Um poema de Sara Síntique

Ilustração: Jéssica Gabrielle Lima

Por Sara Síntique*
A cearense Sara Síntique escreve poemas quinzenalmente para o Leituras da Bel.  Poeta, atriz, performer, mediadora de leituras e educadora, Sara mora em Fortaleza e publicou seu primeiro livro em 2015, pela Editora Substânsia.  Leia mais poemas!

não sei.

entretanto

quase estou certa

do mar: azul.

sempiterno

costumeiro

de teus olhos.

 

não sei.

 

e se me olham?

que vem a ser o mar?

a luz amarela da cidade

sobre as ondas?

as outras cores?

 

e se me olham?

seria

enfim

o Agrimel?

 

mas isso é vão

há dores a devastar

florestas inteiras

um menino que chora

enquanto há leite no chão

o rio inteiro que se desfaz

um menino morto na travessia

os desamparos

tanta tanta notícia

(dorme, meu filho)

 

escrever?

 

não sei.

 

talvez arriscar verdades

inúteis

inúteis

como para assegurar

o que não é seguro

o mar: azul.

 

momentâneo.

 

tudo fraqueja

tudo tudo empalidece

esse vento tardio

a demasiada poesia

os determinantes dos nomes

tudo tudo enfraquece.

 

mas há teus olhos.

 

e se me olham?

não sei.

 

arriscar um girassol?

ou nova escala

para medir os infinitos?

 

*Sara Síntique é poeta, atriz, performer, mediadora de leituras e educadora. Mestra em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também se graduou em Letras Português – Francês. Nasceu em Iguatu (CE), em 1990, e reside em Fortaleza desde 2001. Autora do livro de poesia Corpo Nulo (Editora Substânsia, 2015). Escreve poemas quinzenalmente para o blog Leituras da Bel.

 

 

 

Isabel Costa

Sobre Isabel Costa

Repórter do Vida&Arte, eterna estudante de Letras da UFC, especialista em Semiótica e Literatura pela Uece. É apaixonada por literatura brasileira, novos autores, publicações artesanais e cultura pop. Abriu o blog para compartilhar leituras e afetos. Para falar comigo: leiturasdabel@gmail.com

One thought on “Um poema de Sara Síntique

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