Nas Ondas

31.03.11 13:07

Retrospectiva de Minha Periferia – Titanzinho

Por: Rafaele Esmeraldo | Comentários: Comente

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06.02.11 10:36

Como é bom ler notícias boas do Titanzinho

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

No jornal O POVO de hoje, uma grande matéria da repórter Lucinthya Gomes trouxe boas notícias a quem se importa com a comunidade do Titanzinho. Assim começa a história:

Projeto leva arte ao Titanzinho
A praia do Titanzinho ganhou cores, pracinha, bancos. Ganhou também os abraços dos jovens voluntários que realizaram o projeto Onda do Bem

Foto: Iana Soares


O colorido tomou conta das casas do Titanzinho, tornando-se um novo cartão-postal. Junto com as cores, vieram a pracinha, as lixeiras, os bancos na sombra – para quem gosta de assistir aos surfistas e antes sentava nas pedras -, e também os abraços dos jovens voluntários que realizaram o projeto Onda do Bem. Quem vê hoje os sorrisos e a tranquilidade de quem mora na comunidade, nem lembra o drama vivido ano passado, com a polêmica sobre a instalação do Estaleiro na praia. Em vez do medo de perder a morada e a vista da janela, que dá para o mar, o visitante se depara com os azuis, amarelos, rosas, entre outros tons vibrantes que desenham os muros do contorno da praia. (Para ler o restante, clique aqui)

AO MESMO TEMPO, o projeto Surf and Hope, que tem levantado fundos na Europa para associações locais e é capitaneada pelo surfista André Silva e pela sua namorada, a francesa Lee-Ann Curren, também avança em suas ações. Recentemente, os dois estiveram apresentando o documentário Titan Kids para a comunidade, num evento que contou com a presença, inclusive, do músico de origem francesa e fama internacional Manu Chao. Para ler mais sobre a produção de Titan Kids e a evolução da causa do Titanzinho, dê uma olhada no trailer e na entrevista que fizemos com Lee-Ann Curren no começo do ano passado.

Em seu blog, Lee-Ann postou fotos do evento. Algumas das quais, reproduzo aqui:


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03.12.10 11:03

Lembra o Titã?

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

O Titanzinho está, neste mês, nas páginas da revista Fluir, em texto de Túlio Brandão. Pra quem tá afim de checar, basta comprar nas bancas a edição que traz Andy Irons na capa e tem, além de uma reportagem sobre o ídolo recém-falecido, matérias com Bruno Santos e Jordy Smith e as colunas já consagradas de Fred d’Orey e Ricardo Bocão. Segue um print da página (mas é pra comprar, viu!):

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16.03.10 11:26

Notícias de Margaret River

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

Ela têm sangue azul. Lee-Ann Curren é a herdeira francesa do tricampeão mundial Tom Curren,  considerado o rei do estilo. Seguindo os passos do pai, ela trilha seu caminho pelas competições, tendo conseguido, aos 20 anos, a classificação para o World Tour feminino. Atualmente em Margaret River, no oeste da Austrália, onde disputa ao lado do namorado (o cearense André Silva) a etapa Prime do WQS de lá, Lee-Ann não esquece, no entanto, do Titanzinho, praia que visitou recentemente e que pretende documentar em filme previsto para o fim do ano. Nas próximas linhas, ela explica o motivo dessa sua vontade e comenta também sobre os preparativos para a produção.

"A nova raça do surfe", diz a capa da revista

Nas Ondas – Primeiro de tudo, eu queria saber se essa foi a primeira vez que você veio a Fortaleza (no começo de 2010)? Eu li em algum canto que o motivo da vinda foi porque você queria conhecer melhor o canto onde o André nasceu… é verdade?

Lee-Ann – A primeira vez que eu fui para Fortaleza foi em dezembro de 2009. Aí eu voltei em janeiro. E sim, eu queria conhecer a cidade de André e conhecer a fimília dele que mora aí.

NO – Quais foram as suas impressões do Titanzinho e do povo de lá?

LA – Eu achei um local bem legal, com pessoas calorosas e boas ondas, mas também é um pouco perigoso se você não conhece o bairro. Eu tive sorte que pude ir para lá com o André, tornar-me amiga de todos os surfistas e me divertir.

NO – Você cresceu em uma cidade que também é abencoada pelo mar (Biarritz, no sudoeste francês). Uma das mais importantes atividades econômicas lá é o turismo voltado para o mar, como em Fortaleza. Como você acha que o mar pode beneficiar a maioria da socieade?

LA – O oceano é um lugar lindo. Eu acho acho que nadar nas águas do mar pode realmente ajudar muitas pessoas, porque isso deixa você relaxado, além de ser um bom lazer. Também tem os pescadores que ganham a vida graças ao mar.

NO – Tendo o pai que tem, eu imagino que você tenha se interessdo pelo surfe desde muito cedo na sua vida. Como  você, a maioria das crianças do Titanzinho surfa. Alguns deles chegam até a se profissionalizar e a ganhar dinheiro com isso. A diferença é que eles provavelmente não teriam outra oportunidade de ganhar o que eles ganham se aquela praia não existisse. Caso ela seja destruída, os pescadores também perderão seu ganha-pão. O que você acha dessa perspectiva?

LA – Eu definitivamente acho que seria uma tragédia se destruíssem aquela praia. Pude conhecer profundamente as pessoas de lá, as crianças, e percebi que tudo que eles têm é o oceano. Contruir esse estaleiro acabaria com o ecossistema do local, talvez até atraindo tubarões, como já aconteceu em Recife. As consequências seriam sentidas não só no Titanzinho, mas em todas as praias de Fortaleza (Beira-Mar, Praia do Futuro etc.). Ainda tem o fato de que o Titanzinho viu muitos moleques começarem a surfar em pedaços de madeira e, daí, evoluírem até chegar ao patamar de tops. Exemplos disso são Pablo Paulino, Tita Tavares, André Silva, Fábio Silva, e Messias Félix, que acabou de se sagrar campeão brasileiro. Destruir o melhor pico do Ceará simplesmente não faz sentido.

Entubando em Hossegor, praia da França onde acontece a etapa do World Tour masculino

NO – O Titanzinho é um lugar perigoso e desconhecido da maioria da população fortalezense. Não é segredo para ninguém que é palco de muitos crimes e tráfico de drogas. Políticas governamentais voltadas para a juventude inexistem e, basicamente, o lazer que eles têm é a praia. O que se pode dizer para quem está prestes a perder a única diversão da vida?

LA – Sim, as drogas estão realmente presentes lá e eu acho que é importante que as crianças tenham algo interessante para fazer para que não se percam nesse tipo de coisa. Cheguei a conhecer alguns jovens que não podiam ir para a escola porque ela ficava em outro bairro e uns traficantes tinham tentado matar eles. É fundamental que o governo faça algo para ajudar os garotos, em vez de abolir a única coisa que lhes traz esperança: a praia.

NO – O que fez você se decidir por fazer esse filme sobre o Titanzinho? Em que pé está a ideia?

LA – Bem, esse filme é algo que o André quer fazer há muito tempo, porque o Titanzinho é um canto muito especial para ele. Quando fui para aí, eu entendi a vontade dele e decidi ajudá-lo no projeto. Nós já filmamos muita coisa graças à ajuda dos moradores e tudo deve ficar pronto até o final do ano.

NO – Como será o financiamento?

LA – Para a produção, eu tenho um amigo que já trabalhou com o Manu Chao (músico francês) que vai nos ajudar. Ele já fez vários documentários e essa experiência será muito útil. Nós também vamos fazer um leilão de 20 pranchas usadas de surfistas profissionais no próximo verão (no hemisfério norte, o verão é no mieo do ano) em Londres. Faremos isso para levantar fundos e tentar ajudar um pouco o Titanzinho.

NO – O que você pode nos dizer sobre o filme propriamente dito? Vai ser um filme de surfe como os outros do gênero?

LA – Este filme será mais como um documentário, mas o surfe será uma grande parte dele, porque é o que nos une. Ele irá mostrar nossa trajetória por lá, as pessoas do local, a criatividade de quem mora lá. Alguma coisa positiva, com que os moradores locais vão se identificar.

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09.03.10 10:23

Quem tem medo de um abaixo-assinado?

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

Vejam este vídeo. Não vou nem comentar.

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04.03.10 19:53

Surfista francesa prepara filme no Titanzinho

Por: Thiago Barros | Comentários: 8 Comentários

Hoje, a surfista francesa Lee Ann Curren, filha do tricampeão mundial e rei do estilo Tom Curren, perdeu sua bateria na etapa da Gold Coast do Circuito Mundial feminino para a cearense Silvana Lima.

No entanto, ela ganhou a simpatia ao menos deste blog. Já era sabido que Lee Ann havia vindo ao Ceará no começo do ano junto do namorado e surfista profissional André Silva e que, aqui, conhecera a comunidade do Titanzinho. Na época, André lançou até um vídeo na internet protestando contra o famigerado estaleiro.

Mas não é que a viagem ainda gera reflexos na cabeça da garota de apenas 20 aninhos, nascida na paradisíaca Biarritz, cidade localizada na costa sudoeste do país de Napoleão. Recentemente, ela divulgou o teaser  de um filme que pretende elaborar sobre (adivinhe) o Titanzinho.

Lee Ann simpatizou com a população do local e quis tomar parte na luta deles por dignidade e condições melhores de vida. Mesmo que o projeto não saia do papel, já serviu para mostrar que é possível se preocupar de verdade com aquele bairro e lutar por sua gente sem querer transformá-lo em canteiro de obras.

Veja o teaser:

 

Uma cidade voltada para o mar

Coincidentemente, já tive a oportunidade de conhecer Biarritz, a cidade de Lee Ann Curren, durante passagem por lá em julho de 2008. Vi um povo que se organiza quase que exclusivamente para o turismo e que se destaca por essa vocação (soa familiar?).

Toda a estrutura é montada para receber o visitante e para levar ele ao mais importante de dos atrativos do local: o mar. Existe uma linha de ônibus especial que passa por todo o litoral e sai a cada 15 minutos praticamente (lá eles chamam de navette, mas é como se fosse esses tranfers de aeroporto). Além disso, eles têm um museu dedicado à vida marinha e as praias estão TODAS 100% sinalizadas e sob supervisão de guarda-vidas equipados com jet ski.

Lógico que é uma realidade diferente. Mas não se enganem: só se chega lá trabalhando para isso.  De qualquer forma, não dá para reclamar de que não há um modelo bem sucedido a seguir.

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04.03.10 15:45

Com a palavra Fausto Nilo*

Por: Thiago Barros | Comentários: 1 Comentário

O texto é um pouco longo, mas vale a pena galera.

 

Estaleiro ou vida urbana compartilhada?

As cidades têm características distintas que decorrem da evolução de processos naturais combinados com adaptações culturais. Os resultados desta mistura se traduzem em ruas, edifícios, espaços públicos, pontes, parques, orlas etc. Esses componentes da identidade urbana poderão ser duradouros integrando o inventário de valores, ou não. Cada vez que acrescentamos um novo artefato ao sistema dos espaços urbanos, incrementamos ou subtraímos valor à forma existente. A forma urbana valorizada, matéria principal da técnica urbanística, favorece a imagem da cidade e aumenta suas chances na competitividade econômica do mundo contemporâneo.

No âmbito dessa competitividade, as tendências apontam de maneira regular e crescente para os negócios do turismo e sua cadeia relacionada. Por tudo isso, os recursos considerados como sendo aqueles de maior valor estratégico no jogo das competitividades, no caso de cidades costeiras, são suas orlas. São lugares indispensáveis para atrair visitantes em convívio com residentes e, por essa razão, seus usos amigáveis e lucrativos incluem prioritariamente habitações, hotelaria, parques, congressos e convenções etc. Nos dias atuais, uso industrial nas orlas urbanas seria a última hipótese a ser examinada.

Há convergências mundiais sobre a necessidade de libertar as orlas da função de “quintal“ urbano. Isso porque elas favorecem com vantagens os negócios do novo século, principalmente se comparados os volumes de benefícios originados desses negócios com aqueles decorrentes da sucata mecânica do século que passou. O debate sobre a implantação de um estaleiro na praia do Titanzinho mostra que é chegado o momento em que Fortaleza precisa aderir ao padrão universal das boas práticas aplicando as técnicas urbanísticas de controle da alteração de valores com escala estratégica e visão sustentável. Segundo essa visão, um projeto de intervenção no ambiente urbano só deve ser realizado se houver cruzamento balanceado e demonstrável, na obtenção de benefícios econômicos, ambientais e sócio-culturais, a uma só vez.

Os estaleiros, juntamente com os portos e suas atividades relacionadas são componentes importantes dos negócios industriais em situação obrigatoriamente costeira. Entretanto, quando situados em zonas de orlas urbanas, não produzem os efeitos cruzados do padrão sustentável. Isso acontece porque predominam entre seus resultados aqueles de caráter econômico. Na literatura urbanística sobre requisitos e efeitos de usos industriais, estaleiros estão classificados como Usos Localmente Indesejáveis. Portanto, se um projeto de estaleiro não pretende comprometer o futuro estratégico do ambiente de uma cidade costeira, a orientação relativa à sua localização será preferencialmente regional e em orla rural.

É por demais sabido que alguns usos do solo, ao se agregarem a vizinhanças podem resultar em desigualdade, injustiça, desperdício e até mesmo prejuízos urbanos colossais. Mesmo com a ajuda de recursos tecnológicos atuais, as atividades de um estaleiro resultam em situações perigosas causadas por poluentes, incluindo-se entre estas os restos de cádmio, cromo e chumbo. Por sua própria natureza física, a imagem urbana de um estaleiro com fronteiras fixadas por muralhas não se harmoniza com os espaços públicos de vizinhanças. A poluição sonora é insuportável. O intenso tráfego de cargas produzido pelas atividades relacionadas a ele será inevitável. Ninguém suporta a insalubridade de viver em proximidade de um estaleiro e isso pode ser constatado em todas as situações existentes no mundo.

A população fortalezense residente na área de influência da localização pretendida precisa ser informada com clareza sobre a potencial e inevitável alteração negativa de valores que ocorrerá em seus bens materiais e imateriais ao se tornarem vizinhos de um estaleiro naval. Uma vez confirmada a zona do Titanzinho como sítio de implantação do equipamento, gradualmente ela se especializará em um gigantesco distrito industrial pesado de uso único, o grande vilão ambiental das urbanizações metropolitanas. O lamentável paradoxo é que tudo isso ocorre num momento em que a área, com excelência paisagística e alto valor de memória, estaria a demandar exatamente o contrário: livrar-se da penosa destinação de uso do solo industrial. Mais lamentável ainda é que essa proposta do estaleiro venha a ocorrer após tantos recursos investidos no Complexo Industrial Portuário do Pecém, construído exatamente para esse fim.

Sobre o bom uso das orlas urbanas, o mundo atual apresenta uma infinidade de bons exemplos. Tomemos apenas o caso de Bilbao, cidade que chegou a ser a mais rica de seu país, por conta de seu porto, da indústria de aço, da mineração e da construção de navios. Hoje, depois de competentes cálculos de alteração positiva de valores sustentáveis, Bilbao é reconhecida por sua audaciosa decisão em promover a renovação urbana dessas áreas. Ela trocou os velhos estaleiros por parques, museu, universidade e transporte avançado, incrementando de maneira notável a atratividade turística da cidade.

A partir da remoção já confirmada dos depósitos de combustíveis da zona do Porto do Mucuripe, valeria a pena, isso sim, examinar uma alternativa sustentável de uso do solo para o contexto do Titanzinho: uma vizinhança urbana apoiada na intensidade de intercâmbio, com uma população que pode ser estimada em 40 mil pessoas distribuídas em densidades adequadas. Em conectividade com a Beira Mar reordenada, oferecendo moradias diversificadas em faixas de renda e estilos de vida, suas atividades locais seriam ancoradas em hotelaria, serviços e parques de recreação. O bairro cosmopolita assim formado teria como foco estruturante um porto turístico limpo. Essa obviedade é o que a maioria das cidades costeiras do mundo gostaria de concretizar, mas se sentem impedidas por conta do entulho irremovível de grandes estruturas industriais. Esses bloqueios à regeneração urbana foram implantadas no século da predominância econômica sobre as demandas do ambiente e das pessoas. Seguramente este ainda não é o nosso caso e a oportunidade da escolha ainda é real.

* Arquiteto e urbanista

(Do Jornal O POVO)

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01.02.10 20:43

Causa do titanzinho rompe fronteiras

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

Vejam esta espetacular matéria que saiu no portal Uol Notícias. Ela é bem completa e ilustra a dimensão do problema.

Um trecho:

“As ondas não são apenas para profissionais. Cerca de 500 jovens da comunidade se dedicam ao surf na localidade, e alguns deles até ganham algum dinheiro com isso. Anderson Ribeiro, 16, surfista desde os 11 anos, é um deles. Com uma bolsa mensal de R$ 100 bancada pela Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico), Anderson pode surfar todos os dias (às vezes até duas vezes ao dia), ensina outros jovens – é monitor de dez -, e não deixou de estudar. Como o bairro não tem uma escola de ensino médio, ele tem de se deslocar até um bairro vizinho para frequentar o 1º ano – o que só é possível com a bolsa.

Outro que não deixa de surfar um dia sequer, com o apoio da bolsa da Funcap, é Bruno dos Santos, também de 16 anos, surfista desde os 8.
“Querem acabar justo com a nossa única forma de lazer. Isso não é certo”, disse Anderson. “Acho que se a turma ficar sem as ondas, muita gente vai mesmo para o outro lado, o das drogas, do crime”, completou.

É isso o que teme também Leonardo Damasceno de Sá, doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do LEV (Laboratório de Estudos da Violência) da universidade. Com uma tese sobre a situação dos jovens do Serviluz, Leonardo considera a tentativa de levar o estaleiro para o bairro o fim da esperança para boa parte deles, o que, consequentemente, pode culminar num aumento da violência nos arredores”.

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27.01.10 11:52

Carta aberta pelo Titanzinho

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

CARTA ABERTA DAS ORGANIZAÇÕES POPULARES DO SERVILUZ DE REPÚDIO A INSTALAÇÃO DE UM ESTALEIRO NO BAIRRO SERVILUZ

As organizações populares do Serviluz vêm reafirmar sua rejeição a instalação de um estaleiro no nosso bairro, destruindo a praia do Titanzinho. Na semana que passou vimos uma série de informações sobre o assunto na imprensa. Segundo noticiado, o governador afirmou que o empreendimento não trará impactos ambientais e sociais. É mentira. É consenso entre os ambientalistas sérios da cidade que o impacto será imenso e não afetará somente o Serviluz mas toda a orla de Fortaleza. Quanto aos impactos sociais, estes são óbvios – removerá famílias, afetará práticas esportivas e culturais, destruirá ainda mais a identidade e os laços comunitários, inclusive porque o governo aposta na divisão e no confronto na comunidade para fazer valer sua vontade.

Faz tempo que pedimos melhorias para o bairro. Agora, o governador diz que se tiver o estaleiro investirá em saneamento básico, trabalho e esporte. Será que o governador não conhecia as carências do bairro ou será que ele está querendo nos chantagear e dizer que só investe se aceitarmos o estaleiro? Bastava ele investir os 60 milhões de reais que vai doar à PJMR (uma empresa privada) em infra-estrutura urbana e social que seria uma verdadeira revolução de melhorias no bairro. As melhorias que o bairro precisa deveriam ser obrigação do Estado e não um capricho autoritário do governador.

O povo não é bobo. Sabemos que o Serviluz é uma Zona Especial de Interesse Social. Sabemos que o Plano Diretor define o Serviluz como área prioritária para investimento em regularização fundiária e infra-estrutura. Exigimos o cumprimento da lei. Pedimos à Prefeitura, Câmara de Vereadores e Ministério Público que defendam o meio ambiente e os direitos conquistados pela comunidade. Estamos prontos para lutar pelo Serviluz que queremos.

Assinam:

Escolinha Beneficente de Surf do Titanzinho

Escola de Surf Aloha

Titanzinho Surf Clube

Assoc. dos Moradores do Serviluz

Assoc. Comunitária Vila Mar

Assoc. Comunitária dos Moradores do Titanzinho

Assoc. dos Moradores do Farol do Mucuripe – ASMOFAM

Assoc. Beneficiente Povo de Deus Casa de Nazaré

Ong. Serviluz Sem Fronteiras

Movimento dos Conselhos Populares – MCP Serviluz

(A mensagem acima foi retirada de matéria no ar no Portal O POVO Online. Clique sobre este link para acessá-la)

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22.01.10 09:41

Democracia mandou lembrança

Por: Thiago Barros | Comentários: 3 Comentários

Continuando a jornada anti-Serviluz e sua população, o governador voltou a afirmar sua indisposição para discutir o assunto do estaleiro com o povo. Ele já decidiu. E agora está “tentando convencer” todos os outros. Mas, quando se diz “outros”, leia-se autridades. Onde já se viu político ouvir a população?

No fim de tudo, os moradores serão comunicados. Simples assim. Quem se incomodar que se mova. Como sempre acontece em nossa sociedade autoritária.

O prognótisco é dos piores. Uma juventude perdida. E tudo em nome do progresso. Agora, Cid diz que o estaleiro vai beneficiar a população, trazer empregos. Mas porque será que ele está se importando com isso neste momento? Será que ele finalmente se solidarizou com o Serviluz? Ou será que tem a ver com ganhos políticos e econômicos que, em última instância, nunca chegarão nem perto dos bolsos do povo?

Tudo isso é uma vergonha.

Vejam a matéria de hoje do jornal O POVO:

Industria Naval

Cid tenta convencer vereadores sobre estaleiro no Serviluz

O governador do Ceará reuniu-se ontem com vereadores de Fortaleza para contornar resistências à construção do estaleiro no bairro Serviluz

O governador Cid Gomes se reuniu ontem, no Palácio Iracema, com um grupo de vereadores de Fortaleza para apresentar a proposta de construção do estaleiro no Ceará. Foi uma tentativa de tranquilizar os parlamentares em relação aos impactos sociais e ambientais do empreendimento.

Os vereadores, pelo menos os sete que estavam presentes no encontro, demonstraram satisfação com as explicações do governador, que falou sobre a necessidade de poucas desapropriações, além de pequenas mudanças em infraestrutura.

Pela apresentação, o estaleiro – ainda em licitação -, irá gerar 1,2 mil empregos diretos e 5 mil indiretos. Conforme garantiu Cid, os postos de trabalho serão ocupados por moradores da própria comunidade.

O próximo passo da discussão é conversar com os moradores do bairro Serviluz, para apresentar a proposta e explica o que deve mudar com a construção. O Governo do Estado promete avaliar o desenvolvimento de um projeto de saneamento básico para o bairro.
O Promar Ceará é o projeto de estaleiro que concorre à licitação da Transpetro para a construção de oito navios gaseiros. A proposta foi escolhida por ter o menos valor, mas ainda passa por um processo de negociação com a licitante. O resultado final deve sair até o início de fevereiro.

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Thiago Barros

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Jornalista e surfista

Rafaele Esmeraldo

Rafaele Esmeraldo

Jornalista, apaixonada por esportes radicais

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