Nas Ondas

19.08.11 10:06

Sufista Evolucionário: A luz no fim do – Vruuuco!!

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

Não é natural um ser humano habitar aquela fugaz cavidade. Não foi algo que nasceu no nosso DNA, que institivamente alcançamos porque, enfim, teríamos que alcançar. Falamos, sim, de um salto evolutivo: uma quebra qualitativa, cultural, humana!, de uma limitação que muitos poderiam achar irresistível.

A maioria até hoje acha. Pôr-se dentro de um tubo não é para todos, mesmo porque estes não estão tão à oferta assim, pricipalmente nas águas quentes dos verdes mares cearenses. Mas estando, nas oníricas manhãs e tardes de fevereiro a abril do Icaraí, da Taíba, ou mesmo do iguape e da PF, sem falar do Titan, ainda assim, tubos não são para a barriga oca de qualquer deslizador de oceanos.

Achar a cavidade exige experiência, exige que o sujeito tenha uma “visão”… Quando o oco se denuncia e a bichinha vai começando, mais e mais, a lembrar um quadrado de água, pronto pra revolver sobre o nada, é tempo de se entocar! E aí é pôr o charuto na boca, aproveitar a sombrinha, apontar o bico pra luz e – Vruuuco!!

É meu broder, se encontrar um tubo aqui por esses sertões molhados é difícil, quem dirá sair deles. Surfista novato que o diga. Mas se bem que se é novato no surfe por muito tempo, quem já passou dessa fase sabe.

No auge da sua felicidade, surge o vruuco... Aí só sentando na margem do rio Piedra e chorando, filho.


E, vai ver, está aí a beleza dessa atividade muito humana, muito improvável: o desafio é proporcional ao sorriso abobalhado. Cada manobra acertada, em cada circunstância diferente de mar (porque nenhuma onda é igual à outra, logo não se bate duas vezes a mesma batida), é um flash da nossa câmera imaginária mindsurfística. Mesmo o profissional ainda conserva essa máquina intacta, acredito.

E aí pronto! Criamos algo novo. Arte boba e totalmente original. Afinal, estamos, de certa forma torta, imitando a ousadia intelectual da primeira pessoa que viu uma onda tubular e se imaginou lá dentro. Que louco e desocupado esse sujeito deveria ser…

Pois bem, o desafio dela se tornou o nosso. Já entubaram muito depois disso, claro… mas nunca na minha onda, nunca o meu tubo! O meu tubo fui eu quem criei, é minha obra de arte! E lá vem ele…! Prepara aí esse tripé que eu vou remar…

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11.08.11 09:38

Surfista evolucionário: Felicidade ou Satisfação?

Por: Thiago Barros | Comentários: Comente

(c) crazyjunkyard.com

Nobre amigo, não confunda, nunca na sua vida, felicidade com satisfação. Veja que a primeira todos buscam, mas, por falta de condições favoráveis para si, acabam se contentando com a segunda. Contentamento, colega, é a palavra que talvez melhor defina a humanidade ultimamente. Não se quer mais viver a melhor das vidas: quer-se viver dignamente, cada qual no seu cantinho, um dia após o outro.

Acredito que nós surfistas já estamos, de antemão, um passo à frente dessa vidinha mais ou menos. Quer tenhamos uma boa condição financeira ou não. Ocorre que me parece pouco ligada com o dinheiro a questão da felicidade (é óbvio que um miserável não terá a mesma condição de alcançar a felicidade que os outros, mas falo de maneira geral).

Apesar de chavão, a afirmação para mim é uma realidade concreta. Trabalho em um escritório, como muitos. Ganho um salário que é a minha satisfação: porque não me dá condições de largar tudo e ser feliz, apenas de seguir de um dia para outro sem ter que pedir para ninguém. Já a minha chefe ganha bem mais que eu, merecidamente, diga-se de passagem. Mas, sinceramente, não trocaria de lugar com ela. Vejo a cara cansada, os estresses, a falta de tempo…

Às vezes, é complicado fugir disso, entendo. Triste é não procurar fugir (o exemplo é geral, não quero dizer que a minha chefe é infeliz ou triste, ok? Nem a conheço suficiente pra saber). Foda é viver o ano todo esperando o mês de férias. Repetir o processo no ano seguinte. Repetir o processo no seguinte. Repetir o processo no seguinte. Repetir o processo no seguinte. Repetir o processo no seguinte. Morreu.

Amigo, a vida é curta quando é bem-vivida. Só é longa se você se acostuma com esse tédio e, dessa forma, não valerá a pena. Sabe como quando você está fazendo alguma coisa ruim o tempo passa devagar, e, quando você está fazendo algo que gosta, ele voa? Amplie isso. E depois comece a aproveitar com mais inteligência.

Jogue a preguiça pra longe. Pegue a prancha, o carro, o hack e toque pra Taíba, mesmo que seja pra ter que voltar correndo pro trabalho logo de manhã. Fique o dia acordado, cansado, levando esporro do chefe, mas lembre que só assim você estará vivendo. Saindo do ciclo contínuo da satisfação, que é como aquele setor de todas as empresas que busca um consumidor satisfeito, e por isso sempre cativo. Liberdade é felicidade, e depende unicamente da vontade de quebrar as correntes/rotinas que enfraquecem o espírito.

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Thiago Barros

Thiago Barros

Jornalista e surfista

Rafaele Esmeraldo

Rafaele Esmeraldo

Jornalista, apaixonada por esportes radicais

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