de 2018, vistas as dificuldades de seus escolhidos de sempre. Destaquei dois personagens em fase de teste: primeiro, Henrique Meirelles; depois, um rostinho novo em política, Luciano Huck.

Mas esqueci que à elite financeira e empresarial falta escrúpulos quando se trata de defender seus interesses. Pois a manchete de primeira página da Folha de S. Paulo veio lembrar-me: “Mercado já vê Bolsonaro como opção contra Lula” (12/11/2017).

Misógino, racista, homofóbico, preconceituoso, amante da ditadura, defensor da tortura. Não importa. Desde abraçou a agenda “liberal”, Bolsonaro tornou-se imediatamente “opção”, se Meirelles, a primeira escolha, ficar pelo caminho.

Para esse tipo de gente – que também via com “bons olhos” a ditadura de Pinochet -, pois implementava a política liberal com seus “Chicago Boys”, a liberdade humana pode ser oferecida em holocausto ao deus-mercado. Nisso equipara-se ao seu antípoda, o “socialismo realmente existente”, exigindo sacrifícios e morte no presente, para alcançar um suposto benefício no futuro (que a propósito nunca chega).

Em artigo no mesmo jornal (9/11/2017), a economista Laura Carvalho lembra de Friedrich Von Hayek, “o avô do neoliberalismo”, defendendo a ditadura de Pinochet, no Chile, como “transição necessária para reverter excessos de regulação do passado”. Segundo ela, Milton Friedman, outro herói dos liberais, considerava o regime necessário como “caminho para a liberdade verdadeira”.

Não vou afirmar que os liberais sejam sempre adeptos de ditaduras, por injusto. Mas pode ser dito que, para os liberais, o bem maior é a liberdade do mercado, depois vem o resto.

Portanto não é espantoso ver “liberais” brasileiros, que vivem dependurados no Estado, apoiando um aspirante a ditador. Devem estar com aquele pensamento fixo: “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”. Se eles elegeram Trump, por que não eleger Bolsonaro?

Moeda virtual preocupa banqueiro

Reprodução da coluna “Menu Político”, caderno “People”, edição de 12/11/2017 do O POVO.

Moeda virtual preocupa banqueiro

Muita gente já deve ter ouvido falar, outros nunca, a respeito da “moeda virtual” bitcoin, cujo símbolo é a letra “B” trespassada por dois traços verticais. O bitcoin não é a única, porém é a mais famosa “moeda criptografada” que circula na internet. É virtual – as transações são feitas pela troca de bits -, não sendo impressa fisicamente. Além disso, nenhum banco, autoridade central ou governo a certifica, como acontece com o real, com o dólar ou com cartões de crédito, por exemplo.

O sistema que organiza o bitcoin é descentralizado, sem um grande servidor responsável pelo seu gerenciamento. Quem faz isso é um sistema matemático, usando uma tecnologia chamada blockchain, que processa e valida as transações efetuadas na rede. O bitcoin pode ser usada para compras – muitas lojas na internet já a aceitam – e para investimento. A cotação da moeda varia; na última consulta que fiz, um bitcoin estava valendo mais de R$ 20 mil.

Até hoje não é bem explicada a origem do bitcoin. Em algumas publicações, a criação da moeda é atribuída a “Satoshi Nakamoto”, possivelmente o pseudônimo utilizado por um grupo de programadores, nunca identificados, que lançaram a moeda em 2009. Porém, a moeda criptografada tornou-se tão importante que começa a preocupar os bancos tradicionais.

Em recente conferência para investidores em Nova York, o presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, classificou o bitcoin como fraude. “Vocês não podem ter um negócio em que inventam uma moeda a partir do nada e achar que as pessoas que a estão comprando são realmente inteligentes” – e vaticinou que o negócio iria “explodir”. Continue lendo

Uma candidato a presidente para a elite: “À procura de um personagem”

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião do O POVO, edição de 9/11/2017.

À procura de um personagem

As elites mobilizam-se à procura de um candidato para representá-la nas eleições de 2018. Isso porque os primeiros personagens escalados para o papel estão sendo alvejados por desvio de caráter, como Aécio Neves (PSDB); vendo a candidatura embicar, como João Doria, ou sofrendo desgaste, como Alckmim, cuja popularidade restringe-se às divisas paulistas.

O negócio, então, é fazer experiência para achar um candidato que caia no agrado popular. Dois experimentos estão na praça: Henrique Meirelles e Luciano Huck, antípodas, do ponto de vista pessoal. O primeiro é businessman, banqueiro internacional; o segundo é showman, popular apresentador de TV. Mas o perfil pouco interessa: a questão da banca, dos grandes empresários e dos fazendeiros é ter alguém para chamar de seu.

Meirelles acaba de ser atingido por manter uma fundação nas Bermudas, um “trust”, recurso usado por super-ricos para evadir-se de impostos no Brasil. No caso de Meirelles tudo parece nos conformes legais, mas do ponto de vista moral, para um cobrador de impostos, o negócio é desastroso. Além disso prestou serviços para a J&F (Joesley Batista) pelos quais cobrou a bagatela de R$ 180 milhões.

Huck, por sua vez, já está formando seu ministério. Como divulgou a colunista da Folha de S. Paulo, Mônica Bergamo, ele encontrou-se Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, para sondá-lo. Segundo a colunista, ele quer cercar-se de “notáveis”, que seriam seus possíveis ministros. “Ministério de notáveis”? Onde foi que ouvi e reouvi essa frase?

Outros personagens podem surgir. Esses dois ficam naquela do “sem querer querendo”, pois ainda se acham na “versão beta”, isto é, na fase de testes.

A propósito, formando seu ministério com tanta antecedência, Huck lembra Fernando Henrique Cardoso, posando para fotos na cadeira de prefeito, quando disputou o Executivo de São Paulo com Jânio Quadros (1985). O primeiro gesto do histriônico Jânio, quando derrotou o adversário, foi espanar o estofamento da cadeira onde FHC pousara suas nádegas.

Carne sintética deverá chegar logo aos supermercados

Reprodução da coluna “Menu Político”, caderno “People”, edição de 5/11/2017 do O POVO.

Carne sintética deverá chegar logo aos supermercados

O primeiro hambúrguer de carne sintética foi produzido em 2013, mas ainda não está na prateleira dos supermercados devido ao custo, por enquanto, proibitivo. O autor da façanha foi o professor Mark J. Post e sua equipe da Maastricht University (Holanda), que passaram sete anos pesquisando o assunto. Post afirma que a produção em escala fará o custo cair e estima que o produto estará no mercado em cinco anos.

Em entrevista à revista Brasileiros, ele explicou que técnica consiste em extrair células de um músculo da vaca e depois expandi-las em laboratório, “desenvolvendo o tecido por auto-organização”. Essas fibras musculares são muito semelhantes, “se não iguais, às fibras de músculo fresco proveniente de uma vaca”.

O processo não exige o sacrifício nem maltrata o animal, e as células cultivadas podem render “toneladas de carne”. Segundo o professor, o bife sintético terá o aspecto do original, com músculos, sangue e fibras, e sabor parecido. O método pode ser aplicado para obter o mesmo resultado em qualquer outro animal.

A preocupação com o tipo e a quantidade de alimentação disponível sempre esteve presente na história da humanidade, desde os primórdios. No século XVIII, o economista Thomas Malthus afligia-se observando que a população mundial crescia em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos progredia aritmeticamente, o que terminaria em catástrofe, se não houvesse controle da natalidade. A tecnologia cuidou de resolver o problema. Continue lendo

A única saída do PSDB

Artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 2/11/2017 do O POVO.

A única saída do PSDB
Plínio Bortolotti

Parece inacreditável que um partido repleto de políticos experientes tenha se metido em uma enrascada como essa em que o PSDB se envolveu.

Uma explicação possível é que o inconformismo os tenha cegado, depois de o partido ter perdido a eleição presidencial para Dilma Rousseff. A derrota foi insuportável para a arrogância tucana – e a prepotência os levou à desgraça.

Pois, em conversa gravada com Joesley Batista (divulgada em maio), o próprio senador Aécio Neves deu o serviço, sobre os motivos que levaram o PSDB a ajuizar a ação pedindo o afastamento da chapa Dilma-Temer: “Lembra depois da eleição? Os filhas da p… (o PT) sacanearam tanto a gente, vamos entrar com um negócio aí para encher o saco deles também.”

Foi esse embalo insano – conluio do PSDB com o PMDB de Eduardo Cunha e sua tropa venal – que levou os tucanos a se abraçarem Michel Temer, selando a fortuna do partido.

Esta é a situação do PSDB, segundo pesquisa, encomendada pelo próprio partido: 75% dos brasileiros não acreditam que o PSDB eleja o próximo presidente da República (no Nordeste são 84%); nas redes sociais, 98% das menções são negativas. Em outubro, os tucanos perderam 44% dos engajamentos nas plataformas Facebook e Twitter, ficando atrás da do PT, do PC do B e do PMDB. A análise da pesquisa afirma que o único caminho para o PSDB iniciar a sua recuperação seria deixar o governo Michel Temer.

Ora, a grande questão a ser respondida pelo PSDB, é a respeito dos motivos que levaram o partido a essa aventura, que está servindo unicamente para “estancar a sangria” dos chefões do PMDB, deixando a conta para ser paga pelos tucanos. (Talvez Aécio tenha a chave do enigma.)

A propósito, o senador Tasso Jereissati está devendo uma explicação ao distinto público: porque ele entende ser Aécio Neves bom o bastante continuar como senador, porém inservível para presidir o PSDB?

PS. Dados da pesquisa na coluna “Painel”, Folha de S. Paulo (29/10/2017).

A lenda dos militares imunes à corrupção

Reprodução da coluna “Menu Político”, caderno “People”, edição de 29/10/2017 do O POVO.

A lenda dos militares imunes à corrupção

Um dos primeiros argumentos brandidos pelos defensores do golpe militar é que na caserna não haveria corrupção. Os militares, para essa turma, são uma espécie de casta diferente do Homo sapiens, pois estariam livres da corrupção, como se fossem portadores de um gene que repelisse naturalmente qualquer desvio moral ou ético. Ou, talvez, pensem que o cidadão quando se alista nas Forças Armadas, recebe uma vacina livrando-o desse mal, que atinge a todos os agrupamentos humanos.

É claro que qualquer pessoa com mais de dois neurônios sabe que a coisa não é assim, mas vá tentar convencer os bolsominions (adoradores do deputado Jair Bolsonaro) para ver o que acontece.

Reportagem publicada no portal Uol revela que o Ministério Público encontrou desvio de R$ 191 milhões nos quartéis. Estão envolvidos nos atos ilícitos desde praças até oficiais de alta patente; casos que vão de “cobrança de propina em contratos a roubo de peças de tanques militares”.

Para chegar a esse valor, foi feito levantamento com base em 60 denúncias do Ministério Público Militar (MPM). Os crimes são os mesmos nos quais se envolvem políticos e empresários: fraudes a licitações (em hospitais militares), corrupção passiva, ativa, peculato e estelionato.

Há até casos exóticos, como de um coronel reformado que, “às vésperas de sua morte”, divorciou-se da mulher para casar com a própria nora, “apenas para garantir que a sua pensão fosse paga por mais tempo”. Ou a curiosa façanha amadora de um soldado e um cabo, que furtaram peças de um tanque de guerra, sem se preocuparem com as câmeras de segurança do quartel. O material, pesando 320 quilos, foi vendido em um ferro-velho por pouco mais de R$ 900.

O procurador-geral da Justiça Militar, Jaime Cássio de Miranda, diz que já foram encontradas inclusive “organizações criminosas formadas por militantes atuando em unidades do Exército, da Marinha de da Aeronáutica”, mas ressalta não haver nenhum indício, “até agora” de que isso ocorra “de forma sistemática” nas Forças Armadas.

O Ministério da Defesa, que tem mais juízo que as vivandeiras, reconheceu o problema, afirmando que “nenhuma organização ou país está imune à corrupção”. Acrescentou que “na formação e educação do militar, fatos desabonadores da ética e da moral são repudiados e devidamente punidos”. Vejam, os militares têm formação rígida, hierarquia inflexível e, mesmo assim, acontecem casos de corrupção.

Por óbvio, também houve casos de corrupção no período da ditadura militar (1964-1985). Em entrevista ao portal BBC Brasil, o historiador Pedro Henrique Campos disse que grandes empreiteiras beneficiaram-se de “relações especiais” com o Estado, desde o seu surgimento, entre as décadas de 1930 e 1950. Porém, diz ele, o pagamento de propinas consolidou-se no período da ditadura. Campos pesquisou a história dessas empresas e sua relação com a ditadura em sua tese de doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF), origem do livro “Estranhas catedrais”.

É humano, é bíblico: “O ímpio aceita o suborno em segredo para perverter as veredas da justiça” (Provérbios 17:23). Por isso, a corrupção não se combate com um “homem forte” ou com um grupo de eleitos, hipoteticamente acima da realidade mundana.

Pelo contrário, para confrontar ilegalidades, quanto mais democracia, mais transparência, melhor: o exemplo de países nos quais a corrupção é reduzida estão aí para análise.

NOTAS

CONDENADOS
Entre 2010 e 2017, foram 132 militares condenados por corrupção ativa, passiva e peculato, representando 0,04% do efetivo – cerca de 300 mil integrantes das Forças Armada. Esses representam Outros 299 militares aguardam julgamento.

MAIS UM
Nesta semana foi preso, pela Polícia Civil, o sargento do Exército Carlos Alberto de Almeida, 46 anos. Segundo o delegado que comandou a operação, Almeida era um dos maiores armeiros do tráfico de drogas: limpava, consertava e customizava armas para bandidos – e comandava uma quadrilha. Armas e munição eram escondidas na casa dele, na vila militar.

CRÉDITO
Uol: Corrupção nos quartéis, Conheça dez histórias de corrupção durante a ditadura militar;  BBC: Pagamento de propinas por empreiteiras se consolidou durante ditadura, diz historiador.

Quem quer dinheiro?

Reprodução do artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 26/10/2017 do O POVO

Quem quer dinheiro?

O presidente Michel Temer safou-se de mais uma denúncia, que poderia levá-lo a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Nunca houve dúvida quanto ao resultado na Câmara dos Deputados, devido ao negócio estabelecido pelo governo para a compra de apoios. O exercício de Temer tornou-se unicamente uma guerrilha para manter-se no poder, junto com a sua organização, apoiado por deputados-mercenários.

Um exemplo desse baixo nível vem do deputado José Rocha (BA), líder do PR na Câmara, que não se vexa em revelar o modus operandi da turma: “Já temos nove votos contra o presidente que são irrecuperáveis. Se vai ter mais voto ou não contra vai depender ou não da liberação (de emendas parlamentares). Se o governo não cumprir, pode ter problema”. (Estado de S. Paulo, 23/10/2017).

Algumas notícias colhidas nesses dias tenebrosos.

1) Governo libera R$ 881 milhões em emendas individuais para deputados.

2) Temer exonera oito ministros para votar a favor dele (são deputados que depois retornarão a seus cargos).

3) Regras do trabalho escravo são afrouxadas para atender à poderosa bancada dos ruralistas, com mais de 200 deputados.
(Por enquanto os fazendeiros terão de adiar a festança, pois o STF suspendeu a portaria do governo.) Outro mimo à bancada do boi: desconto de 60% de desconto às multas ambientais.

4) Michel Temer vai liberar dezenas de cargos para partidos como PP, PR, PTB e PRB (o chamado “Centrão).

5) Mais um Refis vai à praça. Ou seja, grandes empresários ganham descontão nas dívidas tributárias com o governo federal.

6) Segundo notícia publicada ontem, neste jornal, o custo do pagode para impedir as denúncias contra Temer chegou a R$ 32 bilhões.

Respeitem-se os que votam, de uma maneira ou de outra, por convicção. Mas o batalhão de choque de Temer não vota em defesa do país, ou de uma pretensa estabilidade, como arrotam certos deputados ao microfone. Votam por interesses individuais e de seus grupelhos mesquinhos. Achacam e mercadejam votos, o que deveria ser enquadrado como crime.

São indignos mandato.

Temer safa-se mais uma denúncia: “Quem quer dinheiro?”

Reprodução de artigo publicado na editoria de Opinião, edição de 25/10/2017 do O POVO.

Quem quer dinheiro?

O presidente Michel Temer safou-se de mais uma denúncia, que poderia levá-lo a julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Nunca houve dúvida quanto ao resultado na Câmara dos Deputados, devido ao negócio estabelecido pelo governo para a compra de apoios. O exercício de Temer tornou-se unicamente uma guerrilha para manter-se no poder, junto com a sua organização, apoiado por deputados-mercenários.

Um exemplo desse baixo nível vem do deputado José Rocha (BA), líder do PR na Câmara, que não se vexa em revelar o modos operandi da turma: “Já temos nove votos contra o presidente que são irrecuperáveis. Se vai ter mais voto ou não contra vai depender ou não da liberação (de emendas parlamentares). Se o governo não cumprir, pode ter problema”. (Estado de S. Paulo, 23/10/2017).

Algumas notícias colhidas nesses dias tenebrosos.

1) Governo libera R$ 881 milhões em emendas individuais para deputados.

2) Temer exonera oito ministros para votar a favor dele (são deputados que depois retornarão a seus cargos).

3) Regras do trabalho escravo são afrouxadas para atender à poderosa bancada dos ruralistas, com mais de 200 deputados.
(Por enquanto os fazendeiros terão de adiar a festança, pois o STF suspendeu a portaria do governo.) Outro mimo à bancada do boi: desconto de 60% de desconto às multas ambientais.

4) Michel Temer vai liberar dezenas de cargos para partidos como PP, PR, PTB e PRB (o chamado “Centrão).

5) Mais um Refis vai à praça. Ou seja, grandes empresários ganham descontão nas dívidas tributárias com o governo federal.

6) Segundo notícia publicada ontem, neste jornal, o custo do pagode para impedir as denúncias contra Temer chegou a R$ 32 bilhões.

Respeitem-se os que votam, de uma maneira ou de outra, por convicção. Mas o batalhão de choque de Temer não vota em defesa do país, ou de uma pretensa estabilidade, como arrotam certos deputados ao microfone. Votam por interesses individuais e de seus grupelhos mesquinhos. Achacam e mercadejam votos, o que deveria ser enquadrado como crime.

São indignos mandato.