Ídolos de papel no futebol ajudam a alimentar a hipocrisia

Muito tempo atrás já tive a chance de escrever sobre o assunto deste post e volto ao tema agora, tomando como base mais um episódio envolvendo jogadores de futebol fora do ambiente de trabalho, como no caso dos atletas do Santos – Madson, Zé Eduardo e o goleiro Felipe - que discutiram e ofenderam torcedores no twitter no domingo passado (e pediram desculpas, é importante salientar).

Começo contando sobre mim: desde pequeno eu nunca tive ídolos no futebol, na música, no cinema ou na literatura. Gosto do trabalho de muita gente, mas sempre mantenho uma grande distãncia, por ter convicção de que todos são seres humanos, falíveis, com mais defeitos do que qualidades. Penso, inclusive, ser bastante perigosa qualquer idolataria e fico chocado com algumas manifestações de desespero, carência e endeusamento que vejo por aí.

No esporte, me permito admirar um homem em especial, alguém que eu jamais vou esquecer, e ele não jogou futebol e, sim, basquete: Michael Jordan. No meu escritório tenho um quadro dele, de braços abertos, para me lembrar que as vezes é possível fazer o impossível, nada mais do que isso.

Não acho, sinceramente, que ídolos no esporte tenham que ser exemplos para crianças ou adolescentes. Eventualmente eles podem até ser, mas não vejo como obrigação. O ideal é que o esportista seja o que ele é e pronto e que cada pessoa compreenda isso da melhor maneira possível. Charles Barkley, também um ex-jogador de basquete, era extremamente criticado por seu comportamento fora das quadras. Foi detido algumas vezes, brigava demais, falava palavrão o tempo todo e quando questionado, era claro: “Eu não tenho que ser exemplo para os filhos de ninguém. É na escola e em casa, com os pais e parentes, que as crianças precisam ter educação, não comigo, que apenas jogo basquete”. Concordo com ele.

No caso dos jogadores brasileiros de futebol a situação é ainda mais evidente. Tê-los como ídolos é um problema e tanto. Muitos são despreparados e, pior, depois que se tornam famosos, seguem mal orientados e passam a fazer uma bobagem atrás da outra, como qualquer um de nós. Quantos atletas de futebol têm realmente uma opinião relevante sobre algo? Por que muitos são arrogantes e se acham acima do bem e do mal?

As perguntas acima têm respostas fáceis, mas o principal questionamento é o seguinte: será que eles precisam ser exemplos para a sociedade hipócrita? Não, não precisam e muitos jamais conseguirão, porque os  clubes de futebol não se preocupam de verdade em dar educação aos seus jogadores. Os empresários também não fazem acompanhamento digno – só pensam nos lucros – e eles mesmos não mostram interesse em evoluir.

E por qual motivo a imprensa – responsável também - tenta criar ídolos instantâneos o tempo todo e muitas vezes é igualmente mal preparada? Por que jornalistas e radialistas se acham no direito de julgar a ignorância alheia e o comportamento de quem quer que seja fora de campo, como se fossem grandes exemplos para alguém?

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19 comentários sobre “Ídolos de papel no futebol ajudam a alimentar a hipocrisia

  1. Bom texto , concordo com o Post, mas acho que os ídolos no esporte são bem piores do que na música e cinema , pois não são preparados para lidar com a fama e idolatria , é só ver os recentes escandalos em que um jogador (Bruno) de um clube que dizem ter a maior torcida do país envolvido em um crime brutal, pra mim os “tecnicos” deviam agir como psicológos orientado tanto o time principal quanto as bases, os clubes deveriam dar essa assistência para os futuros atetlas, pois é dificil tem jogador que estoura por ai e acha que é o maior do mundo que pode fazer qualquer coisa que não vai receber punição, isso é dificil, pior ainda é saber que ele é idolatrado por pessoas que não querem saber do caratér, mas apenas do futebol. Só lembrando que não é só no Futebol.
    Pena que nem todo mundo irá ler esse post.

    Oi Douglas, obrigado pelo seu retorno. E vc tem razão, muita gente vai passar batido pelo post, mas escrevo por convicção e não porque determinado tema é mais importante ou polêmico. O seu comentário, por exemplo, já valeu. Abraço.
    F. Graziani

  2. Eh como vc disse, esse tipo de idolatria eh perigosa e errada. Charles Barkley falou isso ai sobre o caso do Tiger Woods, dizendo que ele nao devia nem desculpas a ninguem que nao fosse a sua esposa e familiares.

    Concordo plenamente… o problema eh que no Brasil BBB vira idolo, imagina jogador de futebol?? hehe

    A criancada olha isso como uma “salvacao” da escola (pq nos so temos uma real nocao do valor da educacao depois de macaco velho), pobreza e um modo de virar “barao” e ter tudo do bom e do melhor.

    Se problemas com drogas, bebidas e ate criminais acontecem com atletas que passam por um processo de formacao educacional nos EUA, imagina com os garotos oriundos das favelas no Brasil? Enquanto os clubes nao investirem em educacao para os atletas, essa realidade nao vai mudar, e msm assim, o perigo de idolatria ainda vai continuar, e as vezes com o perigo maior de uma “alienacao” por parte do idolo premeditada em algumas circumstancias.

    Então Leandro, o Barkley segue com a mesma opinião de quando era jogador. O tempo todo ele dizia que não tinha que dar satisfações a ninguém e tem toda razão…a hipocrisia realmente é uma coisa séria. Valeu demais pelo seu comentário…abraço.
    F. Graziani

  3. Excelente post. Acho que seria o cenário ideal podermos contar com a sociedade como um todo, e aqueles que frequentemente expõe-se mais nela, para educar as pessoas. Mas realmente isso não é fato e, ao contrário, esses que mais estão expostos só contribuem para a degradação da educação… apesar de não serem de forma alguma responsáveis por isso, mas certamente poderiam dar suas contribuições positivas.

    É isso Davi. No mundo ideal seria bacana que todo mundo tivesse sempre algo para acrescentar e ajudar, mas não se trata de obrigação. O que é fato é que a carência de muitos acaba exigindo que pessoas (atletas, músicos, atores…) sejam exemplos, mas por qual motivo? Abração e obrigado.
    F. Graziani

  4. Concordo plenamente, quem tem que dar exmplos são os pais, e agora sem as palmadinhas, acaba de acontecer um fato com o Rinaldo, vão querer julgar e eu acho errado, o cara se explica pra quem é de direiro, no caso a PF e pronto. Não se pode é impedir que nós torcedores brinquemos e tiramemos sarro do adversário, mas nas brincadeiras saudáveis do futebol, como por exemplo;
    Vocês sabem qual o maior desgosto de um artilheiro matador?
    R: É ter um tatu vestindo sua camisa e não poder atirar por falta de balas!

    Ótimo debate este proposto FG

    Oi João, valeu por participar. E com relação ao Rinaldo, me parece absurdo julgá-lo sem ouvir o que ele tem a dizer.
    F. Graziani

  5. Graziani, mais um belo post.
    É realmente uma grande inversão de valores, querer que o papel de servir de exemplo a jovens e crianças caiba a um jogador de futebol, quando isto na verdade é função ligada a seus pais.
    Acredito que a crítica a esses jogadores deve existir, mas na mesma medida em que seus erros são divulgados, até para a imprensa deixar claro que não concorda (mas sim repudia!) com a atitude tomada. Da mesma forma em que devem ser criticadas outras figuras públicas e nosso governantes, estes sim, os que deveriam ser cobrados.
    Claro que seria bom se estes mesmos atletas abraçassem essa “missão” de ser exemplos (como acontece em vários exemplos no país, principalmente com atletas fora do futebol), mas não se pode exigir isso e cobrar deles como uma obrigação.
    É isso. Acho que devagarzinho a nossa sociedade vai amadurecendo em vários aspectos… cabe a cada um fazer a sua parte!
    Abs e parabéns novamente pelo trabalho!

    Oi Fábio. Pensamos, então, da mesma forma. Eu só não sou tão esperançoso como você, de que estamos evoluindo. Mas espero que vc esteja certo. Valeu e obrigado.
    F. Graziani

  6. Graziani,

    excelente colocação. É importante salientar,
    também, que esse é um problema social. A menos de 2 anos, neymar, andré, felipe, e por aí vai, eram favelados sem nenhum estudo e educação, muito menos estrutura familiar. De uma hora para outra, se tornaram “os caras”, isso tudo com 16, 17 anos. Qual o grau de preparação que um menino desses tem para suportar o peso, isso mesmo, o peso de ser famoso? Atrás da fama há um grande fardo que é a falta de privacidade. Tudo que acontece com o atleta é problema da torcida, da mídia, independente se é no campo ou em casa. Convenhamos, não é todo mundo, aliás é a minoria, que tem condição de administrar tal feito. Basta vermos jogadores como Caio (hoje comentarista), Ricardinho do Atlético-MG, Kaká, Rogério Ceni, todos jogadores de famílias de classe média, estruturada, com uma base sólida. Qual desses se meteu alguma vez nesse tipo de situação elencada no Post? Se tiver ocorrido é a minoria.

    Daniel, a comparação é totalmente válida. O que fico espantado é com os julgadores de plantão, que se acham acima do bem e do mal e esquecem de olhar para suas vidas e apenas porque têm o poder do microfone, destilam hipocrisia.
    F. Graziani

  7. Bom Post,F.G.Isto só acontece porque as famílias acham mais fácil delegar para outras pessoas a obrigação de ensinar e dar exemplos,quando esta obrigação é da fámilia e da escola.

    A transferência de responsabilidade é algo cruel, realmente.
    F. Graziani

  8. O post ficou excelente, mas o fato de vivermos em uma sociedade que se banaliza tudo. A vida de um cidadão que vale um celular, um relógio, ou então quantos matam por causa de R$ 10,00 ou algo do tipo. Então, não é de se admirar que o surgimento de um ídolo também ficasse banal. Jogadores despreparados psicologicamente para lidar com fama, sem educação alguma, e se acham acima do bem e do mal. Qualquer pessoa hoje é ídolo, como diria o outro colega no comentário,um ex-bbb, uma pessoa que vai com vestido curto pra faculdade, etc. Essa é a sociedade que se vive, essa fábrica de ídolos efêmeros, que com a mesma rapidez que surgem, também desaparecem.
    Agora como essas pessoas podem servir de exemplo de alguma coisa?

    Vc tem total razão, caro Chico.
    Valeu.
    F. Graziani

  9. Perfeito,sereno e verdadeiro.Vai de encontro a que 80% da mídia propaga por aí.Parabéns!

  10. Graziani, o ídolo é uma idéia, ele não é humano. Uma necessidade humana que existe desde muito tempo e que sempre irá existir, tendo raiz no nosso processo próprio de conhecer. Do latim Idola, Simulacra, este termo foi primeiro usado por Platão, quando definiu o mundo no qual nós vivemos como uma réplica imperfeita do mundo das idéias. Para o meu xará Francis Bacon (conhecido aqui no Ceará pelos íntimos como o grande Chico Toissim), os ídolos não são instrumentos de conhecimento, mas obstáculos ao conhecimento; são “falsas noções” ou “antecipações”, ou seja, preconceitos. É essa definição de ídolo mais abrangente de Bacon que dará origem ao conceito moderno de ideologia. O que nós estamos chamando aqui no post de “ídolo” é algo bem específico dentro do conceito filosófico do termo. Mas é preciso conhecer o conceito maior para compreender o menor. O nosso “ídolo” em questão, é a personificação de uma forma cognitiva humana que envolve a hierarquia entre conceitos, termos da linguagem, disciplinas, valores, que constituem a produção mesma do pensamento e sensação humanos, através de imagens vindas tanto de fora como de dentro do homem.

    A minha crítica neste caso, igualmente à sua (e acredito que de todos), se fundamenta na espécie de ídolo que é cultivado no seio da nossa sociedade. Criado numa esquina com o destino certo de ser morto na próxima. Na verdade se trata de um sub-produto da indústria cultural de massa chamado erroneamente de ídolo. Algo assim não pode ser exemplo para nada, muito menos para crianças, uma vez que não se trata sequer de uma réplica imperfeita do que seria o ideal ou mesmo degrau de uma escada que leva ao conhecer de uma coisa. Identificamos muitas vezes o problema, mas erramos o alvo freqüentemente em nossas críticas, reforçando inclusive esses preconceitos. Isso tudo é muito próprio de uma ideologia pequeno-burguesa, que defende com unhas e dentes aquilo que toma como verdade e a quer ver professada com ampla exposição na mídia. Esses falsos ídolos são vítimas de um padrão que lhes é imposto e aprisionados neste cárcere até que lhes seja decretada a morte já antes anunciada. Um padrão que é a própria personificação da ideologia pequeno-burguesa, e eis o verdadeiro ídolo nessa história, a ser venerado e seguido, em detrimento de toda forma de vontade, auto-determinação e libertação das potencialidades da natureza humana. Mas eu perguntaria de antemão a estes velhos senhores, o que é essa tal de natureza humana, que ouço falar desde jovem, mas que nunca a entendi direito? E como podemos chamar de desumano um comportamento advindo de um humano? Confesso que espero até hoje ansioso por uma resposta digna.

    Muito bacana seu comentário…eu realmente fico satisfeito quando escrevo textos fora dos assuntos principais e tenho um retorno bacana assim, como todos que participaram deste post. Fico até esperançoso, apesar que é um sentimento que dura bem pouco. Valeu.
    F. Graziani

  11. Caro Graziani,

    Parabéns pela reflexão. As vezes seu realismo beira ao pessimismo. Você já deve ter lido Schopenhauer, suas colocações me lembram muito os pensamentos daquele filósofo que defende a desconfiança na esperança…
    Mas em relação a suas palavras concordo que idolatrar atletas de futebol é uma banalidade. São seres humanos como nós que lutam diariamente com seus bons e maus extintos e sintetizam suas ações ao sabor dessa peleja, muitas vezes com ações negativas. A sociedade “moderna”, hipócrita, representada por uma mídia ansiosa, cria ícones-mercadorias que são consumidas rapidamente, independente de seu real valor. Esses ícones pagam seu sucesso com o fim de sua individualidade e privacidade. Ocorre que muitos destes não querem romper com este papel, que lhes trás muitos ganhos…
    SDS

    Alexandre, eis um papo para muitas horas, mas eu me considero realista, apesar das pessoas que me cercam me chamarem de pessimista…quanto a Schopenhauer, gosto muito, mas tenho lido muito André Conte-Sponville, vc conhece? Abraço e obrigado.
    F. Graziani

  12. Excelente post, Graziani. Gostaria de colocar aqui as palavras de Mike Tyson, numa entrevista coletiva recentemente, falando de sí mesmo:

    - A primeira fase da minha vida foi um monte de egoísmo. Só um monte de presentes para mim mesmo e para pessoas que não necessariamente mereciam. Agora estou com 44 anos e percebo que toda minha vida é um lixo. “Maior homem do planeta”? Eu não era nem metade do homem que pensava ser. Então, se há algum grande plano agora, é apenas dar. É altruísmo, importar-me com pessoas que merecem. Porque acho que sou um canalha. Tenho esta incrível capacidade de me olhar no espelho e dizer “Sou um canalha. Sou um m…”.

    - Nunca pensei que chegaria aos 25, cara. As pessoas precisam se amar, tratar um ao outro melhor. Ainda tenho este fogo no coração, e ele queima. Não sou pacifista e nunca serei. Ainda fico com raiva e ainda grito. Posso falar sobre humildade, mas não sou humilde. Se você diz “sou humilde”, está se contradizendo. Mas estou tentando, cara, tentando muito.

    Fonte: Globo.com

    Confesso que me emocionei, de alguma forma me tocou profundamente. Mesmo não tendo levado a vida que ele levou, me senti muito menor do que ele. Mesmo buscando ser o inverso do que ele foi, cheguei a conclusão de que ele tem muito a me mostrar.

    Talvez ele não se sinta na obrigação de ser exemplo pra ninguém, mas acho que ele se sente numa obrigação velada de pedir desculpas a todo o mundo. O que chama a atenção é que no seu desabafo não há um pingo de obrigação em ser exemplo, mas está exalando espontaneidade e a mais pura das boas intenções, primeiramente consigo mesmo, tentando se livrar do pesadíssimo fardo da culpa.

    Acho que no fim das contas, o que temos mesmo de ser é espontâneos em não agravar aquilo que já está caótico, e a imagem do Tyson precisava disso, desse breque, dessa forma, pra ser reconstruída. Sem querer, ele está sendo um bom exemplo pra minha vida, sem compromissos, sem objetivos de mostrar a alguém. Bate inteiramente com suas palavras quando diz: o ideal é que o esportista seja o que ele é e pronto e que cada pessoa compreenda isso da melhor maneira possível.

    Essa sua frase resume tudo.

    Espetacular Roysson. Espetacular.
    Muito obrigado.
    F. Graziani

  13. Roysson e Graziani,
    Esse exemplo do Mike Tyson é mais um clássico do que eu comentei anteriormente. Imagine esse rapaz quando tinha 18 anos, sem família, pobre…recebe uma ajuda de um treinador que praticamente o adota como filho. De uma dia para a noite ele passa a ser o homem mais “temido do mundo do Boxe”. É muita coisa pra pouca estrutura… O que diferenciou o Mike de tantos outros foi, realmente, essa supreendente, muito surpeendente entrevista, que mostrou o outro lado, àquele que aparece quando vc coloca a cabeça no travesseiro e, ao final, um pouco mais maduro, reflete sobre sua vida, seu trabalho. Muitos não tem essa percepção, mas Mike Tyson, dessa entrevista em diante, se tornou um exemplo para mim. Um exemplo de que todos, todos podem mudar, e, acima de tudo, todos merecem o perdão, não o meu, ou o seu, ou dos hipócritas de plantão, como muito bem retratou o Graziani, mas de si mesmo.

  14. Graziane acho legal seus comentários,é realmente lamentável q o povo brasileiro goste tanto de idolatrar pessoas,eu sou como vc, jamais gostei de idolatrar ninguém.Acho q devemos valoriza as pessoas q se destacam pelo q fazem de de bom em todas as atividades da vida seja,politica,musica,cinema,esporte etc. É triste ver pessoas ignorantes se matando por causa de alguém q tá fazendo seu trabalho profissional,nunca esqueci do ridículo q vi na tv alguns anos passados,quando o Bahia foi campeão e um torcedor no gramado beijando os pés do jogador Dadá q a mal fadada imprensa batizou de maravilha, fiquei penalizado com aquele miserável q talvez tenha voltado pra sua casa a pé e seria bem feito pois tenho certeza q ele jamais beijaria os pés de Deus se o visse evidentimente.

    Oi Ribamar, obrigado pelo comentário…e tb concordo que algumas cenas são tão absurdas que jamais esquecemos…
    F. Graziani

  15. Graziani, o futebol em específico impera o reino da irracionalidade e fortalecido pela crônica esportiva que consegue ser pior que a massa torcedora; sua reflexão no post traduz muito bem o estágio de nossa civilização e necessidade da espetacularização de tudo.
    Muito interessante termos profissionais como você, Bruno Formiga e Marcelo, diga-se de passagem, uma boa novidade no futebol cearense e até nacional.
    As vezes assisto alguns programas de rádio transmitindo futebol para rir e me divertir, são melhores que o “casseta e planeta”, quando quero informar leio um pouco o que o É GOL escreve… depois escrevo mais sobre o assunto.
    PS: tinha escrito um post enorme, mas via a forma que trataram um post grandíssimo…. fico por aqui…

    Oi Marcos, aqui no Blog você pode usar e abusar do espaço. Apenas os emails para a TV é que não podem ser enormes porque fica impossível de ler…valeu e obrigado pela gentileza.
    F. Graziani

  16. Como leitor assíduo e participante bissexto desse blog, EXIJO (brincando, obviamente) que temas como esse sempre se façam presentes por aqui. Primeiro, eleva (um pouco mais) o nível do blog; segundo, o nível dos coimentários é altíssimo; terceiro, faz você, Graziani, abrir sua veia opinativa e nos deleitar.

    Quanto ao assunto: há muito o que mudar para que essa idolatria acabe. Além disso, é muito mais fácil admirar pessoas onipresentes na mídia, não importando o que elas façam (lembra do “eu quero ser cartãozeiro”)?

    Oi Celso, valeu pelo incentivo e vamos sim abrir debates deste tipo. Conversando com o Cláudio Ribeiro, ontem, um dos grandes repórteres do Jornal O POVO, ele lembrou exatamente disso que vc cita agora, dos meninos que querem ser cartãozeiros no interior…impressionante. Valeu demais.
    F. Graziani

  17. Meu pai jogava tenis,fez parte da seleçaõ do Norte que juntava os melhores de Belem(Tenis Clube do Pará)e Manaus(Bosque Club)quando ainda criança,via nas arquibancadas do TCP os torneios seletivos,nunca vi um deles num momonto ruim do jogo jogar a raquete no piso da quadra.Porque?Não tínhamos esses exemplos de Thomas Koch ou Édson Mandarino(os Guga da época)muito menos de Maria Ester Bueno,campeã em Wimbledon.Hoje o meu filho mais velho(25 anos)joga tenis,a exemplo do avô,nos finais de tarde aqui nas quadras do Serra Grande e as vezes vejo atitudes de tacar a raquete no chão quando de uma jogada errada.Porque?Os “ídolos” de hoje,não todos fazem isso e fica no consciente deles.É fruto do mau comportamento referencial do esporte.É preciso trabalhar isso..e olha que meu velho pai saía pra jogar até fora,em países e colonias próximas à Amazonia,como Guianas,Venezuela,Trinidad e Tobago,etc.

  18. Os tais ídolos de que aqui falamos se renovam conforme crescemos. Em última análise, para imensa maioria, nem são realmente escolhidos por quem idolatra, tem prazo de validade sujeito ao surgimento do próximo da lista e, infelizmente, tardiamente percebemos que, para cada um, o melhor seria idolatrar a si. Idolatrar sem soberba, sem sentimento de superioridade, mas com zelo pela retidão, pelo caráter, pelas atitudes que dignificam.

    Quanto aos comentaristas desse tipo de “post”, destaco a diferença na postura. Se fosse sempre assim, seria mais prazeroso ler. Como não é, fica o deleite temporário, até que os tetra, penta e contadores de maior torcida ou público pagante voltem a reinar em seus insultos mútuos.

    Não há ídolos na nossa sociedade “teleeducada”, há modelos distorcidos que alimentam a voraz ânsia de consumir o que a tal “grande mídia” dita. Sua mensagem, Graziani, traz um ótimo exemplo de que não precisamos deles.

    Encerrando com frase de mesa de bar: eu sou meu ídolo, logo, sou meu fã e, assim, sem fã ou ídolo, sou apenas o que sou.

    Marcílio, é exatamente isso, meu caro. Vc foi brilhante na sua análise. Eu lamento demais ter que ler comentários bizarros sobre brigas de tamanho de torcida, penta, hexa, tetra e mais um monte de bobagens de gente que realmente não tem noção de quão importante poderia ser esse espaço. Mas comentários como o seu e outros deste post renovam minhas esperanças…abração e obrigado.
    F. Graziani

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