Nas Ondas

20.03.11 13:33

Nas nossas veias corre água salgada: daí nos sentirmos partes de um só grande corpo

Por: Thiago Barros | Comentários: 2 Comentários

Sion Milosky morreu nessa semana. Num swell gigante em Mavericks, na Califórnia (EUA). Obviamente, não tinha nenhuma relação com ele. Mas parte de mim morreu também, não sei por quê. Sei lá, é de se admirar um sujeito ser corajoso ao ponto de pôr a vida em risco em uma atividade totalmente improdutiva. Por entender que essa atividade é, na verdade, a essência da existência de gente como ele e eu, eu o amo. É tudo.

Nota que saiu no site waves.com.br, postada pelo Big Rider Danilo Couto:

Guerreiro underground
Por Danilo Couto

Foi tudo muito rápido, devastador e aterrorizante. O mar variava de 5 a 7 metros, maré muito seca e Sion Milosky dominava a sessão de maneira incrível.

Já era fim de tarde, o crowd esvaziava e havia apenas um jet-ski no canal. Com sua 10’6, ele pegou todas as bombas do dia e surfou com muita segurança.

Inspirado na performance de Sion, cheguei perto dele no outside e conversamos sobre nossas 10’6 mágicas, suas ondas, Mavericks, Jaws…

Ele irradiava uma energia de satisfação e uma áurea incrível. Seus olhos brilhavam, seu sorriso era imenso e transmitia uma imagem de missão cumprida, algo que não sai da minha cabeça até hoje.

O que me conforta é saber que ele descansa em paz. Logo em seguida, Sion pega a maior onda do dia e, pela última vez, observo de perto o amigo, parceiro e guerreiro do mar dropar sua última bomba.

Foi uma série de várias ondas. Ele completou o drop e foi varrido para muito fundo. Com a sequência de ondas e sem ninguém para resgatá-lo, ele afogou-se e seu corpo foi encontrado por Nathan Fletcher depois de uns 20 minutos.

Naquela hora, estava no estacionamento de Mavs e corremos desesperados de volta para a praia quando soubemos que era um dos nossos.

Chegamos juntos com os paramédicos, que iniciaram a ressuscitação cardiopulmonar. Eles tentavam, nós chamávamos por Sion para ele não ir, mas era tarde.

Sion fazia parte de um pequeno e unido grupo disposto a estender os limites nos mares. Juntos, fomos a Jaws recentemente, onde surfei a onda da minha vida.

Ele era um novo amigo, parceiro de barca big surf, talvez o mais sem medo de todos, muito casca-grossa.

Viveu intensamente e era uma pessoa especial, educada, grande pai de família. Que Deus abençoe sua esposa e suas duas filhas lindas.

Estamos muito devastados. Foi um dia especial, uma história que estamos ou estávamos escrevendo juntos e ainda não conseguimos acreditar nisso tudo.

Hoje fizemos uma cerimônia na praia. Sua esposa e amigos – Nathan, Healey, Peter Mel, Ben Andrews, Jeff Clark, Rico Gimenez, Danny Fuller e mais alguns locais.

Foi tudo muito intenso, brutal e ainda está muito difícil de engolir. Sei que ele descansa em paz, mas a dor é grande…

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26.02.11 17:17

Projeto Capelania do Surf

Por: Rafaele Esmeraldo | Comentários: Comente

Marquito Santos, membro do Christian Surfers International e Teólogo, agora é Capelão do Projeto Capelania do Surf, que nasceu no World Tour da Association Surfing Professional (ASP).

O Projeto, atualmente, é uma realidade no World Qualyfining Series (WQS), Brasil Surf PRO e ANS PRO TOUR (Circuito Nordestino Profissional) e visa dar apoio psicológico e emocional aos atletas e staff, nos campeonatos.

O surfista Marquito desenvolverá o trabalho, inicialmente, no Circuito Cearense Pro, em seguida, nos Circuitos Estaduais.

Conheça o código de ética do Capelão da ASP:

Cuidado
O capelão deve amar e se importar de forma genuína com a comunidade da ASP como sua prioridade de trabalho. Esta atividade não é para o ganho pessoal e deve ser exercida para servir aos interesses dos atletas e equipe de funcionários da organização.

Estímulo
O capelão deve estimular a comunidade dos esportes com o objetivo de contribuir com o crescimento e o desenvolvimento da pessoa como um todo.  Extraindo de suas próprias tradições e experiências matérias espirituais pertinentes para suportar as necessidades de cada indivíduo. Isto será conseguido através da compreensão das pressões encontradas por atletas profissionais, por oficiais e por suas famílias.

Sustentação
O capelão é um orientador. Procura construir relacionamentos baseados em confiança com o objetivo de modelar o caráter, a integridade e o comportamento, dando uma sustentação desejável no desenvolvimento holístico da pessoa.

Serviço
O capelão é um serviço voluntário.  Aponta enriquecer a vida do indivíduo além do esporte.  Não deve usar seu papel como meio de ganho.  Deve operar nos bastidores, “atrás das cenas”, evitando o marketing pessoal, as oportunidades de foto. Sua prioridade é estar disponível aos atletas e aos oficiais do evento.

Disciplina
O capelão deve ser disciplinado e estar sempre motivado para trabalhar longas horas, procurando oportunidades para servir. Deve estar sempre disposto para compartilhar as responsabilidades rotineiras com a comunidade inteira da ASP.  É um bom gerente do tempo e segue completamente seus compromissos.
Compromisso
Um capelão é uma pessoa comprometida profundamente com o seu grupo de relacionamentos e deve viver uma vida de integridade e de acordo com sua profissão de fé.

Humildade
O capelão deve ter um forte traço de humildade em seu caráter.  Compreende que seu papel é o de prover o bem-estar espiritual dos atletas e dos oficiais do evento para que a equipe tenha um bom desempenho e a competição seja bem sucedida.

Integridade
O capelão deve ser integro. Ser aberto e honesto sobre seu trabalho. Suas ações devem confirmar suas palavras.  Têm cuidado para não prometer o que não podem produzir. Adere aos códigos de conduta impostos aos atletas e na equipe de funcionários de sustentação com quem trabalham.

Fidelidade
O capelão é fiel à sua vocação e as suas responsabilidades junto à comunidade do surfe. Deve manter o contato com os atletas e equipe de oficiais da ASP e estar sempre disponível para atendimento caso solicitado.

Lealdade
O capelão é leal. Respeita a privacidade do atleta e é digno de confiança para tratar de assuntos particulares e confidenciais.

Geraldo Cavalcante (ANS), Marquito Santos (CAPELÃO) e Amélio Jr (FCS) / Foto: Divulgação.


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12.04.10 19:50

O preço do Dream Tour

Por: Thiago Barros | Comentários: 1 Comentário

Segue texto publicado no site Waves, assinado por Marcelo Bolão:

Eu não conhecia muito sobre o havaiano Freddy Patacchia, surfista da elite do surf mundial, mas depois que comecei a acompanhar o website dele, tenho que dizer, o cara é “treta”.

Ele interage com os usuários e responde as perguntas na lata, sem rodeios. E com relação às opiniões divergentes ele escreveu: “Opinião é que nem bunda, cada um tem a sua”.

Sinceridade e transparência é coisa rara entre os surfistas do WCT. E uma resposta a um fã foi muito interessante.  Eu não tenho muita paciência para traduzir, mas como muitas pessoas não entendem inglês escrevo a versão abaixo.

Vocês do Dream Tour ganham para surfar. E ganham bem. Pare de reclamar que 2009 foi uma merda. Quantas ondas você pegou em 2009? Eu aposto que foi muito mais que eu e todas as pessoas que têm que trabalhar de verdade. E você diz que o calendario (2010) é sem graca? Para com isso, pense melhor e tenha consciência de que a vida que você tem é melhor do que a de 99.9% dos surfistas de verdade pelo mundo. Vai, Jimmy Slade (o nome do personagem de Kelly Slater na série de TV Baywatch).

Agora, a resposta de Patacchia.

Perguntaram o que eu achava sobre o novo calendário. Eu respondi honestamente dizendo que é “sem graça”. Não é reclamação, é a minha opinião e a minha resposta para aquela questão em particular. A verdade: o custo para competir no Tour é de US$ 50 mil por ano. Eu não sei de onde você vem conseguindo informações a respeito dos  contratos, mas a maioria dos caras no Tour está ganhando entre US$ 80 e US$ 100 mil. Com US$ 100 mil, depois de pagar as despesas sobram US$ 50 mil e, depois de pagar os impostos, sobram apenas US$ 30 mil por ano. Se você não é top 5 ou queridinho da mídia, você acaba ganhando menos que alguns dos meus amigos que trabalham como pedreiros ou barman.

É claro que a gente viaja e pega muita onda, mas veja o outro lado: surf profissional, como muitos outros esportes, tem uma vida curta. Enquanto nós estamos surfando, o resto do mundo está ganhando experiência e subindo no mundo corporativo. Quando as nossas carreiras acabam, a maioria de nós é jogada no mercado de trabalho. Sem experiência profissional, a gente começa por baixo e, ironicamente, aquele sujeito que nos assistia pela internet dizendo o quanto éramos  sortudos e não deviamos reclamar, acaba se tornando o nosso ”chefe”.

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Para acessar fotos e reportagens de Marcelo Bolão, clique aqui.

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01.04.10 18:12

Você sabe o que é sustentabilidade?

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

“Agir de maneira sustentável é atender as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as futuras gerações atenderem as suas próprias necessidades. Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito”.

Com essas palavras, o Movimento Planeta Sustentável, um iniciativa da Editora Abril, apresenta-se ao mundo. A ideia é simples e, hoje em dia, de tão batida já soa até como velha. A necessidade de relembrar sua importância, no entanto, continua imperativa, principalmente quando alguns (entre eles, logicamente, os políticos sonsos que dizem não querer ser como o vilão de Avatar) argumentam em favor de um tipo de desenvolvimento que trará muitos benefícios no curto prazo, mas descaracterização ambiental e prejuízos para a qualidade de vida da população em um segundo momento. 

Não tenho nenhum compromisso com quem faz esse Movimento. Com a mensagem sim. Por isso, indico que ao menos deem uma olhada para ver do que se trata. Para os que procuram se aprofundar no assunto, há ainda  no site uma série de artigos de gente como o antropólogo Roberto DaMatta, que põem em perpectiva esse tema tão conhecido e tão ignorado que é a sustentabilidade.

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12.03.10 19:07

A última linha

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

Quem cata o lixo dos outros no mar?

Este post é para o moço que se disse horrorizado pelo fato de os surfistas quererem ser levados em conta na hora de decisões como a do estaleiro no Titanzinho.

Provavelmente, o haole não conhece a outra face do esporte. A face que luta pela preservação do mar, nosso eterno playground, e que toma ações concretas para fazê-lo. A foto acima, por exemplo, é um exemplo do que nós, os guardiões dessa natureza tão desprezada pela maioria, tentamos fazer para melhorar o mundo de todos. Trata-se de um baiano que pegou sua prancha para retirar o lixo jogado no Farol da Barra, em Salvador, durante o carnaval. Veja mais fotos e a matéria aqui

A verdade é que os surfistas protegem até mesmo os banhistas quando não há guarda-vidas. Se tiver mar no meio, aparece sempre uma mão amiga, com as unhas cheias de parafina. Somos e sempre fomos a última linha de defesa nessas situações. Faz parte da índole do grupo ter uma relação positiva com tudo e com todos. Viver, proteger a vida e, lógico, se fazer ouvir. Se tiver achando ruim, aperta Alt+F4.

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19.02.10 09:44

Cobrança extra por prancha é ilegal

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

Nenhuma companhia aérea pode fazer você pagar taxas especiais por suas pranchas em voos domésticos – é o que diz a lei. Veja em matéria publicada recentemente no site Waves, por Carlos Alberto Gandolpho Júnior: 

 

Um assunto polêmico e do interesse de todo surfista que viaja de avião é a cobrança de taxas pelo transporte das pranchas, muitas vezes indevidamente aplicadas pelas companhias aéreas em vôos domésticos, ou seja, dentro do Brasil.

Partirei para Noronha nos próximos dias e resolvi pesquisar sobre o assunto. Para citar somente duas das maiores companhias nacionais, cada uma delas cobra R$ 100 por prancha transportada, conforme é possível conferir nos sites Gol e Tam.

Ao pesquisar o site da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) encontrei alguns processos administrativos abertos por clientes que viajaram e pagaram taxas pelo transporte de pranchas.

Eles entraram com reclamação junto à Anac, que ao julgar os processos deu razão aos clientes em todos os casos. Em alguns deles multas de até R$ 7 mil foram aplicadas às companhias, com a legação de que não existe respaldo da lei para a cobrança das taxas.

Em posse de uma decisão como esta, o cliente (nós surfistas) pode recorrer ao Procon ou à Justiça comum para cobrar o reembolso das taxas pagas e com as devidas correções. O Procon orienta para que as taxas sejam pagas e depois seja feita a reclamação, para que não haja risco de perda do vôo.

Enviei um pedido à Anac por uma declaração comprovando que esta cobrança é ilegal, para que eu possa apresentar na hora do embarque e assim ficar isento das taxas. Eles me enviaram e disponibilizo aqui a todos.

Fica claro com o que foi exposto no documento a ilegalidade das cobraças, uma vez que no Brasil a lei só prevê o limite de bagagem por peso. Nele está todo embasamento legal e uma conclusão bastante esclarecedora por parte da Anac.

Fica claro também a ilegalidade da isenção de responsabilidade por parte das companhias aéras sobre a integridade da bagagem. Portanto, ao recebermos os foguetes de volta no aeroporto de chegada devemos inspecionar o equipamento para verificar se houve algum dano e comunicar imediatamente a companhiia aérea.

 Se a companhia não tomar nenhuma atitude quanto à resolução do problema, devemos procurar a Anac, o Procon e os demais órgãos responsáveis.

Agora só resta uma pergunta. Porque os órgãos responsáveis pelo controle da aviação civil dizem qua as taxas são ilegais, aplicam multas quando o cliente recorre, mas sabem que as companhias aéreas continuam cobrando e nada é feito pra proibir esta prática? Nos resta correr atrás dos nossos direitos e divulgá-los para a comunidade do surf!

Confiram abaixo o documento enviado pela Anac. Boas ondas!

Bagagem especial

Em atenção a sua solicitação, segue teor do Parecer nº 266/2007-PROC/ANAC, da Procuradoria desta Agência, que trata do assunto em questão:

“6. Da leitura do art. 37 da Portaria nº 676/GC-5, de 2000, na sua atual redação, pode-se observar que os critérios ‘peças’ e ‘bagagem especial’ não foram consideradas, imperando apenas o critério peso para linhas domésticas.

8. (…) os limites impostos aos passageiros com base no critério ‘peças’ não encontram amparo legal, pois são aplicáveis apenas a voos internacionais.

9. Afastado também o critério ‘bagagem especial’, uma vez que seu fundamento legal se encontra em uma Norma de Serviço Aéreo Internacional – NOSAI nº CT-011, de 20 de setembro de 2000, que notadamente se dirige à disciplina do transporte internacional e não doméstico (…).

12. Resta claro que as empresas não podem efetuar qualquer cobrança tendo por base a natureza do objeto transportado, nem tampouco se exonerar da responsabilidade quanto às eventuais avarias que possam causar à bagagem de seus clientes.

13. Mediante o exposto parece estar claro que as empresas de transporte aéreo, operando em voos domésticos, não estão autorizadas a efetuar qualquer cobrança por excesso de bagagens calcadas nos critérios ‘peças’ e ‘bagagem especial’, bem como não pode ser considerado válido o ‘termo de exoneração de responsabilidade’ imposto aos seus clientes.”

O referido Parecer conclui que “observa-se a irregularidade da cobrança de taxas especiais por bagagem que tomam por base os critérios ‘peças’ e ‘bagagem especial’, além disso é inválido o ‘termo de isenção de responsabilidade’ imposto aos usuários pelas empresas de transporte aéreo posto que não se alicerça em qualquer disposição legal”.

Nesse sentido, segundo orientações da Gerência-Geral de Fiscalização de Serviços Aéreos: “Ante ao exposto, entendemos que a cobrança de taxas especiais para o transporte de pranchas de surf, por parte das empresas aéreas, em voos domésticos, bem como o ‘termo de isenção de responsabilidade’, não encontram amparo na legislação vigente.”
    
Atenciosamente,

Gerência Técnica de Relacionamento com Usuários
Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC

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07.01.10 12:18

A onda do verão

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

(Do jornal O POVO)

O verão está aí e, com ele, uma multidão invade as praias. Entre águas de coco e frescobol à beira-mar, muita gente aproveita para tentar coisas novas e, como o período coincide com as férias escolares, há quem decida dedicar esses dias para aprender a surfar. Mas calma: as ondas de janeiro, mês que traz ressacas poderosas para a nossa cidade, oferecem grande perigo para os novatos.

Por via das dúvidas, o melhor, então, é procurar uma escolinha. Responsável por uma das mais organizadas de Fortaleza, a Ceará Surf School, o carioca Fernando Bitenka já fez cursos na Austrália e no Havaí. Tendo a Praia do Futuro como sala de aula, ele ensina a pessoas de todas as idades a arte de deslizar sobre as ondas. “A faixa etária que procura mais é entre 14 e 19 anos“, explica o professor, cuja equipe inclui também outros quatro instrutores. Durante as aulas, cada um deles acompanha um aluno. Tudo em nome da segurança.

Cuidados
Surfar pode ser algo perigoso. Além do risco de afogamento, o choque com a própria prancha pode machucar. Por isso, todo o material utilizado nas escolinhas especializadas é adaptado. As pranchas de borracha macia e quilhas flexíveis não cortam, e o tamanho delas, bem maior do que utilizado por surfistas experientes, também ajuda, proporcionando mais estabilidade para os que ainda têm dificuldade em se manter em pé. O professor Fernando Bitenka aponta outras precauções para auxiliar a quem quer aprender a surfar. “Só fazemos aula quando a maré está seca, que é parao aluno poder -dar pé-“, acrescenta, lembrando que as pessoas podem se desesperar quando caem de uma onda se não conseguirem alcançar o fundo.

Natureza
Os atrativos do esporte são muitos. Por ser uma atividade física puxada, ele é muito benéfico à saúde e ajuda a manter o peso dos que andam de mal com a balança. O caráter lúdico, a diversão em si do surfe, é mais um dos pontos positivos. Mas, com certeza, o fator mais lembrado pelos praticantes é o contato íntimo com a natureza. Julie Bittencourt, 13, pensa assim. Ela é filha do professor Fernando e nasceu em Bali, na Indonésia, onde o pai morava na época em que buscava boas ondas ao redor do mundo. Agora, ela o auxilia nas aulas, tirando fotos da evolução dos novatos. Como não poderia deixar de ser, Julie se interessou pelo esporte por influência do pai. “Ele me falava que era -maneiro- então resolvi tentar“, afirma a jovem, que surfa desde os sete anos. “Hoje, já estou ensinando à minha irmã, Carolina, de oito anos“, complementa.

Quer surfar?
“O público jovem é o que mais procura a escola“, diz Fernando. Mulheres também são mais assíduas do que homens. “O homem tende a achar que vai aprender só“, explica. Contrariando essa tendência, no entanto, Pedro Monte e João Victor Serra, ambos de 15 anos, resolveram procurar ajuda profissional para começarem a surfar. Os dois estudam juntos e se interessaram pelo esporte por meio de outro amigo em comum. “Já tinha visto vídeos e sempre tive vontade de aprender“, revela Pedro. Apesar do entusiasmo inicial, ele encontrou algumas dificuldades. “No começo, é difícil, mas depois vai melhorando. Logo na primeira aula, a gente já fica em pé“, afirma o estudante, que, com o período de férias, aproveita para ir todos os dias à praia. “O surfe relaxa, trabalha a nossa paciência“, explica João Victor, justificando seu hábito.

O começo
Com o passar das aulas (de duas a três por semana), o aspirante a surfista desenvolve sua autonomia no mar e, após três meses, Fernando garante que ele está apto a surfar sozinho. Ainda tomando suas primeiras aulas, Raíssa Garcez, 15, já consegue subir na prancha, mesmo que com que alguma dificuldade. Ela é amiga de infância de Julie Bittencourt e resolveu acompanhá-la no mar há pouco menos de um mês. “Surfando, você se sente livre, mais tranquilo e, com a ajuda dos instrutores, fica bem mais fácil. É também uma oportunidade de ficar com os amigos“, diz Raíssa. Diferentemente dos garotos, para ela, foi mais complicado ficar em pé na primeira aula. “É um pouco difícil se equilibrar, mas estou aprendendo“, explica.

Serviço
Ceará Surf School

Av. Zezé Diogo, nº 4959 & Praia do Futuro (próximo ao hotel Vila Galé e em frente ao Clube dos Advogados do Brasil)
Outras informações pelos telefones 8692 7540 e 3461 2318 e pelo site www.cearasurfschool.com.br.

E-MAIS

Outros locais para aprender a surfar em Fortaleza:

> Academia de Surf Chandler, localizada na Praia dos Diários (Beira-Mar)
Telefone: 8803 4487 (Carlos)

> Aldeia Surf, localizada na Praia do Futuro, próximo ao hotel Vila Galé
Telefone: 8813 6257 (falar com Rafaela Bahia)

> PF Surf School, localizada na Praia do Futuro, em frente à barraca Cuca Legal
Telefone: 8837 8608 (falar com Gustavo)

> Escola de Surf da Leste/Oeste
Telefone: 8829 0202 (falar com Fábio Galvão)

> Escola Beneficente de Surf do Titanzinho
Telefone: 8777 6263 (falar com João Carlos “Fera“)

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23.11.09 19:29

Quem tem "aloha" aí? (Parte 1)

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

O esporte dos reis havainos não nasceu nesse meio por acaso. Evocar a origem nobre so surfe é muito mais que querer erguê-lo acima dos demais, sejam aquáticos ou não. É lembrar os princípios que fundamentaram sua evolução pelo mundo, baseados ferrenhamente no respeito à natureza e principalmente ao próximo.

Essa maneira particular de interagir com o mundo se popularizou com a difusão do espírito “aloha”. A expressão mais conhecida e mais lembrada quando se pensa em Havaí às vezes pode, no entanto, causar estranhamento a alguns, devido à história recente de localismo dos surfistas de lá. 

Há algum tempo, os chamados “black trunks” (calções pretos) se tornaram famosos por surras homéricas que deram em alguns haoles (não-havaianos)que, na visão deles, desrespeitavam os locais. Nessa lista, entrou gente como  um dos pioneiros do surfe profissional, o australiano Wayne “Rabbit” Bartholomew, e muitos outros mais anônimos.

Nos anos 70, Rabbit, foi praticamente aprisionado em um hotel no North Shore, junto com seu conterrâneo Ian Cairns. Os dois haviam sido ameaçados de morte e só puderam sair do cárcere improvisado depois da intervenção do lendário waterman Eddie Aikau, um surfista que botava para baixo em Waimea do tamanho que estivesse e também um exemplo do espírito da reconciliação. Eddie foi um herói por seu caráter e por sacrificar sua própria vida para salvar pessoas (na maioria haoles) em perigo no mar.

Então, quando se fala em “aloha”, não se deve lembrar de alguns brutamontes que não lembram da qualidade fundamental do surfe de estimular a comunhão e a fruição positiva. Deve-se lembrar desses como Eddie: gente pacífica, hospitaleira, e que sabe que a felicidade que o esporte proporciona tem que ser compartilhada com todos!

É TOTALMENTE PARADOXAL SAIR DE CASA PARA SURFAR E ADOTAR UMA POSIÇÃO AGRESSIVA EM RELAÇÃO AO COMPANHEIRO DE OUTSIDE. Quem faz isso não merece nem ser chamado de surfista. O mar é de todos e, com respeito, todo mundo vai pegar sua onda. Não importa quem tem mais músculos. O que imp0rta, de verdade, e o que eu procuro sempre quando chego no mar é só isso: quem tem “aloha” aí? (continua…)

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10.11.09 17:47

Mais denso que a água (ou Soul Surfing)

Por: Thiago Barros | Comentários: 2 Comentários

“Thicker than water”, ou “Mais denso que a água”,  é o nome de um filme de 45 minutos lançado em 1999 pela The Moonshine Conspiracy. Trata-se de um grupo de surfistas e artistas, dentre os quais o conhecido Jack Johnson, que desenvolve projetos que dão uma perspectiva estética ao surfe (ou melhor, recuperam essa perspectiva, que sempre esteve presente).

De fato, lembro-me de quando aconteceu no Shopping Benfica um evento chamado Movimento Cultural do Surf, já neste semestre, de que muitos de vocês devem ao menos ter ouvido falar. Nil Faria, seu organizador, convidado a participar de um debate na TV O Povo falou que os surfistas eram talvez o contingente de esportistas mais em contato com sua sensibilidade artística.

Ali mesmo tinha uma mostra disso. Quem já viu as pinturas da pintora R. Angélia? Não é de se impressionar não? Pois é. O filme também é coisa de qualidade incontestável. Ele é todo filmado em 16 mm, o que dá às imagens uma aparência retro. E as músicas… nunca se viu algo do tipo em um filme de surfe. São ritmos calmos, harmonia buscada nos mais variados instrumentos de cordas.

As cenas na Irlanda, Índia e Indonésia, entre outros locais, mostram alguns dos melhores atletas do mundo (Bobby Martinez, Kelly Slater, etc.) em situações que revelam muito mais do que competidores. Revelam indivíduos. Indivíduos que têm em comum uma paixão muito mais densa que a água, seu suporte fundamental.

Imagino que estejamos todos nós na mesma situação. Olha, tenho até orgulho de amar o surfe. E amo o fato de que não estou só. Lembrei-me agora de uma entrevista que achei no blog O Ser do Surf (uma ótima dica, inclusive), de Timothy Leary, um psicólogo e escritor psicodélico que morreu há uns dez anos.

Timothy criou o conceito do Evolutionary Surfer (Surfista Evolucionário) e o esclareceu durante uma entrevista memorável à revista Surfer, em 1976. Na conversa, ele fala dos surfistas como um grupo diferenciado, à frente do seu tempo, em razão do nosso trânsito tanto pela terra como pela água.

Segundo o psicólogo, estarmos em uma sociedade que permite a si própria surfar é um sinal de maturidade da espécie humana, posto que é uma atividade não-produtiva, mas que envolve muitas possibilidades de auto-conhecimento. “O surfe é como um espelho”, disse Timothy, para quem os praticantes desse esporte, que tem origem nobre, são algo como uma auto-proclamada elite, mesmo que não em termos materiais.

Deu pra entender, né? A gente é isso tudo mesmo. E somos isso porque temos consciência – não de que fazemos parte da natureza – mas de que somos ela, levando os nossos dias, por assim dizer, como as ondas do mar.

(Post em homenagem aos meus amigos surfistas e herdeiros do esporte dos reis havaianos Pedro Covas, Carlos Filho, Lucas Alencar, Vitor Dinossauro e Diego Marisco)

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Thiago Barros

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Jornalista e surfista

Rafaele Esmeraldo

Rafaele Esmeraldo

Jornalista, apaixonada por esportes radicais

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