Gol

15.04.11 08:21

Entrevista exclusiva com Stoichkov

Por: Bruno Balacó | Comentários: 14 Comentários

Hristo Stoichkov está em Fortaleza chefiando a delegação búlgara no Mundial de Futebol Escolar. Foto: Rafael Cavalcante/ O POVO

Um dos maiores gênios do futebol está em Fortaleza. Hristo Stoichkov, líder da geração que levou a Bulgária ao 4º lugar na Copa do Mundo de 1994, chefia a delegação de seu país no Mundial de Futebol Escolar, disputado desde o último dia 10 na Capital.

Essa semana, o ex-jogador recebeu O POVO para um bate-papo. Na conversa, muito futebol:  falou dos bons tempos no Barcelona, na seleção búlgara, a parceria com Romário e seleção brasileira.

Entre as revelações, uma chamou atenção: Stoichkov disse que nunca ouviu falar de Neymar, maior astro do futebol brasileiro da atualidade. Confira a entrevista na íntegra

Como está sua vida hoje?

Está bem tranquila. Nunca perdi a alegria, a responsabilidade e a vontade de ajudar as pessoas. Estou como treinador do Mamelodi Sundowns, time da África do Sul. Sempre viajando para Espanha e Bulgária, onde tenho escolinhas de futebol. Hoje posso dizer que tenho tempo para dar atenção a todos.

És o chefe de delegação da Bulgária no Campeonato Mundial de Futebol Escolar. Como avalia esse grupo que trouxe para Fortaleza?

Acho que é uma oportunidade única para eles. Temos alguns jovens talentos. Ficamos muitos anos sem trabalhar a base nos colégios. Agora estamos nos reestruturando.

Stoichkov foi um dos dois artilheiros da Copa do Mundo de 1994, com seis gols. Foto: Divulgação

E a Bulgária da Copa do Mundo de 1994? Que time era aquele, hein?

Certamente será único. Credito o sucesso que tivemos a união de vários jogadores importantes. Tínhamos muito respeito uns com os outros, amizade e bom comportamento.  Cada jogador sabia sua responsabilidade. São tempos que não voltam, em que a Bulgária viveu o apogeu de seu futebol.

O que aconteceu depois de 1994? A Bulgária não foi mais a mesma em Copas do Mundo?

No futebol quando não se trabalha base as coisas não funcionam. Por muito tempo não se trabalhou o futebol de base na Bulgária como se deveria, sobretudo nos colégios. E isso faz a diferença no futebol. As próximas gerações ficam comprometidas.

Você jogou e morou por muito tempo em Barcelona. Ainda continua próximo do clube?

Vou a muitos jogos do Barcelona. Algumas partidas acompanho o clube. Afinal, faço parte da história do clube. Colocamos a primeira pedra para o Barcelona crescer e chegar ao que é hoje.

O que acha de Lionel Messi?

Messi é espetacular. Sem dúvida o melhor jogador de futebol do mundo. Não só pelos gols. Ele demonstra ser grande pela humildade.

Stoichkov e Romário formaram dupla de ataque por muito tempo no Barcelona. Desde 93 são grandes amigos. Foto: Divulgação

Você jogou com muitos jogadores brasileiros. Qual te chamou mais atenção?

Romário. Romário é o maior jogador da história. É um jogador que tenho um carinho muito grande. Somos amigos íntimos. Para mim, existe um Brasil antes e depois no Romário.  O Brasil tem Pelé, Zico, Sócrates, Mauro Silva, Dunga, Taffarel, Raí, Muller, mas tenho que dizer que Romário é o número 1.

E o Ronaldo, o fenômeno?

É um grande jogador. Nada mais.

E Neymar?

Não conheço. Nunca ouvi falar.

É a primeira vez que está aqui em Fortaleza.

Sim. Já vim muitas vezes aqui no Brasil, mas para o Rio de Janeiro, Brasília, Belém e outras cidades do país. Achei uma cidade bonita. Gostei da praia.

Ainda é bem reconhecido por onde passa?

Sim. Creio que é um reconhecimento grande porque joguei oito anos em Barcelona e doze anos na seleção da Bulgária. Joguei na Itália, Japão, Estados Unidos e Arábia Saudita. As pessoas te conhecem porque formamos um verdadeiro Dream Team no Barcelona.

Certa vez disse numa entrevista que existem dois Cristos no mundo e você era um deles (em búlgaro Hristo significa Cristo)…

É isso mesmo. O que posso fazer. O meu nome está na história. Nada pode mudar isso. Meu nome é conhecido em todo mundo. Seja por bem ou por mal.

E a amizade que tem com Romário?

Somos amigos íntimos. Irmãos mesmo. Formei uma dupla temível com o Romário no Barcelona. Sou amigo dele desde 93. Quando ele vai para a Espanha fica na minha casa. Quando venho pra cá fico na casa dele. Sempre conversamos por telefone, falamos sobre como vai a família e os amigos. Foi o dia mais feliz da minha vida quando ele chegou disse que foi o melhor jogador do mundo graças a mim, que o ajudei, nos tempos de Barcelona.

A entrevista para O POVO foi realizada no Marina Park e todo o bate-papo foi em Espanhol, idioma que o ex-jogador domina bem. Foto: Rafael Cavalcante/ O POVO

E a perna esquerda que o consagrou, como está?

Está bem. Às vezes jogo, mas não tanto como antes, mas jogo.

Esteve na África do Sul também como comentarista?

Estive comentando futebol para a Televisa – rede de televisão mexicana. Agora o próximo passo é ir também à Copa América, este ano, na Argentina, com mesma equipe do Mundial. Vai ser interessante. Conhecerei muita gente na Argentina. Assim ficarei perto de meu amigo Maradona.

Como avalia a seleção brasileira de futebol hoje?

Acredito que o Brasil tinha um bom treinador para ser campeão na Copa, que era o Dunga. Poucas vezes uma seleção vai encontrar um treinador como ele. Ele tinha uma equipe organizada. No futebol nem sempre se pode ganhar. Em 98, o Brasil tinha um time espetacular e perdeu por 3 a 0 para a França. Creio que o Brasil terá uma grande desafio agora com a Copa do Mundo, daqui a três anos. Jogar uma Copa do Mundo em casa, com muita pressão. Não será fácil.

E o Mano Menezes?

Não o conheço.

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Ciro Câmara

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Ciro Câmara, 30 anos, jornalista formado pela UFC em 2005. Foi […]

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