18.01.11 09:14
O título acima pode, a princípio, parecer um exagero.
Mas quem dormiu um pouco mais tarde ontem para acompanhar a estreia da seleção brasileira no Sul-Americano Sub-20 vai ter que torcer o braço e concordar comigo: Neymar sobrou em campo e pelo menos no jogo contra o Paraguai merece todas as honras da vitória de 4 a 2.
Claro que a vitória foi do grupo, do coletivo, mas foi o talento individual do atacante do Santos que foi determinante para o Brasil superar o nervosismo na partida (a equipe terminou o jogo com dois jogadores a menos que o adversário, após as expulsões de Zé Eduardo e Henrique. Até o técnico Ney Franco foi expulso) e a tensão do 1º jogo.
No 1º gol da seleção, Neymar não precisou mostrar genialidade. Apenas, atitude. Pegou a bola para bater o pênalti e converteu.
No segundo, sim, um gol a la Neymar. Drible desconsertante no zagueiro (que ficou sentado no chão) e finalizou com categoria no cantinho.
O Paraguai apertou e diminuiu o placar.
O craque santista apareceu de novo para colocar o Brasil com folga no placar. Num lance em que a impressão deixada foi de que a boa procurou ele, Neymar contou com a sorte para só dar um toquinho de cabeça para marcar mais um.
Já o 4º gol foi uma pintura, para sacramentar a vitória brasileira.
Jogada rápida. Ao perceber o goleiro adiantado, Neymar deu um toquinho por cima, na medida, que morreu no fundo das redes.
Mais um golaço, que para ele tem ainda mais valor porque foi de canhota (o pé bom é o direito).
O Paraguai ainda fez mais um. Mas já era tarde.
A noite era mesmo de Neymar.
Destoando dos demais companheiros, aparentemente nervosos, Neymar foi frio e tranquilo durante os 90 minutos.
Ao fim do jogo, pautou seu discurso pela humildade.
“Penso da seguinte forma: se o Bruno Uvini (zagueiro e capitão da seleção brasileira Sub-20) não corresse e a defesa não fizesse o seu papel, eu não conseguiria fazer os quatro gols. Agradeço a todos os meus companheiros por tudo o que eu fiz”, comentou o atacante.
O caminho é esse. Maturidade dentro e fora das quatro linhas.
Se continuar assim – sem aprontar – não há dúvidas: Neymar fará história no futebol brasileiro e mundial.
FICHA TÉCNICA
Brasil 4 X 2 Paraguai
Estádio: Jorge Basadre, em Tacna (Peru)
Árbitro: Diego Abal (ARG)
Auxiliares: Ricardo Casas (ARG) e Francisco Mondria (CHI)
Cartões amarelos: Danilo, Henrique, Zé Eduardo e Neymar (Brasil); Gustavo Goméz (Paraguai)
Cartões vermelhos: Zé Eduardo e Henrique (Brasil)
Gols: Neymar, aos 25 minutos, e Neymar, aos 33 minutos do primeiro tempo; Viera, aos seis minutos, Neymar, aos 15 minutos, Neymar, aos 18 minutos, Montenegro, aos 38 minutos do segundo tempo.
BRASIL – Gabriel, Danilo (Rafael Galhardo), Bruno Uvini, Juan e Alex Sandro; Casemiro, Zé Eduardo, Lucas (Romário), Oscar (Fernando) e Neymar; Henrique. Técnico: Ney Franco
PARAGUAI - Mario Ovando, Raúl Cáceres, Gustavo Gómez, Diego Viera e Nelson Ruiz (Oscar Ruiz); Diego Benitez, Hernán Pérez, Marcos Gimenez e Ivan Torres (Montenegro); Jorge Ortega (Contrera) e Claudio Correa. Técnico: Adrian Coria
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