27.03.12 15:56
Creio ter recebido quase duas dezenas de relatos de confusões na parte externa e interna do estádio Presidente Vargas desde antes mesmo do início do segundo Clássico-Rei do ano. Relatos de abusos, humilhações, brigas de envergonhar qualquer cidadão de bem e dar razão a quem prefere acompanhar o jogo de casa.
As questões internas saltam aos olhos, pela maior exposição. Foram arrancadas 35 cadeiras (20 do lado tricolor e 15 do alvinegro, conforme a Prefeitura) e o prejuízo vai pesar no bolso dos clubes. E muito bem. Aplicá-la apenas para a FCF sob o argumento de que ela é a “mandante” do jogo é simplório. Os clubes também precisam ser responsáveis pelos desmandos das torcidas organizadas. Afinal, não são amiguinhos delas!
As facções até fazem bonita festa durante a partida. Mas, em minha opinião, a relação custo-benefício não é positiva para o futebol. Novamente, foram inúmeros os depoimentos de depredações e confrontos entre os “organizados” nas cercanias do PV e em outros pontos da cidade – guardas municipais foram até baleados. Penso que a depredação da parte interna do estádio é ainda mais lamentável. Não que coloque a segurança dos outros em perigo, como nas arquibancadas, lógico, mas por ser praticada, em tese, por pessoas que seriam esclarecidas.
Há o registro de uma porta do hall de entrada danificada – sem que o autor do fato tenha ainda sido identificado – e as imagens de muitos armários do vestiário do Fortaleza amassados. Podem até argumentar, mas não compreendo justificativa para ambos os casos. Depois ainda muitos discursam pregando a paz nos estádios.
A Prefeitura também deveria usar o caso como emblemático. Afirma aos quatro cantos que o PV possui 105 câmeras, mas não se conhece o caso de algum torcedor impedido de entrar no estádio após ser flagrado danificando o patrimônio público. O Poder Judiciário ajudaria, e muito, colocando um Juizado Móvel no local também, para acelerar a punição. A sensação de impunidade fortifica a ação dos baderneiros.
Abaixo, trecho do Estatuto do Torcedor que prevê punições aos arruaceiros.
Art. 39. O torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores ficará impedido de comparecer às proximidades, bem como a qualquer local em que se realize evento esportivo, pelo prazo de três meses a um ano, de acordo com a gravidade da conduta, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.
§ 1 Incorrerá nas mesmas penas o torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar a violência num raio de cinco mil metros ao redor do local de realização do evento esportivo.
§ 2 A verificação do mau torcedor deverá ser feita pela sua conduta no evento esportivo ou por Boletins de Ocorrências Policiais lavrados.
§ 3 A apenação se dará por sentença dos juizados especiais criminais e deverá ser provocada pelo Ministério Público, pela polícia judiciária, por qualquer autoridade, pelo mando do evento esportivo ou por qualquer torcedor partícipe, mediante representação.
Complemento à lei falando das organizadas.
Art. 39-A. A torcida organizada que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, fiscais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos.
Art. 39-B. A torcida organizada responde civilmente, de forma objetiva e solidária, pelos danos causados por qualquer dos seus associados ou membros no local do evento esportivo, em suas imediações ou no trajeto de ida e volta para o evento.
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08.02.12 19:37
Parece brincadeira, mas não é. A poucos dias do primeiro Clássico-Rei do ano a partida pode ter nova reviravolta. A novidade (extra-campo, para variar) do dia foi o pedido do Ministério Público para que o Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (TJDF) não permita a presença de 10% da torcida visitante nos jogos.
Segundo o procurador de justiça José Wilson Sales, do Nudetor, o MP acredita que a presença de uma flagrante minoria de visitantes no estádio Presidente Vargas colocaria em risco a segurança dos torcedores. Exige ou a divisão dos ingressos (50% com carga reduzida) ou mesmo a torcida única. O Nudetor se posicionou sobre o tema ao ser acionado pelo Ceará.
Matéria do site Globoesporte.com/ce afirma que o recurso não faz menção a um possível adiamento da partida. No entanto, o repórter Everardo de Sousa, da rádio O POVO, apurou junto ao representante do Ceará na Federação, Jocélio Alves, que a medida extrema pode ser adotada pelo MP. O pedido corre em regime de urgência porque os ingressos precisam ser colocados a venda com 72 horas de antecipação – ou seja, nesta quinta.
O Ceará antecipou que, caso a tese dos 10% seja mantida, pretende entrar com mandato de segurança para colocar a responsabilidade do mando do clássico nas mãos da Federação Cearense de Futebol.
Em entrevista ao Trem Bala da TV O POVO, um dos auditores do TJDF, Ernando Uchoa Lima Sobrinho, disse não ver perigo na presença dos 10% de torcedores no estádio.
É bom lembrar a todos – torcedores, imprensa e, principalmente dirigentes – que tudo o definido para o Clássico-Rei deste domingo será aplicado também no jogo do dia 25 de março.
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29.07.10 00:54
O Estatuto fracassado – parte 1
Concordemos ou não em alguns casos, lei é lei e deve ser cumprida. Então, vamos aos fatos de alguns jogos de hoje.
Sempre que der, vamos mostrar alguns jogos e o desrespeito ao fracassado Estatuto do Torcedor.
CSA x Ceará – Pênalti marcado para o Ceará e a torcida grita para o juiz: “Uh, vai morrer”
Internacional x São Paulo - Bandeiras com mastros. / Fogos de artifício.
Santos x Vitória – Muitos sinalizadores. / “Torcedores” apontam dedo e gritam com a polícia.
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