Gol

03.07.09 13:17

Se todos fossem iguais a você…

Por: Bruno Formiga | Comentários: Comente

anna-mozartf10000122Ser jornalista é fascinante – apesar de desgastante.

A profissão lhe coloca de frente com situações inusitadas,  histórias tristes e gente pitoresca.

Porém, na rotina da notícia, esbarramos também com pessoas encontadoras.

Ana Moser é uma delas.

A ex-jogadora de vôlei esteve em Fortaleza para divulgar a importância da inclusão social através do esporte.

Ana está à frente do Instituto Esporte & Educação, que tem uma parceria com a Unicef para batalhar pelo direto ao esporte para crianças e adolescentes.

Na quinta-feira,  Ana Moser participou do Grande Debate,  da TV O POVO, e deu um show de maturidade.

Coisa rara em atletas e ex-atletas.

Durante o programa e nas conversas de bastidores, Ana Moser mostrou que faz parte de uma exceção. De atletas que pensam o esporte muito além dos resultados e da conta bancária.

Esporte social
“Tem uma política muito clara de rendimento no Brasil. Não há política para o esporte na escola.  Aquele que acontece é eventual”

Profissionalismo
“Nós, do alto rendimento, vivemos numa redoma. Sempre tem alguém para fazer as coisas por você, o que acaba emburrecendo o atleta”

“Atleta que pensa não interessa a ninguém”

Política
“Não penso nisso agora.  Do que adianta entrar se não lhe dão condições para trabalhar?”

Pan do Rio
“O Pan foi um projeto de cúpula. Os aparelhos não estão sendo usados por ninguém hoje. Aquilo tudo foi mentira para enganar bobo”

Olimpíadas  Rio-2016
“Eu não boto meu nome nisso”

“Em Seul, Barcelona e Pequim, já existia um país por trás. As Olimpíadas não mudaram a cidade, apenas fizeram propaganda de um plano que já estava em prática”

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22.06.09 10:25

Tudo muda

Por: Bruno Formiga | Comentários: Comente

camaleao

Copa do Mundo garantida.

Festinha celebrada.

É hora de começar a encarar a realidade.

Nesta segunda,  em entrevista a Folha de S. Paulo,  o ministro dos esportes Orlando Silva Júnior desconstrói algumas ilusões.

Na verdade,  fala -  o que era para ser -  óbvio.

Abaixo,  alguns trechos.

“Já ouvi que há governo estadual que se interessa em construir ou reformar estádio. Esse é um tema que está fora da pauta do governo federal. Nos Jogos Pan-Americanos, houve dinheiro do Tesouro para instalações, mas não haverá R$ 1 para estádio de futebol”.

“Veja, desde que a Fifa escolheu as cidades-sedes, temos feito um trabalho para firmar uma matriz de responsabilidade, um pacto entre o governo federal, os Estados e as prefeituras. E, nessa matriz, vai estar explícito que o governo federal não tem nenhum compromisso com qualquer investimento para estádios. As cidades apresentaram projetos e vão ter que sustentá-los”.

“Foi um erro não ter um planejamento detalhado no Pan. A segurança estava prevista para custar R$ 13 milhões. Era um número absurdo. Acabou custando R$ 500 milhões. Aprendi no Pan que não se deve especular em torno de números. O importante é fixar a matriz de responsabilidades: quem faz o quê, quem paga o quê. Isso é bom para o governo saber o que vai lhe caber nesse latifúndio. É bom para evitar um desgaste com a opinião pública. Se você fala que custará x, e acaba custando cinco vezes x, a opinião pública fica incomodada, pois é dinheiro público”.

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17.06.09 01:42

Rio 2016?

Por: Ana Flávia Gomes | Comentários: 6 Comentários

No dia 2 de outubro será decidida a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O Rio de Janeiro vai defender nesta quarta-feira a sua candidatura diante do Comitê Olímpico Internacional. No apelo, a promessa de que o evento ajudaria a mudar a realidade brasileira.

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O Rio de Janeiro tem a previsão inicial de gastar 28,8  bilhões de reais - 5,6 bilhões do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) mais 23,2 bilhões dos governos em obras de infra-estrutura, transportes e hospedagem.

Mas no Pan de 2007, o comitê organizador da cidade consumiu mais de 500 % a mais que o valor proposto de R$600 milhões. O Tribunal de Contas da União reclama superfaturamento em várias ações, até mesmo na colagem de adesivos de densidade nos colchões dos alojamentos.

As concorrentes do Rio são Tóquio (Japão), Madri (Espanha)  e Chicago (EUA) e também defendem suas candidaturas amanhã.

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16.05.09 10:30

E viva o País do progresso…

Por: Bruno Formiga | Comentários: Comente

Da Agência Estado

No discurso, o legado do Pan-Americano de 2007 é pomposo, tem frases de efeito e eloquência. Na prática, dispensa retóricas e se desnuda em fatos que põem em xeque sua credibilidade. O último exemplo de desleixo pós-Pan vem do remo e mostra como R$ 1,28 milhão foi parar no lixo.

Para a competição de dois anos atrás, cinco catamarãs e duas lanchas foram construídos. Custaram aos cofres públicos R$ 380 mil. Hoje, estão abandonados. Cinco desses barcos ficaram meses ao relento num hangar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dois permanecem como figurantes à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul. “Os barcos estão sem condições de uso e não temos autorização para ajeitá-los. Esse é o legado do Pan? Fico revoltado com isso”, protestou o presidente da Federação de Remo do Rio, Alessandro Zelesco.

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O descaso no remo não para por aí. Para caracterizar o alto grau de profissionalismo do Pan, uma raia eletrônica foi comprada (por cerca de R$ 900 mil) da Hungria. Seria a grande novidade nas competições na Rodrigo de Freitas. No entanto, por causa de um defeito nos partidores eletrônicos – estrutura que segura os barcos na largada da regata – está recolhida desde o fim de 2007 num contêiner do estádio de Remo da Lagoa. Seus cabos de aço produzem ferrugem e estão com os dias contados.

A diretoria afastada da Confederação Brasileira de Remo (CBR), agora sob intervenção da Justiça, chegou a emitir nota para esclarecer o problema dos barcos. No documento, explica que catamarãs e lanchas foram recolhidos para reparos porque apresentavam “alguns problemas de estrutura e navegação”. Não fala sobre a raia.

“Os barcos que estão sem utilidade têm casco antimarola e são importantes não só para as regatas como para os treinos das equipes”, afirmou Wilson Reeberg, candidato de oposição à presidência da CBR – o pleito realizado em 21 de março foi anulado pela Justiça e nova eleição deve ocorrer até julho.

De acordo com o coordenador do Polo Náutico da UFRJ, Fernando Amorim, um dos responsáveis pela construção dos barcos, não havia nenhum reparo a ser feito quando as embarcações deixaram de ser utilizadas. “Depois do Pan, a Confederação Brasileira de Remo nos pediu que guardássemos os barcos e eles nunca mais apareceram para pegá-los”, disse.

O dinheiro investido nos barcos e na raia veio do governo do Estado. Também custeou os atracadores flutuantes (com mais R$ 460 mil) localizados no estádio de Remo da Lagoa. “Estamos diante de uma negligência da CBR, que não sabe o que fazer com esses barcos”, prosseguiu o coordenador da UFRJ.

Outros problemas atormentam quem acreditava ver os equipamentos do remo no período do Pan à disposição de atletas, clubes e de federações. Alguns deles chegaram a ser propalados como exemplos de legado e nem sequer saíram do papel, como a cabine de largada e uma nova torre de arbitragem.

A raia, conhecida como albano, supera, contudo, todo o descaso possível com os aparelhos e instalações do remo na Lagoa. Simplesmente não funcionou quando chegou da Hungria. Partidores eletrônicos com defeito tiveram de ser substituídos por outros que vieram do Paraná em caráter de emergência. Após o Pan, houve a devolução para a federação paranaense e o conjunto da moderna raia deixou de ser aproveitado.

Na fase de instalação da raia, 16 poitas enormes – estruturas de concreto de 300 quilos cada para servir de base às boias – foram colocadas na lagoa. Quando os cabos de aço tiveram de ser retirados, não se demarcou o lugar das poitas e isso ocasionou mais uma frustração para a comunidade carioca de remo.

Atletas e clubes pretendiam servir-se das poitas, deixando de lado os galões com britas que delimitavam as boias. Mas nem mesmo a contratação de um homem-rã foi suficiente para que as grandes estruturas de concreto pudessem ser encontradas. As poitas tiveram um destino parecido com o do dinheiro público aplicado no remo: afundaram no lodo da lagoa.

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Ciro Câmara

Ciro Câmara

Ciro Câmara, 30 anos, jornalista formado pela UFC em 2005. Foi […]

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